Brigada Ligeira Estelar – A Ameaça da Tiamat

Tiamat: uma milícia que surgiu em Forte Martim para derrubar a princesa-regente, um novo inimigo para a Brigada Ligeira Estelar!

Tiamat
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Pouco se sabe publicamente sobre a milícia Tiamat, embora seu nome já seja sinônimo de atos espetaculares. Sua origem é ligada aos políticos, nobres e empresários de Forte Martim que escaparam às leis de anistia pelos abusos cometidos durante o levante que derrubou o clã D’Altoughia anos atrás e foram punidos. Esses nobres (encabeçados pelo misterioso líder que se intitula Arquiduque, se ocultando por trás de um traje que esconde sua identidade), se dizem “vítimas do revanchismo”, mas na verdade se aproveitaram do levante a um tal ponto que a princesa conseguiu apanhá-los nas garras da lei — apesar de um judiciário que costuma proteger o pior da nobreza imperial. E por causa dessa postura anti-Falconeri, que agrada aos Tarsianos, em menos de um ano e meio eles já conseguiram fazer grandes negócios e atrair financiadores poderosos…

O nome da organização é inspirado na deusa primordial do oceano dos povos mesopotâmicos, que gerou os deuses do seu panteão. Por aí se implica que os senhores da Tiamat partilham uma origem superior à dos demais — Tiamat pariu deuses e elementos da natureza. Embora seu objetivo inicial seja derrubar a ordem estabelecida em seu mundo de origem, seu nome já aponta para o tamanho de sua ambição.

É interessante reparar que a Tiamat se apresenta como se fossem “verdadeiros nobres por direito”. Membros agregados que já carregavam origem nobre preservam seus títulos nominalmente para fins de organização — renunciando a seus nomes de batismo para fins internos e assumindo codinomes exóticos (O Conde Escorpião, Dom Cérebro, etc. — e não riam, porque há registros históricos de organizações com títulos e codinomes estranhos; basta lembrar da infame Ku Klux Klan). Eles só não tem o próprio imperador, mas de resto eles tem sua própria estrutura de nobreza, liderada pelo homem com o título de Arquiduque.

E sobre o Arquiduque, cuja face é oculta por um capacete que lhe serve de máscara, nada se sabe — e por isso mesmo toda traição interna é feita com muita cautela: ninguém quer correr o risco de estar tramando uma tomada de poder e descobrir que estava falando com o verdadeiro cabeça da organização…

Quem sustenta a Tiamat?

A grande verdade é que a organização, apesar de sediada em Forte Martim, é maior do que se pensa — primeiro porque capta dinheiro de fora do planeta, com grandes apoios em Tarso, Trianon e Albach. A maior parte dos recursos que sustentam as ações da Tiamat se baseia em negociatas feitas por membros seus que operam na legalidade. O setor corporativo é extremamente importante para a organização — especialmente porque o dinheiro obtido por atividades como saque, extorsão e atividades criminosas é lavado por essas empresas para entrar em circulação.

Mesmo assim, doações externas respondem por apenas 5% do orçamento de funcionamento da Tiamat, sendo que o restante era levantado pelas células terroristas da organização, obrigadas a enviar até 20% da renda gerada a partir de sequestros, extorsões e outras atividades para os escalões superiores do grupo (não necessariamente associadas abertamente à milícia). A revenda ilegal de energia cósmica geradas de usinas espaciais tomadas por eles já rendeu à Tiamat centenas de milhões de Falcões.

Além disso, eles estabelecem áreas de domínio, especialmente entre populações que não podem se defender muito bem — e impõem taxas de proteção à nobreza, entre outras atividades criminosas. Muitas vezes os nobres cedem à presença da Tiamat, seja por interesse, seja por medo. Os planetas sob invasão dos Proscritos, em particular, são alvos perfeitos para uma possível extensão futura da Tiamat, mas todos os mundos tem seus recantos afastados que podem se tornar alvos da organização.

O Crescimento do Monstro

A segunda razão pelas dimensões da Tiamat serem tão impressionantes é assustadora, porque ela se construiu através das falhas das autoridades.

Por anos, a Brigada Ligeira Estelar e outras forças da constelação combateram o surgimento de milícias anti-imperiais. O problema é que milícias custam a morrer mais do que se pensa. Elas sabem que suas bases e arsenais serão desbaratados — e esse é o motivo dos retornos constantes de milícias como a finada Dinastia de Sangue, que periodicamente inspira “sucessores”. Isso a tornou aos olhos de muitos a maior e mais antiga milícia do Império, mas a verdade é que ela — antes de sua dissolução final — jamais passou de uma sombra daquilo que  foi durante o governo de Silas Falconeri. Os candidatos a reconstruí-la sempre encontravam alguma base perdida com naves, robôs e armas, e pensavam reiniciá-la — sempre sem sucesso.

Pouco se sabe das circunstâncias, mas de acordo com a Inteligência Imperial, os fundadores da Tiamat ao localizarem bases da Dinastia de Sangue, ao invés de usar de imediato os recursos encontrados contra o governo de Forte Martim, decidiram simplesmente fazer o rastreio de todas as demais bases. Algumas já haviam sido encontradas e dilapidadas, outras caíram nas mãos daqueles que tentaram refundar a Dinastia e falharam — mas eles conseguiram encontrar a mais importante delas, e jamais descoberta até então: a Fortaleza Infinitus.

A partir disso, decidiram fazer um movimento mais ambicioso: levantar todas as milícias desbaratadas pelas autoridades dentro de um período de trinta anos e rastrear todo o seu conteúdo, achar suas bases secretas e descobrir seus contatos jamais capturados. E tiveram um sucesso extraordinário nesse sentido, levantando todos os sucessos parciais da Brigada e das Guardas Regenciais alinhadas ao Império para saquear o espólio secreto desses inimigos derrotados. Com isso, eles embarcaram em um projeto ainda maior: uma milícia colossal, para a todos dominar. Perto do que eles agregaram, vampirizando também os escombros de outras milícias famosas como os Herdeiros do Poder e a Elite Suprema, a Dinastia de Sangue original não é nada.

Para não comprometer seus planos, eles se valeram de falsos retornos dessas milícias. Recentemente, a Tiamat enviou uma “nova” versão da Dinastia de Sangue em missão — porque eles procuram agregar recursos inclusive em tecnologia avançada, não temendo invadir território Proscrito para capturar tecnologia das Quimeras. Há quem diga que eles conseguiram a tecnologia dos buracos de minhoca mas ainda não a dominam plenamente — embora já consigam com isso transportar a Fortaleza Infinitus para diferentes pontos da Constelação.

E depois de tanto preparo, chegou a hora de sua primeira grande meta: Derrubar a regência de Forte Martim e tomar o planeta.

Divisões da Tiamat

A Tiamat não agrega apenas soldados. Eles se valem dos recursos que obtém de seus braços corporativos para desenvolver pesquisas científicas até mais avançadas do que se espera para a tecnologia dos dias correntes, pesquisando absolutamente de tudo — de engenharia genética a psiquismo mentalista. É claro que se algo surgir que possa ser usado para fazer dinheiro legal ou ilegalmente, eles aproveitarão a oportunidade. No entanto, eles querem poder político, financeiro e militar. E não é incomum que surjam com armas secretas — tanto que seus líderes de campo tem em seu poder tepeques que não deixam nada a dever em excentricidade e letalidade aos Proscritos.

A Tiamat é dividida em cinco segmentos, aos quais eles chamam de Linhas de Sangue.

Sangue Branco: a divisão científica da Tiamat. Seus comandantes vem da elite de nobreza, por isso seus trajes são azuis e brancos. Entretanto, os demais membros vestem apenas branco dentro dos laboratórios da organização.

Sangue Verde: a divisão corporativa. Seus membros não tem uniformes — parte de sua efetividade reside em sua capacidade se se fazer parecer respeitável em meio a sociedade, e lavar dinheiro do terror em negócios legais. Entretanto, dentro das bases da Tiamat, eles vestem trajes dessa cor e adotam seus codinomes exóticos.

Sangue Vermelho: a divisão militar da organização. É a face mais visível da Tiamat. Como os Líderes de tropas vem da sua elite de nobreza, seus uniformes são azuis e vermelhos. Entretanto, os demais membros vestem vermelho.

Sangue Azul: a elite de nobreza da Tiamat, que comanda a organização. Seus trajes essencialmente são azuis. Caso eles sejam parte de outras Linhas de Sangue (em seus altos escalões), eles vestem as cores azuis mais a cor da linha de sangue de cujo comando fazem parte. Os comandantes das tropas, egressos dessa elite, vestem vermelho e azul, por exemplo.

Sangue Negro: a divisão de inteligência da Tiamat. Como os comandantes da inteligência vem da sua elite de nobreza, seus uniformes são azuis e negros. Entretanto, os demais membros vestem negro quando estão dentro das suas bases.

Enfrentando a Tiamat

Ao contrário do que se possa pensar, a Brigada Ligeira Estelar jamais ficou parada. Unidades de elite foram criadas dentro da Brigada apenas para enfrentar organizações milicianas deste porte, e essa é a hora deles entrarem em ação!

O ideal é desenvolver unidades especiais apenas para este fim. Em uma campanha como esta, recomendamos que os protagonistas sejam pilotos de Esquadrões-Robôs de Elite (ver AQUI) — e você pode ter certeza: as regras de equipamentos (AQUI, AQUI e AQUI) serão muito necessárias!

Para os jogadores avessos à jogar em grupos militares, uma ideia seria aplicar a mesma estrutura dos Esquadrões-Robôs de Elite em grupos diferentes, como piratas ou membros de uma milícia rival (como a Vanguarda Sideral, inimiga figadal da Tiamat). Ou então fazer como em Belonave Supernova e reunir às pressas um grupo totalmente heterogêneo contra uma ameaça imediata representada por ela.

Em todo caso, este é o primeiro de uma série de quatro artigos dedicado a Tiamat — incluindo o próximo Baú Referencial, que irá se deter em alguns conceitos criativos por trás da criação dessa organização e servirá para auxiliar os mestres. Os próximos trarão suas tropas, veículos e alguns de seus membros mais proeminentes.

O que importa é que agora é hora de conhecer de verdade essa ameaça — e conhecimento é metade da vitória!

Arte de Altair Messias.

Alexandre Lancaster • 18/02/2016

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