Brigada Ligeira Estelar – Os Bravos Escalantes

A Brigada Ligeira Estelar não existia, mas um povo criou armas para enfrentar o inimigo! Conheçam os Escalantes de Montalbán!

Escalantes
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“E nem a dentada do ferro
Devora o enxame que avança
A chama que no peito encerro
Flama que à fornalha se lança
O gris é laranja na morte
Na morte o que é gris vira gris
Às cinzas da sorte,
mais brilha o forte
e só — só no bravo
o gris se faz alvo.”

Isabelita Jara*, Canção do Escalante (1831 C.E.)

Um dos eventos mais dramáticos da Insurreição Tarsiana foi o período em que o planeta Montalbán foi tomado pelos invasores e sua princesa, transformada em refém. Robôs gigantes passaram a ser vigiados — e muita vezes tomados para aumentar suas tropas e de aliados — pelas forças de Tarso. Então a retomada do planeta passou a depender dos Voluntários do Sabre — a unidade que viria a dar origem à Brigada Ligeira Estelar. Mas o povo não iria assistir a isso calado.

O traje escalante é um símbolo de orgulho nacional para o Montalbaniano: na falta de recursos, eles improvisaram uma roupa de escalada que os permitisse atacar os sensores da cabeça e, mais importante, a cabine do inimigo com armamento pesado. A ideia era atacar os tarsianos como saúvas famintas. Um grupo de Escalantes, com uma boa estratégia, pode inutilizar um robô gigante inimigo isolado na base da surpresa, usando bombas à queima-roupa em seus pontos mais fracos, mas dificilmente conseguiria sobreviver contra esquadrões de robôs armados até os dentes. O Escalante ataca robôs isolados — no máximo dois robôs e ainda assim em grupos com mais de vinte pessoas (que teriam dificuldade em desaparecer do local de sua ação — o que não deixa de ter seu valor em coragem).

Mesmo hoje, o aguerrido povo Montalbaniano exalta os seus escalantes como uma manifestação de sua vontade de lutar. Mesmo a Brigada Ligeira Estelar os respeita. Há o consenso de que se um dia os Tarsianos voltarem, eles vestirão esses trajes mais uma vez. O seu valor simbólico ainda é muito forte — e seu conceito, em termos militares, ainda tem grande utilidade ao se empreender combates de guerrilha, tanto que na cidade que mais os concentrou, Batalha, se localiza a Grande Academia dos Operativos de Infantaria Especial de Montalbán, aonde são treinadas as técnicas escalantes dentro das forças oficiais do planeta.

Trajes escalantes são fáceis de improvisar (até mesmo seus sensores são adaptados de materiais usados em carros magnéticos, encontráveis em qualquer loja de acessórios), por isso podem ser muito usados por terroristas, mas a aura do traje escalante específico usado pelo povo de Montalbán permanece intocada. São um sinônimo de bravura.

Em Combate

Assim como as armaduras dos fuzileiros, a construção do escalante se dá de forma convencional: o personagem deve comprar, no lugar de Aliado, a vantagem Forma Alternativa (ver Página 33 do Manual 3D&T Alpha), correspondendo ao seu traje especial. Além disso, todos os seus ataques contra um robô gigante contam como dano localizado, e são sujeitos tanto às regras da página 47 de Brigada Ligeira Estelar quanto a uma variação das regras de combate com hordas em Belonave Supernova: um grupo de dez escalantes é considerado, para fins práticos, um único oponente na mesma escala e sua natureza de enxame torna mais fácil de que se atinja um dos personagens do grupo ao acaso.

De certa forma, os robôs e um grupo de Escalantes estão na mesma escala — por isso ele não tem os redutores da diferença entre escalas. Pontos de vida representam pessoas de um grupo — e certamente elas serão mortas, porque apesar de tudo, falamos de uma pessoa atingida por uma arma que sim, tem diferença de escala. No caso de um robô ter um acerto decisivo, entretanto, o personagem jogador entrou na mira e terá que fazer um teste de habilidade difícil. Caso contrário, ele será atingido… e receberá sobre si o dano na escala Sugoi, sem conversão de escala. É mais do que arriscado, mas que ninguém se iluda: um escalante sozinho não tem como vencer um robô gigante. Ser um Escalante é trabalhar em equipe e saber que pode não voltar vivo para casa.

KIT: ESCALANTE

Pré-requisitos: Forma Alternativa: Sentidos Especiais (infravisão, radar, visao aguçada); perícia completa (Esportes); Implemento: Explosão.

Fragilizando o Oponente. Gastando um movimento e 3 PHs, o Escalante pode atacar como se seu oponente tivesse a desvantagem Ponto Fraco; se dobrar o número de PHs (leia-se, um movimento e 6 PHs), ele pode fazer o mesmo, mas dessa vez é como se tivesse a mesma escala de seu inimigo.

Esquiva acrobática. Dado o tamanho dos seus oponentes, um único erro ao evitar seus ataques pode ser fatal. Por isso, treina para não errar: ao enfrentar um inimigo de escala superior à sua, ele pode se esquivar com testes da perícia Esportes, ao invés do teste de Habilidade padrão. Ele ainda possui um número máximo de esquivas por turno igual à sua Habilidade.

Experiência em quedas. Enfrentar robôs gigantes tem outros perigos além dos ataques inimigos – uma queda do alto de um robô de vinte metros de altura pode ser tão mortal quanto quanto um golpe de seu sabre! Felizmente, o Escalante é acostumado com esse tipo de acidente, e recebe sempre o dano mínimo de quedas de qualquer tipo (por exemplo, 3 em 3d).

* Isabelita Jara (★1815 C.E.-✝1831 C.E.): Poetisa e cantora. De grande talento e rara beleza, recusou a chance de se tornar uma celebridade (e suas letras, complexas e combativas, deixam claro que ela não tinha realmente esse perfil) para se tornar fundadora e líder de um grupo de mulheres escalantes, já que os grupos locais se recusavam em deixá-la unir-se a eles. Essa unidade foi a que maiores danos causou aos invasores entre os escalantes — embora isso seja até hoje contestado, graças à cultura ferozmente masculina de seu mundo. Isabelita teve uma morte selvagem nas mãos das forças Tarsianas e se tornou uma mártir — e um mito — para seu povo. Suas canções são lembradas até hoje em Montalbán.

Arte por Altair Messias

Alexandre Lancaster • 25/05/2016

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