Tendência & Histórico — Parte 1

Precisando de uma forcinha com o histórico de seu personagem?

Aqui vão algumas sugestões de histórico para personagens de tendências bondosas. Em matérias vindouras, falaremos das tendências neutras e também das malignas.

Dividimos cada histórico de acordo com a tendência. Há quatro exemplos para cada uma, de acordo com o tipo de personagem: o combatente, voltado para luta e combate; o renegado, voltado para astúcia e perspicácia; o sacerdote, voltado para o lado divino e espiritual; e o estudioso, voltado para o poder mágico.

CdH -- Cobb -- 004 -- Símbolo de Khalmyr -- redimensionado para o site

Leal e Bondoso
Personagens leais e bondosos fazem o que é esperado de pessoas justas, respeitando a lei e sacrificando-se para ajudar os necessitados. Dizem a verdade, cumprem suas promessas e denunciam a injustiça. Quando não assumem a liderança, são fiéis a seus comandantes. Combinam um compromisso ou necessidade de enfrentar o mal com a disciplina para lutar de maneira implacável. São intolerantes com o mal; mesmo capazes de perdão e compaixão, acreditam que todo crime precisa ser punido e, o mal, destruído.

Diante de uma criança faminta roubando um pedaço de pão, explicarão que roubar é errado, comprarão comida para ela e sua família, e então a levarão até um guarda da milícia. É a melhor tendência porque combina honra e compaixão. Mas pode ser uma tendência perigosa, por restringir a liberdade e condenar o interesse individual.

• O Combatente: vítima de bandidos ou magistrados corruptos, convertido pela aparição de uma divindade ou simplesmente alguém com vontade de fazer o certo e com um braço forte, o combatente entendeu que o mundo é um lugar melhor quando as leis são justas e os criminosos são punidos. Então partiu para tornar o mundo um lugar melhor. A disciplina, representada pelo aspecto leal, é fundamental para qualquer lutador. Aliada à vontade de fazer o bem do aspecto bondoso, gera alguns dos maiores campeões da justiça. Paladinos são os combatentes mais famosos desta tendência. Samurais, quando servem a senhores benevolentes e honrados, também seguem estes preceitos. Guerreiros podem ser campeões tão ou mais exaltados, especialmente quando emergem do povo e lutam apenas por sua vontade de fazer o que é certo — seguindo seu caráter, não os dogmas de um deus ou os ditames de um mestre.

• O Renegado: cansado de perder amigos para a milícia, desiludido com uma vida que deveria ser de liberdade e diversão, ou desanimado com uma sina à margem da sociedade, o renegado decidiu “tomar jeito”. Guiados pelo ditado “mande um ladrão para pegar outro”, ladinos são renegados leais e bondosos por excelência — tornando-se investigadores e agentes secretos. Quando são leais e bondosos, rangers tornam-se caça-prêmios sem paralelo.

• O Sacerdote: encontrado em uma cesta na porta de um templo, entregue à religião por não ter direito à herança ou arrependido de sua vida anterior, o sacerdote se entregou de corpo e alma aos dogmas da religião. Dedicado a trazer ordem para o reino e prover o povo com um mundo justo, pode ser um magistrado real ou apenas uma alma heroica fazendo o que pode para tornar o mundo aquilo que acredita que ele deve ser. Clérigos são os personagens mais típicos a abraçarem esta carreira e tendência. Não são poucos os que administram hospitais, escolas e, é claro, templos de todos os tamanhos. Também há os que partem sozinhos pelo mundo para espalhar a fé e estabelecer a ordem nos recônditos mais isolados — e paladinos costumam se destacar entre esses. Devotos, ainda que não gozem de uma posição formal dentro da hierarquia da religião, ajudam em diversos níveis; no governo, na administração de locais santos, e, é claro, onde são mais necessários: junto ao povo.

• O Estudioso: pupilo de um mestre rígido, membro de uma ordem hierárquica ou vítima de valentões, o estudioso acredita naquilo que sempre lhe trouxe paz e satisfação — para não dizer segurança: um mundo organizado, em que o trabalho duro rende frutos e as falhas têm consequências. Mas ele nem sempre precisa ser o protagonista, pois sabe que uma ação nos bastidores pode gerar efeitos tão duradouros quanto aqueles realizados por sua própria mão. Quase sempre retratado como alguém voltado a envenenar a mente, o estudioso é escolhido com frequência como conselheiro de reis, nobres e líderes no geral. E sabe que sua função é manter seus aconselhados no rumo da ordem e da justiça. É comum que magos sejam escolhidos para este cargo, tanto por suas habilidades acadêmicas quanto por sua rigidez professoral. Clérigos não são estranhos à função, dada a natureza estruturada do clero.

Neutro e Bondoso
Personagens neutros e bondosos fazem o melhor que uma pessoa boa poderia fazer: são devotados a ajudar os outros. São pessoas de bom coração, que sentem prazer com a felicidade alheia. Colaboram com as autoridades, mas não se sentem obrigadas a fazê-lo — acham que ajudar o próximo é mais importante que seguir ordens ou leis.

Diante de uma criança faminta roubando um pedaço de pão, ajudam tanto a criança quanto o comerciante roubado. Não tentarão punir a criança de maneira exemplar (talvez apenas dando-lhe um bom susto) e farão o suficiente para ressarcir o comerciante. É a melhor tendência porque permite fazer o bem sem preconceitos a favor ou contra a lei, o caos e a ordem. Mas pode ser uma tendência perigosa quando permite o avanço dos incapazes em detrimento dos realmente aptos.

• O Combatente: criado entre a plebe, um querido “pequeno mestre” entre os servos de seus abastados pais ou o “melhor amigo de todo mundo” não importando seu status social original, o combatente neutro e bondoso toma para si a responsabilidade de ver sua comunidade próspera e feliz. Promove a igualdade, defende os fracos e procura ativamente o mal — para acabar com qualquer ameaça ao seu povo. Preocupa-se com seu lar e adapta-se aos inimigos para vencê-los; afinal, sua derrota significaria a ruína de todos que lhe são queridos — nada e nenhum sacrifício é demais para defendê-los. Rangers e guerreiros são os combatentes neutros e bondosos mais comuns, mas clérigos e feiticeiros também assumem este manto com frequência.

• O Renegado: vitimado pela injustiça, tendo perdido um ente querido que lhe protegia para leis rígidas demais (para crimes pequenos de menos) ou insatisfeito com a falta de igualdade, o renegado neutro e bondoso tomou para si a tarefa de proteger os mais fracos — especialmente dos abusos daqueles que são fortes e deveriam protegê-los. Disposto a invadir castelos e desbravar masmorras, ele vai aonde precisa para destronar vilões. Muitas vezes esconde-se entre aqueles que protege, mas sabe que isso pode causar ainda mais problemas. Por isso mesmo, não é raro que enfrentem a injustiça vestindo máscara e capuz. Ladinos são os renegados mais frequentes, mas poucos swashbucklers se negariam a ridicularizar um vilão enquanto promovem o bem. Muitos bardos assumem o manto de renegado neutro e bondoso, usando sua celebridade para esconder quem realmente são — e o que estão fazendo contra a injusta ordem que oprime seus semelhantes.

• O Sacerdote: a natureza estava ao redor de toda a sua aldeia e você atendeu seu chamado, brincando na mata um dia você deu de cara com o eremita que todos consideravam esquisito e descobriu que ele era muito mais do que isso ou uma infância entre os agricultores e criadores lhe ajudou a desenvolver um laço único com a fauna e a flora — domesticada ou não. O sacerdote neutro e bondoso acredita que a natureza é benevolente e que a civilização deve aprender com ela. Ele não acredita que a civilização seja inerentemente má, apenas que segue preceitos que precisam ser revistos. Não é um pregador, mas permite e facilita que a civilização conviva em harmonia ou até mesmo comunhão com o mundo natural. Druidas são os sacerdotes neutros e bondosos mais comuns, dividindo com clérigos de deuses da natureza e rangers desta tendência a responsabilidade de ensinar o equilíbrio entre o mundo natural e a civilização.

• O Estudioso: abençoado com a possibilidade de estudar, abraçado por uma ordem que valorizava a pena mais do que a espada ou tendo conquistado uma vaga em uma instituição de ensino superior graças aos seus próprios esforços, o estudioso neutro e bondoso concluiu que a verdadeira trilha para a felicidade e harmonia é um coração generoso e uma mente racional. Embora a religião faça parte da vida da maioria destes estudiosos, eles raramente são dogmáticos e pesam todos os pontos de vista antes de oferecer sua própria visão — que quase sempre bebe das mais variadas fontes de sabedoria. Por seu perfil racional, magos se tornam estudiosos neutros e bondosos com mais frequência que outras classes. Dada a natureza das instituições religiosas, clérigos também são muito afeitos a esta carreira — que atrai até mesmo bardos inclinados a propagar o bem comum, guiados pela sabedoria e conhecimento ancestrais.

Caótico e Bondoso
Personagens caóticos e bondosos agem de acordo com seus próprios instintos e convicções em vez de confiar em regras ou fazer o que os outros esperam deles. Trilham o caminho que acham melhor, mas são generosos e benevolentes. Acreditam no bem e no que é correto, mas não confiam em leis e regulamentos. Também se preocupam em proteger a liberdade alheia, muitas vezes combatendo tiranos e regentes opressores. Odeiam quando alguém tenta intimidar outras pessoas e dizer-lhes o que fazer, e por isso muitas vezes combatem tiranos e regentes opressores. Seguem o que acham que é certo, mesmo que isso não esteja de acordo com o que a sociedade entende por certo.

Diante de uma criança roubando pão, ajudam a encobrir a fuga da criança. Podem até orientá-la a roubar de comerciantes ricos e inescrupulosos, e também dividir seu roubo com outros famintos. É a melhor tendência porque combina um coração bondoso com um espírito livre. Mas pode ser uma tendência perigosa quando atrapalha a ordem da sociedade e castiga aqueles que venceram na vida sem pisar em ninguém.

• O Combatente: plebeu de nascimento sem possibilidade de ascensão, nobre que perdeu o título para legislações injustas ou simplesmente alguém disposto a enfrentar a ordem estabelecida para promover a liberdade, o combatente caótico e bondoso pega em armas para despojar tiranos — sejam xerifes, magistrados ou nobres; contra a burocracia, muitas vezes a única saída é o combate. Esta é uma trilha que vem naturalmente para bárbaros, rangers e, é claro, swashbucklers. Seja na esfera da tribo, seja no reino como um todo, sempre há alguém querendo tolher a liberdade para ascender socialmente às custas dos mais fracos e suas liberdades. É então que combatentes caóticos e bondosos tomam em armas para levar a cabo a revolução.

• O Renegado: banido por críticos invejosos, desgarrado por sua visão “progressista” ou simplesmente proscrito por aqueles que detêm o poder, o renegado caótico e bondoso é muitas vezes um artista audacioso, um rebelde corajoso, um combatente da liberdade — ou tudo isso ao mesmo tempo. Ele enfrenta o sistema e sua legislação opressora, buscando permitir que todos possam se expressar sem medo de reprimendas. Bardos são os renegados caóticos e bondosos mais comuns, mas ladinos, swashbucklers e bárbaros também carregam a necessidade de se rebelar contra a opressão aonde quer que vão. Nenhuma revolução começa sem ação, seja para estar na vanguarda das artes ou derrubar um tirano. Rebeldes por natureza, renegados caóticos e bondosos raramente ficam muito tempo no mesmo lugar; eles perseguem sempre a próxima população, movimento artístico ou reino a libertar.

• O Sacerdote: um agente livre, um guia pelo exemplo e não pela palavra ou, às vezes, um herege. O sacerdote caótico e bondoso acredita que a religião deve ser expressada livremente e sempre respeitada — desde que seja benevolente. Apesar disso, ele não é dogmático; uma nova interpretação da liturgia é sempre bem-vinda — o próprio texto religioso não deve oprimir ou obrigar, apenas apontar o caminho. Clérigos são os sacerdotes caóticos e bondosos mais comuns. Rangers apegados à religião vêm logo em seguida, mas este manto é vestido por devotos de todos os tipos. No fim, o bem e a liberdade devem prevalecer, independentemente da crença, causa ou personalidade.

• O Estudioso: cansado de debates filosófico-acadêmicos milenares, questionando tanto método quando objeto ou simplesmente pensando “fora da caixa”, o estudioso caótico e bondoso é muitas vezes um visionário tolhido por seus pares — quase sempre apegados demais à tradição para sequer ouvir seus argumentos. Questionador por natureza, preferiu viver às margens da comunidade do que se deixar limitar pelo que os outros consideram o único caminho para a verdade. Reflexivo, questiona não apenas os métodos de seus iguais quanto os seus próprios — a autocrítica deve ser tão contundente quanto a própria crítica. Mesmo assim, o objetivo é sempre perseguir o bem maior — com a certeza de que a sua é provavelmente apenas uma dentre muitas outras maneiras de alcançá-lo. Magos são estudiosos caótico e neutros frequentes, mas não são poucos os feiticeiros que rompem com os grilhões da academia. Clérigos também podem abraçar esta carreira, e há um número ainda maior de bardos envolvidos nos mais diversos debates.

Aqui encerra-se a primeira parte desta matéria. Da próxima vez, falaremos sobre personagens de tendência neutra.

Curtiu algum histórico em especial? Usou um deles em uma aventura? Tem alguma sugestão? Deixe suas impressões nos comentários!

Gustavo Brauner • 31/07/2017

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