Greenleaf, o Reino Natural — Parte 1

Uma região selvagem onde a lei da natureza impera, dominada por um regente severo, responsável pela maior área florestal de Arton. Greenleaf, o reino natural: um novo lugar inexplorado, totalmente descritivo para suas campanhas de 3D&T Alpha e Tormenta RPG!

O puma o seguia há dias.
E estava com cada vez mais fome.

Razlen sabia que seria poupado se utilizasse os dons sagrados. Era, afinal, sumo-sacerdote da deusa maior da natureza. Respirava e sentia Arton como nenhum outro ser vivo podia. Compreendia os pensamentos e desejos daquele predador melhor do que ele próprio. Mas escolheu não fazer isso desta vez. Estava confuso desde a queda de Lenórienn e sabia que aquela infelicidade e dor que o consumiam brotava de seu lado racional. E por isso optou por entregar-se aos instintos mais primitivos. Para conseguir respostas e encontrar o próprio caminho tinha que se aproximar ainda mais dela.

E foi por isso que escolheu lutar.

O felino se mantinha afastado durante o dia, mas rondava perigosamente próximo na escuridão da noite. A fome o tornava cada vez mais corajoso. Chegou muto perto de atacar na noite anterior e por pouco não conseguiu apanhá-lo. Hoje certamente faria o derradeiro movimento. Seria o momento da iluminação. Ou da queda.

A fera não decepcionou. Assim que o sol se pôs, surgiu do outro lado da pequena clareira, escondido entre as folhas dos arbustos. Os olhos brilhavam sob a luz da lua. Moviam-se acompanhando cada passo da presa, contando cada respiração. Razlen sabia que um segundo de hesitação provocaria a morte. Por isso o encarava de volta, braços abertos e preparados, mãos em garra.

O medo martelava cada fibra do corpo, insistindo, implorando por uma fuga. Mas dar as costas para o caçador era um erro que Razlen não iria cometer.

— Estou em tuas garras, Allihanna. Me mostre o caminho — pediu.

E a deusa o atendeu.

A Floresta de Greenleaf

O Reino Natural

No passado, quase todo o norte do continente que viria a se chamar Arton era dominado por uma gigantesca floresta chamada Greenaria. Uma região selvagem dominada por bárbaros onde a única lei era a da selva: matar ou morrer. Com a colonização forçada pelos povos do sul, parte das matas deram lugar a cidades e campos. Mas a natureza ainda luta. Para ela, a lei nunca mudou.

O calor do Deserto da Perdição rasgou a selva em duas. Na região nordeste, a Greenaria ainda existe, mas vem diminuindo gradualmente devido ao crescimento dos reinos do Reinado. Hoje está restrita a região que corresponde aos reinos de Pondsmânia e Sambúrdia.

Já ao oeste, especialmente devido a barreira natural criada pelo Rio dos Deuses, o manto verde continua praticamente inalterado: uma região de mata tão fechada e inacessível que era chamada pelos poucos aventureiros loucos o suficiente para arriscar a vida ali como a Floresta dos Espinhos, ou Espinheiro. Apenas os minotauros (que já estavam aqui antes do Reinado surgir) ainda a chamam de Nária em alusão ao nome original.

Isto pelo menos há até vinte anos, quando Razlen Greenleaf chegou.

História

A história é uma das características da civilização. Por isso, não há praticamente nada registrado sobre o Espinheiro antes da chegada do atual regente do lugar: Razlen Greenleaf.

Conta-se que o druida Razlen assumiu o posto de sumo-sacerdote de Allihanna antes mesmo do término da Infinita Guerra contra os hobgoblins em Lamnor. Fiel as suas raízes, admirava a beleza das artes e desfrutava da comunhão natural dos elfos com a vida selvagem. Mas Razlen não suportava a arrogância dos elfos. Sempre foi o único a se levantar contra o regente Khinlanas e o Tratado de Lamnor. Anos depois, todos pagariam o preço por essa confiança excessiva.

Alertado pelos animais e compreendendo que os inúmeros avisos seriam inúteis para abrir os olhos de seu povo, Razlen abandonou Lenórienn e também Lamnor para não assistir a destruição da cidade que amava, rumando para Arton. Com o tempo, se sentiu cada vez mais afastado da civilização e mais próximo de Allihanna. Esta jornada de redescobrimento o levou até a Floresta do Espinheiro, uma grande área selvagem ao sul das montanhas Lannestull.

Mas a chegada de Razlen não passou despercebida. O sumo-sacerdote de Allihanna tomou para si a responsabilidade de proteger e resguardar a floresta, assumindo o posto de líder do círculo de druidas que ali atuavam. Também aumentou a proteção aos povos nativos, possibilitando que a intervenção externa fosse a menor possível. Tanto que hoje ninguém entra ou sai do Espinheiro sem que ele permita. Contudo, há um segundo motivo para tamanha proteção: em algum lugar ao norte, queima uma área de Tormenta.

Não se sabe a quanto tempo essa área existe, mas se especula que é quase tão antiga quanto as regiões dominadas por Raigheb, um pouco mais ao norte do Deserto da Perdição. Para a grande maioria dos pesquisadores do fenômeno, inclusive, ambas se tratam de um mesmo domínio. Isto é algo que até hoje pouquíssimos sabem não ser verdade. A área das Lannestul tem um Lorde próprio, inclusive com objetivos distintos.

Um lekael que se manteve nas sombras até então.

Clima e Terreno

Vista de longe, a Greenleaf parece um imenso tapete verde, se estendendo sem interrupções desde Tapista até as Lannestul. É o segundo lugar de Arton com a maior quantidade de rios (perdendo neste quesito apenas para Callistia), mas até esses foram completamente abraçados pelos frondosos galhos da cobertura vegetal. Todos os cursos d’água juntos formam um intrincado labirinto aquático cujo curso muda de tempos em tempos, tornando-o impossível de seguir ou mapear.

A absoluta extensão da floresta é coberta por vegetação densa, com árvores antigas que alcançam facilmente os cinquenta metros de altura. Mesmo as camadas intermediárias da mata são tomadas por toda a sorte de plantas, a maioria com espinhos, tornando-a quase intransitável. O clima é quente e úmido o ano inteiro, sem variações entre as estações do ano. Chove praticamente todos os dias, sempre em grandes quantidades. Contudo, a mata é tão fechada que apenas uma ínfima parte das chuvas chega de fato até o solo.

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Fronteiras

Ao sul, a parte da floresta que faz divisa com Tapista e o Rio dos Deuses é chamada de Nária, devido a mesma ter feito parte da floresta Grenária no passado. Ao nordeste, ela termina onde começa a Grande Savana, trecho este que vem crescendo pouco a pouco ao longo dos séculos. Ao norte, as Montanhas Lannestul e a Área de Tormenta são os maiores obstáculos para o seu crescimento, assim como o Oceano, ao oeste.

População

Dentro do Reinado, a maior parte dos povos bárbaros foi anexada a população imigrante ou destruída. São raros os casos em que a cultura original do povo se manteve praticamente intocada como na União Púrpura ou em Khubar. Mas esta não é a regra em Greenleaf. Ali, várias tribos humanas ainda vivem de acordo com os costumes bárbaros que tinham antes da chegada dos imigrantes. Algumas delas sequer sabem que o Reinado existe!

Mesmo assim, apesar da gigantesca área (a floresta sozinha é quase do tamanho de todo o Império de Tauron), a população do reino é extremamente pequena: apenas 70.000 habitantes, sendo destes 50% são fadas de vários tipos, 20% são elfos e humanos e os 10% restantes são formados por membros de várias outras espécies, em geral druidas em treinamento.

Regente

Razlen Greenleaf é um dos druidas vivos mais poderosos de Arton, o que inclusive lhe conferiu o título de sumo-sacerdote de Allihanna por muitos anos. Entretanto, por sua índole reclusa, pacífica e contemplativa, ele recentemente perdeu este posto para Lisandra, a druidesa meio-dríade que assumiu para si o papel de liderar a guerra da natureza contra a Tormenta em vários pontos de Arton.

Tal troca de postos contudo não foi arbitrária. Ao contrário, foi um passo amplamente discutido entre os druidas membros do Conclave Artoniano e da alta cúpula do Círculo Esmeralda, dois dos mais antigos e tradicionais grupos druídicos de Arton, inclusive com a presença do avatar de Allihanna sob a forma de um gigantesco falcão. Em decisão unânime, Razlen recebeu a incumbência de acompanhar diretamente as ações do lekael da área de Tormenta ao norte do Espinheiro.

Esta seria uma tarefa impossível de ser realizada por um mero mortal, porém, durante o período da queda de Glórienn, a adoração dos druidas acabou se transformando em um culto: hoje Razlen não apenas governa a floresta como também é uma divindade menor de Greenleaf. Apesar do ganho incrível de poder, sua aparência pouco mudou: ele ainda aparenta ser um elfo bem constituído, de longos cabelos verdes e olhar penetrante.

Se antes dificilmente deixava o Espinheiro, hoje isto é praticamente impossível, haja visto que a área de Tormenta requer sua atenção constante. Mas Razlen ainda preside os conclaves de druidas que se realizam ali em uma grande clareira. Muitos candidatos ao título seguem até Greenleaf e caminham sem destino pela floresta, esperando que o mestre druida os acolha como aprendizes. Apesar de uma prática comum, não se sabe se isso de fato traz algum resultado…

Confira na próxima semana a continuação desta matéria em Greenleaf, o Reino Natural — Parte 2.

Armageddon • 29/05/2017

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