Lendas de Arton #3 – O Grupo do Mal (Parte 1)

O mais antigo e infame grupo de vilões de Arton volta para aterrorizar sua mesa de Tormenta Alpha!

Olá! Este é mais um Lendas de Arton, a coluna que traz NPCs e material extra para Tormenta Alpha todo mês aqui no site da Jambô. O conteúdo está pronto para ser usado com o Manual 3D&T Alpha, sem necessidade de nenhum outro suplemento. Contudo, se você usa o Manual do Aventureiro Alpha, vai notar que alguns poderes de kits estão diferentes — isso é porque aqui eles estão atualizados.

Este mês trazemos um dos grupos de vilões mais antigos do cenário: o Grupo do Mal. Apresentados pela primeira vez nas revistas Dragão Brasil #43, #45, #47 e reapresentados no conto Ressurreição, de Leonel Caldela (que você pode encontrar no primeiro volume de Crônicas da Tormenta), eles agora voltam em 3D&T Alpha, para que o mestre possa garantir que o grupo os encontre…

Como são muitos personagens, dividimos o texto em duas partes: hoje apresentamos Ellen Redblade e o jovem Sillith. Na próxima coluna, dia 16 de outubro, teremos os outros dois membros do grupo, Arthur Donovan III e Sean Cavendish.

LdA-cabecalho

Unidos pelo mal

Que todos sejam amaldiçoados. Suas vidas estarão ligadas umas às outras,
para que nunca mais traiam como me traíram

— Gard, o mago

O grupo de mercenários cruéis originalmente formado por uma guerreira acompanhada de um dragão negro, um clérigo de Leen, um paladino caído e um assassino em série é conhecido pelos aldeões amedrontados como o Grupo do Mal, nome este sempre sussurrado, num tom infantil e supersticioso. A primeira missão que fizeram juntos foi a que selou seus destinos: contratados por um mago para assassinar um nobre, receberam uma contraproposta, em que ganhariam seu peso em ouro se traíssem e matassem o mago que os contratou.

Dentro da lógica de cada um, a proposta pareceu razoável. O grupo decidiu executar o arcano que, pego de surpresa, não foi um adversário difícil. Contudo, suas últimas palavras foram uma maldição — dali por diante, cada membro do grupo teria sua vida ligada à de um outro; e não havia forma de saber a quem cada mercenário estava ligado. Assim, o grupo de “aventureiros” vis se manteve leal uns aos outros.

Durante uma missão, o Grupo do Mal passou por Triunphus. Nessa cidade, todos que morrem ressuscitam, mas ficam presos lá para sempre. O clérigo de Leen teve esse destino, enquanto o dragão negro, transformado em um garoto humano, passou a dividir a maldição com os demais. Este novo Grupo do Mal continua suas viagens em missões inescrupulosas, se odiando cada vez mais enquanto tentam de se libertar do laço maldito que os une.

 

Ellen Redblade

Existem muitas coisas mais dolorosas que a morte
— Ellen Redblade

A história de Ellen é marcada por traições.

Muito antes de seu nome ser conhecido e temido, Ellen já era uma mulher independente e segura de si. Crescer em uma sociedade patriarcal apenas aumentou seu desejo de fazer algo por si própria — coisa que, infelizmente, ia contra o que esperavam dela. Criada para cumprir um “papel de esposa”, foi traída pelo próprio pai, que trocou a mão da filha por uma vultosa soma em dinheiro com um nobre local. O marido era cruel e a mantinha em cativeiro completo, por isso ela fugiu; não sem antes assassinar aquele homem a facadas.

Para que não fosse reconhecida, Ellen passou a tingir os cabelos de vermelho. Algum tempo depois, se encontrou com Tyra, uma mercenária de renome que, sabendo de sua história, aceitou treiná-la. Se tornaram amigas, executando missões variadas, lucrativas e de alto risco como mercenárias. Esta teria sido a fase mais feliz da vida de Ellen, se não tivesse sido interrompida bruscamente certa noite, quando acordou com Tyra sobre ela, pronta para matá-la. Incapaz de vencer a mercenária traidora de igual para igual, Ellen mais uma vez fugiu, imaginando quanto os contratantes teriam pago pela sua morte.

A guerreira vagou por alguns anos sozinha, até começar a sofrer com pesadelos recorrentes, em que soldados tentavam matá-la aos pés de uma velha árvore em um pântano. Intrigada com isso, a guerreira passou a procurar aquele lugar. Quando finalmente o encontrou, descobriu que ele havia sido palco de uma batalha, como a que via em seus pesadelos. Os soldados estavam mortos, assim como uma dragoa negra que jazia no lugar onde ela deveria estar.

Investigando, descobriu uma passagem subterrânea para o covil do monstro. No interior, encontrou as lâminas que usa até hoje e, mais impressionante, um ovo de dragão que chocava naquele instante. Desde o primeiro momento, o pequeno dragão negro adotou a mulher de cabelos vermelhos como sua mãe. Ellen deu à criatura o nome de Sillith — o único nome de dragão que conhecia.

Exceto por seu “filho”, Ellen nunca confia em ninguém. Forçada a permanecer com os demais membros do grupo mercenário e zelar por suas vidas, a guerreira transborda em raiva e desprezo. Ela odeia especialmente o meio-elfo Sean — em seus devaneios, ela vê o maldito assassino engasgar com os próprios gritos, enquanto suas lâminas vermelhas atravessam sua garganta… e ela sorri.

Ellen Redblade, 21N

F3 (corte), H4, R2, A3, PdF0; 30 PVs, 20 PMs.

Kits: Combatente (ataque inesperado e chuva de ataques), Guarda-Costas* (guardião calejado e inimigo oportuno) e Guerreira (ataque contínuo e crítico automático).

Vantagens: Esperteza (regional: Ahlen); Ataque Especial (F), Ataque Múltiplo, Paralisia, Pontos de Magia Extras e Pontos de Vida Extras ×2.

Desvantagens: Devoção (veja abaixo), Insana (paranoica), Má Fama, Maldição (sua vida é presa à de outro membro do grupo) e Protegido Indefeso (Sillith).

Itens: Espadas Rubras (F+1, Assassinas; seu efeito só funciona quando são empunhadas juntas).

Esperteza (regional; 0 pontos): por ter nascido em Ahlen, Ellen recebe +2 em iniciativa e testes para evitar ser enganada (mesmo assim, parece que ela não conseguiu ser muito bem sucedida nesses testes durante sua vida…).

Devoção (–1 ponto): você devota sua vida a proteger algo ou alguém. Se aquele que estiver sob sua proteção sofrer qualquer tipo de dano, você sofre uma penalidade de –1 em todos os seus testes, até que seu protegido seja colocado em segurança. Caso o protegido morra, a penalidade se torna permanente.

Ataque Contínuo. Se reduzir um inimigo a 0 PVs com um ataque corpo a corpo, você pode imediatamente fazer um outro ataque contra outro oponente que esteja ao alcance. Você pode usar esse poder até não conseguir derrubar um inimigo ou até derrubar um número de inimigos igual à sua F, o que vier primeiro.

Ataque Inesperado. Uma vez por combate, você pode usar a vantagem Ataque Especial mesmo que não a possua. Caso tenha a vantagem, pode adicionar um poder (como amplo ou paralisante, por exemplo) à sua escolha ou um nível de progressão, pagando o custo normal em PMs.

Chuva de Ataques. Uma vez por combate, você pode usar Ataque Múltiplo ou Tiro Múltiplo sem gastar PMs, mesmo que não tenha essas vantagens.

Crítico Automático. Ellen pode gastar 2 PMs em vez de 1 PE para comprar um acerto crítico automático em seu ataque, por até H vezes ao dia.

Guardião Calejado. Você recebe +1d em suas jogadas de FA e FD para cada Protegido Indefeso que esteja com você em combate. Estes dados extras não servem para definir acertos críticos. Este poder substitui o antigo Fúria Poderosa neste kit.

Inimigo Oportuno. Qualquer um que se coloque entre você e seu protegido deve sofrer as consequências. Você recebe a vantagem Inimigo contra qualquer um que ameace seu Protegido Indefeso.

* Fúria não é mais exigida para este kit. As demais exigências permanecem.

Táticas

No primeiro turno, Ellen usa a Chuva de Ataques, com o objetivo de acabar rapidamente com o adversário. Se ele ainda estiver de pé, ela faz um Ataque Especial com Crítico Automático, usando Ataque Inesperado para fazer com que seu ataque também seja poderoso. A partir de então ela intercala usos de Ataque Múltiplo e Ataque Especial. Se achar que o inimigo é fraco, ela tenta usar Paralisia nos primeiros turnos, para pegar o alvo indefeso em seguida. Se perceber que o oponente é forte demais, ela tenta fugir. Ellen normalmente mata suas vítimas, mantendo-as vivas apenas se o contratante assim exigir. Independente do contexto, Ellen sempre vai priorizar a proteção de Sillith.

Sillith

Achei você!
— Sillith, em lágrimas após encontrar Ellen

Sillith nasceu como um dragão negro. A primeira criatura que viu foi Ellen, quem adotou como sua mãe. Passou os cinco primeiros anos de vida no covil em que foi encontrado, junto da guerreira de cabelos vermelhos. Depois que ficou suficientemente grande para se defender, os dois deixaram o pântano e ele passou a ajudar sua mãe no trabalho como mercenária. As coisas pareciam ir bem para a dupla até o fatídico dia em que a guerreira foi amaldiçoada e teve sua vida ligada a outros três homens odiosos. A partir de então, a vida tornou-se uma tortura para Sillith: ele ansiava pelo momento em que se veria livre daquelas criaturas, para voltar a viver apenas com a mãe, como sempre deveria ter sido.

Certo dia, enquanto pareciam cumprir mais uma missão, Ellen desapareceu. Desesperado pelo paradeiro da mulher, Sillith foi até as Montanhas Sanguinárias, pedir ajuda a um dragão muito mais velho e poderoso, a quem propôs um trato: ele queria ser transformado em um humanoide, permitindo que procurasse pela mãe entre os humanos sem causar terror. O dragão venerável aceitou fazê-lo, em troca de sua devoção, que seria cobrada em um momento oportuno. Sillith aceitou o arranjo e, uma vez em um frágil corpo humano, tornou a procurar por Ellen até encontrá-la na cidade de Triunphus, no momento em que os demais membros do grupo também o fizeram. Houve combate e um deles morreu, mas a maldição não acabou — em vez disso, o próprio Sillith teve sua vida ligada aos outros três que sobreviveram.

Hoje, Sillith tem o corpo de uma criança por volta dos treze anos de idade. Seu único traço exótico são os olhos amarelos, como o de nenhum outro humano. Talvez por algum efeito secundário da transformação que sofreu, Sillith não lembra de quase nada de sua vida antes de ter sido transformado. A única lembrança que resiste é a de que ele deve permanecer sempre perto de sua mãe.

Sillith, 2N

F0, H1, R1, A0, PdF0; 5 PVs, 5 PMs.

Kits: Batedor (alerta máximo e olho clínico).

Vantagens: Sentidos Especiais (audição aguçada, infravisão e visão aguçada).

Desvantagens: Devoção (nunca se afastar de Ellen), Maldição (sua vida é presa à de outro membro do grupo) e Modelo Especial (criança).

Perícias: Sobrevivência.

Alerta Máximo. Seu estado de alerta oferece a você e seus companheiros um bônus de +1 em testes para perceber inimigos, armadilhas e outros perigos escondidos.

Olho Clínico. Você pode gastar um turno para analisar alguém que consiga ver. Se fizer isso, descobre todas as suas características, vantagens e desvantagens. Este poder não consome PMs e funciona com quaisquer criaturas.

Táticas

Sillith nunca entra em combate, normalmente sendo escondido ou mantido em segurança por Ellen Redblade. Talvez como um resquício de quando era um dragão, Sillith tem reflexos muito aguçados e um forte instinto de sobrevivência — incontáveis vezes o garoto evitou que o grupo fosse pego de surpresa por inimigos.

Aventuras

Dos integrantes do Grupo do Mal, Ellen é quem mais ativamente busca por meios de quebrar sua maldição. A vez em que tentou fazer isso sozinha acabou prejudicando muito Sillith, então ela vem tentando por meios que não envolvam se afastar do grupo, o que muitas vezes a faz querer seguir por caminhos que desviam das missões que o grupo aceita. Isso é um tema de discussão recorrente entre o grupo. Ela também vem buscando meios de restabelecer a forma original de Sillith, sentindo-se culpada pelo jovem dragão ter assumido uma forma tão frágil. Ela sabe que Sean Cavendish tem uma pista de como resolver esse problema, mas o meio-elfo nunca revela a informação, o que só aumenta o ódio que ela cultiva pelo assassino.

Sillith não parece ter qualquer outra motivação além de se manter perto da mãe. Contudo, a qualquer momento, o poderoso e antigo dragão azul com o qual ele fez seu trato pode surgir e exigir que pague sua dívida de devoção — o que certamente vai afetar os demais membros do grupo, que não fazem ideia de que o jovem tem um acordo com uma criatura de tamanho poder. Na verdade, nem o próprio Sillith lembra disso.

Já usou o Grupo do Mal em campanha? Como foi? Deixe suas impressões nos comentários!

Como sempre, agradecimentos ao Marlon “Armageddon” pela força e revisão marota!

Tiago "Oriebir" Ribeiro • 02/10/2017

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