Brigada Ligeira Estelar – Armas e Ataques

Quando os inimigos da humanidade são muitos e imprevisíveis, é preciso estar preparado para qualquer possibilidade — e as tropas não podem se contentar apenas com o armamento convencional!

Ataques
o
Uma fonte de desapontamento comum entre pilotos novatos da Brigada Ligeira Estelar é que eles recebem seus robôs quase que em estado puro. Tudo que eles tem de armamento é o básico: um sabre de energia para ataques corpo-a-corpo, uma pistola de energia para ataques à distância. Eventualmente, em missões específicas ou até mesmo com caráter integral em áreas localizadas, os robôs podem ser abastecidos por baterias de mísseis, mas nada mais além disso. Por outro lado os Proscritos podem apresentar uma variedade impressionante de armas e periféricos. Em combate, a desvantagem parece desleal.

Mas não é bem assim. É de costume assumir, de acordo com as normas que sempre nortearam o Corpo Imperial de Guarda da Brigada Ligeira Estelar desde sua criação, que o esforço deve ser recompensado e os recursos para a potencialização da qualidade de um piloto devem ser liberados. Assim, a medida em que os oficiais hussardos executam mais feitos e se destacam ou atingem metas de carreira, o padrão é liberar a instalação de tepeques — um a princípio, dois ou mais quando há uma intenção de combinação de seus efeitos em estágios superiores.

Tepeques são basicamente pacotes de habilidades automáticas, que costumam exigir bastante dos robôs para serem executadas, mas que por outro lado podem ser um diferencial fabuloso em combate para um piloto. Sua acumulação costuma ser polêmicao entre os círculos de robôs duelistas: para uns, ele é uma arma válida em duelo; para outros, ele é uma trapaça desleal. De modo geral, para fins de jogo, ele funciona como um pacote de implementos e ataques especiais.

O Tepeque Original

Na sua versão inicial, o tepeque se tornou um modelo de equipamento bastante associado aos robôs mais primitivos dos tempos do Grande Vazio, como a própria origem etimológica da palavra (do anglo-saxão Techpack) atesta. Os primeiros tepeques surgiram uma espécie de mochila de ferro anexada às costas de robôs gigantes, fixadas por armações nos ombros e no peitoral do construto. Em miúdos, eles eram a forma com a qual se inseria novos implementos em um robô. Alguns robôs da época tinham espaços internos para canalizar ataques provocados por implementos em tepeques e fazê-los sair pelo peitoral.

A princípio, eles contavam com um pacote fixo de cordas retráteis ligadas a arpéus, capazes de funcionar tanto para escaladas quanto para permitir a descida segura de transporte aéreo, além de imobilizar o oponente (amarrando-os), interceptar um ataque ou atacá-los à distância (corte), além de dar impulso a saltos (atirando num ponto, acionando o modulo retrátil e jogando o robô pra cima, para em seguida soltar o gancho da parede e concluir o salto). Com os séculos eles foram aperfeiçoados, incluindo capacidades mais avançadas como vôo. Mesmo hoje essas versões mais rudes não desapareceram; são vistas como quebra-galho para robôs inferiores, sendo ainda usado por lanceiros em casos especiais.

Tepeques mais antigos aglomeravam as vantagens Ataque Especial (penetrante, preciso), Deflexão, Paralisia e Salto, mas nos dias de hoje os tepeques evoluíram e podem reunir o pacote de vantagens que o mestre de jogo desejar para sua campanha.

O Tepeque Moderno

Nos dias de hoje, o tepeque é uma mera placa a ser anexada (usualmente) na parte traseira de um robô gigante, inserido por um mecanismo de encaixe que lembra os antigos computadores com disquetes do primeiro século do Calendário Espacial. É comum que dependendo do tepeque, ele exija a anexação de periféricos que permitam seu uso. Se um Tepeque contiver um ataque especial baseado em PdF, ele precisará ter como pré-requisito PdF1 pelo menos; um ataque especial que gere movimentos específicos (pense em um robô que executa um movimento rotacional em alta velocidade com duas espadas mais poderosas que o sabre de energia comum, fazendo desse giro um ataque de área) exigirá como pré-requisito Aceleração e mais duas espadas, representada por um PdF maior pelo menos! A não ser que as espadas sejam dois itens especiais, que para serem empoderadas precisarão ser alimentadas por mais dois tepeques…

Em termos de jogo, ter um tepeque é simples: é um Item Especial, construído com as regras do Capítulo 8 do Manual 3D&T Alpha. Caso você tenha a vantagem Patrono, não precisará se preocupar com seu custo. Isso permite que um robô mais limitado possa acompanhar os demais em termos de capacidades. É possível encontrá-los até mesmo em robôs com menos recursos, como Cargos modificados, mas eles não são motivo de piada; alguns podem ser bem poderosos. Isso acontece porque embora a posse de um robô gigante seja restrita, a posse de um tepeque não o é; ele é apenas uma placa de ferro de forma quadrada e com pouco mais de um metro.

De forma geral, o custo de um Tepeque vem em PE (como qualquer item especial) — e por isso mesmo não se espera que um novato carregue um. E por outro lado, este tem sido um grande estimulador para novas gerações de pilotos das Guardas Imperial e Regenciais. Afinal de contas, todos querem pilotar robôs realmente poderosos! Mas é claro, há aqueles que passam da conta e transformam a vontade de fazer de seu robô mais forte uma obsessão…

Novo Robô: ACUMULADOR

O Acumulador (em geral, pilotado por um Forte — ver Belonave Supernova Vol. 1, página 9) pertence a um piloto que agrega compulsivamente mais e mais Tepeques para tornar seu robô mais e mais poderoso. É virtualmente impossível para alguém dentro de uma guarda se encaixar neste perfil de piloto, devido ao grau de customização exigido — portanto, os Acumuladores em geral são aqueles que tem seus próprios robôs de combate. Para adicionar mais slots de encaixe, ele acaba tendo que fazer modificações na blindagem (em termos de pontos, isso pode significar sacrificar blindagem e convertê-las em pontos para comprar mais tepeques — ver regras de blindagem em Brigada Ligeira Estelar, página 46). Isso pode tornar o robô mais frágil no corpo-a-corpo, mas a criação de campos de força e até alguns ataques especiais com tepeques baseados na própria força do robô tende a compensar isso.

Normalmente, o robô tende a ter sua aparência original bem desfigurada: muitos comparam esses construtos às mulheres que fizeram plásticas atrás de plásticas até ficarem monstruosas ou aqueles fisiculturistas que beiram a monstruosidade. É fácil reconhecer de vista um Acumulador (eles tendem a ser maiores e mais carregados de periféricos) e ser seu dono não traz má ao piloto a melhor das reputações, mas há casos e casos. Alguns grandes heróis já pilotaram robôs acumuladores.

Em termos de jogo, o Acumulador não é bem um robô gigante, mas um pacote de customização. Seu pré-requisito básico é que o piloto tenha Aliado Gigante entre suas vantagens (nenhuma guarda permitiria que ele anabolizasse um robô de caserna a esse ponto), Modelo Especial (ver Manual 3D&T Alpha) e Adaptador. A rigor, ele começa com um número de tepeques igual a sua resistência, podendo alterar esse número inicial graças ao uso das regras de blindagem. Ele recebe a desvantagem Má Fama ao comprar esse pacote, sem ganho de pontos por causa disso, mas pode recomprar essa Má Fama durante a construção de personagem (sim, você precisará pagar para não tê-la). Ah, sim, seu piloto precisará da insanidade Obsessivo (-1 ponto) — porque afinal de contas você quer tornar seu robô mais e mais forte, e passou da conta nesse sentido…

Alexandre Lancaster • 14/05/2015

Comentários