O Enigma das Arcas, Ato XI — Marcas do Passado

O final de um ciclo dá início a uma nova fase nas atribuladas aventuras de Enemaeon de Ridembarr, deixando Ciela para trás para explorar o Reinado. Começa o segundo arco de capítulos do Enigma das Arcas!

armageddon-enigma-garlorNão há para o homem nada mais repulsivo do que a visão de um morto-vivo. Não é apenas a sensação que a aparência pútrida evoca, tampouco o cheiro incômodo da morte que penetra e resseca a garganta. O que realmente enoja aqueles que se encontram face a face com este tipo de criatura é a revolta pela profanação de um semelhante. Tais pessoas defendem a ideia absurda de que, mesmo naquele estado de desgraça, o corpo ainda está ligado a alma. E que ambos sofrem pelo estado miserável no qual se encontram.

Claro, sempre haverá quem não liga para isso. Exploradores de túmulos e masmorras, mercenários… Heróis. Esse tipo de gente acaba se acostumando com a ideia de algo que não está nem vivo e nem morto. Veem carne como apenas carne. E os abatem como fazem aos animais e aos monstros que se colocam no caminho. Do pó ao pó.

Temos ainda um terceiro grupo, formado por aqueles que não temem e tampouco destroem os mortos que andam. São os seguidores das trevas: clérigos da noite, da morte e os magos necromantes. Pessoas que encontram outras utilidades para os desmortos: transformando-os em servos, guardiões ou em trabalhadores incansáveis. Dominando-os em benefício próprio. 

Por motivos obviamente relacionados a uma série de tabus antigos, a necromancia costuma ser malvista ou até mesmo depreciada pelo povo comum. A carne é normalmente encarada como algo sagrado e tida por algumas vertentes religiosas como a morada da alma durante a vida terrena, devendo ser resguardada após o findar dos dias em Arton. Essas e outras velhas ideias de tempos remotos perpetuadas pela ignorância contribuem para que milhares de cadáveres aptos a uma série de pesquisas profundas quanto os segredos da vida e da morte se percam, devorados pelos vermes em um caixão de madeira.

Para esses puritanos do povo, a necromancia é maligna em sua essência e por isso deve ser punida como crime. Este erro leva inúmeros pensadores e estudiosos ao isolamento, efetuando pesquisas em condições precárias, conquistando objetos de trabalho como verdadeiros ladrões de cemitérios. Isso, aliado a tolice popular, comumente termina com a morte de outro gênio desconhecido na ponta da espada de um grupo de irresponsáveis que pensam com os punhos, não raro contratados pelas supostas vítimas, um bando de abutres que não aceitam dividir o pasto com qualquer um que pense em algo além de manter cascas vazias apodrecendo numa cova.”

Esta tese, tal e qual transcrita aqui, calou o auditório da Grande Academia Arcana de Valkaria, tamanha era a força que emanava dos olhos e da voz do aluno que a defendeu. Na época, Enemaeon contava vinte e três anos e acreditava que os fins justificavam os meios. Para ele, as descobertas proporcionadas pelo estudo da anatomia do corpo humano seriam vitais para o crescimento da medicina e para a cura de uma série de doenças até então possíveis apenas através da magia. Alertava ainda sobre o perigo de depender cegamente de feitiços, algo estranho de se ouvir da boca de um mago.

Aquele foi seu último semestre na Academia que frequentou desde os doze anos. Seria expulso até o findar dele, em 1393, por realizar um experimento não-autorizado que resultou na morte de uma aluna. Os fins justificavam os meios. Mesmo após a tragédia, Enemaeon jamais mudou de opinião. Tanto que era esta a frase que passava pela mente dele quando invadiu o casarão dos Anon explodindo a porta da frente com uma bola de fogo. Lascas, cinzas e fumaça se misturavam no entorno do corpo judiado do mago. Nas mãos trêmulas, o pergaminho se desfez em pó.

Os carniçais instintivamente se curvaram, buscando refúgio da luz do dia e do fogo mágico que queimava a madeira e se alastrava pela tapeçaria do casarão. Palmira, nome este que Enemaeon jamais conheceu, foi a que mais sofreu com a chegada repentina do sol. No mesmo instante em que as bênçãos de Azgher caíram sobre ela, a vampira começou a morrer, gritando. A pele dela se abriu em chagas que liberavam pus e sangue. Os músculos e a gordura expostos escorreram, desfazendo-se em uma poeira negra soprada para longe por um invisível turbilhão infernal.

Após três passos, toda a carne dela já havia desaparecido por completo, deixando apenas os ossos limpos para trás. E mesmos estes se arrastavam pelo salão procurando escapar para as sombras. As presas soltas caíram da boca enquanto o esqueleto esfarelava e sumia. No último instante, a criatura se virou na direção do mago, as órbitas vazias no crânio que se decompunha tinham para ele um ar de incredulidade e raiva. Sentimentos que também se apagaram com todo o resto. Houve um segundo de silêncio. E então começaram os urros.

Os mortos, prisioneiros da vontade da vampira, gritaram de agonia e desespero. Odiavam o estranho que de pé sob a luz entoava cânticos antigos, mas não se atreviam a chegar mais perto do calor. Paixão e ódio os enlouqueciam, e loucos se atiravam aos instintos mais primitivos. Agrediam uns aos outros, se violentavam como animais sem controle. Alguns se perdiam em um beijo longo que terminava em mordidas arrancando dentes e carne. Outros fugiam em prantos, batiam a cabeça contra o chão, rasgavam a própria face. Os que resistiam a demência procuravam atacar a fonte de toda aquela dor, mas desmoronavam perante o brilho do sol. Eram destruídos sem que Enemaeon precisasse mover um dedo.

A onda de loucura durou poucos minutos e tudo o que restou dela foi fumaça e poeira. Considerando-se a salvo, correu até o companheiro caído no centro do salão. O rosto de Garlor era uma massa amorfa e o peito arquejava com dificuldade. Pelo menos três costelas estavam quebradas, perfurando-lhe os pulmões. Os hematomas eram tantos que seria inútil contá-los, assim como as marcas de dentes, resultado da agressão prolongada dos oponentes. O mago retirou um frasco do próprio bolso e desenroscou a tampa. Um odor acre inundou o ambiente — não quero nem saber do que isto é feito.

Precisou forçar o líquido escuro e viscoso garganta adentro, derramando o conteúdo aos poucos. A poção desceu lentamente, dando início a um espetacular processo de recuperação nas feridas de Garlor. Era possível ver nitidamente um pequeno milagre operando no corpo castigado, com a pele cicatrizando enquanto os hematomas sumiam. Enemaeon sabia que o pior viria em breve, por isso rasgou  parte das longas mangas dos trajes que vestia e torceu o tecido, formando uma mordaça que colocou entre os dentes dele. Logo após, segurou os braços do ladino e forçou-lhe os ombros contra o assoalho, tentando mantê-lo o mais parado possível.

— Pensando melhor, eu deveria ter comprado a poção mais cara — comentou.

Um barulho característico de carne rasgando foi ouvido e quando se repetiu, Garlor acordou gritando. O necromante precisou usar toda a força para que não fosse jogado para trás pelos espasmos violentos provocados pela recuperação forçada. Quando a terceira costela voltou para o lugar, empurrando os músculos que estavam no caminho, uma onda de alívio o despertou. O ladino sentiu a força regressar conforme a respiração normalizava. Em poucos minutos Presas de Prata foi arrancado dos portões dos reinos celestes e estava novamente vivo. Sentou-se um pouco confuso, sentindo o cheiro da fumaça e o calor provocado pelo incêndio que crescia. Ao longe, repercutiam sinos.

— Precisamos correr daqui — disse o mago ainda no chão.

— Eu pensei e você disse — comentou Garlor. Se sentia lento, pesado, mas bem. Colocou-se de pé estendendo a mão para Enemaeon que a aceitou.

— Por que você está sozinho? — perguntou o mago.

— Felrond foi se encontrar com o velho, conforme o plano. Fui reconhecido e atacado. — respondeu ele também preocupado com o companheiro — Não o vi desde então. Quanto tempo fiquei apagado?

— Pouco, pois ainda estava vivo quando cheguei. Temos que encontrá-lo rápido e sumir daqui, senão…

— Senão o que, estrangeiro? – perguntou um sujeitinho de aspecto confiante, apesar da baixa estatura e da voluptuosa barriga proeminente que lhe escapava dos trajes de capitão da milícia. Toda esta coragem era visivelmente incentivada pela presença de pelo menos mais dez homens do pelotão de guarda do Priorado de Ralcazar, além dos populares que com baldes procuravam extinguir as chamas do casario. Ao lado, um homem de meia idade de cabelos grisalhos sorria. Enemaeon o reconheceu como sendo o ahleniense que lhe alugou a carroça.

— Chegou tarde, capitão — respondeu o mago encarando o grupo de escolta com um mal pressentimento.

— Ao contrário — foi a resposta do obeso líder do grupo — Chegamos até bem cedo! Homens, procurem em toda parte. Vocês dois estão presos por atacarem uma residência em Ahlen. E a julgar por toda esta bagunça, também por alguns crimes mais graves…

(***)

— Tudo isso não faz o menor sentido! — bufou a mulher pousando o copo na mesa com estrondo. Sabia que estava um pouco embriagada, mas a sensação era bem vinda agora. A bebida ajudava a soltar a língua. Quem respondeu a imprecação foi uma voz serena de senhora, ainda firme, mesmo que arranhada pelo tempo:

— Ao contrário! Só o que existe é o sentido!

Camila teve que fechar os olhos para engolir a raiva. Não estava disposta a encarar novamente toda aquela conversa mística que Cecili adorava incutir nas discussões que tinham. E ultimamente haviam sido muitas. O teor das missões nunca fora claro para ela, mas em geral isso não a perturbava. Não era clériga e nem sábia, afinal. Mas, nos últimos dois anos, as entregas se tornaram cada vez mais absurdas, culminando nas ordens que recebera naquele instante. Tomou outro gole buscando coragem e disse:

— A senhora nunca falhou comigo desde que eu era uma garotinha ranhenta. Para o bem ou para o mal, você foi tão responsável pelo que sou hoje quanto meus pais. Sempre a vi como uma avó querida, e ainda vejo.

— Fico feliz em ouvir isso — tornou a velha com um sorriso de rugas e gengivas. Os olhos dela eram de um azul claro que beirava ao cinza. A pele fina de pergaminho e os cabelos brancos a faziam parecer tão frágil que Camila por muito pouco não desistiu de colocar em palavras o que lhe passava pela mente. Mas já havia ido longe o suficiente para voltar atrás agora.

— Por isso, e só por isso, eu tenho feito o que me pede sem nunca questionar nada. E nem cobrar nada, aliás.

— Ao que também sou grata, já que fiz votos de pobreza e não teria como lhe pagar, exceto com minha gratidão.

— Sei de tais votos. Como também sou grata ao clero, sempre encarei tudo isto como uma espécie de troca de favores. Estou pagando meus débitos. Mas um dia, quando eu me for outra vez, espero que seu deus-pássaro se lembre disto.

— Não posso falar por Thyatis, menina. Tudo o que posso fazer é orar por você, como sempre tenho feito. E também lhe apontar o caminho, como agora.

Camila soltou o copo novamente, voltando-se para a nova carta que recebera. Fechada e lacrada com o selo rubro dos seguidores da fênix. Apanhou-a com desdém, movendo-a para frente e para trás na ponta dos dedos ágeis. Era a décima segunda carta de Cecili. Não gostava de soar mal-agradecida, já que lhe devia a vida que tinha agora. Mas conforme o tempo passava, mais as lembranças se tornavam confusas e a gratidão sufocava sob a neblina do esquecimento. Tomando coragem, sentenciou:

— Esta será a última.

Um calafrio percorreu a coluna de Camila ao notar no semblante triste de Cecili que ela também acreditava que sim.

(***)

— Espere, não é nada disso!

— Silêncio, Presas de Prata! — berrou o capitão da guarda com um sorriso feroz nos lábios — Você é um procurado conhecido em Ciela. Achou mesmo que ia escapar assim da lei? Andando de cara lavada no meio do dia! Pode ser que os imbecis de Paltar não tenham sido capazes de apanhar alguém escorregadio como você, mas as coisas são bem diferentes deste meu lado do rio!

— Se observar atentamente, capitão, poderá notar que a situação é bastante razoável. Talvez possamos colocar tudo em pratos limpos com uma boa conversa — tentou justificar Enemaeon colocando-se entre Garlor e o miliciano — Exceto por um pouco de bagunça e alguns chamuscados, não há nada nesta sala que justifique…

— Capitão Famir! — chamou um dos guardas que faziam buscas no casarão. O fogo já controlado deixava para trás apenas seus fantasmas: fios de fumaça negra que rodopiavam ao vento. O ar novo do dia invadia os aposentos com a avidez de quem fora mantido do lado de fora por muito tempo. Além do cheiro da fumaça, ele varria um odor pútrido de morte e mofo, alimentado pela umidade dos anos em que o sol poupou o casarão dos Anon — Encontrei dois corpos aqui em cima. E um gato!

— Conhece as vítimas, guarda? — perguntou o capitão com ar de vitória. Não que a primeira acusação não fosse motivo suficiente para o enforcamento dos estrangeiros. Sequer precisava de alguma, aliás.

— São o velho Anon e o criado! Os dois foram degolados!

Maldito elfo! – praguejou Garlor em pensamento. Ele não podia imaginar o que levou Felrond a matar quem deveria apenas interrogar, mas dadas as circunstâncias, era bem possível de que também tivesse sido atacado. O guarda regressou pelas escadarias trazendo o gato preto no colo. Enemaeon podia jurar que os olhos do maldito bichano sorriam inocentes ao revê-lo.

Famir também estava radiante. Um duplo homicídio o ajudaria a conseguir um saudável linchamento. E ele adorava um. Tinha um sexto sentido para encontrar desocupados, piratas e ladrões na eterna safra de indigentes que chegavam até Ciela pelo Rio Panteão e os enforcava sempre que tinha oportunidade. Não deu muito crédito ao velhote com a história de que haviam falsários no casarão dos Anon, mas quando viu fumaça brotando de lá, reuniu rapidamente os populares próximos para combater o incêndio. Algo lhe dizia que teria diversão.

— Há mais alguém com vocês aqui? — falou circundando Garlor e Enemaeon, enquanto os demais guardas amarravam-lhe os pulsos, segurando-os pelos braços com força suficiente para marcar a pele. Foi a vez do locatário da carroça, o terceiro com um indisfarçável sorriso maroto naquele salão fazer valer a presença ali.

— Era um trio pela manhã, senhor — disse. Garlor não sabia se saltava sobre a garganta do maldito que os vendeu primeiro para os vampiros, depois para a milícia e ainda cobrou o aluguel adiantado pela carruagem ou se esganava Enemaeon por ter dito meia palavra sobre a missão para um sujeito de olhar esperto como aquele. A dúvida quanto quem mataria primeiro caiu por terra quando Felrond invadiu o cômodo, derrubando a porta da adega junto ao novo amigo.

Visivelmente embriagado, o elfo gargalhava com vontade trazendo nas mãos duas garrafas parcialmente vazias de vinho. A camisa velha já se encontrava em um tom róseo devido a quantidade generosa de bebida que deixou escorrer pelos lábios. Estava montado em um exemplar bastante atípico de grifo. O corpo felino e esguio, encimado por uma cabeçorra de águia tinha olhos amarelados, profundos e tristes. As asas haviam sido arrancadas há muito,  impedindo que pudesse voar e o transformando na criatura apática que agora servia de transporte para o ébrio arqueiro. Guinchou furiosa quando arrancaram seu novo cavaleiro e o colocaram a ferros.

— Mataram o velho Anon! — gritou o primeiro dos populares assim que entreouviu a conversa de Famir. O grito de revolta ecoou entre o grupo presente e logo chegou até a praça, atraindo mais e mais pessoas até o casario. Uma pouco eficiente coluna de isolamento foi formada enquanto Garlor, Enemaeon e Felrond eram levados até o patíbulo instalado diante da Torre do Regente. Pedras, esterco e cusparadas eram direcionadas ao grupo e apenas Felrond que estava bêbado demais não se importava nem um pouco com o que ocorria.

Enemaeon, exausto, não se queixava ou dizia coisa alguma enquanto era empurrado pela turba enfurecida. Sabia que não receberia um julgamento, tampouco seria ouvido. Estava em Ahlen e não nascera ali. Era um estrangeiro naquela terra. E por decreto de um molóide corrupto, a vida dele chegaria ao fim.

Que seja então, pensou. Fracassara mais uma vez. E o pior: tinha arrastado para a morte as duas únicas pessoas que considerara algum dia como amigos. Como no passado, sua tolice seria paga com sangue inocente. Perante tais fatos, até mesmo a ideia de sofrer eternamente aos pés de Merodach lhe pareceu uma forma de justiça. Resignado, o mago subiu no cadafalso.

Ao lado dele, Garlor, também em silêncio, permitiu que um sorriso escapasse ao ver que Felrond tropeçava, gargalhando, tentando sem sucesso se colocar de pé usando como apoio a corda na qual seria pendurado. Logo o sorriso se transformou numa gargalhada acompanhada por Enemaeon. Para a ira dos presentes, os condenados riam a plenos pulmões, mesmo sendo alvejados por excrementos e lascas de pedra e tijolos quebrados.

Ao longe, o som profundo de trovões ecoou pela cidade, nem de longe sobrepujando os gritos de justiça e o escárnio da multidão.

(…)

Villvert abandonou a cavalgada pelos prados de Yuden até a capital, avançando na direção oposta, para Valkaria em Deheon. Havia passado a noite em uma taverna de beira de estrada com uma prostituta. Ela leu para ele as linhas tortas da carta que supostamente provinha de um clérigo de Thyatis. Incrivelmente, também mencionava o tal Merodach. A mesma ladainha sobre baús. E nela havia um mago. Esta última informação era nova. Infelizmente, também inconclusiva. Quantos magos viviam em Arton era impossível saber, mas com certeza haviam milhares.

— Tem certeza que é só isso? Parecem mais palavras. Se estiver mentindo… — disse em tom de ameaça.

— Que motivo eu teria pra mentir? — foi a resposta da meretriz aconchegada contra ele. Ambos ainda na palha, o suor do corpo dela cheirando a perfume barato e sexo. O dele, impregnado de sangue, cavalo e terra. — “Merodach pretende voltar. Os sete baús são a chave. Encontre o mago da morte banido”.

— Quanta besteira. Os clérigos de Keenn ao menos falam logo o que pensam ao invés de criar confusão em forma de enigmas.

— Ouvi boatos de que alguns até sabem ler — caçoou ela. O guerreiro ignorou o comentário, pegou a carta e a amassou, resmungando. Era afinal apenas um bilhete inútil.

— E o que pretende fazer agora? — ela perguntou.

— Isso não te diz respeito, vadia — respondeu Villvert sorrindo. Ela também sorriu. Beijaram-se longamente após isso, passando o restante da noite juntos. Era ainda madrugada quando partiu sem saber o que faria. E o sol já queimava alto quando se recordou da academia de magos que existia na capital do reino vizinho.

A ideia de ir até Deheon não lhe agradava, ainda mais naqueles dias em que havia possibilidade de guerra entre os dois reinos. Para ele, era um lugar de desordem, com um exército fraco comandado por um governante sem o menor rigor. As cidades pululavam com todo o tipo de criatura bizarra. Até mesmo elfos!

Contudo, a possibilidade do tal mago da carta ter sido expulso de lá era real. Provavelmente perderia a viagem, mas não seria a primeira vez desde que fora encarregado de encontrar o responsável pelo ataque ao vilarejo. Esporeou o cavalo negro até o sangue do animal lhe manchar as botas e partiu galopando na direção do entardecer.

Continua…

O Enigma das Arcas é uma história seriada que narra as aventuras de Enemaeon de Ridembarr tentando salvar a própria alma. O primeiro arco de histórias, ambientado em Ciela, terminou no capítulo passado. Caso ainda não esteja acompanhando, é um bom momento para começar! =D

Armageddon • 01/06/2015

Comentários