O Enigma das Arcas, Ato XXI — O Filho Pródigo

Após uma série de desventuras, tem início o terceiro grande arco de capítulos do Enigma das Arcas. Enemaeon está envolvido com a família em Ridembarr enquanto faz os preparativos para a próxima parte da aventura para salvar a própria alma!

armageddon-felrond-enigmaAté agora, no Enigma das Arcas…

Enemaeon de Ridembarr é um mago das trevas que após uma malsucedida invocação teve o coração arrancado e substituído por um artefato malignoPara se livrar dessa maldição, ele partiu em uma jornada para decifrar o Enigma das Arcas, que supostamente possui a resposta para salvar a própria alma.

Nessa jornada, ele conta com a ajuda dos antigos companheiros: o ladrão clérigo de Hyninn Garlor “Presas de Prata” e o elfo bêbado Felrond. Após convencer o capitão pirata Moranler Silverdall a se unir a eles, Enemaeon e Felrond partiram por Deheon em direção a Valkaria numa corrida contra o tempo cujo prêmio é a vida de Garlor.

Em uma taverna de beira de estrada, se depararam com um guerreiro vencido chamado Villvert. O necromante só tinha uma maneira de ajudá-lo: o transformando em um zumbi! Juntos, o trio seguiu jornada para Valkaria, não sem antes pararem em Ridembarr, a terra natal de Enemaeon.

Ato XXI – O Filho Pródigo

As horas se arrastaram no porão úmido até que, exausto, o necromante deixou os instrumentos de lado, espreguiçando-se na cadeira de pala alta. Já era noite. Na mesa de operações, o Guerreiro — o homem que outrora fora Villvert de Galienn — jazia com o ventre aberto da virilha até a primeira costela. Todos os órgãos necrosados tinham sido removidos e acondicionados em jarros para posterior descarte. Mas estava lúcido mesmo assim, pois os pensamentos dele já não necessitavam de nenhum tipo de conduíte orgânico para funcionar. Era apenas magia que pulsava nos ossos e na carne.

— Até aqui tudo bem — comentou Enemaeon mergulhando lâminas num líquido escuro e preparando agulha e linha para iniciar a sutura do corte — Vou fechar tudo por hora e concluir assim que conseguir os itens que faltam. Preciso ainda efetuar certos negócios pendentes na cidade. Até lá, poderia por favor ficar aqui?

— Não pretendia mesmo ir a lugar algum — respondeu, sarcástico, apontando para o próprio ventre vazio — Apesar de acreditar que não preciso dormir, me sinto cansado. Creio que vou aproveitar para recuperar o sono perdido.

— Faz bem em manter certos costumes, isso o manterá humano por mais tempo — respondeu o necromante costurando a pele rapidamente, com pontos desleixados. Teria que abrir tudo mais uma vez de qualquer maneira. Se limpou em uma toalha pouco antes de largá-la sobre o encosto da mesma cadeira que ocupou por quase toda a tarde. Após massagear o próprio ombro e o pescoço dolorido, concluiu: — Mas tem razão. O cansaço que sente é apenas um hábito em seu cérebro. Também sentirá fome e sede por algum tempo, mas não precisa mais dormir, beber ou comer se não quiser.

— O que era aquela coisa que você plantou no meu crânio? — perguntou o Guerreiro fechando os olhos — Parecia um tipo de coisa que não sei explicar. Algo terrivelmente errado.

O necromante manteve-se em silêncio, assistindo o morto-vivo sucumbir pouco a pouco à inconsciência. Subiu o lance de escadas que o separava do jardim lá fora, e por segurança, trancou a porta do porão com uma segunda e terceiras travas. Só então regressou ao casarão, desta vez adentrando pelos fundos, através da cozinha larga e repleta de comida. Duas ou três senhoras que preparavam o jantar cumprimentaram-no de maneira azeda e logo o expulsaram do cômodo. Enemaeon não se enfureceu, pois bem sabia estava fedendo e sujo de sangue e das entranhas apodrecidas do corpo de Villvert. Atravessou o salão (onde Felrond roncava meio bêbado, uma garrafa ao lado) e subiu para o quarto.

Estava destrancado, os lençóis limpos e os livros em ordem. Antevendo sua subida — pois velhos hábitos nunca mudam — Geovana havia ordenado aos criados que uma tina de água fosse preparada para o banho, colocada atrás de uma divisória diante da janela. Deveria ter demorado mais do que de costume, pois a água já estava morna. De qualquer maneira, após tantos dias na estrada, mesmo aquela pequena regalia parecia demais para ele.

Despiu-se das roupas emporcalhadas (que provavelmente seriam queimadas pelos empregados no outro dia) e entrou calmamente no banho, inspirando os odores que dele subiam. Havia perfume de ervas na água. Um cuidado a mais. Molhou os cabelos ainda curtos com uma jarra e esfregou a barba que dava sinais de rebeldia. Os olhos desceram ao peito onde a cicatriz provocada por Merodach jazia, tão recente quanto no dia em que arrancou seu coração. Tocou o ferimento com a ponta dos dedos, sentindo a própria carne ferida. Estranhamente, não doía.

— É um corte bem feio — falou uma voz feminina, doce e sensual. O corpo delgado surgiu por detrás das cortinas. Avançando na sua direção em passos calculados, os olhos transbordando malícia sob a luz do luar que subia no horizonte. Os cabelos fartos e negros caíam pelos ombros, em parte, cobrindo a visão dos seios dela. Pego de surpresa, Enemaeon endireitou-se dentro da tina, procurando cobrir a própria nudez.

— Senhorita, há não ser que tenha intenções lascivas, mal intencionadas e inapropriadas para comigo, peço que se retire de meu quarto da mesma forma misteriosa que surgiu.

— Infelizmente, minhas intenções são lascivas — começou ela também tomando lugar ao banho, deitando o corpo esguio sobre o do mago — Mal intencionadas — continuou, as mãos em carícias espalhando-se entre os dois — E muito, muito inapropriadas…

Um longo beijo se seguiu, e ambos se perderam nas curvas dos corpos e no ritmo ansioso do sexo. Molhados, desejando-se, seguiram do banho para a cama, e lá trocaram carícias durante a madrugada. Enemaeon não desceu para jantar, mas Felrond também não o procurou, acreditando que o mesmo estivesse ainda enfurnado no laboratório. A família do mago, ao encontrar as portas trancadas, não insistiu em chamá-lo e a noite transcorreu assim até que luz da manhã o despertasse sozinho entre os lençóis bagunçados. A única companhia agora estava aos seus pés: a gata negra esticava-se preguiçosa. Recebeu um chute como desejo de um bom dia.

Sentado a beira da cama, levou ambas as mãos ao rosto procurando imaginar o quanto daquilo que lembrava não passava de sonho. O cheiro azedo da pele — recendendo a sexo e suor, misturado a um perfume de mulher o fizeram sorrir. Não sabia de quem havia sido a ideia, mas foi bom esquecer um pouco dos problemas e se afundar no calor reconfortante de uma amante. Se lavou um pouco, escolheu uma nova muda de roupas — um robe longo de um azul profundo jogado sobre um manto negro — e desceu.

Encontrou a madrasta na mesa vestida como se a primeira refeição na casa dos Ridembarr fosse um acontecimento imperial e não apenas um desjejum. Ela o olhou de soslaio, e erguendo com especial delicadeza a xícara de porcelana élfica, cumprimentou-o de forma entrecortada, com palavras que não lembravam nem de longe qualquer tipo de boas vindas (exceto para o padrão dos anões, talvez).

— Seu amigo alcoólatra está esparramado no meu sofá desde a tarde de ontem, Enemaeon — pontuou. Havia certo sarcasmo nas palavras amigo e alcoólatra.

— Também fico feliz em vê-la bem, Cordélia — respondeu o mago de muito bom humor após a noite agitada. Nem mesmo os costumeiros pesadelos haviam lhe assaltado — Importa se eu lhe fizer companhia?

— Me importo, é claro, mas sei bem que você irá fazer o que deseja de qualquer jeito.

Cordélia tinha alguns anos a menos do que o próprio necromante, dificilmente passando dos vinte e oito. Tinha cabelos castanhos longos e impecáveis, olhos verdes como uma florestas ao sol e dentes tão brancos e perfeitos quanto pérolas. Era, sem dúvida, a mulher mais bela de Ridembarr (mais linda até mesmo que várias das aristocratas da capital), e o próprio Enemaeon em seus tempos de garoto a havia cortejado sem sucesso. Foi estranho para ele saber do segundo casamento do pai justamente com Cordélia. Também foi estranho descobrir o quanto ela era fascinada pela riqueza e pelo ouro — que gastava entusiasticamente.

Engravidou três vezes em pouco mais de quatro anos, enchendo a casa de meninas para a satisfação de todos, a não ser da própria que desejava um filho homem para substituir o bastardo Enemaeon (a quem sempre taxou de incapaz) nos negócios da família. Nesta época, o mago já estava às voltas com seus estudos na Academia Arcana e nem de longe imaginava até onde sua vida poderia afundar. A madrasta no entanto parecia pressentir o destino terrível que lhe aguardava. Na quarta gravidez, um problema no parto custou-lhe o útero e quase a vida, roubando-lhe o sonho de um varão. Mesmo todo o ouro dos Ridembarr não foi capaz de lhe recuperar o dom da maternidade.

— E quando pretende partir? — perguntou ela, interessada.

— Ainda hoje, se possível — respondeu o mago servindo-se de queijo e coalho que passou sobre uma fatia grossa de pão — Preciso chegar até Valkaria antes do anoitecer. Alfonse regressa hoje, não é?

— Perguntando de seu pai? Então provavelmente precisa de mais dinheiro — cutucou Cordélia com um sorriso de nobre mas com um tom jocoso na voz — Não acha que está na hora de deixar de brincar de magia e trabalhar um pouco para a prosperidade de nossa família?

— Acredite, Cordélia — era o mago sério, a mão sobre o peito em uma leve reverência e a mente divagando sobre a própria morte — Se tudo der certo, após minha partida hoje, nunca mais ouvirão falar de mim.

— Foi o que disse há três anos quando saiu daqui pela última vez — brincou Geovana descendo para o café pelas escadas e jogando-se à mesa, reassumindo o papel de boa moça assim que os olhos furiosos de Cordélia caíram-lhe por cima. Vanessa e Angélica também se aproximaram, muito mais contidas pela presença da mãe e logo a família estava praticamente completa, a não ser pela notável presença de Alfonse, o patriarca da família.

— De onde você veio, irmão? — perguntou Angélica por fim — Esteve fora por tanto tempo, deve ter um monte de histórias pra contar!

— E o Paladino? — era a vez de Vanessa animar-se, empolgada. Tinha uma paixão de menina pelas histórias do Paladino de Arton, um homem cujo poder; diziam os boatos, era maior do que qualquer coisa que já vivera neste mundo, sendo intocável até mesmo pela força dos deuses — Você encontrou o Paladino?

— Acorda, garota — cortou Geovana apontando para a irmã com um garfo, a boca cheia de comida escapando entre as palavras para o desespero da mãe — Nosso irmão é um vilão! Um mago das trevas que lida com mortos. Se ele encontrar o Paladino, ele vai é fugir!

— Se o Paladino de Jallar continua sendo o mesmo que era, não terei muitos motivos para fugir — divagou lembrando-se das histórias contadas por um velho conhecido quanto ao desastrado servo dos deuses, cujos excessos de valentia constantemente lhe custaram a vida e verdadeiras fortunas para resgatá-lo do mundo dos espíritos. Tais histórias não combinavam com a fama que agora o acompanhava, inclusive, muitos diziam que o Paladino estava definitivamente morto há um par de anos, mas numa refeição matinal em família ele podia se dar ao luxo de ignorar os perigos e verdades do mundo real — Muito pelo contrário. Ele é que deveria fugir de mim!

Risos (menos os de Vanessa, que não encontrava graça em fazer troça de um herói famoso como o Paladino) despertaram Felrond da ressaca matinal. O elfo surgiu à porta ainda sujo de viagem, um risco de saliva no rosto pálido. Os cabelos mais desgrenhados do que nunca, jogados sobre as orelhas pontudas. Roupas marcadas de sarjeta e bebida, calças fedendo a couro de grifo. Cordélia fulminou o beberrão com os olhos, e os criados compreenderam o recado silencioso. Em instantes, o ébrio companheiro de viagem sumiu dali, guiado gentil mas enérgicamente para um banho nos fundos da propriedade.

— Ao andar com este tipo de gente você compromete nossa imagem. Não vejo futuro para nossa família.

— Tenho três razões para você estar completamente errada só olhando as pessoas nessa mesa, Cordélia — respondeu secamente Enemaeon voltando-se para as irmãs que sorriam. Ignorando o falatório da madrasta, respondeu a pergunta de Geovana — Eu estive quase o tempo todo em Ahlen, e depois passei algum tempo em Tollon e em Petrynia. Fiz o caminho entre os reinos por Vectora.

— Faz tempo que não vamos à Vectora — lamentou Cordélia lembrando-se da infinidade de lojas e pessoas interessantes que vagavam pelo mercado nas nuvens. A cidade inteira flutuava pelos céus de Arton pela vontade de seu criador, o mago-prefeito Vectorius (do qual, com certeza, Enemaeon fugiria na primeira oportunidade).

— É uma cidade chata e sem sentido — lamentou Angélica — Não tem monstros nem boas aventuras.

— Engana-se, minha pequena — respondeu Enemaeon — É em Vectora, tanto quanto em Valkaria, que as aventuras começam. E foi onde minha atual jornada teve início.

O necromante contou superficialmente sobre a descoberta do pergaminho que o guiaria até o Templo de Merodach no Deserto da Perdição (evitando falar sobre quem era o demônio realmente, inclusive ocultando o fato de não ter mais coração), sobre a passagem malfadada do grupo por Ciela e como foram parar, ele, o elfo Felrond e o amigo Garlor (que ninguém ali conhecia pessoalmente) pendurados em uma forca após combater os vampiros do Casarão dos Anon. Falou da viagem de navio, sobre o capitão minotauro e sobre como o fizeram de tolo usando um morto-vivo. Por fim, comentou sobre a aposta e a urgência de regressar até uma cidadezinha do outro lado do reino. Há esta altura, nenhuma das três meninas sequer respirava, atentas.

Cordélia em seu lugar apenas suspirou — Você levou quase um mês apenas para chegar aqui desde Gorendill. Como pretende voltar até o Rio dos Deuses nos quatro dias que lhe restam?

— Tudo ao seu tempo — sorriu Enemaeon confiante, limpando a boca num guardanapo de seda com as iniciais A.R. bordadas em fios de ouro — Antes, preciso falar com Grigori. Ele guardou algumas coisas que necessito para meu próximo pequeno projeto.

(…)

O norte de Deheon era tomado por pequenos bosques e fazendas ligadas por uma sucessão de trilhas quase nunca usadas, parcialmente esquecidas até mesmo pelas poucas pessoas que ali moravam. Gente simples que jamais se afastava muito do lugar onde haviam nascido, e morriam por ali mesmo, às vezes tão velhas que ninguém no mundo dava pela falta, noutras jovens demais, antes mesmo de experimentar a vida.

Naquelas estradas rústicas e tomadas por mato tão alto que roçava a barriga do cavalo, Camila trotava sem pressa. Permitiu-se não se preocupar demais com o caminho já no início da jornada, já que boa parte do trabalho de um mensageiro era meramente vencer os quilômetros que o separavam do destino. Ela sabia que faltava muito para alcançar o lugar daquela última entrega e a estrada a tomar era irrelevante desde que continuasse sempre avançando em direção à Zakharov.

Foi numa dessas curvas do caminho que ela encontrou a criança.

Era uma menina que aparentava pouco mais de nove anos. Magra e descalça, andava com dificuldade sobre o chão irregular da trilha, levando um bebê inquieto envolto por uma manta esburacada no colo. Camila teve a impressão de que ela cantarolava alguma coisa para ele até ouvir o trote do cavalo, quando calou-se. Percebeu na garotinha certo alívio ao ver que era outra mulher que montava, mas mesmo assim, ela se afastou da trilha, abrindo passagem.

A mensageira também viu outra coisa: metade do rosto estava vermelho, queimado de Tormenta.

— Não precisa ter medo de mim — falou após recuperar-se do susto. Era difícil olhar para ela, mas também era quase impossível não olhar. Havia algo de hipnótico naquela casca carmim que maculava a pele, pulsando a cada respiração — Essa estrada leva à Zakharov?

— Não sei dizer, moça — respondeu ela com um sotaque terrível, num valkar tão tacanho que Camila quase não conseguiu compreender. O bebê remexeu-se inquieto nos braços dela ao ouvir o som de outra voz — Não conheço.

— Sabe ao menos se há algum lugar perto daqui para soltar o cavalo e comer alguma coisa?

— Não. — respondeu ela após refletir um pouco. — Talvez na torre do louco. Estou indo pra lá.

— É um nome ruim para um lugar que uma criança queira ir — observou Camila — Ainda mais com seu irmãozinho no colo.

— É ruim e me assusta. Mas é melhor do que a fome — respondeu a menina — E ele não é meu irmão.

O vento soprou com força, levantando as folhas do chão e chiando nos galhos altos das árvores. Parecia o prenúncio de uma tempestade. A própria luz do dia começava a desaparecer aos poucos, deixando aqueles bosques ainda mais lúgubres e tristes. Como se também tivesse sentido a mudança, o bebê nos andrajos começou a chorar.

— Certo. Então, se quiser, podemos repartir minha comida quando chegarmos lá — ofereceu Camila com um sorriso. Não iria se perdoar nunca por deixar para trás duas crianças naquela situação — Me mostra onde fica?

— Melhor não. — E num sussurro: — O louco pode não gostar.

— Só vamos saber se perguntarmos, não é? — sugeriu a mensageira, apeando com um salto. Afagando os cabelos emaranhados da menina, convidou: — Vamos, vai ser bom ter um pouco de companhia. Faz tempo que não vejo ninguém no caminho.

— As pessoas não vem mais pra cá desde que o louco chegou — explicou ela — Até quem morava aqui foi embora.

— Seus pais também se foram?

— Também. Só fiquei eu — e olhando de lado para a criança, completou: — E ele.

Tudo aquilo gritava a problemas, e Camila sentia nos ossos que algo de muito estranho estaria lhe aguardando logo adiante no caminho. Entretanto, também sabia que se tivesse medo de um maluco, uma criança e um bebê de colo, jamais teria se tornado mensageira, tampouco sobrevivido a tantos anos de jornadas pelo mundo.

Resolveu ficar atenta e encarar seja lá o que estivesse lhe aguardando adiante.

— Então vamos lá, pequena. Vamos lá ver o que está escondido nessa tal torre.

A essa altura, todo mundo já sabe que a história continua, certo?
Agradecimentos infinitos ao Lobo Borges pelas artes incríveis que ilustram essa série. =D

Armageddon • 21/08/2017

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