Capitulo 1 - Vingança

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RoenMidnight
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Capitulo 1 - Vingança

Mensagem por RoenMidnight » 15 Out 2017, 15:10

"Na bera do caminho...
florescia uma malva...
O cavalo comeu-a.
"

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Azgher nascia por trás das colinas atiçando seus raios pelos campos de arroz da Vila de Shimei gerando vida as plantas e dizendo ao povo daquela pacata vila que já era o horário de começar suas atividades. Uma brisa leve soprou por entre o arrozal que se curvou e tocou o rosto dos primeiros trabalhadores, que com suas mãos calejadas faziam a colheita de maneira rápida.

No centro da vila sob uma colina se mantinha o Templo Hoizon onde alguns dos monges se colocavam sob um rígido treino diário enquanto outros adotavam um caminho pacífico buscando apenas a contemplação espiritual ou uma forma de esquecer o passado para alguns. Sua arquitetura recordava bastante os grandes templos dedicados a Lin-Wu em Tamurá, mas se observado de maneira atenciosa era possível notar alguma influência que da religião de Marah que era mais comum ali no continente. Este misto criava de disciplina e paz parecia irradiar do templo e tomar conta de todo o vilarejo.

Esta paz se estendia por cada canto, era quase como uma força atuando sob todo o lugar. Estava refletida no lago, por entre as lápides do cemitério, em meio as ruínas do castelo e nos olhos das crianças que brincavam no centro da Vila.

De dentro de sua carruagem Lianna observava aquele lugar e era tal qual um sonho. Um sonho que parecia ter sonhado em outra vida, um sonho que parecia fazer vibrar a própria realidade. Respirou Fundo com uma das mãos involuntariamente levantada na altura do coração e este parecia estranhamente acelerado. Estreitou seus olhos e seus longos cílios pareciam encobrir os olhos.

"A Vila de Shimei." - Começou a se recordar do que havia lido - "Fundada antes da destruição de Tamurá por um Samurai que fora amigo pessoal do Imperador Tekametsu. Este após anos de luta e servidão havia ganhado direito a um pedido ao seu amigo, apaixonado da maneira que era pela a cultura do continente havia pedido o direito de criar um local de paz e reflexão para aqueles de seu povo que estavam perdidos fora de sua terra natal."

Lembrar aquelas informações tinham um efeito calmante sobrenatural e notando isto, continuou o exercício.

"O Imperador sorriu diante daquele pedido, como poderia negar um pedido com intensão tão nobre a um amigo tão fiel? As negociações com o Reinado não demoraram muito tempo e logo a vila foi fundada onde o velho samurai seria o seu Daimyo. Logo quando os primeiros habitantes começaram a chegar a esposa do ex-samurai entrou em trabalho de parto e devido a complicações acabou por morrer no processo. A criança era um mistério o que havia acontecido com ela, alguns diziam que também havia morrido outros diziam que era uma criança doente que não saia do palácio e que avó fazia questão de mimar por ser a única lembrança de sua filha."

Lianna então podia observar a arquitetura das casas dos locais com seus telhados feitos de barro multifacetado e suas ruas revestidas de calotas de rocha lisa. O que tornava a viagem dentro da carruagem algo tranquilo e sem grande balançar. Suspirou.

"A vida seguiu tranquila desde então e neste ponto não existiam relatos dos motivos que levaram a queda do Daimyo, entretanto tudo apontava traição entre os seus subordinados ou de um de seus súditos, e por conta dos acontecimentos que levaram o fim de Tamurá a administração daquele lugar havia sido completamente esquecida e desde então aquela vila não possuía qualquer governante formal."

Um fim trágico para um homem com intensões tão nobres... entretanto aquilo tudo era passado, o importante agora era o futuro, ou o que imaginava ser o futuro. Aquele era um lugar conhecido por apesar de ser plácido, possuir comércio e culinária impares, poderia ficar por ali por um tempo para permitir que Terence e Philip descansarem da estrada e reabastecer alguns dos recursos de seu laboratório.

Refletidos em seus olhos no centro da cidade a distância via uma mulher performar uma musica em um estranho instrumento de cordas.

https://www.youtube.com/watch?v=AK51LblcEOw

Seu coração agora se encontrava leve. Começava a fazer o caminho para passar abaixo do Tori e finalmente adentrar ao que aparentemente era a praça quando notou algo estranho. Em cima do Tori notou um vulto ou pensou te-lo visto, um homem ali em cima ou ao menos parecia ser um homem contra o sol, quando suas pupilas já se acostumavam a luz ele já não estava mais lá.

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Haviam sido semanas de viagem e ainda havia um bom pedaço de caminho antes que chegasse em Yuden, para falar a verdade Yuden ainda estava a quase um reino de distancia. Não imaginava que ali naquele fim de mundo pudesse existir uma vila, ainda mais uma vila aparentemente próspera apesar de simples, avaliava. Conforme caminhava pelas estradas em meio aos arrozais quase esqueceu de sua missão.

Quando adentrou por fim na cidade, olhou para aquele povo de olho puxado e só pode se lembrar das histórias que os marinheiros lhe contava sobre a cultura Tamurariana. A jovem não pode deixar de conter um sorriso em seu rosto, aquele povo parecia não sofrer com os abusos de um regente tirânico, na verdade não pareciam sofrer com os abusos de NINGUÉM. Não via muitos guardas, mas também não via necessidade para tal, não tinha visto monstros fazia pelo menos umas duas semanas e o lugar parecia bem localizado o suficiente para ver alguns comboios mercantis chegando e partindo.

Algo entretanto cheirava estranho, não sabia o que, mas algo coçava dentro de si. Algo que parecia queimar no seu intimo e se remexia ali. Seus olhos encontraram os destroços de um palácio e seu estomago pareceu embrulhar. De fato, algo ali não estava certo

As primeiras notas de uma canção pode ser ouvida, e então notou a mulher com seu estranho instrumento musical. Um homem em uma barraca com diversos peixes diferentes anunciava suas mercadorias.
Pescador
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Peixe, peixe fresco do lago. Peixe fresco, apenas 1 peça de prata. Temos Salmão, Carpa e Tainha. Peixes de água doce e água salgada.
Aquelas pequenas coisas tiraram a mente de Rhaysa do seu problema por um momento, talvez fosse hora de relaxar antes de seguir viagem, ou simplesmente quem sabe explorar o local... quem sabe?

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Se passaram dias, quem sabe semanas desde que havia abandonado aquela maldita cidade voadora. A verdade é que naquele momento poderia quase se sentir segura mas a preocupação com relação aos seus perseguidores não a abandonava. A menos de três dias atrás havia se separado de outras crianças que também tinham conseguido escapar daquela instalação do Grêmio dos Médicos Monstros, haviam combinado de se reencontrar em um lugar entre Wynlla e Deheon e no meio deste caminho havia encontrado aquele vilarejo.

A dona da estalagem local, uma senhora já de idade e com profundas marcas do tempo, havia a encontrado em meio aos escombros do palácio na noite anterior quando tentava encontrar um local para se abrigar naquele lugar e fornecido um quarto confortável e uma boa refeição na ultima noite. Os primeiros raios de sol adentravam pela a janela de forma preguiçosa e tocavam o rosto de Laura, o perfume de pão fresco começava a adentrar pelas narinas da menina que sentiu o estomago roncar.

Sua cabeça ainda doía um pouco, havia simplesmente apagado e as memórias da noite anterior antes do encontro com a bondosa senhora eram nebulosos... havia chego por meio dos campos de arroz após correr por horas com água até a sua cintura. Então quando imaginava estar minimamente segura algo havia simplesmente surgido caminhando por cima da água, não se lembrava o que, pensara a principio que fosse um de seus captores mas a criatura não parecia ter dado atenção a ela e então... mais nada. Havia desaparecido completamente a plantação. Tudo parecia turvo e não se lembrava como havia chego aos escombros do palácio onde fora encontrada.

Ouviu alguém batendo na porta um pouco antes desta se abrir e Laura ver a taberneira com uma bandeja com pão, um copo com algo que soltava um pouco de vapor de dentro, ovos e algumas frutas.
Estalajadeira
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Vejo que você já esta acordada, trouxe algo para você comer, mocinha.
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Era um dia pacífico, como todos os outros eram naquele lugar. Ouvia o som dos grilos em meio a vegetação e o perfume do mato e orvalho da manhã. Um pássaro cantarolava em uma árvore enquanto abelhas saiam em busca de polem. faziam poucos dias que havia chego ali mas não sentia grande preocupação imediata para se despedir logo dele. A beira do lago podia de forma preguiçosa pescar um bom peixe para o café da manhã, já tinha notado em dias anteriores que não demorava muito para que eles mordessem a isca, havia garantido a alimentação assim durante todos aqueles dias.

As águas daquele lago eram tão calmas e límpidas que o Moreau não tinha qualquer dificuldade para enxergar os peixes que nadavam ali. Pensou nas coisas que haviam acontecido até o momento que chegara ali e nos poucos boatos que havia ouvido, e era incrível como apenas a chegada de uma pessoa era capaz de movimentar rodas e rodas de assuntos por dias. Ouviam o que falavam dele e como a Raposa era vista dentro da cultura daquelas pessoas, só podia achar graça das histórias que haviam lhe contado sobre as suposições que faziam dele... mas em parte não sentia que estavam erradas.
Monge
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Bom dia, Jovem.
Eu sabia que ia te encontrar aqui, e ai já conseguiu pegar o nosso café da manhã de hoje?
As reflexões de Lomri haviam sido interrompidas pela a presença daquele velho monge que vinha naquele exato mesmo lugar perto da margem oeste do lago todos os dias e que aos poucos havia desenvolvido uma amigável relação. Trazia em suas costas alguns poucos utensílios para o preparo dos peixe. Sua fisionomia era pacífica com um bom misto de preguiça, isto de certa forma fez com que o Paladino de Hynnin no mínimo soltasse uma risada de canto de boca.

.
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No alto da colina, no Templo Hoizon um gongo tocava. Sinal de um novo dia.
Me pague um café pelo o PicPay: @RoenMidnight
Grimório TRPG
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Sectário do Crepúsculo

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Khrjstjano
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Re: Capitulo 1 - Vingança

Mensagem por Khrjstjano » 15 Out 2017, 21:40

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Era uma floresta qualquer, em algum lugar, no meio do nada. Nada digno de nota.

Em meio a ela, porém, uma garotinha corria. Pés descalços, cobertos de barro, suas pernas descobertas pelos trapos rasgados que vestia, também bastante sujas. Tinha marcas de sangue encardido e seco nos braços e pernas, onde a vegetação a ferira (?), mas nenhum corte. Movia-se rápido, não podia parar.
Mergulhou os pés em uma água escura e lamacenta, quando saiu do meio das árvores. Os respingos atingiram seu rosto; ela os limpou com o braço e cuspiu a sujeira dos lábios. Enfiou-se pelo meios das plantas que ali haviam, tentando afastá-las de seu caminho. Cresciam em meio à água e tinham ramos cobertos de sementes. Era uma plantação; devia estar perto de algum lugar.

Conforme avançava, os insetos levantavam das plantas que a garota movia e, após alguns momentos, os mosquitos vinham pousar em seus braços e costas. Ela afugentava alguns, os que podia, mas não chegava nem perto de evitar todas as picadas. Ao sair em uma vala, após um enorme trecho de plantação, decidiu segui-la para evitar tantos problemas. Teria que contornar o próximo pedaço do trajeto, achar uma passagem, mas a facilidade para andar compensaria. Apenas a água e a lama deteriam seu avanço, que ainda seria lento, mas agora constante e sem tanto sofrimento. No alto, o sol anunciava que ainda haveria umas boas horas de luz, por isso ela seguia, sem descanso.

Puf, puf, puf...

E assim foi cansando, já não sabendo precisar há quantos dias andava pelo meio do nada. Talvez mais de uma semana? Quem sabe duas. Suas lembranças começavam a parecer estranhas, quase um sonho. Ali, andando sob o céu e em meio à mata, dormindo ao ar livre e sem paredes ou grades pra prendê-la, nem ninguém para lhe torturar, seu passado começava a ficar borrado. Difícil lembrar, mais difícil entender.
Mas entender nunca fora mesmo possível, de qualquer forma, não de verdade. Nunca lhe diziam nada sobre nada, não algo que fosse útil, ao menos. Súbito, pela primeira vez após tantos dias de fuga, lembrou-se da mulher que lhe deixara escapar. O que teria acontecido a ela? Despencaram as duas da cidade no alto, mas não a vira mais desde que acordara no lodaçal. Teria sobrevivido à queda, como ela?

As horas iam passando e nada acontecia. Só a plantação e aquela água suja, por todo lado...

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Até que de repente...
Menina
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Havia alguém ali. Ou alguma coisa. Espreitando.

A menina reagiu instintivamente, defendendo-se, mas suas defesas não eram as de uma garotinha comum.

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Esperou, pronta para o bote, atenta como um gato, mas... Mais nada aconteceu. Nenhum movimento. Nenhum som de água ou planta se movendo. Teria sido impressão? As garras em seus punhos lentamente voltaram ao seu lugar, ficando ocultas sob sua pele, deixando apenas um filete de sangue escorrer ao retraírem-se, e ela recomeçou a andar, ainda atenta. Seus punhos doíam, mas logo os ferimentos causados pela saída das garras também sumiram, impressionantemente.

A menininha continuou caminhando, andando por pelo menos mais meia hora, até que finalmente chegou a algum lugar. Um lugar de verdade, por assim dizer. Havia pessoas ali! E casas! Distantes umas das outras, é verdade, bem diferente das que vira na cidade da qual fugira quando fora libertada. Também muito mais baixas, em geral. E as pessoas, elas eram poucas. A menina as observava, escondida detrás de um tufo de plantação. Ficou ali por muito tempo, olhando-as passar de longe. Não pareciam perigosas... Deviam ter comida! Água limpa!! E roupas quentes!!! Secas, com certeza tinham. Mas será que não a iriam tentar machucar? Não era o que as pessoas faziam?

Esperou e esperou, até que a noite começou a cair, então se arrastou lentamente para fora daquela água escura. Os mosquitos já a estavam deixando louca, acordando todos com o cair da noite para alçar voo em busca de alimento e infernizar a vida dos seres inteligentes e tudo mais que tinha sangue. Embrenhou-se entre arbustos e por detrás das cercas, agachando-se e rastejando para evitar ser vista. Logo sentiu o cheiro de comida, mas a casa estava cheia de gente, fora de alcance. Noutra, porém, teve um pouco mais de sorte e conseguiu chegar até uma horta sem que a avistassem. Arrancou algumas verduras e as atacou ali mesmo, sujas como estavam. Saiu carregando algumas raízes vermelhas e redondas, grandes e bem sujas, as quais precisavam ser limpas de verdade para comer. Ao sentar-se escondida atrás de um árvore pequena, não muito maior do que ela, a barriga não mais totalmente vazia, sentiu que estava cansada. Precisava de um lugar para passar a noite e dormir em paz.

Em sua busca, indo já bem mais adiante, avistou uma grande construção em péssimo estado. Não parecia haver ninguém por lá, eram ruínas em meio ao lugar onde aquelas pessoas viviam. Perfeito! Aguardou até que algumas delas, que andam pela noite com suas lanternas, se afastassem de vez e se esgueirou até lá. Ao achar o que parecia ser o resto de uma antiga e enorme cortina ou tapeçaria em farrapos, totalmente arruinada e coberta de sujeira, que jazia ao ar livre em uma sala cujo teto desmoronava, arrastou-a até que as partes inferiores, protegidas do pó, se revelaram. Puxou-as até embaixo de uma parede inclinada, que caída de encosto a outra, proporcionava um bom abrigo contra a chuva e o pouco vento que penetrava por entre os escombros. Fez suas garras surgirem novamente e começou a descascar aquelas verduras vermelhas com sua lâmina, então as fatiou e comeu, uma a uma.

Por fim, deitou-se e descansou.

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Menina
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Acordou de sobressalto!

De novo, mais um vulto? As garras em seus braços correram por sob a pele, perfurando a carne no caminho e já estando a um triz de rasgar a pele e revelarem-se por completo, mas... Era apenas uma velha senhora. Conteve o impulso de defesa e apenas sentou-se, acuada. Ela falou com a menina, mas usou uma língua estranha, desconhecida. Vendo que a menina não respondia, a anciã tentou de novo, desta vez na língua comum. O resultado não mudou, no entanto, a menina permanecia calada, receosa. Se havia entendido o que ela dissera, não demonstrou. Encaram-se por algum tempo assim, as duas...

Mas, felizmente, tudo acabou bem.

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No dia seguinte...
Estalajadeira
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Vejo que você já está acordada, trouxe algo para você comer, mocinha.
Já era manhã. A menina havia dormido em uma cama quentinha e recebido uma refeição decente. Tomara banho! Era tão bom não sentir mais o cheiro do suor seco de mais de mais de uma semana impregnado em seu corpo, nem a pele dos pés ressecada com a poeira que restava quando a lama caía ou secava. A mulher a observava novamente, com um prato de comida na mão, esperando para ver se desta vez haveria resposta... Mas a menina continuava em silêncio, da mesma forma que estava desde que a encontrara. Deixou-se cuidar, apesar de arisca, mas não dissera palavra alguma.

Apenas observava.
Menina
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Mas quando a velha senhora deixou a bandeja sobre a cômoda do quarto e se afastou, ela foi até ela e começou a comer. Primeiro vorazmente, depois com calma, pois já não estava mais morta de fome. O que quer que fizesse, no entanto, continuava observando a mulher. Não tirava os olhos dela. Sempre atenta. Sempre em vigília.

O que havia de errado com ela?
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Andrew Kaninchen
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Re: Capitulo 1 - Vingança

Mensagem por Andrew Kaninchen » 16 Out 2017, 01:04

A oscilação do seu veículo era algo com o qual ela já tinha se acostumado naquelas últimas semanas. Afinal, durante a maior parte de seu tempo era por apenas isto que passava, apenas isto que fazia. A serenidade da viagem, as frequências das estradas dos mais diversos tipos, os ciclos do dia e da noite e das nuvens. Ela vagava sem rumo, tudo aquilo ainda muito novo, mas também ainda muito esquisito, por mais que se tornasse habitual. Em sua razão e em sua emoção sua impressão era de que aquela não era a direção nem a forma em que sua vida era vivida.

Pequenas coisas ainda a espantavam, mas nada demorava a se tornar familiar. Animais nunca antes vistos, cores, formas das mais diversas, palavras, pessoas. Aquilo que não a vinha de imediato de algum lugar perdido em algum nível de sua consciência era assimilado rapidamente sem grandes estranhezas. Mas o conforto da morosidade na qual sua existência se encontrava, no profundo de seu âmago, parecia algo inusitado. Parecia algo que não a pertencia, algo que não tinha lugar em sua presença. Quase que instintivamente ela sentia que buscava aquilo, que aquilo lhe traria plenitude. Ao mesmo tempo, quando meditava sobre esta tal plenitude, mais distante e mais fora de lugar ela parecia.

Em determinados momentos de sua viagem, Lianna se vira percebendo certas ideias aplicáveis a outras pessoas, mas que ela não conseguia aplicar a si mesma. Quando viu a forma como outros se tratavam com pronomes, percebera pela primeira vez que ela mesma já os utilizava, mas o quão pouco aquilo significava para ela. Percebia que sua em sua razão encontrava conceitos que dividiam o feminino do masculino, mas questões além daquelas físicas. Papéis sociais, normas de conduta, padrões dos mais variados. Diferentes de acordo com região e cultura, mas sempre estavam lá. Sempre estavam lá, mas nunca conseguia tirar deles qualquer valor. Por quê aquilo? Pensava sobre os deuses, sobre as deusas. Sobre seus ensinamentos, sobre as crenças de seus fiéis. Lembrava de Marah e Lena, deusas de amor, bondade e fertilidade, tipicamente representadas pelo feminino. Lembrava de Keenn e Tauron, deuses da guerra e da força, tipicamente representados pelo masculino. Lembrava de como essas associações entre estes conceitos se sugeriam nas sociedades que conhecia, onde o masculino representavam algo forte e bruto, onde o feminino representava algo sensível e elegante.

Mas ela mesma não conseguia se enxergar através destes parâmetros. Lhe parecia estranho pensar desta forma, limitador, como se seu corpo lhe traísse. Como se fosse reduzida em muitos âmbitos por um outro do qual não tinha controle... ou talvez tivesse. De forma racional, havia chegado à conclusão de que não tinha; afinal, era como havia visto em outros até então. Entretanto, ao atingir esta etapa lógica, seu íntimo lhe dizia algo diferente. Como que em súbito, sua percepção de si mesma e de todo o resto parecia se manifestar em seu corpo. Algo particular, algo que era parte dela mesma, tomava conta de sua mente e de seu coração, como que pedindo para tomar conta de seu corpo. Se recordava daquela sensação, daquele faculdade, daquela competência. Era como se uma parte dela mesma estivesse vindo à tona, algo que estava faltando, algo que antes não fazia falta mas que agora não conseguia mais se imaginar sem. Num impulso Lianna acorda de seu transe pensativo e cata entre seus livros. Aqueles que nunca lhe haviam chamado a atenção agora são os que de alguma forma vaga e indescritível parecem que brilham diante de seus olhos, seu foco todo virado a eles. E assim ela passa seus próximos muitos dias, brincando com os conteúdos de diversos frascos e potes bem como tomos e manuscritos de conhecimentos que antes lhe pareciam indecifráveis, mas que agora são naturais como sua respiração e sua sensação de ego e individualidade.

Na euforia destes dias Lianna descobre aquilo que a princípio a levara para seu estado atual. Em uma de suas memórias, se é que pode-se chamar de memória, descobrira que aquilo que a angustiava não era único dela mesma, ou no mínimo único dela mesma naquele momento, talvez também dela mesma no passado, se é que houve uma dela mesma no passado. Algum progresso neste contexto já havia sido feito: a forma física limitante, aquela associada a todos os outros conceitos com os quais não devia estar relacionada, aquela já havia sido dominada, já podia ser controlada. Sua curiosidade cresce de imediato.

Por sua semana seguinte Lianna a passara como Liann, vivendo a vida em alguma grande cidade.

.
.
.

E como chegara, a excitação se esvaia. Semana em seu fim, tédio em seu máximo. Já estava cansado daquilo. Se antes a sensação da viagem lhe era desconhecida e estrangeira, agora sentia falta dela. A vida urbana lhe era palpavelmente familiar, mas não lhe era agradável. De fato, podia agora dizer que era desagradável. Já estava nostálgico quanto às semanas anteriores, semanas de calmaria e meditação. Semanas de paz, tranquilidade. Eis então que começa a se lembrar de algo que tinha visto em algum livro durante aqueles dias, algo que agora lhe engatilhava uma história perdida. E de imediato se posta a novamente viajar. Novamente apenas ela, os dois cavalos e também seu recém-adquirido ou recém-recuperado construto mágico de mentira, que desde então controla as rédeas de sua carruagem, aumentando em mais um passo a distância entre Liann, já novamente Lianna, e seu rumo.

Estava agora como estava duas semanas atrás, mas agora mais completa, ou talvez apenas menos incompleta, porém mais certa de que esta incompletude talvez não seja algo que levará pela eternidade, ou por toda a totalidade de sua efemeridade. Adquirira novo conhecimento, nova identidade, nova emoção, nova realização, novas concepções, convicções e ideias. E estava sedenta por mais. Se a história da qual lembrara a levaria a mais, ela não sabia, mas era o que ela a usar tinha naquele momento, e disso ela sabia. Já na estrada, começa então a viajar. E lembrar.

De dentro de sua carruagem Lianna observava aquele lugar e era tal qual um sonho. Um sonho que parecia ter sonhado em outra vida, um sonho que parecia fazer vibrar a própria realidade. Respirou Fundo com uma das mãos involuntariamente levantada na altura do coração e este parecia estranhamente acelerado. Estreitou seus olhos e seus longos cílios pareciam encobrir os olhos.

"A Vila de Shimei." - Começou a se recordar do que havia lido - "Fundada antes da destruição de Tamurá por um Samurai que fora amigo pessoal do Imperador Tekametsu. Este após anos de luta e servidão havia ganhado direito a um pedido ao seu amigo, apaixonado da maneira que era pela a cultura do continente havia pedido o direito de criar um local de paz e reflexão para aqueles de seu povo que estavam perdidos fora de sua terra natal."

Lembrar aquelas informações tinham um efeito calmante sobrenatural e notando isto, continuou o exercício.

"O Imperador sorriu diante daquele pedido, como poderia negar um pedido com intensão tão nobre a um amigo tão fiel? As negociações com o Reinado não demoraram muito tempo e logo a vila foi fundada onde o velho samurai seria o seu Daimyo. Logo quando os primeiros habitantes começaram a chegar a esposa do ex-samurai entrou em trabalho de parto e devido a complicações acabou por morrer no processo. A criança era um mistério o que havia acontecido com ela, alguns diziam que também havia morrido outros diziam que era uma criança doente que não saia do palácio e que avó fazia questão de mimar por ser a única lembrança de sua filha."

Lianna então podia observar a arquitetura das casas dos locais com seus telhados feitos de barro multifacetado e suas ruas revestidas de calotas de rocha lisa. O que tornava a viagem dentro da carruagem algo tranquilo e sem grande balançar. Suspirou.

"A vida seguiu tranquila desde então e neste ponto não existiam relatos dos motivos que levaram a queda do Daimyo, entretanto tudo apontava traição entre os seus subordinados ou de um de seus súditos, e por conta dos acontecimentos que levaram o fim de Tamurá a administração daquele lugar havia sido completamente esquecida e desde então aquela vila não possuía qualquer governante formal."

Um fim trágico para um homem com intensões tão nobres... entretanto aquilo tudo era passado, o importante agora era o futuro, ou o que imaginava ser o futuro. Aquele era um lugar conhecido por apesar de ser plácido, possuir comércio e culinária impares, poderia ficar por ali por um tempo para permitir que Terence e Philip descansarem da estrada e reabastecer alguns dos recursos de seu laboratório.

Refletidos em seus olhos no centro da cidade a distância via uma mulher performar uma musica em um estranho instrumento de cordas.



Seu coração agora se encontrava leve.
Lianna inspira suave, lentamente fechando os olhos como que para absorver a serenidade daquele lugar, como que para recuperar a energia que perdera naquela semana anterior.
Lianna:
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...
Em bom humor desce da carruagem e se posta a procurar um lugar para deixar seus cavalos, aproveitando para esticar as pernas e tomar um pouco de sol.
Lianna:
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Vamos, preciosos.
Ela diz, chamando seus companheiros equinos domados pela criatura de mentira.
Começava a fazer o caminho para passar abaixo do Tori e finalmente adentrar ao que aparentemente era a praça quando notou algo estranho. Em cima do Tori notou um vulto ou pensou te-lo visto, um homem ali em cima ou ao menos parecia ser um homem contra o sol, quando suas pupilas já se acostumavam a luz ele já não estava mais lá.
Lianna:
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Ora, ora, que curioso...
Abrindo o leque em sua mão no que leva-o ao seu rosto, Lianna olha de lado a lado, analisando o local em que achava ter visto o vulto, tentando entender a espacialidade do ocorrido. Para onde iria, de onde viria? Aquele pequeno mistério a empolgava, mas apenas o suficiente para esconder um leve sorriso atrás do objeto com que se abanava.

MAGIAS ATIVAS:
Feiticeiro (10 PM restantes): armadura arcana duradouro, servo invisível duradouro (postado ao lado dela, seguindo seus movimentos), esplendor da águia duradouro (Car +4), recuo acelerado duradouro;
Bardo (5 PM restantes): santuário duradouro (CD 19), emanações de paz duradouro (CD 19);

Equipamento:
vestido sensual, sapatos de salto alto, bengala, leque, lâmina oculta, chapéu do disfarce.

Stats:
CA 25, Carisma 26 (+8), perícias de carisma +16 (enganação +18 para sedução), deslocamento 16,5m.
(lembrar de santuário e emanações de paz, ambos CD 19)

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[quote][b][size=85]Nome_do_Personagem:[/size][/b]
[img]URL_da_Imagem[/img]
Fala.[/quote]

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Toyoda
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Re: Capitulo 1 - Vingança

Mensagem por Toyoda » 16 Out 2017, 05:37

Os dias passavam agradáveis, fazia tempo que não se alojava em uma vila agradável e pacifica como essa.
Lomri já estava acostumado a chamar atenção por onde passava, mas ainda assim se divertia com os boatos locais. Já havia passeado por todo o local, sempre observando os olhares, e respondendo com um sorriso amistoso, que por vezes mostrava seus caninos avantajados
.
.
.
Já estava quase tirando o terceiro cochilo encostado em uma arvore quando a vara de pesca pendeu a frente e o pequeno gizo preso a ela tilintou.
Com a mão esquerda subiu levemente o chapéu que cobria-lhe o rosto e puxou com certo vigor a vara, mais um peixe! O café da manhã hoje seria caprichado!
Mal deu tempo de limpar e amarrar o peixe junto aos outros e foi surpreendido por uma visita:
Monge
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Bom dia, Jovem.
Eu sabia que ia te encontrar aqui, e ai já conseguiu pegar o nosso café da manhã de hoje?
Abrindo um largo sorriso responde:
Lomri
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Bom dia Jisan!
Mas é claro! Olha aqui que beleza!
Diz enquanto levanta por uma corda fina os 3 peixes médios que havia pescado
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Lomri
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Ah sim! Obrigado pelo chapéu! É muito agradável para dias de pescaria.
E quais as novidades de hoje?
Editado pela última vez por Toyoda em 16 Out 2017, 18:36, em um total de 1 vez.
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Aldenor
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Re: Capitulo 1 - Vingança

Mensagem por Aldenor » 16 Out 2017, 17:49

Escuridão.

Rhaysa sentia angústia, olhando para os lados se perdendo no vazio. Então, súbito, ouviu uma voz fraca de homem. De um velho. Rhaysa correu sem referência física, guiada apenas pelo aperto no coração. Ao longe, um homem jazia caído em meio ao breu. Quanto mais se aproximava, mais o ambiente se revelava em meio a penumbra: era uma sala familiar, um piso com tapete de Nova Ghondriann, uma escrivaninha de madeira de Tollon. O homem escorava as costas na mesa e seu paletó branco possuía uma enorme mancha vermelha ocupando basicamente todo seu abdômen, perfurado por uma espada rija em riste. O mais estranho, no entanto, era seu rosto.

Nebuloso.

Rhaysa não conseguia identificar sua feição, mas sentia a frustração, o engasgo na garganta. Sabia quem era.
  • Sebastian
    Imagem
    R-Rhaysa... me perdoe... por tudo...
Seu pai estava morto e ela chorou mais uma vez.

Rhaysa ergueu-se num suspiro longo de olhos arregalados, como se faltasse ar. Sua visão ainda turva media em preto e branco o chão de terra batida, algumas toras de madeira já carbonizada por sua finada fogueira. Vislumbrou os troncos das árvores que se espalhavam em volta na cor cinza quase escuro. Sentia calor e por isso abriu o saco de dormir para se levantar.

Infelizmente o pesadelo não era tão raro a ponto de surpreendê-la. Sentir as emoções doídas do passado era o que alimentava seu fogo interno, sua vontade de vingança, seu desejo de fazer sua mãe pagar por tudo que fizera a ela. E à sua irmã. Mas o que mais lhe incomodou, o que mais lhe assustou foi o seu pai. O rosto borrado. Rhaysa, de pé, encostou a mão numa árvore e segurou a cabeça com a outra. Comprimiu os olhos forçando a mente.

Nada.

A imagem de seu pai estava sumindo aos poucos. Rhaysa podia contar nos dedos de uma mão os momentos felizes com seu pai. Sebastian era um médico formado em Sallistick, um homem que não falava muito do passado e preferia se manter distante de sua família, mesmo sabendo que um deles era um famoso herói do passado recente, reformado do Protetorado do Reino. Sebastian também não ficava muito tempo na opulenta casa em Malpetrim: vivia viajando em expedições para as Montanhas Uivantes, para os Bosques de Allihanna, perambulava pelas estradas do Império e até ousou certa vez ir à Galrasia. Desse modo, Rhaysa teve uma infância com a ausência paterna, aprendendo a se virar.

Antes, não sabia da onde vinha tanto desconforto em ficar sozinha. Precisava estar rodeada de pessoas o tempo todo, mesmo que não falasse com elas, mesmo que fosse ignorada. Agora, graças ao seu pai no leito de morte, soube finalmente. Ela era uma lefou. Uma criatura aberrante da Tormenta. Por isso, Rhaysa preferia passar maior parte do tempo no porto de Malpetrim em sua imundice vendo pessoas de todos os tipos indo e vindo, do que no conforto de sua casa no centro.

Rhaysa pegou a espada que jazia fincada no chão, perto de seu saco de dormir e analisou seu fio. Ela tinha tonalidade mais clara, quase branca na escuridão total. Como uma lefou, podia enxergar no escuro em preto e branco. Depois voltou fincá-la por ali e atirou o corpo no saco. Tinha que voltar a dormir. O fato de esquecer o rosto de seu pai não significava muito. Não era muito próxima dele, não sabia sua refeição favorita, seus livros favoritos nem seus hobbies, se é que tinha algum. Mas nada disso fora culpa só dele. Sua mãe era a culpada de tudo. Sua mãe lhe tirou seu pai. Sua mãe fez os experimentos com ela e sua irmã. Sua mãe pagaria por tudo.

Rhaysa rangeu os dentes e gordas lágrimas teimaram escorrer em seu rosto.

O dia amanheceu tão logo escureceu. Rhaysa vivia em peregrinação pelos ermos do Império há bastante tempo. Seu destino podia ser Yuden, onde sua mãe vivia com sua irmã, mas fazia tempo que havia desistido de uma rota principal até lá. Apesar de seu desejo de vingança, ela sabia que precisava chegar lá com algum trunfo. Embora não confiasse em itens mágicos ou em objetos, Rhaysa tinha a espada que matou seu pai, seu sangue aberrante e seu enorme desejo de vingança.

Mas seria vingança mesmo? Desde o último pesadelo Rhaysa caminhou pensativa sobre isso. Pensava em sua irmã Sheyla e não sabia o que sentir a respeito. Ao que consta, ela também era uma vítima dos experimentos... mas por que continuava com a mãe? Talvez fosse cúmplice, talvez não. Teria que saber na hora. Além disso, havia também o fato do rosto de seu pai estar sumindo de suas lembranças. Não era só o tempo passado - que fora pouco - e nem a pouca convivência nesses anos todos... era algo mais. Rhaysa temia ser a perda de sua motivação. A chama da vingança diminuía constantemente e isso a irritava muito!

Por isso, a lefou pensava se o fato de desviar o caminho direto de Yuden fosse um sintoma disso. Fora a vingança, o que sobrava? Rhaysa gostava do mar, mas também aprendeu a gostar da terra. Ela gostava de ajudar os outros, pois mais de uma vez emprestou suas habilidades com a espada para resolver pequenos problemas de camponeses e viajantes incautos e até entrar em uma ou duas masmorras para matar monstros, recolher o tesouro deles e dividir com a aldeia molestada. Talvez fosse isso... talvez ela gostasse de ser aventureira...
Rhaysa
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Talvez, mas... Roanna, eu ainda vou te matar.
Sentenciou cerrando o punho.

E foi assim que avistou uma vila no horizonte. Caminhando pelos arrozais, Rhaysa fez algo que sempre fazia ao passar por enormes plantações dos fazendeiros: observava o trabalho. Via como as pessoas comuns se esforçavam na labuta de mais um dia. Rhaysa sorriu e sentiu um desejo genuíno de proteger aquilo com suas próprias mãos. Sem truques, sem penduricalhos mágicos, sem nada. Pois era assim que o povo nascia, vivia e morria.

O sorriso contemplava a beleza e clima de calmaria do lugar, mas quanto mais andava por ali, sentia outra coisa em seu estômago e não era só fome. Algo estava errado. Aquela paz... aquela tranquilidade... algo não estava certo. Quando olhou para o palácio em destroços no horizonte sentiu o coração palpitar mais forte. A elucubração acabou quando um homem descamisado com um sorriso sincero falava a quem quisesse passar por ali para vender seus peixes. Rhaysa conhecia todos eles, pois já trabalhou em alguns navios mercantes. Não distante dali, ouvia uma música tranquila de uma mulher com um exótico instrumento musical. Rhaysa olhou para o pescador e depois para a mulher. Acenou para o pescador com um sorriso comedido e depois se pôs no caminho da barda.
Rhaysa
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Hum...
Ela disse parando poucos metros da artista. Era uma belíssima sinfonia e Rhaysa não tinha dinheiro mesmo para os peixes. No campo de visão, uma carruagem chamou sua atenção por destoar do cenário. Uma mulher que dali saiu parecia tamuraniana em seus trajes, mas a carruagem denotava alguma riqueza... algo que de alguma forma não combinava com aquela vila de camponeses. Rhaysa demorou alguns momentos olhando a mulher da carruagem antes de voltar a se ater à artista e sua música.
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RoenMidnight
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Re: Capitulo 1 - Vingança

Mensagem por RoenMidnight » 18 Out 2017, 17:35

Nos dias que Lomri haviam se passado ali até aquele momento o homem-raposa não tinha deixado de buscar saber sobre as lendas locais e qualquer coisa existente no lugar. Não demorou para notar que boa parte das pessoas mais velhas que moravam ali haviam vindo provavelmente da própria ilha de Tamurá antes da Tormenta, e aquilo era algo no mínimo curioso, alguns até mesmos se recusavam a falar a língua local como uma espécie de orgulho próprio. Neste momento Lomri descobriu como a determinação daquele povo era capaz de manter sua cultura apesar da mais terrível das calamidades.

A primeira lenda que havia encontrado curiosamente era sobre a Kitsune (simplesmente como eram chamadas as Raposas no idioma de Tamurá) e como esta parecia possuir uma inteligência acima da média, vida longa e poderes sobrenaturais que a permitia trocar de forma e adotando a aparência de um ser humano. Em meio a estas histórias ouviu a história de um menino ninja que se vestia de laranja e que teve o espírito de uma destas raposas preso em seu interior e que buscava o grau mais alto dentre os ninjas de sua tribo.

Outra história que ouviu foi a história de uma raposa que após realizar uma aposta com um texugo para tentar expulsar um monge de um templo, acaba se apaixonando por esse mesmo monge. Porém a raposa descobre que um onmyoji (um tipo de sacerdote) pretende assassinar seu amado. Desesperada e impossibilitada de alertar o monge sobre o seu futuro trágico, mesmo sabendo que sua morte chegará durante um sonho, a raposa procura a ajuda do Rei dos Sonhos para encontrar uma forma de impedir que seu amado seja assassinado.

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Desvinculado das raposas havia então ouvido outra história que diziam ter acontecido recentemente. Sobre quatro grandes samurais que haviam lutado ao lado de seu Daimyo até a morte, antes que este fosse brutalmente assassinado. Tamanha era a devoção dos guerreiros que seus espíritos não ascenderam aos céus em direção a Sora, mas ao invés disto eles ainda caminhavam entre os homens buscando vingança contra seus inimigos.

Tudo isto claro, pareciam não passar de histórias contadas para crianças ou entre os adultos como forma de passar lições importantes e ensinamentos de sua própria cultura mas ao se viver em um mundo como Arton as coisas sempre deixavam uma gotinha de "Será que?"

O velho monge sorria ao ver o fruto da pescaria de Lomri e já começava a montar um braseiro e acendê-lo enquanto entregava uma faca ao homem-raposa para que ele limpasse os peixes. Conforme trabalhavam no preparo dos peixes o velho monge comentava...
Monge
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Aparentemente os preparativos para a festa do arroz já estão quase prontos, o filho de Kenzai, o monge que cuida do treinamento dos mais novos, chegou ante ontem da academia arcana e esta preparando uma surpresa para todos.

O marido da dona da estalagem, o Takeshi, ele disse para mim ontem quando eu tinha saia do seu bar que a esposa dela havia encontrado uma garotinha em meio aos escombros do velho palácio, vê se pode... onde será que este mundo vai parar?
Ele então deu uma pausa e abaixou a cabeça se concentrando no trabalho de limpar um dos peixes, como se não tivesse mais nada a falar, então levantou a cabeça se lembrando de mais algo.
Monge
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Parece que um dos monges recebeu algumas cartas ontem a noite e ele parece um tanto preocupado. Não me disseram o que poderia ser, mas a forma com que falavam dava a entender que era algo grave.

E você amigo peludo, o que tem a me contar?
O primeiro peixe era colocado nas brasas e já começava a estalar.

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Eslajadeira
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Então me diga menina, onde estão seus pais?
Dizia a dona da estalagem enquanto observava a menina, ficava receosa, a verdade é que ela não conseguia imaginar se a menina não falava por algum trauma, receio ou talvez quem sabe por alguma doença. Limpou as mãos no avental que usava, e ficou ali uma parcela de tempo esperando a menina terminar de comer, ao fim da refeição recolheu os utensílios e sinalizou para a menina.
Eslajadeira
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Eu vou estar lá embaixo, se você precisar de algo é só me falar. Se quiser sair e brincar um pouco, só me da um aviso para eu não ficar preocupada contigo, vou ver se encontro alguém que possa te ajudar. Talvez alguém tenha algum sinal de seus pais.
A senhora então saiu, deixando Laura sozinha. Os sons que vinham lá de fora eram agradáveis e através da janela a menina podia ver a vida de cada um dos habitantes daquele lugar, a mulher tocando seu instrumento e uma mulher que chegava em uma carruagem puxada por dois cavalos.

--------------------

Rhaysa observava a mulher da carruagem e não pode deixar de notar que esta observava aos arredores.

Lianna por sua vez em seu ato parecia não notar nada de estranho, aquela estranha aparição parecia ter sido não mais que mera visão passageira, quase como um vulto de um outro tempo ou um sonho de noite de verão. Ou quando caminhamos no escuro da noite em nossas casas e notamos que um homem que não deveria estar ali nos observa. E quando finalmente, assustados, viramos nosso rosto em sua direção notamos que na verdade não passava de um amontoado de roupas ou tralhas. Porém aquele sentimento de que alguém estava pronto ao bote e o fato termos o descoberto não nos abandona.

A mulher do estranho instrumento continuava sua canção, um grupo de meninas observava com atenção quase que com fascínio. Algum dos trabalhadores pareciam parar por um ou dois minutos para apreciar a performance enquanto algum dos comerciantes que chegavam pareciam depositar alguns tibares na pequena bandeja que havia a frente dela. Seus olhos permaneciam cerrados enquanto performava a canção e Rhaysa parecia ter uma boa parcela de concentração nela pois não notou que a outra moça com seus animais já havia passado por baixo do Tori e estava quase completamente com sua carroça dentro da praça central.

Lianna por sua vez não notava qualquer sinal do que poderia ter sido aquilo e pela a reação das pessoas naquele lugar ninguém parecia ter visto além dela. Ao finalmente adentrar a vila, Lianna não pode deixar de notar um sobrado com um estábulo ao lado e uma placa onde poderia ler "Estalagem Flor de Lotus", a frente da estalagem notou um canteiro com botões de rosa em azul. Se lembrou então que aqueles que eram nativos de Tamurá chamavam aquela flor de kibo, que era a palavra utilizada para denotar esperança.

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Toyoda
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Re: Capitulo 1 - Vingança

Mensagem por Toyoda » 19 Out 2017, 03:00

Em sua mente, Lomri já havia imaginado centenas de formas de pregar peças. Já havia praticado pequenas travessuras desde que chegara, mas sempre era incansável nesta pratica, assim como qualquer bom devoto de Hyninn!

A história das raposas eram inspiradoras para ele, porém, a dos samurais soava estranho para ele. Seria algo recente, o que poderia ter acontecido? E quais inimigos alguém poderia ter tido ali no meio do nada? Assim fica pensando sobre como saber mais informações sobe o ocorrido...
Monge
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Aparentemente os preparativos para a festa do arroz já estão quase prontos, o filho de Kenzai, o monge que cuida do treinamento dos mais novos, chegou ante ontem da academia arcana e esta preparando uma surpresa para todos.
Lomri faz uma cara de pensativo, espeta a faca em uma arvore proxima e coça levemente o queixo com a mão direita
Lomri
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Adoro festas! O que costuma ter de especial nessas ocasiões? Tem comida?
Diz passando levemente a língua nos lábios e retomando a limpeza dos pescados.
Monge
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O marido da dona da estalagem, o Takeshi, ele disse para mim ontem quando eu tinha saia do seu bar que a esposa dela havia encontrado uma garotinha em meio aos escombros do velho palácio, vê se pode... onde será que este mundo vai parar?
Lomri
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Criança perdida? Que coisa estranha, acho que vou ver depois se posso ajuda-la, quem sabe não encontramos seus pais?
Afinal, sou um Paladino de Thyatis, e estou aqui para ajudar!

Qual o nome da estalajadeira mesmo?
Diz tomando um ar serio como se estivesse realmente preocupado em fazer o que é realmente certo perante os dogmas da sociedade.
Monge
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Parece que um dos monges recebeu algumas cartas ontem a noite e ele parece um tanto preocupado. Não me disseram o que poderia ser, mas a forma com que falavam dava a entender que era algo grave.

E você amigo peludo, o que tem a me contar?
Lomri
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Algo grave? Hum....

Então Jisan, depois pensamos nisso! Agora, enquanto comemos, já lhe contei sobre como virei meio humano e paladino de Thyatis ao mesmo tempo?
Bom, eu vivia minha pequena vida de Raposa nos arredores da cidade de Triunphus, sabe como é, sempre é mais fácil conseguir comida próximo a cidades. Naquela época, meus pelos eram brancos.

Então, um certo dia, eu espreitei um homem sentado a beira de uma fogueira fitando-a, e depois de certo tempo, ele simplesmente foi-se. E eu pensei com meus botões, o que há naquilo em que ele tanto olhava?

Movido pela curiosidade, fui eu conferir, e, ali no fogo, eu pude ver a verdade! E quanto mais olhava, mais podia ver, e sentir a benção de Thyatis tomando meu corpo. –diz enquanto da a primeira mordida em um dos peixes.

Quando me dei conta, uma forte chama envolvia meu corpo, e a Luz das chamas envolveu minha mente. Meu corpo foi transformado, e desde então, meus pelos passaram a ser rubros como as chamas!

Assim, a partir daquele momento tive a visão clara da minha missão nessa terra! E parti em peregrinação para pregar sua palavra e ajudar a quem fosse possível!
Assim, logo após a refeição, vai atrás da tal menina que apareceu do nada, aproveitando para ver se encontrava algo sobre a tal da carta que foi dita


Rolo enganação para que ele caia na minha estória e Obter informações para tentar algo sobre a tal da carta.
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Khrjstjano
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Re: Capitulo 1 - Vingança

Mensagem por Khrjstjano » 19 Out 2017, 05:13

Estalajadeira
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Então me diga menina, onde estão seus pais?
Perguntou a mulher, enquanto observava a menina que comia quieta. Sua aparente mudez a deixava receosa. Aos poucos, com o tato de mulher vivida e experiente, tentava reconfortá-la, tranquilizá-la. Talvez dissesse algo, se pudesse... Talvez fosse apenas muda mesmo.

A garotinha apenas a observava...
Menina
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...
Se você já esteve numa sala com alguém em silêncio, sabe como os minutos podem parecer longos quando se espera que alguém diga algo. Pode-se sentir o desconforto no ar, quase podemos pegá-lo com as mãos. Falar é como uma obrigação não dita, da qual somente se exime aquele que tem sua concentração ocupada. O silêncio indica desarmonia, desavença, inaptidão social... Mas quando se passa de um certo ponto, quando se estende, ele já não incomoda mais tanto. O silêncio passa a fazer parte da interação. É aceito.

Terminada a refeição, a mulher recolheu os talheres e sinalizou para a menina...
Estalajadeira
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Eu vou estar lá embaixo, se você precisar de algo é só me falar. Se quiser sair e brincar um pouco, só me dá um aviso para eu não ficar preocupada contigo, vou ver se encontro alguém que possa te ajudar. Talvez alguém tenha algum sinal de seus pais.
A mulher saiu e a menina passou a observar o ambiente. Era um quarto comum de estalagem de cidade pequena, tinha o necessário para se estar ali. Para a menina, no entanto, cada detalhe na penteadeira, cada contorno nos entalhes dos móveis chamava atenção. Ia passando os dedos sobre cada um, seguindo seu desenho. Eram desconhecidos, misteriosos.
Foi seguindo as frestas no chão, observando como as linhas das tábuas escuras ondulavam no caminho e as frestas entre elas eram preenchidas por uma sujeira escura. De quando em quando, havia um nó na madeira que chamava atenção. Havia uma cortina clara, com bambus e suas folhas desenhados, que ela observou por um bom tempo, até que os sons que vinham pela janela aberta atrás dela a distraíram.
Abriu-a.

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As rodas de um veículo grande de madeira estalam ao passar sobre as pedras ao longe. Um instrumento de cordas, manipulado por uma mulher, produziam um som mais agradável. A menina ficou ali um tempo observando, vendo as pessoas passarem. Como pareciam livres, tranquilas... Pacíficas.
Depois de um tempo, olhou mais abaixo da janela. Havia ali um pequeno jardim, próximo ao lugar onde estava. Nele, algum tipo de brinquedo, mas que ela não conhecia. O objeto atraiu sua atenção.

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Desceu as escadas, passando pela velha senhora que a observava, e foi até lá, brincar. Era o primeiro momento de relaxamento que tinha em muito tempo.

Talvez em sua toda sua vida.
Menina
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...

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Re: Capitulo 1 - Vingança

Mensagem por Andrew Kaninchen » 19 Out 2017, 14:39

Era uma sensação curiosa. Um segundo antes ela tinha certeza de que o que havia visto era real, mas a mesma certeza agora apontava no sentido contrário. De fato, ainda também apontava para a primeira intuição. Era como se ela tivesse duas certezas ao mesmo tempo e em simultâneo também não tinha nenhuma. Sua mente voa para uma história que lembrava, uma alegoria sobre um gato numa caixa, proposta para explicar algum modelo físico-matemático por um grande mago de nome anão do qual agora não se recordava. Tinha certeza de que tinha o livro onde lera isso em algum lugar.

Ela olhava à distância por alguns segundos, absorta em seus pensamentos, até perceber sua visão turva apontada na direção de um telhado vazio. O som da música aumenta gradualmente no que o foco da vista também se ajusta, Lianna retornando ao mundo terreno, fechando sua boca entreaberta e voltando a contrair os músculos relaxados da mão que usava para o leque que havia parado de abanar desde o começo daquela pequena experiência. Como que num susto ela perde de leve e momentaneamente o controle de seu corpo, ficando bamba em sua base por uma fração de segundo.

Seu coração palpita como se se sentisse em queda livre, sua respiração logo seguindo. Sua mão livre vai à testa, como se para limpar suor que não existia ali, voltando a moça a se recompor. Sua audição estala baixo, atentando-se à música ambiente e buscando sua direção de volta àquela que tocava na praça. Com a percepção de tempo ainda não por completo de volta ao seu estado usual, Lianna se via andando naquela direção, até que estava de frente à artista, talvez um pouco perto demais para com o que seria adequado à situação.

Ela observa as mãos da outra sobre o instrumento, cada pequeno acorde gerando suas notas musicais que lhe apareciam como imagens, cores, sentimentos, emoções, ideias. Aquele era um instrumento muito interessante, embora não pudesse dizer que saberia manejá-lo com precisão, ao menos não como a outra o fazia à sua frente.
Lianna:
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Você se importaria?
Lianna estende a mão pedindo o instrumento, após elogiar aquela parte da apresentação da outra.

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Lianna não pode deixar de notar um sobrado com um estábulo ao lado e uma placa onde poderia ler "Estalagem Flor de Lotus", a frente da estalagem notou um canteiro com botões de rosa em azul. Se lembrou então que aqueles que eram nativos de Tamurá chamavam aquela flor de kibo, que era a palavra utilizada para denotar esperança.
Lianna:
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Kibo...
Quase que de imediato, o antônimo lhe vêm à mente. Zetsubō, a palavra tamuraniana para desespero, ou talvez mais próximo do contexto em que se encontrava, desesperança. Aquela palavra lhe parecia vagamente familiar. Talvez meramente seu conceito.

A mulher se dirige ao estábulo, buscando abrigo para seus companheiros. Logo em seguida iria à estalagem. Estava curiosa quanto às flores.

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Re: Capitulo 1 - Vingança

Mensagem por Aldenor » 19 Out 2017, 15:04

A artista transmitia uma sensação de sossego que a fazia lembrar dos bardos do porto em Malpetrim tocando para as gaivotas. A música era diferente, é claro, mas a sensação era a mesma. Rhaysa vivia constantemente em angústia gerada por sua inquietação de sua natureza semi-aberrante, então aprendera a apreciar esses momentos de tranquilidade. Momentos estes que a faziam se pensar como uma artoniana como todos os outros. E claro, ajudavam a esquecer sua necessidade de vingança. Mesmo que momentaneamente.

Ela cogitou sentar-se no chão para passar a tarde toda ali, recuperando suas energias e alimentando sua alma, depois do terrível pesadelo da noite passada. Por isso franziu o cenho quando a tamuraniana em suas belas vestes passou por ela e o pequeno grupo de espectadores para observar a artista mais de perto. Como se a música fosse só dela. Como se ela fosse digna de tal privilégio mais do que os demais.

Sua primeira reação teria sido puxar a mulher pelo ombro e empurrá-la para o lado para tirar satisfação, mas já havia aprendido a controlar seus impulsos mais cedo, depois de tanta surra que sofrera ao longo de seu período no mar. Por muitos anos ela não entendia por quê das pessoas não gostarem dela, mas que descobriu ser uma lefou as coisas faziam mais sentido. Além disso, Rhaysa tinha a pele mais rígida ao toque, embora parecesse ser macia como em qualquer outra pessoa. Em outras partes do corpo tinha uma carapaça que lembrava carne vermelha endurecida, mas estas também ela sabia esconder bem sob seu traje. Seu cabelo negro possuía uma mecha vermelha que todos imaginam ser uma pintura cosmética, mas Rhaysa sempre a teve, desde que se entendia por gente. E, às vezes, a sentia endurecida como se não fosse cabelo.

Rhaysa tratou de observar melhor a princesinha e percebeu como era bela e delicada. Tinha a pele perfeita, olhos, nariz e boca todas simetricamente harmoniosas. Parecia uma pintura retratando a perfeição da beleza humana. Rhaysa deixou-se impressionar um pouco antes de franzir o cenho de novo, quando ela pediu a o instrumento da artista. Ora, quem ela pensava que era?
Rhaysa
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E nos privar dessa música...?
Disse movendo os braços em direção do grupo de meninas que observava com fascínio. Havia também alguns trabalhadores ali apreciando a música.
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