Conjuração em Yuden - Parte 8

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Caliel Alves
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Conjuração em Yuden - Parte 8

Mensagem por Caliel Alves » 12 Mar 2020, 18:59

A carruagem trepidava. Seu interior tinha acolchoamento de veludo. A madeira nobre tinha um brilho opaco. O sargento achou aquilo uma demonstração de orgulho burguês. O sargento vislumbrava a cidade pela janela, quando de repente, viu um homem rabiscando a parede com um pedaço de carvão. Era o mesmo símbolo: um círculo recortado. A cena passou rápida demais, não teve tempo de identificar o meliante.
Sentados de frente um para o outro, os primos se encaravam. Nas faces sisudas, memórias eram estampadas. Algumas nostálgicas, outras intragáveis.
― Como sabe que eu estava na cidade?
― Seu pai me contou ― respondeu Prasicos afastando a cortina da janela.
― Não sabia que costumava visitar os mais pobres. Está fazendo caridade agora?
Prasicos voltou o seu olhar para o convidado. Aos olhos do militar, ele continuava o mesmo. O rosto jovial, emoldurado pelo longo cabelo liso e castanho como o do pai em sua juventude. O gesticular aristocrático, a postura rija. O sorriso engessado, falsificado com uma máscara de pureza. Não parecia um comandante militar.
― Estou preocupado convosco...
― Você, preocupado comigo? ― disse o yudeniano meneando a cabeça. ― Não foi isso que eu senti com os seus boicotes!
― Perdoe-me, primo Vérsico. Achei que tudo estava resolvido quando você saiu de casa. Mas parece que seu apego ao passado é muito grande. Papai estava fraco dos miolos quando o indicou ao comando de sua tropa. Sabes muito bem que pelos códigos, a senilidade é uma doença ― respondeu Prasicos. ― Além do mais, lembre-se: quem nasceu para servir, sempre estará com a cabeça inclinada para o seu senhor.
A tensão só parecia aumentar. Mas levando em consideração sua missão, e tendo à frente de si um cavaleiro de Yuden, o investigador decidiu extrair informações:
― Porque essa cidade está com os ânimos tão exaltados? Não já basta a Aliança Negra, precisamos sacar espadas entre nós!
― Se diz isso por Montmarx, não o leve em consideração. Homens como ele usam os músculos no lugar do cérebro ― retrucou Prasicos.
― Isso ainda não explica o ataque ― triplicou Vérsico.
― Ele o confundiu com um legalista. Desde as Guerras Taúricas, e a aclamação de novos regentes, duas facções se dividem dentro do Exército com uma Nação. Os legalistas dão aval as ações de Sua Majestade Shivara Sharpblade, acreditam piamente que mudanças na hierarquia do Exército e relações mais amistosas com outras raças e reinos é o que Yuden precisa. ― Nesse momento ele soltou um suspiro de tédio. ― Os puristas pensam o oposto, Yuden para os Yudennach, as outras raças devem ser extintas ou escravizadas, os reinos anexados. Ambos são tolos. Tudo se trata de poder. O mundo gira em torno dele.
O sargento ouviu a tudo em silêncio. Depois, lançou uma simples pergunta:
― Mas e quanto a você comandante Prasicos, de qual lado você está?
― Não sabia que se interessava por política? Vejo que os ares do Reino-Capital lhes fizeram bem ― disse o nobre rindo das próprias palavras. ― Digo que nem um, nem o outro parece estar arrazoando sobre a conjuntura geopolítica.
Vérsico não ficou satisfeito com a resposta ambígua e fugidia, mas não esperava menos de Prasicos. Quando sentiu estar perto da casa do Conde D’Arcos, pediu para descer. Sem se despedir, deixou a carruagem e seguiu seu caminho. Prasicos viajou em direção a sua residência. Ambos guardavam seus mistérios, e aumentavam suas desconfianças mútuas.

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