Uma nova aventura em Arton!

O Senhor das Sombras, segundo livro-jogo ambientado no mundo de Arton, está chegando! Saiba mais sobre essa história épica aqui.

O Senhor das Sombras é o segundo livro-jogo de Tormenta, após Ataque a Khalifor. O livro será lançado em setembro, mas entra em pré-venda no dia 22 de agosto, em versões física, digital e combo, na Nerdz.

A seguir, a introdução da história e uma amostra da arte interna do livro!

Zakharov, 1410. A noite úmida gela até seus ossos e o barulho do rio próximo mascara todos os outros sons, mas os rastros na planície indicam que o suspeito não pode estar longe. A certeza de encontrá-lo em breve motiva você a seguir sem esmorecer. Já faz doze dias desde que o jovem príncipe Eric Roggandin foi levado da comitiva que o acompanhava e protegia. Até agora, nenhum contato, sequer um pedido de resgate, mas ele deve estar vivo. Ele tem de estar vivo!

O príncipe Eric de Zakharov é único entre seu povo, por não aderir à cultura baseada em armas. Zakharov, o Reino das Armas, foi batizado em homenagem a um deus menor do povo anão. A capital do reino tem o nome da arma da divindade: Zakharin, um machado lendário, presenteado pelos anões como prova de boa fé ao fundador do país. Da aliança entre os colonizadores humanos e o povo anão, Zakharov preserva grande herança cultural, em especial a arte de fabricar armas. São obras-primas, negociadas em toda Arton por centenas de Tibares de ouro! No reino, é costume que todos carreguem uma arma, mesmo que não saibam usá-la. Elas são símbolo de orgulho, talento e respeito.

De repente, uma luz tira-o de seus devaneios. Ao longe você enxerga a janela de um prédio de madeira às margens da estrada que segue até a cidade de Yuvalin, ao norte. A chuva fina semicongelada parece rasgar sua pele sob o clarão da lua cheia. Mais perto, você percebe a chama quase apagada de um lampião. Ele balança, pendurado no teto de um estaleiro no fundo da construção. Você sai da trilha e segue pelo terreno empoçado beirando o Rio Panteão, que delimita a fronteira oeste entre Zakharov e as Montanhas Uivantes.

Você amaldiçoa seu último pernoite. Amaldiçoa as ruínas da Fortaleza de Destrukto, onde decidiu repousar, e o carniçal errante que comeu seu cavalo enquanto você dormia. Não poderia esperar algo além de um combate no lugar que abrigou até a morte o antigo sumo-sacerdote de Keenn, o Deus da Guerra. Não fosse isso, o filho de Walfengarr Roggandin, o rei de Zakharov, poderia estar mais próximo da liberdade. Eric é um garoto de pouco mais de dez anos que, ao contrário do pai, decidiu seguir o caminho de Marah, a Deusa da Paz. Isso significa que jamais irá ferir alguém, ou sequer lutar, mesmo que para salvar a própria vida de uma corja de assassinos e ladrões. Uma presa fácil. Por que escolher justamente uma deusa que conta com a caridade alheia para manter vivos os seus devotos? Talvez fosse isso que Eric, em sua tenra idade, estava prestes a descobrir. Com sua comitiva, ele se deslocava a Tollon, o Reino da Madeira e lar da sumo-sacerdotisa de Marah, Mylena Marillon, a convite desta. Mas, antes de chegar ao Império de Tauron, antes mesmo de cruzar a fronteira sul com Deheon, o Reino Capital, a comitiva foi emboscada. Os soldados foram mortos e os tesouros, roubados. Eric Roggandin foi raptado.

O reino de Zakharov é um bom lugar para tentar uma carreira de artesão ou mercador, mas também oferece amplo espaço para aventureiros. Se a oeste existem as glaciais Montanhas Uivantes e ao sul há Deheon, a leste fica Yuden, um reino militarista que disputa com o Reino Capital o apoio de Zakharov em um possível conflito. Ao norte, antes havia apenas Namalkah, o Reino dos Cavalos. Agora há também a Tormenta: uma área impenetrável, dominada por demônios em uma tempestade rubra que devora o mundo de Arton. Um fenômeno que mata e corrompe o corpo, a mente e a própria alma com chuvas ácidas e criaturas insetoides inomináveis.

No Reino das Armas há lugares como Rhond, onde vive o homônimo Deus Menor das Armas e dos Armeiros, forjador imortal que as lendas afirmam ter seis braços. Mas também há lugares como Yuvalin, onde opera a sinistra Guilda dos Mineradores, um influente sindicato criminoso com uma fachada polida. Eles controlam o principal suprimento de metais e gemas preciosas da região — portanto, têm a economia de Zakharov nas mãos. Apesar de não fazer o feitio do grupo, poderiam estar envolvidos no desaparecimento de Eric. Mas isso foi antes de Gazin Adagas.

Distante poucos metros do lugar à beira da estrada, você observa a tabuleta que identifica a Taverna do Dragão Morto. Um óbvio desrespeito à memória de Beluhga, a Rainha dos Dragões Brancos de Gelo, deusa menor e antiga regente das Montanhas Uivantes. Especulava-se que, com a morte dela o clima glacial das Uivantes se dissiparia. Seus dedos rijos discordam. O frio parece mais intenso do que nunca.

A construção elevada por um alicerce alto de pedra dificulta o acesso à janela, mas você consegue olhar por ela. Próxima apenas de umas poucas fazendas, a taverna está inexplicavelmente fervilhando de gente saída sabe-se lá de onde. Uma dezena de humanos, um anão, três goblins. Mas seus olhos não falham: lá está ele, sentado em uma mesa ao fundo do salão, sozinho. Nem os mais inescrupulosos membros da guilda iriam trabalhar ao lado de alguém tão baixo e infame quanto Gazin Adagas. Assassino, ladrão e trapaceiro, Gazin é uma verdadeira víbora, conhecido por deixar enterrado no olho de cada uma de suas vítimas um exemplar da arma que lhe empresta a alcunha. Mas as poucas pistas encontradas deixam clara sua participação no caso. Agora, ele terá que cuspir o que sabe sobre o desaparecimento de Eric Roggandin.

Você desce e faz a volta até a frente do prédio enquanto toca o cabo da Espada Malfúria, uma arma de família passada de geração em geração até você, seguindo a tradição do Reino das Armas. Forjada pelo mestre Koldarim Ironhide, último armeiro anão de Zakharov e um dos poucos que ainda habitam a cidade após a ruptura da aliança entre os povos, a Espada Malfúria é uma peça inigualável. Você recorda que recebeu 20 Tibares de ouro e dois bálsamos restauradores do exército de Zakharov. Você pode usar um bálsamo a qualquer momento fora de um combate para recuperar 5 pontos de vida.

O Rei Walfengarr Roggandin espera por uma solução, hospedado em um forte próximo, acompanhando de perto as investigações ainda ignoradas pela população. Sem saber, Gazin Adagas espera por você. E você espera por respostas. A porta da Taverna do Dragão Morto se abre com um estrondo, embalada por sua mão e pela forte corrente de vento que resfria o ambiente e arranca murmúrios de descontentamento dos frequentadores do lugar. Um cheiro torpe penetra em suas narinas. Sua aventura começa aqui!

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Tahafett, a cidade dos mortos — uma das paradas de sua aventura?

Jambô Editora • 18/08/2016

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