Brigada Ligeira Estelar — Lanceiros

Lanceiros não são os melhores robôs do império, mas eles são muitos, e essa é sua força! Para sua campanha de Brigada Ligeira Estelar!

Lanceiros
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Tecnicamente os Lanceiros são corpos de Cavalaria Mecanizada Ligeira, assim como os próprios Hussardos. Consta que eles mesmos já tiveram o mesmo grau de respeitabilidade dos Hussardos em tempos nos quais os robôs gigantes eram para poucos e a mobilidade aérea era deficiente. Mas esses foram outros tempos, quando todos os robôs eram mais parecidos entre si e o diferencial entre os combatentes era dado pelos equipamentos que eles pudessem carregar. Os Lanceiros hoje em dia, afastados de suas origens, se tornaram na prática uma espécie de infantaria dos robôs gigantes, graças à imensa multiplicação e acessibilidade de sua tecnologia simples para os padrões atuais. E obviamente, isso não aconteceu sem motivo.

Histórico Tecnológico

O Lanceiro é descendente direto de uma época onde o motor cósmico não podia ser efetivamente compactado – os primeiros robôs gigantes nos moldes que conhecemos não tinham um motor do tipo e se valiam de outros recursos para serem ágeis. Para que robôs gigantes pudessem usar o motor cósmico nesses tempos, dentro das possibilidades tecnológicas da época, eles precisariam ter entre oitenta e cem metros de altura. Na verdade, dizem registros de fonte questionável que alguns robôs gigantes com essas dimensões chegaram a ser construídos durante a primeira metade do Grande Vazio, mas teriam sido iniciativas isoladas: eles em tese eram viáveis, mas não havia razão prática para sua existência — só serviam para destruir as cidades por onde passavam e como recurso de intimidação. Um tombo acidental em áreas populosas seria uma tragédia de proporções assustadoras.

No entanto, foram experiências como estas que comprovaram a viabilidade de robôs gigantes movidos pelo motor cósmico; a imensa quantidade de energia necessária o tornava um desperdício, mas por séculos se trabalhou em uma redução efetiva do motor que pudesse ainda assim gerar grandes quantidades de energia. Eventualmente, isso acabou acontecendo nos últimos séculos do Grande Vazio. Quando Silas Falconeri fez sua revolução, robôs com tais motores já eram uma realidade de mais de um século.

Com tudo isso, o resto foi uma questão de evolução tecnológica. Antes, um robô gigante precisava adicionar implementos de voo, voando através de tepeques e outros recursos similares. À medida que os robôs passaram a contar com essas capacidades de forma inata, tudo mudou: antes, um piloto podia se arriscar a consertar um robô imobilizado – ou ao menos fazê-lo funcionar provisoriamente até que ele chegasse a uma oficina. A sofisticação que levou ao surgimento dos modelos Hussardos reduziu essa acessibilidade e levou ao campo social um hiato tecnológico que fazia do ato de pilotar um robô gigante algo para poucos.

Por outro lado, as necessidades conflitantes de focar recursos em robôs mais avançados e da existência de uma infantaria de combate mecanizado entraram em colisão. Enquanto um tipo de robô se sofisticava, o outro se simplificava para o fim de redução de custos.

O Lanceiro como o conhecemos hoje foi apenas o ápice dessa simplificação em modelos militares e uma consequência natural dessa evolução paralela. Enquanto se estabeleceu que o Hussardo, que voava por seus próprios meios, seria um modelo para uma elite de combate, o Lanceiro seria um modelo “popular”, de blindagem espessa, fácil manutenção e manobrabilidade, mais voltado à resistência do que à aparência, com refrigeração à ar e água destilada, capaz de resistir a longas jornadas a pé, em terreno irregular. Mais ainda, sua simplicidade decorrente da economia de recursos criou algo inesperado: um modelo que qualquer um saberia pilotar e eventualmente dominar.

Não é difícil de se imaginar por que o Lanceiro, nos seus moldes atuais, seria um sucesso.

Barato e Eficiente

LanceiroA produção industrial do lanceiro fez com que ele tivesse baixíssimo custo em larga escala. Isso permite que qualquer senhor de domínio semi-falido possa comprar dezenas de unidades para suas tropas, e sua simplicidade de comando e manutenção permite que meros aldeões semi-analfabetos pilotem tais unidades com alto grau de desempenho. A coisa chega a um ponto que as fábricas fazem descontos imensos para senhores de domínio, enviando-os prontos e devidamente personalizados com o brasão da sua casa de nobreza estampado e as suas cores esmaltadas adornando os modelos. Claro que para um Hussardo que se preze, é fácil destruir um Lanceiro com um golpe certeiro do seu sabre de energia em seus motores – mas o mais aterrorizante nos Lanceiros, que em nome da economia ainda usam armas a frio (ver Apenas a Frio, livro Brigada Ligeira Estelar, página 50), é que eles vem em legião; destrua um e outro estará em cima de você logo a seguir.

Talvez por isso, a famosa resistência dessas máquinas não é pensada em termos de conforto ou segurança para seus pilotos: o que importa é que eles funcionem em qualquer tipo de ambiente hostil e formem uma horda. O levante de 1854 C.E. em Forte Martim é até hoje um grande exemplo do poder que uma horda de lanceiros representa.

Algumas notações Técnicas

Os Robôs Lanceiros normalmente contam com uma longa lança a frio – além de uma bateria menor de projéteis distribuída discretamente nos ombros e no peitoral. Muitos já se perguntaram se eles não seriam mais eficientes se essa bateria fosse de tiros de energia, mas aí se perderia parte de seu maior apelo em termos orçamentários: em vez de um motor cósmico reduzido, como nos robôs hussardos ou nos da nobreza, é preciso apenas uma armação de poucas células cósmicas que mantenham os geradores funcionando, de forma similar aos veículos magnéticos. Dependendo do modelo, eles funcionam com motores parcialmente à explosão, o que os torna mais vulneráveis aos ataques inimigos em combate (na verdade, em mundos mais afastados ou em domínios mais pobres, esses modelos tendem a ser o padrão até hoje).

Um detalhe a se notar é a ausência costumeira de blindagens contra Auras de Partículas. Ao contrário do que se espera, há lógica: auras de partículas são para o combate espacial. Em ambientes urbanos, isso pode se voltar contra todos. Lanceiros dominariam o combate com motores parcialmente à explosão e sendo relativamente independentes de equipamentos sofisticados, agindo sem serem tão afetados assim.

Alguns Lanceiros podem voar… bem, voar não é a palavra. Um tepeque de voo e propulsores são instalados em sua parte traseira para que ele tenha um misto de levitação e propulsão. Basicamente é como se ele deslizasse no ar para a frente, e isso é usado em terrenos difíceis. Mas é só isso — que ninguém espere manobras aéreas desses robôs. A esses Lanceiros se chamam de Ulanos.

Evolução Tecnológica

Os eventos subsequentes à Batalha dos Três Mundos resultaram em uma nova tecnologia na Constelação do Sabre, e por isso mesmo há uma nova fornada de robôs Lanceiros a caminho, já em processo de testes (as imagens apresentadas pertencem ao modelo novo). Tudo indica que teremos um corpo de lanceiros imperiais mais independente do efetivo cedido pela nobreza para complementar as forças do Império — e a ponta de suas lanças agora terá uma carga de energia, não sendo mais exclusivamente a frio. Há obstáculos políticos como de costume, mas em um contexto de guerra e com o capital político ampliado, o Príncipe-Regente Pérez-Reverte — aliado à bancada Uziel politicamente realinhada (ver Belonave Supernova, Vol. 2), não vem encontrado nenhum problema além do pontual.

Alguns dados extras

De modo geral, todo domínio tem sua cota de lanceiros — eles costumam ser postos sob as ordens das guardas regionais e das guardas imperiais. Não há um corpo de guarda lanceira imperial, mas há lanceiros a serviço direto do império; eles estão subordinados ao Corpo de Infantaria Imperial (de um modo estruturalmente análogo aos corpos da Brigada Ligeira Estelar que servem nas naves da Marinha Estelar Imperial) e costumam ser agregados regionalmente aonde essas bases são instaladas.

A ficha do Robô Lanceiro está no livro de cenário Brigada Ligeira Estelar (página 59); o kit do Soldados Lanceiros está em A Constelação do Sabre, vol. 2 (página 84). De modo geral, personagens lanceiros tem origens mais modestas e menos mirabolantes do que seu protagonista hussardo típico. Eles se prestam melhor a campanhas mais pé-no-chão — e podem dar facilmente margem para campanhas de Realismo Seco em 3D&T (ver página 45 de Brigada Ligeira Estelar).

Agora entre em seu robô e lute — todo Lanceiro é dispensável, e sobreviver não é para os fracos!

Já pilotou ou enfrentou um Lanceiro? Deixe nos comentários suas impressões sobre este robô!

Arte de Wal Souza

Alexandre Lancaster • 14/04/2017

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