Brigada Ligeira Estelar – Baú Referencial 04

Real Robot versus Super Robot! O Baú Referencial traz Aldnoah Zero para suas campanhas de Brigada Ligeira Estelar!

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Sempre achei questionável a máxima de François Truffaut sobre toda história, em algum grau, ser uma história de amor. Mesmo assim, debaixo de todo o tiroteio entre robôs gigantes, eu acho engraçado como, no final de Aldnoah Zero — animação japonesa de duas temporadas exibida no biênio de 2014-2015 —, é impossível não pensar nela.

Em subtexto, Aldnoah é uma espécie de fábula cautelar sobre os perigos da paixão burra: se reduzirmos a trama ao osso, descontando seus principais elementos sci-fi (a história da colônia marciana que retorna para conquistar a Terra), temos dois personagens apaixonados pela mesma mulher e dispostos, por ela, a pilotar robôs gigantes e arrancar o couro um do outro. No final, (alerta vermelho de spoilers aqui), um segue sua vida com um olho biônico, o outro é aprisionado pelo resto da vida como bode expiatório de um crime do qual ele é inocente — e ela será rainha ao lado de um garotão da nobreza imperial de seu mundo. Quando você vai embora e eu fico, choro, e choro…

Mas ainda acho Aldnoah Zero uma referência interessante para suas campanhas de Brigada Ligeira Estelar, e não apenas por aproximações estéticas. O elemento visual de época é uma tradição do gênero, e como eu mesmo falei em outra ocasião, há uma estrada enorme nesse sentido — dos prussianos espaciais de Lenda dos Heróis Galácticos até os nobres Marcianos de Aldnoah. A caracterização de nobreza vilanesca é particularmente adaptável, mas é algo já visto em outras animações do gênero. O trunfo da série pode ser resumido a uma frase: Real Robot versus Super Robot.

Muitos Davis para Poucos Golias

Ald02Explicando melhor: as forças da Terra consistem de tropas de robôs menores e poder de fogo bem convencional. Os Kataphrakts — como os robôs gigantes da Terra são chamados — tem cerca de treze metros e meio de altura. Robôs de combate convencionais Versianos não deveriam ser tão diferentes a primeira vista: o Tharsis do Conde Crutheo — e depois de Slaine — na verdade tem dezessete metros. Até aí, são “apenas” robôs maiores, certo?

Pense duas vezes. Os Cavaleiros Orbitais, além de seu tamanho, tem capacidades incríveis — diferentemente dos robôs terrestres. Os nobres de Vers (37 ao todo) chegaram à Terra e a dividiram em lotes, tendo a missão de vencer qualquer resistência em seu terreiro e ocupá-lo. Imaginem aquele império espacial de uma série de super-robôs enviando em uma tacada única todo o seu acervo de campeões de metal por todo o planeta, ao invés de brincar semanalmente de telecatch contra o robô gigante defensor da humanidade™.

Para se ter uma perspectiva melhor: pense em Valkyries de Macross enfrentando os robôs-bomba de Pirata do Espaço.

Vantagem Desleal

Enquanto os robôs terrestres contam apenas com o básico, os robôs inimigos tem capacidades realmente bacanas: o Helias, com 22 metros de altura, pode disparar seus pulsos como projéteis de controle remoto, tendo armadura molecular (ou seja, indestrutíveis) e altíssima manobrabilidade, podendo não apenas esmagar e destroçar a armadura dos oponentes, mas agarrá-los se preciso for — e não custa lembrar, ele tem seis braços. O Electris, também superior em tamanho a seus oponentes, é capaz de gerar campos de eletricidade estática capazes não apenas de bloquear ataques como também de gerar um ataque elétrico pronto para ser usado contra os inimigos, além de clarear instantaneamente cortinas de fumaça passíveis de atrapalhar sua visão. O Nikoreras pode criar uma barreira dimensional e ela absorve todas as formas de energia enquanto tritura seus inimigos com garras gigantes. O Elysium cria um “Campo de Diluição de Entropia”, e além de servir como campo de defesa, ele congela o ar ao seu redor e causa bastante estrago por si só.

Embora Aldnoah seja posterior ao próprio Brigada Ligeira Estelar, há poucos exemplos tão bons das dificuldades enfrentadas na luta contra as Quimeras Proscritas. Por sorte, os robôs da Brigada não dependem apenas de fuzis e sabres de energia — eles sempre podem ter Tepeques para se equiparar contra inimigos mais poderosos (ver AQUI), e vou admitir, os Proscritos acabam sendo um pouco prejudicados pela Lei de Conservação Ninja. Até agora, só os vimos em hordas ou grupos menores, e estou dependendo de um material a ser publicado futuramente para poder mostrar alguns proscritos de destaque. Paciência. 😛

Ald03Transformando em Números

A diferença entre esses oponentes e os protagonistas os obriga a apelar para algo chamado estratégia, e em bando. Se tentarem encará-lo frente a frente, estarão mortos, sem discussão.

Uma forma de adaptar esse espírito para 3D&T seria pensar em atributos acima de 6 para esses robôs, mesmo estando na escala Sugoi. É uma variação do procedimento usado na adaptação de Code Geass para a saudosa Dragonslayer. Na guerra travada por Lelouch, Suzaku e companhia, os robôs estavam na faixa dos seis metros de altura (e não é o único caso: no clássico Votoms, os robôs tinham cerca de quatro metros e meio). Para representar isso, ao invés de introduzir uma nova escala intermediária, os robôs foram mantidos na escala Ningen, mas teriam atributos superiores a 6.

Basicamente tudo vai funcionar da mesma maneira: imaginem uma Quimera-Mamute com vinte tentáculos partindo das costas, todos com pontas de energia (arma especial — uma para CADA tentáculo), 8 de Força, 9 de Resistência — e de quebra ele tivesse um ataque especial em sua boca: uma rajada de energia baseada em 7 PdF. Algum de vocês crê na possibilidade de um hussardo imperial novato vencer sozinho um oponente desses?

Por outro lado esses robôs costumam ter pontos fracos — e eles não são fáceis de serem explorados. O Nikoreas, por exemplo, depende de câmeras flutuantes ao seu redor para enxergar qualquer coisa fora de seu cockpit, porque seu campo de força bloqueia a visão de eventuais câmeras dentro desse campo. Portanto, basta destruir as câmeras e ele ficará cego (na prática, reduzido a Habilidade 0 em 3D&T; a partir daí basta destruí-lo paulatinamente, ou esperar por uma eventual abertura do campo para se agir de alguma forma). Ou seja, a fraqueza ainda não representa a destruição — só remove do robô seu atestado de invencibilidade, mas ele ainda dará trabalho. Portanto, não descansem: arregaçem as mangas e sigam em frente!

E por último, mas não menos importante…

Por baixo de tanta estratégia e batalha, há um elemento passional impossível de ser esquecido — e essa pode ser a armadilha mais cruel a ser posta no caminho de seus jogadores por um mestre. Embora o romance não esteja totalmente na linha de frente do roteiro de Aldnoah Zero…

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… ele é obviamente o grande pivô da tragédia nas vidas desses protagonistas, colocados em lados opostos.

A desvantagem Apaixonado, criada originalmente para a citada adaptação de Code Geass e depois absorvida oficialmente no cânon de Brigada Ligeira Estelar, pode ser bem usada nesse sentido. Uma ideia malvada seria a de fazer os jogadores comprarem a desvantagem durante a construção de personagem sem saber ainda por quem se apaixonariam. Isso aconteceria durante a história e o alvo dessa paixão seria definido por sorteio (estando cada nome presente mais de uma vez) em ocasiões nas quais os personagens são forçados a se encontrar com outras pessoas. Coloque também nesse coadjuvante algum elemento desaconselhável — escala superior de nobreza, envolvimento ou comprometimento com outra pessoa, uma personalidade cruel e manipulativa, estar simplesmente em um clã inimigo ou qualquer outro problema no horizonte — e por fim, interligue isso à trama principal. Os personagens irão mover a história passionalmente, mas isso pode ter tanto um final feliz como não acabar bem para nenhum dos lados — como foi o caso em Aldnoah, aliás. É bom deixar seus jogadores avisados.

Até a próxima.

Alexandre Lancaster • 14/09/2016

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