Guilda do Macaco — Capítulo 2: Klunc Faz Mesura!

Christiano Linzmeier está de volta com a versão romanceada do episódio 2 da Guilda do Macaco, a mesa oficial de Tormenta RPG, transmitida ao vivo e jogada pelos criadores do cenário!

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Alguns dias após o resgate. Castelo Karst.

O vento uivava lá fora. Uma lareira jogava luz sobre o quarto simples e calor sobre os heróis. O barão descansava em sua cama, a pele corada, prova de recuperação. Ordenou que os criados e guardas saíssem, até ficar só com sua filha. Olhou então nos olhos de seus salvadores, um a um, para lhes oferecer gratidão eterna. Inquieto, porém, demonstrava que ainda tinha mais a dizer.

– Preciso pedir mais um favor… Não sei que criaturas eram aquelas que nos atacaram. Mas sei quem me levou até aquela torre: soldados de Yuden!
Quando o barão chegou ao povoado que fora investigar, encontrou-o vazio. Havia sinais de luta e fuga, mas nada mais que isto. Mas então, os soldados surgiram, detrás das construções, cercando o barão e os seus. Deram ordens de depor suas armas e partir, ignorando o destino que os que ali viviam haviam tido.

– Obviamente, me recusei. Mas então meus homens foram mortos e eu deixado naquela torre para morrer… Porém, antes que partissem, ouvi um nome: Reggar Wortric.

Um nome de nota. Ninguém menos que o comandante do quartel general de Warton, a maior base militar de Yuden. O que aquilo significava? Uma coisa era certa, havia algo de errado em Yuden e o barão pretendia investigar. Kadeen mencionou que haviam visto ainda um sujeito “demoníaco” conjurando as criaturas que os atacaram. O barão não o vira, pois estava desacordado, mas esperava qualquer tipo de aliança nefasta de um sujeito que traíra seu povo. E por isso precisava de provas contra ele.

– Peço que invadam o gabinete de Reggar Wortric, em Warton, e tragam documentos, provas de seus atos. Em duas semanas haverá o festival de comemoração da conquista do reino de Svalas; será mais fácil se infiltrarem.

Realmente, mas não deixava de ser arriscado. Calamis tomou a frente e ofereceu seu arco em troca de uma promessa de ajuda no futuro. Lothar não gostava da ideia. Esgueirar-se como um ladrão numa festa em comemoração ao “maior crime de Yuden”? Lothar vinha de Svalas e a comemoração mexia com ele. Foi convencido, mas jurou.

– Posso ser só um aprendiz, mas não vou renegar Svalas, que nunca se dobrou.

Kadeen aceitou de pronto. Era jovem, apenas seguia em frente.

– Festa tem comida. Klunc vai! – finalizou Klunc, que também quis declarar seus motivos.

* * *

Mais tarde, Lothar vistoriava a montaria de seu mestre.

– Eu estava errado – disse Sir Algherulff Thuranald, o Mastim Mutilado. – O barão estava vivo, afinal. Você o salvou e sobreviveu. Sua primeira luta de verdade.

Mas Lothar ainda queixou-se de sua pouca habilidade com a espada.

– Você é mesmo só um moleque, ainda. Mas a partir de hoje será meu escudeiro.

Infelizmente, a habilidade de Lothar em saber a hora de falar e silenciar também era pouca. Começou a lamuriar-se, queixar-se do negativismo da Ordem do Leão, da falta de fé na Rainha-Imperatriz e na honra dos nobres. Do líder da ordem que não ouvia aprendizes como ele. Mas Sir Algherulff ouviu até o fim e então lhe contou uma história.

– Certa vez, nas Guerras Táuricas, um minotauro me atingiu com um machado maior do que você; bem na cabeça. Só pelo elmo não morri e fiquei um mês com dor de cabeça. Mas aquilo não foi nada perto de ouvir você falar. Vá dormir, que já estou me arrependendo de minha decisão.

* * *

No dia seguinte, partiram; o Mastim Mutilado com eles. Klunc analisava um frasco de um bálsamo que recebera do apotecário do barão. Vencido. Situação precária, pensou. De fato iam a pé, exceto pelo Mastim, que possuía seu próprio cavalo. O vento frio soprava, dia de céu fechado e chuvoso. Nargom quis conversar mais com Lothar.

– O motivo de cavaleiros existirem é corrigir injustiças, certo?

Em teoria, sim, respondeu Lothar. Porém, a maioria das ordens apenas começa assim. Com o tempo, se tornam antros de politicagem. A Ordem do Leão, por exemplo, tornara-se apenas um asilo para velhos que gostavam de contar histórias, explicou.

– O poder corrompe – comentou Nargom.

O pirata então contou como seu pai fora traído por um imediato que queria mais poder. O navio para si. Curioso, comparou que fora criado para ser um pirata, tal qual Lothar pra ser um cavaleiro. Seu pai, um homem justo, para um pirata, fora assassinado. Seu objetivo também era “corrigir uma injustiça”. Aquela. Perguntou se Lothar o ajudaria.

– Se se mantiver no caminho da retidão, Khalmyr poderá julgá-lo – assentiu.

Uma coisa Lothar entendia bem: como era perder tudo. Também como era viver num reino que o odiava, como Yuden odiava os remanescentes de Svalas. Por isso, lhe era fácil nutrir certa simpatia por Nargom. Lothar era, de certa forma, um órfão como ele.

* * *

A primeira metade da viagem seguiu descontraída e Nargom aproveitou para ensinar a Klunc algumas mesuras, com as quais se divertia cumprimentando camponeses no caminho. Mas, no quarto dia, encontraram um pelotão de Yuden em patrulha.

– Mim Klunc; Klunc, o bárbaro – disse de longe, testando suas mesuras.

Um membro do pelotão levantou o visor do elmo para vê-lo melhor. Olhar duro, de repreensão. Abanou a cabeça, mas o pelotão não deu sinais de parar, mesmo quando o líder em comando demonstrou desprezo por Kadeen, o qareen. Mas então viu Calamis.

– Alto! Sentido! – Ordenou o comandante. E virando-se – Para que esse arco, elfo? Deveria estar levando uma vassoura ou outro item digno de trabalho.
Calamis o observou com cuidado. Ostentava um escudo grande de metal e uma espada bastarda na cintura. Armadura de placas, equipamento de um soldado profissional de Yuden. Era grande, músculos rígidos, talhados por uma rotina de vida militar.

– E você teria uma vassoura, então? A espada você porta com orgulho, não é?

O sujeito deu ares de não entender a zombaria de Calamis e ordenou que o elfo explicasse o que queria dizer.

– És nascido de um cachorro? Nem um insulto direto entende direito?

Estava irritado e queria encrenca. O pelotão levou as mãos às espadas. Nargom tentou consertar, mas foi Lothar quem lembrou o comandante que desde que Shivara Sharpblade assumiu o comando de Yuden, elfos não eram mais cidadãos de segunda classe no reino. Tinham tanto direito de ir e vir quanto Lothar ou o comandante, que irritou-se ainda mais, hesitando entre atacar e seguir o bom senso. O relinchar de um cavalo foi ouvido, retornando de andar mais à frente.
– Segure sua mão, sargento – disse o Mastim Mutilado. – Ou a deceparei de seu braço.

Mesmo com todos os seus defeitos, o comandante do pelotão era um homem disciplinado. Estava irritado, mas conteve-se. Ao ver o cavaleiro, desistiu das hostilidades.

– Sim, sir.

Como bom soldado de Yuden, respeitava ordens. Fez sinal para seus homens relaxarem e partirem. Apesar de tudo, sir Algherulff era mesmo um cavaleiro do reino.

* * *

Passaram-se os dias. Por fim, avistaram as muralhas de Warton, a cidade-quartel. Paredões de pedra escura, a sede do maior centro militar de Yuden. Camponeses faziam fila frente a um grande portão metálico, largura para duas carroças.

No centro da cidade, um enorme e largo prédio de pedra cinzenta, para onde as ruas convergiam. Podiam contar umas cinquenta janelas em sua extensão. Menos Klunc, que não sabia contar. Uma ampla escadaria, flanqueada por estátuas de soldados, levava a um portão de ferro, vigiado. O exato lugar que teriam que invadir em alguns dias.

Nargom explicou para Lothar, que pasmem não sabia, o significado do tríplice brasão de Yuden, Trebuck e Deheon, que tremulava nas bandeiras expostas na cidade. Shivara Sharpblade, que ganhou o governo dos três reinos, substituíra o antigo, por isso o leopardo de Yuden ocupava agora um espaço diminuto no brasão.

Klunc fazia mesuras para os transeuntes, perguntando pela festa. E pela comida. Calamis procurava por uma entrada melhor. Achou uma de serviço que julgou ideal. Kadeen conseguiu roupas mais discretas, militares, para se misturar. E foi Sir Algherulff que lhes conseguiu uma taverna para passarem os próximos dias, algo raro em Warton.

* * *

Aguardaram, pacientes, e logo a tarde do dia da comemoração chegou. Pessoas vinham de todos os cantos de Yuden, dirigindo-se à sede do exército. Nobres, mestres de guildas, sacerdotes, oficiais. Uns a cavalo, outros a pé, vinham celebrar. Imponentes cavaleiros de armadura passavam, e também rústicos guerreiros vestindo peles.

– Amigos de Klunc! – Animou-se o bárbaro, ao ver seus grandes machados.

Lothar e o Mastim Mutilado o levaram para a fila no portão de ferro. Lothar custava a admitir, mas seu tio era um cavaleiro de Yuden. Entraria no quartel como seu criado, levando Klunc como atração. E o bárbaro já esquecera que o plano não era verdade, por isso interpretava muito bem. Esperaram e logo Lothar anunciou.

– Aqui chega Sir Thuranald Algherulff, cavaleiro da Ordem do Leão e nobre guerreiro de Yuden. Eu sou seu servo, Lothar Algherulff, e conosco o grande guerreiro Klunc, que vem para demonstrar sua força. – Klunc fez uma mesura.

Os guardas notaram que seus nomes não estavam na lista, mas não tiveram coragem de barrar um cavaleiro tão bem anunciado e cujo mau humor assustava.
– Nós já vamos para onde tem comida, Klunc. – Cochichou Lothar.

– Klunc feliz!!! – Respondeu o bárbaro, emocionado pela proximidade do banquete. – Mesura!

* * *

Enquanto isso, Nargom, Calamis e Kadeen entravam pela entrada de serviço. Nargom disfarçou sua passagem tão bem que o tomaram por um criado. Sua cara de pau impressionava. Calamis tentou segui-lo, mas foi notado, apressando o passo para não ser abordado. Kadeen ainda aproveitou a situação para passar, apontando o companheiro.

– Olha, olha, um elfo! Ele está fugindo!

* * *

Pelo menos duzentos convidados lotavam o grande salão. Mais outro tanto de servos e criados. Um mezanino rodeava-o e duas escadas, uma de cada lado da sala, levavam a ele. Ali o teto era o do prédio, muito alto, mas podiam ver que um segundo andar ocupava todo o resto da sede. No térreo, descobriram que haviam só alojamentos. Presumiram que o andar acima era reservado a gabinetes e quartos dos oficiais.

Os dois grupos estavam a pouca distância quando trombetas soaram e o salão silenciou. Um enorme homem, grande como um urso das Uivantes, surgiu no mezanino. O coronel Reggar Wortric, comandante da cidade-quartel de Warton e o primeiro homem visto por eles cujo físico rivalizava com o do enorme bárbaro do grupo.
– Rival de Klunc?!? – Espantou-se ele, olhando-o desafiadoramente. – Grrrrrrr!

Era a única semelhança, porém. Porte reto, expressão séria. Cabelo loiro, quase branco, curto ao estilo militar. Olhos azuis, pálidos, rosto largo. Vestia uma armadura de placas de um metal fosco chamado adamante, raro e excelente. Um sem número de medalhas cobria seu peito e uma capa de peles as costas.

– Em nome de Yuden, os saúdo. Bem vindos à cerimônia da vitória contra Svalas. Porém quero lembrá-los que não estamos aqui pelo orgulho de glórias do passado, mas pela vergonha do presente. Esquecemos de nossas tradições e de nossa doutrina. Mas estamos prestes a lembrar.

A um sinal, dez guerreiros entraram pelas portas laterais e se reuniram, dois a dois, no centro da sala. Homens e mulheres de uma única raça: humanos. Eram soldados de armadura. Também guerreiros de salões de guerra; músculos à mostra, peles, machados.

– Eis uma amostra de verdadeiros yudenianos em uma demonstração de força.

Lothar entendeu. Fez um sinal para Calamis e Kadeen saírem rápido. Se naquele lugar prestavam homenagem aos antigos modos de Yuden, era um péssimo lugar para um elfo e um qareen estarem. O preconceito racial seria a ordem do evento e tudo de ruim poderia acontecer. Os dois partiram rápido, Nargom com eles.
Enquanto o coronel fazia seu discurso de ódio, Kadeen subiu as escadas, passos leves, veloz, imperceptível. Olhos baixos, ninguém lhe dava atenção. No alto, viu que Nargom também estava lá. E Calamis. Mas um soldado o notara e vinha em seu encalço. Kadeen orou pela ajuda dos deuses, mas foi o pirata Nargom quem lhe atendeu.

– “Huh, por favor, eu estou meio perdido. Onde ficam os banheiros?” – Perguntou, interrompendo o movimento do guarda.
O soldado não o vira e assustou-se. Mas além da expressão de legítima necessidade de Nargom, por um instante pode jurar que estava à frente de um temido capitão pirata, que reconhecia de algum lugar. Tremeu. E preferiu deixá-lo.

– Na-na-naquela direção, senhor. – Disse, dando a Calamis tempo para escapar.

* * *

Lá em baixo, um sacerdote trajando o símbolo do machado, espada e martelo, ganhou o centro do salão. Palavras de oração de sangue e aço, abençoava os guerreiros escolhidos por Keenn, o Deus da Guerra. Ao término, o coronel Wortric deu o sinal.

– Lutem! Por Yuden!

Em segundos, os vivas iniciais foram substituídos por um só som: o clangor do aço. Espada contra espada. Machado contra escudo. Muitos se afastaram, dando espaço aos guerreiros que lutavam ferozmente, dois a dois. Lâminas rasgavam o ar e a carne. O sangue escorria, pela glória de Keenn. Para uma simples demonstração, era brutal.

Um grito de dor quebrou a melodia das espadas. Uma guerreira furiosa, trajando peles, atingira o braço de um soldado, ferindo-o mesmo sob a armadura yudeniana. Um burguês gordo, metido em anéis e mantos, emitiu um vergonhoso gemido de pavor. Ajoelhado, sangue jorrando, o guerreiro grunhia de dor.
– Como ousa?!? – Berrou, do alto, Reggar Wortric, saltando do mezanino.

Caiu de uma altura de mais de três metros, sem parecer se importar.

– Boa tática! – Exclamou Klunc, vendo mais semelhança entre ele e o coronel.

Aterrissou ileso. Moveu-se por entre os duelos, indo até o soldado caído, que pediu desculpas por sua guarda ter falhado.

– Ser ferido é parte da batalha, demonstrar fraqueza não! – Virou-se para a guerreira. – Atinja-me!

Incrédula, a humana precisou de um momento, mas rilhou os dentes e golpeou o braço do coronel, como fizera com o soldado. A lâmina correu sobre as placas de adamante, se alojando num espaço entre elas. Cravou-se na carne e fez verter o sangue, vermelho vivo. Reggar Wortric arrancou a lâmina de seu braço, quebrando-a. Os músculos de sua face mal se moveram. Impensável!

– Prendam-no! – Apontou para o soldado ferido. – Um mês no calabouço, para que ninguém aqui traia os verdadeiros modos de Yuden.

Uma bela música começou e os serviçais invadiram o salão com comida e bebidas de todos os tipos.

– ATÉ QUE ENFIM, HAHAHA! – Riu Klunc, emocionado. – Klunc não come nada desde nível um! – Voltava a falar coisas que ninguém entendia.

* * *

– Ali, ali! – Gritou Kadeen. – Um suspeito, um feiticeiro!

O guarda passou correndo por ele, pedindo para que buscasse ajuda. Nargom e Calamis sorriram, vendo o enfeitiçado guarda atendendo ao pedido do garoto. No chão, outro vigia dormia, encantado. A magia do qareen era realmente útil. Havia agora apenas uma fechadura eles e a sala do coronel Wortric. Nargom abaixou-se frente a ela e…

– Hum, espere… Eu preciso de ferramentas, não?

Óbvio, disseram os outros. Mas não as tinha. Fora atirado ao mar sem nada. Por instinto ou sorte, tateou a casaca que pertencera a seu pai, o capitão Draco Mandíbula, enquanto amaldiçoava quem “inventara a necessidade de ferramentas”. Sentiu algo em um bolso interno. Alcançou a coisa com a mão e um kit de gazuas surgiu à sua frente.

– Isso! Um capitão pirata prevenido vale por dois!

* * *

Lá embaixo, Lothar estava cansado daquela encenação toda. Esgueirou-se como um rato. Agora ouvia as conversas de nobres, burgueses e soldados conspiradores. Com a ajuda da bebida, soltavam as línguas, cochichavam tramoias. Um carregamento de armas viria de Zakharov. Contatos secretos haviam sido acionados. Oficiais comentavam que tinham seus contingentes prontos para agir. Por todo lado, sujeira, traição.

O Mastim Mutilado rilhava os dentes, num canto da festa. Sofria tanto quanto seu escudeiro, por isso afastara-se. Não podia suportar aquilo, explodiria de ódio se tivesse que agir. Não! Era Lothar quem precisava fazer algo. E fez. Foi até Reggar Wortric e prostrou-se bem à sua frente. Então falou.
– Os homens de Yuden não são mesmo os mesmos do passado, coronel. Já que hoje planejam e se esgueiram em meio à comida, se empanturrando e se divertindo com exibições de luta. No passado, pegavam armas e atacavam. Já vi lutas começarem com as barbas dos homens cheias de gordura e não com suas mãos sujas de sangue, mas nunca uma que prestasse!

E, imitando o Mastim Mutilado no castelo do barão, cuspiu no chão aos pés de Reggar Wortric. Os que ouviam, se afastaram rapidamente. Temiam uma explosão de fúria do coronel. No entanto…

– Você entende o verdadeiro modo. – Disse Reggar Wortric, se contendo. – Eu já estaria em marcha… Mas o dever de um soldado é obedecer ordens. E tenho as minhas. Você também obedecerá as suas.

Mas então viu que Lothar apontava para o brasão da Ordem do Leão, em seu peito. Arregalou os olhos, a garganta engasgando.

– Não acredito em mentiras, mas em enfrentar meus inimigos frente à frente.

Reggar Wortric piscou os olhos, incrédulo com resposta do jovem. Tomou fôlego, então lhe perguntou, sobressaltadíssimo.

– E quem são seus inimigos?

Klunc parou de comer ao ver que o amigo desafiava o inimigo final face a face. Lhe prometera um presunto e ainda lhe devia.

Sir Thuranald observava a cena de longe, mas teve a atenção roubada por uma jovem de armadura brilhante, toda de mitral, que entrou no salão. Sua capa mostrava o brasão do leopardo de Yuden apenas, não o tríplice brasão de Yuden, Trebuck e Deheon, e repetia abertamente, desvencilhando-se de criados:
– Tenho uma importante mensagem para o coronel. Uma mensagem direta do general!

Mas toda a atenção do coronel agora pertencia a apenas uma pessoa no mundo. Lothar Algherulff.

* * *

Lá em cima, Nargom, Calamis e Kadeen vasculhavam o gabinete do coronel, em busca das provas que o barão Karst precisava. Reviravam o lugar, procurando entre mapas, armas e pergaminhos, por qualquer coisa que lhes servisse. Mal imaginavam que, lá embaixo, Lothar o desafiava, cara a cara, olhos nos olhos.

* * *

– Meus inimigos são os inimigos de Svalas, coronel, e os inimigos de minha Rainha-Imperatriz, Shivara Sharpblade!

Os olhos de Reggar Wortric foram tomados de um vermelho sangue tão vivo que pareciam incandescer. Lothar era pura determinação; coragem insana. E completamente tomado pela fúria, Reggar Wortric levou sua mão à espada.

por Christiano Linzmeier

O próximo episódio acontece dia 16/08, ao vivo, no nosso canal no Hitbox! Assine ou siga o canal e não perca nada!

 

Jambô Editora • 09/08/2016

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