Castanha de Kaiju — O Samurai do Clã do Touro

Um samurai diferente - e com os chifres para provar!

É engraçado quando você joga muito um determinado jogo, e ele acaba influenciando a forma como você joga outros jogos também. O jogador de D&D que vê masmorras em todo lugar, ou o de Vampiro: a Máscara que só quer fazer personagens atormentados e depressivos. Já tive a experiência de jogar uma aventura em um sistema de terror escrita por um mestre de D&D – e foi até um pouco cômico, morrer no primeiro aposento da masmorra porque zumbis em um jogo e outro eram completamente diferentes…

Eu sou um pouco assim com 3D&T. Por ser o sistema de RPG que mais joguei, é um jogo cujos elementos e características acabam me perseguindo por qualquer que seja o que estou usando no momento. É um vício que tenho, que acaba mudando a forma como vejo todos os outros sistemas.

Uma das características mais marcantes do 3D&T é o fato de que as características e elementos são genéricas, baseadas mais em um efeito de jogo do que uma descrição específica. A sua Força não precisa ser força física/muscular necessariamente – é apenas a sua forma de causar dano; pode ser uma técnica de artes marciais, uma arma muito eficiente, ou qualquer outra coisa entre os dois casos. Um Ataque Especial pode ser qualquer coisa que você quiser. E daí por diante.

Por ser tão acostumado a ver as coisas assim, acabo levando este elemento também para outros jogos. Quando jogo Tormenta RPG, por exemplo, sempre acabo vendo as classes de personagem como conceitos amplos e abstratos, distantes da rigidez que elas parecem sugerir em um primeiro momento. Afinal, por que todo samurai precisa vir de Tamu-ra? Por que todo swashbuckler precisa ser um mosqueteiro plagiado de um livro do Alexandre Dumas? Apenas religiões orientais podem ter monges artistas marciais como os descritos no livro básico?

É possível buscar um conceito maior por trás das classes, e usá-las para criar personagens mais únicos e exóticos. Latto sensu, um samurai de Tormenta pode ser definido como um guerreiro honrado que luta com a bênção dos seus ancestrais – e esse conceito não precisa ser limitado a cenários pseudo-orientais. Um swashbuckler é essencialmente um guerreiro zombador que luta de forma acrobática e imprevisível; consigo facilmente imaginar um lutador de kung fu de filmes wuxia sendo criado a partir da classe, por exemplo. E daí por diante.

A classe variante que apresento a seguir surgiu de uma reflexão assim. Na verdade, ela vem de uma brincadeira, após ler um trecho da descrição do poder armas ancestrais do samurai: se, no lugar de uma daisho, qualquer arma pode ser escolhida para receber os bônus da habilidade, será que isso também incluiria armas naturais? Como, digamos, os chifres de um minotauro?

A partir daí, tentei imaginar como seria um samurai minotauro, trazendo o conceito da classe para o reino de inspiração romana que eles possuem em Arton. De cara pensei em aproveitar o conceito dos numina, espíritos naturais venerados na religião primitiva original romana – me parecia uma adaptação natural do conceito de ancestrais para este ambiente. Adaptar o resto do background foi muito fácil depois de definir isso.

E assim nasceu a classe variante do Samurai do Clã do Touro. Não busquei me afastar muito da classe original, pois meu objetivo era justamente fazer um samurai clássico em um contexto diferente. Por isso, além dos chifres ancestrais (que são só uma forma específica de armas ancestrais), a única diferença real dele para um samurai tradicional é o seu estilo de combate único, a marrada – que é pouco mais do que uma árvore de talentos bônus, de qualquer forma. A classe, e o kit correspondente para 3D&T (é claro!), é descrita em detalhes a seguir.

minotauroOs numina

Os numina (ou numen, no singular) são espíritos naturais que os minotauros do passado acreditavam existir no interior de todas as coisas, seja na natureza, nos objetos, e mesmo na própria família, através do culto aos ancestrais. Antes da igreja de Tauron se consolidar, era a eles que prestavam homenagens, e ao seu redor que organizavam a religião.

Ainda é possível encontrar o culto aos numina em alguns lugares da Tapista atual, geralmente em aldeias distantes da capital, próximas das áreas selvagens da Floresta de Naria ou das Montanhas Lannestull. Em tais locais, é comum encontrar pequenos altares em locais onde se acredita que eles se concentrem, para que a população possa fazer oferendas e pedidos de boa sorte e abundância. Altares similares podem ser encontrados dentro das casas das famílias, onde os numina familiares são adorados e honrados.

Apesar de ser um culto anterior ao deus da força, honrar os numina geralmente não entra em contradição com a adoração a Tauron. Pelo contrário, honrar ao deus maior pode ser em si mesmo uma forma de honrar antepassados devotos, e alguns até mesmo se referem a ele como “o maior dos numina, a quem todos os minotauros devem homenagem”. Nas grandes cidades e centros urbanos de Tapista, no entanto, os numina costumam ser vistos como uma crendice boba, própria de pessoas simples do interior.

Mas é fato que eles possuem algum tipo de poder. Certas famílias, que se mantiveram fiéis aos numina ao longo das gerações, parecem ser por eles abençoadas, e receberem características únicas. Elas podem ser facilmente reconhecidas pelos vistosos pares de chifres que seus membros possuem, geralmente muito maiores e mais impressionantes que os de minotauros comuns, graças um misto de genética e bênção sobrenatural. Aqueles que se dediquem e honrem seus numina familiares podem até mesmo receber outras bênçãos, na forma de poderes impressionantes que podem convocar através destes chifres.

Com a chegada dos povos tamuranianos ao continente, muitos notaram a semelhança destes guerreiros tapistanos com os da ilha – lutadores honrados, que buscam agradar e prestar homenagem aos seus ancestrais, e por isso recebem poderes sobrenaturais. Assim, passaram a ser conhecidos como “os samurais minotauros,” ainda que não sejam formalmente detentores de qualquer título de nobreza.

O Samurai do Clã do Touro

Pontos de vida: padrão.

Perícias treinadas: padrão.

Perícias: perde Cavalgar.

Talentos adicionais: padrão.

Pré-requisitos: apenas minotauros.

Habilidades de classe:

Chifres ancestrais. Um samurai do clã do touro não recebe uma daisho ou outra arma ancestral tradicional. No lugar, possui um par de chifres muito maiores e mais impressionantes que os de um minotauro comum. Ele poderia dizer mesmo que são chifres obra-prima, e recebem os mesmos benefícios de uma arma com esta característica.

O poder dos chifres de um samurai do clã do touro advém tanto de genética, por se tratar de um traço passado de geração em geração entre os membros do clã, e também do cuidado especial que possui com eles. Orgulhoso da sua herança, o minotauro dedica pelo menos uma hora do seu dia, geralmente pela manhã, para limpar, polir e afiar os seus chifres. Se não o fizer, eles perdem o bônus de obra-prima até que possa fazê-lo novamente.

Da mesma forma que a espada ancestral do samurai tradicional, os chifres ancestrais são abençoados pelos numina, os espíritos familiares dos minotauros tapistanos. No 1º nível, eles recebem um bônus mágico de +1, e este bônus aumenta em +1 a cada dois níveis. Os bônus podem ser usados como bônus de melhoria (até um máximo de +5), ou para adquirir características especiais, como afiada, flamejante e outras descritas no Manual Básico.

Estilo de combate. Samurais do clã do touro não possuem os estilos de combate de iaijutsu ou luta com duas armas. No lugar, possuem um estilo de combate exclusivo: marrada.

No 2º nível, o estilo de combate marrada dá ao personagem o talento Corrida como um talento adicional.

No 6º nível, como estilo de combate aprimorado, o personagem recebe o talento Investida Montada, e pode usá-lo mesmo sem estar montado, em uma investida com corrida comum.

No 11º nível, como estilo de combate superior, o personagem recebe o talento Investida Implacável, e pode utilizá-lo nas mesmas condições acima. Considere os chifres como uma lança.

Grito de kiai. Para não confundir com o tema oriental, você pode renomear esta habilidade como Rugido Numinoso. Regras de funcionamento seguem as mesmas, e ela serve para cumprir os mesmo pré-requisitos.

Técnica de luta, olhar assustador. Estas habilidades não são alteradas.

Novo talento: Chifres Aprimorados [combate]

Pré-requisitos: habilidade de classe chifres ancestrais, veja abaixo.

O minotauro possui chifres impressionantes, capazes de rivalizar em qualidade com armas aprimoradas.

Benefício: os chifres do personagem possuem uma qualidade especial, como os aprimoramentos para armas do Manual do Combate. O aprimoramento desejado definirá no pré-requisito do talento:

Brutal: bônus base de ataque +1

Equilibrado: bônus base de ataque +1

Magistral: bônus base de ataque +4.

Preciso: bônus base de ataque +7.

Maciço: bônus base de ataque +7.

O personagem deve gastar pelo menos uma hora no começo do dia limpando, polindo e afiando os seus chifres, ou perde os benefícios do talento até que possa fazê-lo de novo.

3D&T

Função: atacante.

Pré-requisitos: Minotauro, F2, pelo menos um Código de Honra familiar.

Ataque em carga. Você pode fazer um poderoso ataque em carga com os seus chifres. Esta manobra requer um movimento (de pelo menos 10m) seguido de uma ação, mas dobra a Força para determinar a sua FA. Realizar uma nova carga contra o mesmo alvo requer dois movimentos (um para se afastar, outro para voltar).

Chifres ancestrais. Os seus chifres possuem bônus de Força +1. Além disso, sempre que você investe 2 PEs para evolução do personagem (mas não em outras utilizações), recebe 1 PE de bônus apenas para comprar aprimoramentos mágicos para ele.

E aí, testou o Samurai do Clã do Touro? Deixe suas impressões nos comentários!

BURP • 07/08/2017
tags: 3D&T , Tormenta

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