Conjuração em Yuden - parte 7

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Caliel Alves
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Conjuração em Yuden - parte 7

Mensagem por Caliel Alves » 06 Mar 2020, 18:47

Era o quarto dia em que estava perambulando pelas ruas de Kannilar. Não obtinha resposta alguma. O que percebia era um acirramento de ânimos, motivados por orgulho e pretensões. Vérsico se dirigiu a taverna do Leão Dourado. Ela atraía mosquitos e militares baderneiros. Do lado de fora se ouvia os gritinhos das mulheres e as canecas de cerveja batendo nas mesas.
O sargento entrou pelas portas duplas, e de repente, toda a balbúrdia, a música e os flertes pararam. Um dos homens ergueu uma caneca e disse ironicamente:
― Vérsico, o herói de Deheon? Paguem-lhe uma bebida!
O sargento fez que sim com a cabeça e sentou no balcão. O recém-chegado percebeu que um dos cavaleiros o seguia com os olhos. E como sua memória ainda estivesse bem viva, sabia muito bem de quem se tratava.
O taverneiro receoso de mais um conflito e prejuízo material, chegou nos ouvidos de Vérsico e disse:
― É melhor sair filho. O cavaleiro Montmarx está lançando um olhar tão perfurante quanto um dardo em você.
― Yudenianos tem a fama de ter uma pele bem dura.
― E uma cabeça mais dura ainda! ― retrucou o homem se afastando.
Montmarx, um grandalhão de cabelos encaracolados e barba enorme, saiu de sua mesa e veio sentar-se ao lado de Vérsico. O outro era quase duas vezes o tamanho do sargento. Isso não o intimidou, lutara com minotauros ainda mais assustadores que aquele homem.
― Você não ouviu Jetro, dê uma caneca de cerveja ao herói de Deheon!
― Senhor Montmarx, por favor, não arrume briga...
Não teve tempo de completar a frase, foi pego pelas suas mãozorras e lançado na estante. Bebidas se quebraram junto com as prateleiras, enchendo o lugar com cacos de vidro. Vérsico virou-se:
― É fácil agredir alguém desarmado.
O cavaleiro de Yuden pegou uma caneca próxima e despejou o conteúdo na cabeça do sargento.
― Isso é o que fazemos com os cães submissos de Sharpblade. Abane o rabo e volte para Deheon, sargento Vérsico.
O militar limpou o rosto. Depois desferiu um forte soco no rosto de Montmarx, o nobre nem moveu o seu queixo de pedra.
― Agora sim está agindo como um yudeniano ― declarou o nobre.
E sacando da espada, tentou desferir um golpe decapitador. Vérsico recuou, o que acabou por destruir todo o balcão. O sargento já munido de sua arma, investiu com um swing, trocando golpes por todo o salão. As testemunhas não sabiam para quem torcer. Montmarx tentou uma espadada transversal, o que deu brecha para um estoque em seu ombro. Isso não o deu por vencido, e com o cabo da espada, golpeou a barriga de Vérsico, o fazendo recuar. Num ímpeto, ambos ergueram suas lâminas e se preparam para o derradeiro cruzar de espadas. Mas antes do fato, houve uma ordem:
― Parem!
Montmarx instantaneamente paralisou. Temia e muito aquela voz. Já Vérsico freou-se por reconhecer naquele timbre alguém muito conhecido e admirado.
― Sabe muito bem que yudenianos não fogem da batalha ― disse o nobre cauteloso.
― Lutar por uma nobreza decadente não faz mais sentido ― disse Prasicos. ― Além do mais, cavaleiro Montmarx, esse homem é meu primo. E sendo meu parente, não deixa de ser Yudennach também. Embora meu clã não saiba governar, sabemos nos proteger muito bem. Retire-se e faça uma honra de sangue a Keen, nosso deus é piedoso para quem sacrifica no corpo a coragem de toda à alma.
A muito contragosto, o homem saiu, junto também foram os seus subordinados.
― Venha comigo, lhe darei uma carona com minha carruagem. Temos muito o que conversar.
Vérsico fez que sim com a cabeça. Enquanto a farra voltava a tomar conta da taverna, o taverneiro lamentava que teria que comprar outro balcão de mogno.

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