Herança Tirânica [Finalizada]

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Mælstrøm
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Herança Tirânica [Finalizada]

Mensagem por Mælstrøm » 29 Nov 2018, 11:30

Parte 1: A Decadência

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Sambúrdia, o Celeiro de Arton, considerada por muitos como o "fim do mundo civilizado", era um reino imerso numa grande área florestal, com cidades de médio e grande porte espalhadas em grandes clareiras. Rica em diversidade natural, o reino aproveitava-se da produção agrícola para enriquecer. Grandes senhores feudais também eram mestres do comércio, de modo que fazendeiros e outros grandes produtores comandavam as finanças do reino. Apesar da proteção dos druidas de Allihanna — padroeira do reino — ainda havia muito trabalho para aventureiros. Além dos costumeiros bandoleiros de estrada, das tribos de goblinoides e ogros, e de homens-selakos no litoral, Sambúrdia também apresentava um grande número de monstros únicos, cantados nas histórias dos barcos: mantícoras, hidras, quimeras e muitos outros.

Além, é claro, de dragões. Eles possuíam uma extensão florestal somente deles, a famosa Floresta das Escamas Verdes. Extremamente territorialistas, os dragões verdes não eram conhecidos por deixar com vida algum visitante incauto. Porém, também era raro que saíssem de sua floresta.

E é em Sambúrdia que esta história começa. Nos arredores de Mehnat.
***

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Hoenheinn recebera a missão de viajar por toda Arton inspirando as pessoas e combatendo o mal. Uma missão divina, após anos de treinamento. Em suas viagens cheias de idas e vindas, acabou conhecendo muita gente, de todos os tipos. Mercadores, bandidos, nobres, camponeses e muitos aventureiros. O paladino da ambição era livre para escolher quais causas lutar, quais pessoas ajudar e raramente a Igreja de Valkaria se metia em seus assuntos, ou nos assuntos de seu séquito, exceto em ocasiões importantes.

Foi em uma estalagem no meio do nada em Nova Ghondriann, sob o cheiro forte de um pernil assado que Hoenheinn recebeu uma carta enviada por um corvo negro, com o sinete da Ordem de Valkaria em seu pescoço. O envelope estava lacrado por cera púrpura com o símbolo da deusa da humanidade.
Querido paladino Hoenheinn Mitternarch,

Espero que esta carta lhe encontre bem.

Alegro-me em anunciar que você foi convocado para atender uma demanda da Catedral de Valkaria, sob os auspícios do sumo-sacerdote Hennd Kalamar. Gostaríamos que você investigasse os rumores de um maléfico Cavaleiro de Kallyadranoch nos arredores de Mehnat, cidade a sudeste de Sambúrdia.

Como não lembro se te ensinei algo desta ordem, então, aqui vai algumas palavras: A Ordem dos Cavaleiros de Kallyadranoch é uma seita herética do deus dos dragões. Seus asseclas acreditam que Valkaria deveria ser uma "prisioneira" de Kallyadranoch como nas canções dos bardos, onde a donzela é aprisionada por um dragão. Seus planos sombrios envolvem em destituir nossa deusa de seu mundo em favor de seu maligno deus. Outros devotos de Kallyadranoch tem ojeriza por esta seita, pois como consta no final destas canções, o dragão é derrotado por um herói.

Loucos.

A Ordem dos Cavaleiros de Kallyadranoch é pouco conhecida, um bando de lunáticos e gostaríamos que permanecesse assim, pequena e isolada, facilmente destruível. Rogamos para que você descubra a veracidade de tais boatos e elimine a ameaça caso seja confirmada.

Atenciosamente,
Paladina Laura Bright
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Yeron estava acostumado ao cheiro de enxofre. Seus livros, diversos deles, carregavam sua marca particular. Os demais magos, entretanto, desviavam o olhar, evitavam chamá-lo para grupos de estudos. Apesar disso, o sulfure encontrou na Academia Arcana um porto seguro, pois podia estudar em paz sem ameaças ou violência, e em Talude, alguém que não o julgaria pela aparência, por seus pais, ou por seus antepassados demoníacos.
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Você é um mago, Yeron.
Dizia-lhe sempre que as dúvidas sobre suas capacidades batiam a sua porta. E um mago competente. Foram dezenas de décadas, vendo alunos chegarem imberbes, se formarem com seus chapéus cônicos e morrerem com longas barbas brancas.

Agora Yeron tinha uma missão, uma busca sem prazo de validade. Observar e tomar suas decisões baseadas em seu julgamento pessoal, sobre o mau uso da magia. Talude fora vago em sua determinação e antevendo que não o explicaria completamente, o sulfure partiu com essa incumbência. Seu primeiro alvo, um evocador. Não se sabia muito sobre Astah, exceto pela subtração de uma varinha da generosidade, um objeto litúrgico da igreja de Wynna.

Sua busca o levou à Sambúrdia, terra de Vectorius, o arquimago arquirrival de seu mestre, onde ouvira de comerciantes de itens mágicos em Vectora o paradeiro de Astah. "Mehnat", diziam eles. Nenhum sinal da varinha, portanto, ele não tinha interesse em vendê-la. Mehnat era uma cidade sambur de entreposto comercial, onde diversas caravanas convergiam. Havia muitos portsmouther e halflings de Hongari, mas para agradar seus clientes, os mehnatenses havia adquirido uma postura pouco amigável com magos e feiticeiros. Pelo menos estas eram as histórias de anos atrás.

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Era uma noite nublada quando Bror encontrou os humanoides reunidos sobre uma fogueira onde queimava uma estranha costela. O banquete escorria gordura e projetava sombras nas tendas improvisadas, mas organizadas dos hobgoblins. O arqueiro espreitava na mata, com olhos de lince, uma bênção de Tenebra, sua deusa padroeira. As criaturas conversavam em seu idioma bárbaro, com sotaques e entonações diferentes do que estava acostumado lá em Tollon, o Reino da Madeira. Mas mesmo os hobgoblins destas imensas florestas subtropicais, abafadas e quentes, tinham a rude disciplina bélica.

Mesmo no final do outono, apenas uma breve brisa alentava aquele calor e o céu encoberto poderia significar uma manhã de chuva. Bror identificou o saque: quatro grandes sacolas de estopa reunidas em uma tenda semiaberta, onde um hobgoblin mantinha-se de pé com uma lança na mão e uma ânfora de barro na outra. Estava levemente embriagado, portanto, confiava o arqueiro, estava com sua percepção alterada. Hobgoblins eram monstros e aquele bando parecia ter feito um saque não fazia muito tempo.

Quatro hobgoblins comiam, deixavam o quinto de vigia. Riam e comentavam suas maldades. Haviam atacado uma carroça de comerciante, matado os dois aventureiros contratados para guiá-los e levado o gordo comerciante de nome Khoras para conhecer suas tendas... com um embrulho no estômago, Bror descobriu o que comiam.

Os hobgoblins dormiram eventualmente e foram passados pelo machado. Seus espólios, objetos roubados, não pareciam ser apenas do pobre comerciante. O diário era dele, bem como o baú contendo poucas moedas de ouro eram seus únicos pertences pessoais. O restante eram sacas de milho e ânforas de vinho. Khoras era de Malpetrim, mas viajava por Prado Verde, Deheon e Sambúrdia, a capital do reino de mesmo nome. Os outros objetos eram peculiares, mais antigos: uma espada longa de finíssima qualidade, embora empoeirada, contendo um brasão gravado no gume (uma águia empoleirada sobre uma torre) e uma inscrição marcada na lâmina. "Minha vida", dizia. Havia também um livro de capa grossa com o mesmo brasão desenhado na capa. Era um relato de viagens de um tal Garlan de Montaine, um cavaleiro de Sambúrdia. Suas últimas palavras mencionavam um retorno a Mehnat, sua cidade natal, saudades de sua numerosa família e um chamado de Khalmyr para defender suas fronteiras.

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Sabbah havia chegado a Sambúrdia havia muito tempo, com a promessa de fartas recompensas. Mesmo sendo um lefou, Sabbah não encontrou problemas quando encontrou sua primeira fazenda. Pelo contrário, o senhor Herman de Pedrarruna gabava-se por ter sido um aventureiro no passado e não tinha preconceitos com nada nem ninguém. Suas duas filhas, Viviane e Flora, e sua esposa Margareth, porém, não conseguiam se sentir confortáveis ao lado de Sabbah e sua aura aberrante. Era tragicômico ver seus esforços para demonstrar educação, enquanto seus rostos se contorciam em aversão. Elas não entendiam por quê sentiam isso.

Herman havia deixado um anuncio em uma estalagem na pequena Vila da Pedra Azul convocando um "ladino" para uma missão especial. O termo curioso chamou atenção do jovem lefou e ele decidiu visitar a fazenda em Pedrarruna. Herman lhe contou sobre seu irmão Emyr, no qual havia perdido o contato há anos.
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Quando moço, ele também saiu da fazenda em busca de seu destino. Diferente de mim, que trilhei o caminho da espada, Emyr se encontrou no estudo de livros empoeirados e desenvolveu dotes mágicos. Porém, após poucos anos se aventurando por Arton, ele quis paz. Nunca teve sede de poder como os arcanos são conhecidos. Ele abriu uma estalagem, a Lança de Khalmyr, em Mehnat há muitos anos. Nós mantínhamos contato, mesmo quando eu continuava a ser aventureiro. E, quando cansei da vida na estrada, casei e tive minha família, passei a visitá-lo com frequência.

Porém, há uns anos ouvi rumores de um dragão circulando Mehnat. Eu quis viajar a Mehnat para ver como meu irmão estava, mas Nimb conspirou contra nós e Pedrarruna foi assolada por uma praga de hobgoblins vindos das Montanhas Sanguinárias. Desde então, tive que ficar para defender minha família durante alguns anos... soube que aventureiros mataram o dragão há alguns meses, ano passado talvez. Mas mesmo depois de enviar diversas cartas, nenhum corvo retornou com respostas. Temo que o pior tenha acontecido à cidade.

Por isso te peço que traga respostas sobre o que aconteceu com Emyr. Se estiver vivo, escolte-o até nossa fazenda.
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Desde a morte de seu pai, Audamor sentiu a chama em seu peito arder para algo que nunca havia chamado atenção. Se antes o sacerdote treinado pelo velho monge Calligor tinha aspirações divinas, preocupações no plano dos dogmas no combate às injustiças e no ensino do modo de Khalmyr aos desaventurados, agora as coisas haviam mudado.

O tabuleiro era de Khalmyr, a justiça devia ser debatida e filosofada, mas os interesses de lordes e outros poderosos não se limitavam em suas ações pontuais. Suas consequências, poderosas como a extensão de suas terras, afetavam a vida das pessoas diretamente. Foi assim que a desconfiança da morte de seu pai, em campanha em Portsmouth, atentou Audamor para os problemas terrenos e, consequentemente, políticos.

Os próximos anos da ocasião da morte de seu pai foram intensos. Viajando desde Milothian, capital de Portsmouth, até Norm, conhecendo a Ordem da Luz, Audamor ficou mais íntimo da real natureza do povo portsmouther e seu fanatismo por seu reino, sob governo de mãos de ferro do Conde Abutre. Os bielefeldianos também o testaram em campanhas militares e escaramuças com selvagens bárbaros da União Púrpura e concederam a ele um broche da Ordem da Luz, onde seria sempre bem vindo quando precisasse.

Foi em uma fria manhã do fim de outono, pós noite agitada em um baile da corte em Norm, que um papiro chegou em suas mãos através de um mensageiro. Aparentemente, o papiro devia encontrá-lo há muito tempo, em Roschfallen, capital de Bielefeld.
É com pesar que venho lhe informar o falecimento de nosso senhor irmão Garlan de Montaine. O funeral ocorrerá em dois dias. Gostaria de ter sua presença, meu senhor irmão.

Priscilla
***
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A manhã pálida trazia uma brisa gélida, farfalhando uma enorme massa florestal. Cinco indivíduos se encontraram na estrada que descia um barranco de terra com raízes aqui e acolá, unindo diversas trilhas saídas da floresta. A estrada cortava uma clareira descampada e seguia até a cidade. Sambúrdia, conhecida por suas imensas florestas fechadas, agora dava espaço para a gramínea e a pradaria de terra onde a cidade de Mehnat se localizava com seus muros ladeados por rochedos de pequenas colinas.

Ainda assim, faltava uma boa caminhada até seus portões abertos, sem nenhum guarda na guarita das torres ou carroças entrando e saindo de uma cidade que um dia fora um importante entreposto comercial.

Então, Audamor, Bror, Hoenheinn, Sabbah e Yeron se viram diante de um grande entulho de madeira no meio da estrada. Parecia ser um ajuntamento de diversas carroças quebradas, com rodas soltas, arreios largados, estofados rasgados, baús quebrados... exceto por algo que brilhava timidamente no meio da bagunça de madeira. Podia ser um espelho refletindo os parcos raios solares, ou mesmo uma joia.
Nota do Mestre:
O Grupo Adamante (re)começou. Nesta aventura, pretendo dividi-la em quatro partes. Esta é mais uma introdução do que a parte um propriamente.

Vocês devem descrever seus personagens, suas reações e relações com a introdução individual de cada um. Nisso, vocês podem incluir novos NPCs e inventar diálogos sem qualquer intervenção minha (desde que, claro, não incorra em vantagens em regras para si).

Ao final de seus posts, deverá conter a reação ao encontrar uns aos outros (considerando suas aparências etc), o problema em questão e o que farão exatamente.

Atualizações serão nas segundas e nas quintas, exceto quando houver combate, quando a atualização ocorrerá sempre que chegar a vez de um NPC.
Dados dos Personagens: Inventário, XP, Riquezas
Imagem - Hoenheinn Mitternach <> PV: 30 PA: 1 PM: 5 PE: 3 CA: 15 <> Música de Bardo: 5 <> Destruir o Mal: 1 <> Domínio da Viagem: 1 <> Bênção da Durabilidade: - <> Condição:
Imagem - Yeron <> PV: 18 PA: 1 PM: 11 CA: 15 <> Escuridão: 3 <> Item de Poder: 1 <> Magias Preparadas: a escolher <> Condição:
Imagem - Bror Hildson <> PV: 27 PA: 1 CA: 17 <> Orientação: 3 <> Flechas: 20 <> Condição:
Imagem - Sabbah <> PV: 18 PA: 1 CA: 18 <> Condição:
Imagem - Audamor de Montaine <> PV: 30 PA: 1 PM: 10 CA: 19 <> Virotes: 10 <> Canalizar energia positiva: 3 <> Magias Preparadas: a escolher <> Condição:

Próxima Atualização: 03/12
Editado pela última vez por Mælstrøm em 15 Ago 2019, 16:10, em um total de 3 vezes.

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Maggot
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Re: Herança Tirânica

Mensagem por Maggot » 29 Nov 2018, 12:37

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- E se estiver morto senhor? Quer que o enterre? Ou traga o corpo para que possam se despedir como família? E sobre o dragão... Alguma chance da notícia de sua morte ser falsa? Pelo o que estudei, são criaturas brilhantes, dependendo de sua cor. Não seria dificil para um se esconder e viver de tributos.
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- Então... Que traga o corpo. Se meu irmão estiver morto, que seja enterrado entre seus entes queridos. Mas imagino que o dragão esteja morto rapaz. Quase certeza que sim. Fecharemos com 50 tibares de ouro então, está bom para você?
O rapaz sorria, ajustando as lentes escuras que cobriam os olhos que há tanto escondia enquanto acenava positivamente com a cabeça. Estava vivendo naquele lugar fazia algum tempo. Preferiria dormir no estábulo, longe da família de seu anfitrião. Não por educação, nada disso. Era por uma certa paranoia. Do jeito que elas o olhavam, apesar de hilário, ele já esperava uma faca no silêncio da noite se dormisse lá dentro. E preferia não ser forçado à assassinar as filhas de um anfitrião que fora uma das raras pessoas que haviam o tratado bem. Talvez um dia elas melhorassem sob criação do pai. Era o que ele desejava pelo menos. Enquanto negociava, ele via o olhar delas para ele. Tremiam levemente ao lhe entregar comida por mando de seu pai. Um cortesia. "Será que está envenenada?" se pegou pensando mais de uma vez.

Rodou uma faca em sua mão, movendo-a entre os dedos, antes de fincar em um pedaço de queijo e levar à boca. Queria vinho, mas não o ofereciam. Idade, diziam. Ele odiava aquilo. Já havia tirado vidas, podia beber se quisesse. Mas não seria com aquele homem que iria reclamar. Pensou em seu alvo de resgate. Um mago. Vivo ou morto, Sabbah já sabia como seria pago. Descartaria o dinheiro. Ele queria os livros.
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- Eu o trarei senhor... Não se preocupe. E então poderemos discutir sobre esse problema de goblinoides, se ainda for algo relevante. E se estiver disposto à negociar. Matar goblinoides é quase minha especialidade.
O homem apenas sorriu e balançou a cabeça. O rapaz sorriu em resposta.

------*-------


Algum tempo havia se passado desde aquilo, e o rapaz já estava com o pé na estrada. Cavalgava pela estrada, até ver a mesma impedida. A entrada da cidade não estava longe, mas aquilo apresentava um problema. O rapaz suspirou, fumaça escapando de sua boca naquela manhã tão gelada. Deixou seu cavalo ali, e se sentou na beira da estrada, atento à tudo o que vinha ao seu redor. Barreiras em estradas quase sempre significavam armadilhas. Não muito tempo se passou, e outros viajantes foram se juntando à ele.

Três humanos aparentemente. Cabelo comprido em um deles, os outros dois de cabelo curto. Um carregava um arco, mas não apresentava sua aparência, oculto por um grande manto negro. Interessante. Teria que tomar cuidado com ele, se resolvesse apresentar risco. Homns misteriosos. Os outros dois se mostravam mais abertamente, mas não por isso menos perigosos. Esperava que fossem amistosos. Se fossem inimigos, teria dificuldades em matá-los. Teria de fugir. E o outro, o não humano, um estranho homem com chifres e pele avermelhada. Pelo o que havia lido, eram criaturas exóticas chamadas sulfure. Carregava uma capa de couro nas costas com uma aparência certamente diferente. Se deixou ficar fascinado por alguns segundos e acenou para eles, preferindo ignorar o brilho que via no meio do entulho. Poderia ser valioso, sim. Mas sua desconfiança o impedia de simplesmente ir até ali. Uma infância regada à desprezo e inimizades criava um jovem desconfiado, ele reparara.
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- Se estão indo para Mehnat, eu tenho más notícias senhores.
A lâmina sob seu braço estava preparada. A escondida em sua bota também. "Vamos jogar então."
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- Six shots...
#FreeWeizen

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Padre Judas
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BROR HILDSON

Mensagem por Padre Judas » 29 Nov 2018, 13:50

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Havia sido uma longa jornada até então. Bror partira de Tollon até Tyrondir onde permanecera muitos anos em confrontos contra goblinoides, orcs e outras criaturas que serviam na Aliança Negra, mas agora estava em Sambúrdia.

O caçador tocou o olho que faltava enquanto encarava os corpos dos hobgoblins. Selvagens. Desprezava-os, odiava-os. Havia sentido o mal que possuíam no sul e nunca esqueceria. As mortes, as torturas. As vítimas.
Bror Hildson
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– Que os deuses guiem-no em sua jornada, Mestre Khoras. Que encontre Tibar e compartilhe de sua riqueza.
Não era devoto do Deus do Comércio e da Riqueza, mas havia encontrado um tibar de ouro preso a uma corrente – imaginava que o homem usava aquilo como um símbolo de sua Fé e para Bror a Fé era algo importante.
Bror Hildson
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– Ó, Tenebra, minha Senhora, receba esta oferenda como um singelo agradecimento por Vossa proteção.
Cavou um buraco mediano e ali largou algumas moedas de ouro. Tenebra era ela mesma uma divindade das riquezas, pois reinava nos subterrâneos onde os minérios e gemas brutas estavam. Ao enterrar a riqueza, Bror acreditava que a Deusa receberia a oferta de modo apropriado.

Olhou os cadáveres dos goblinoides com indiferença – se queriam viver como bestas, que fossem devorados pelos carniceiros como elas. Enquanto jogava as moedas orou à sua Deusa que os punisse em seu reino sombrio. Ela não era uma divindade justiceira, mas gostava de dar presentes. O caçador da noite sorriu.

Leu o diário rapidamente, mas o que lhe atraiu foi o outro livro. O do nobre. Poderia haver uma recompensa ali. Também parecia correto dar ao espírito de Garlan – e à sua família – algum descanso. Além disso, em Mehnat poderia encontrar um modo de enviar os pertences de Khoras à sua família.
Bror Hildson
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– Somos colegas aventureiros, afinal de contas. Você também, Khoras.
Falou para a escuridão enquanto lia e bebia um gole de vinho do odre. Infelizmente nada poderia fazer pelos dois aventureiros anônimos – era um risco que todos eles assumiam, de desaparecer para sempre e deixar o mundo para trás.
Bror Hildson
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– Certo, hora de botar o pé na estrada. Não quero estar por aqui quando os carniceiros vierem.
Partiu, abraçado pelas trevas.

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Amanhecia e Bror estava preocupado com os muros desguarnecidos, os portões escancarados e uma barricada. Algo ruim havia ocorrido ali.

Momentos antes cobrira-se com a burca que utilizava para proteger-se do agressivo Azgher, o ciumento Deus do Sol que não tolerava que os seguidores de sua inimiga caminhassem impunes sob sua vista e roubava-lhes o poder sempre que tinha a oportunidade.

Não estava sozinho. Havia encontrado quatro estranhos na estrada. Um deles era um demônio – um sulfure, para ser mais exato. Bror não tinha preconceitos e tipos incomuns eram naturais entre aventureiros, então apenas deu de ombros.
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- Se estão indo para Mehnat, eu tenho más notícias senhores.
Bror Hildson
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– É, rapaz, eu percebi. Bem, não vim de tão longe pra voltar pra trás... acho que terei que ir dar uma olhada. E vocês?
Sua voz saía levemente abafada pela máscara, mas não havia outra alternativa.
Bror Hildson
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– Aliás, sou Bror Hildson, caçador de goblinoides e outras feras. Sou de Tollon. E vocês são...?
BAÚ DO JUDAS
JUDASVERSO

Alexander: Witch Slayer [Kaito_Sensei]
Dahllila: Relíquias de Brachian [John Lessard, TRPG]
Jonz: Tormenta do Rei da Tempestade [John Lessard, D&D5E]
Syrion: Playtest T20 [Aquila]
Takaharu Kumoeda: Crônicas do IdJ [Aquila]
Yellow: Defensores de Mega City [John Lessard]

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Lord Seph
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Re: Herança Tirânica

Mensagem por Lord Seph » 30 Nov 2018, 14:29

Tempo era tudo que Yeron tinha de sobra. Isso ficava claro quando via os jovens que encontrava aos poucos definhando até finalmente morrerem.

Com sorte via algo raro como Elfos e é até mesmo anões. Mas Yeron viveria mais que todos e isso parecia perturbador.

Talude e Thanatos pareciam compreender essa perturbação em Yeron, e virar um Necromante parecia ser um caminho adequado.
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Sim, sou um Mago e meus estudos devem evoluir junto comigo
Foi a resposta de Yeron e a busca por Astah seria o primeiro passo.

Duzentos anos havia se passado e o mundo havia mudado desde então.

Yeron começa sua jornada como investigador da Academia Arcana tendo em mente um pensamento de que a magia deve ser usada por todos, como Wynna e Talude desejam.

Mas para Yeron deveria haver responsabilidade para os praticantes. E Astah era um desses que deveria pagar, e seu destino era Sambúrdia.

Mas não foi uma jornada das mais tranquilas, muitas vezes preferindo voar para rondar a área voando antes de entrar em qualquer cidade e evitando qualquer atrito com pessoas mais simplórias.

Logo estavam novamente na estrada onde um grupo estava parado observando uma carroça tombada.

Yeron não gostava de perder tempo, mas precisava analisar a situação é evitar conflitos desnecessários.

Havia dois humanos, um ostentava o símbolo de Khalmyr com claro orgulho. O pior tipo de devoto para um Necromante dialogar. O outro era claramente Devoto de Valkaria, mas Valkaria apreciava aventureiros e Yeron era um agora.

Os outros dois não saberia dizer. Um jovem, talvez nem tivesse saído da infância totalmente usando adereços bem comuns a certos idiotas da nobreza e outro completamente coberto como se desejasse se esconder de algo ou alguém.

Os dois conversam enquanto os demais apenas observam.

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Estamos perdendo tempo aqui, com licença.

Yeron declara enquanto descia da carroça com cuidado para não abrir suas asas. Não queria criar um alarde desnecessário naquele momento.

Se aproximou da carroça e viu algo brilhando.

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Que meus olhos mostrem traços de poder
Yeron proclama seu verso mágico em busca de vestígios de magia no lugar, enquanto isso ele fala.

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Sou um mago a serviço da Academia Arcana é estarei verificando traços de magia no momento.
A voz de Yeron era clara como o céu naquele momento, mas ainda achava aquilo um desperdício de tempo.
Usei Detectar Magia na área da carroça.

Frases em negrito é eu falando em Infernal ou Abissal.

Magias Preparadas: Armadura Arcana, Escudo Arcano, Raio de Enfraquecimento x2, Compreender Idiomas, Raio Cromático x2, Crânio Voador x2.
Melhor queimar do que apagar aos poucos.
-Neil Young.
o lema dos 3D&Tistas
"-seremos o ultimo foco de resistência do sistema"
Warrior 25/ Dark Knight 10/ Demi-God.

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RoenMidnight
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Re: Herança Tirânica

Mensagem por RoenMidnight » 30 Nov 2018, 16:58

Yearnings of the Wind - Chrono Trigger
http://www.youtube.com/watch?v=hUWK7stOkeE

Haviam sido semanas cansativas na estrada, comendo apenas ração de viagem e o que acabava caçando e encontrando em árvores pelo o caminho. Era exaustivo e não era tão bom fazendo isso. Era ótimo ter um pouco de descanço, um teto sob a cabeça e algo quente e saboroso para se comer. Olhou para o pernil que a taberneira cortava com uma enorme faca. Sua boca se enchia de saliva. Foi quando ouviu um barulho a sua direita, e notou o corvo quase ao seu lado. Notou o sinete da Ordem de Valkaria no pescoço do pássaro, e a carta amarrado em uma de suas patas. Rompeu o selo e percorreu os olhos pela a mensagem.
Querido paladino Hoenheinn Mitternarch[...]
Odiava ser chamado pelo o seu título. Em sua mente voltou a lembrança da Paladina de Khalmyr que utilizava a força de seu próprio título para tentar passar por cima de certas autoridades locais de Vectora dentre outros.

Suspirou. Voltou a ler a carta.
[...]
Espero que esta carta lhe encontre bem.

Alegro-me em anunciar que você foi convocado para atender uma demanda da Catedral de Valkaria, sob os auspícios do sumo-sacerdote Hennd Kalamar[...]
Sempre que lia ou ouvia o nome do Sumo-Sacerdote brotava um estranho sentimento em seu peito e uma nova lembrança daquele dia anos atrás, quando já estava na Catedral de Valkaria em meio aos seus estudos. Naquela época ainda imaginava que se tornaria um Clérigo. Havia dias que não via o seu pai, sua mãe havia dito que tinha ele estava em viagem. Hoenheinn se encontrava na sala de aula entediado ouvindo a irmã Katarina quando viu pela a janela o Sumo-Sacerdote, na época um homem jovem e de aparência frágil que mancava. Se perguntava como ele mantinha a frente de uma religião como aquela quando simplesmente sentiu impeto e puro júbilo preencher seu peito. Engasgou tamanho era o sentimento e caiu com metade do corpo em cima da mesa onde estava. Olhou ao redor e notou que todos ali passavam por algo similar. Quando olhou novamente para Hendd notou que o sumo-sacerdote chorava, mas seus olhos não estavam tristes mas cheios de alegria.
Foi quando alguém soltou uma exclamação perto do jovem, e viu um de seus colegas apontando o dedo para ele, olhou para a cara de todos que o observava, Irmã Katarina não se esforçou em esconder a surpresa. Quando Hoenheinn finalmente se deu conta, uma coroa de luz se encontrava acima de sua cabeça. No dia em que sua deusa fora liberta de sua prisão milenar, ele próprio fora escolhido como um de seus paladinos.

Balançou a cabeça. Como uma simples carta poderia trazer tantas memórias assim?
[...]
Gostaríamos que você investigasse os rumores de um maléfico Cavaleiro de Kallyadranoch nos arredores de Mehnat, cidade a sudeste de Sambúrdia.

Como não lembro se te ensinei algo desta ordem, então, aqui vai algumas palavras: A Ordem dos Cavaleiros de Kallyadranoch é uma seita herética do deus dos dragões. Seus asseclas acreditam que Valkaria deveria ser uma "prisioneira" de Kallyadranoch como nas canções dos bardos, onde a donzela é aprisionada por um dragão. Seus planos sombrios envolvem em destituir nossa deusa de seu mundo em favor de seu maligno deus. Outros devotos de Kallyadranoch tem ojeriza por esta seita, pois como consta no final destas canções, o dragão é derrotado por um herói.

Loucos.

A Ordem dos Cavaleiros de Kallyadranoch é pouco conhecida, um bando de lunáticos e gostaríamos que permanecesse assim, pequena e isolada, facilmente destruível. Rogamos para que você descubra a veracidade de tais boatos e elimine a ameaça caso seja confirmada.
[...]
O loiro fez uma careta ao ler aquilo, até aquele momento não tinha ouvido falar sobre aquela Ordem de Cavaleiros. Soltou um suspiro, Valkaria não era mais uma donzela esperando ser salva ao fundo de um calabouço. Valkaria era uma guerreira, uma aventureira em busca de sonhos cada vez mais altos e tesouros cada vez mais fantásticos.

Esperava conseguir fazer algo além do que simplesmente mantê-los pequenos e isolados, naquele momento sentiu o ímpeto de aniquilá-los.
Atenciosamente,
Paladina Laura Bright
Apesar dos apesares é uma boa sempre receber uma carta de sua tutora. Pegou o pedaço de papel, e o guardou em sua bolsa de viagem com cuidado. Quando a taberneira já passava com o pernil perto de si pediu dois pedaços. Passou a mão fazendo um carinho no corvo, e deu a ele um dos pedaços da carne. Ficou um tempo com um semi sorriso observando o animal comer, enquanto ele próprio comia.

Mastigava de forma quase que apressada, fazendo força para conter o sentimento. Tinha uma missão a qual não podia recursar a fazer…

. . . . . . . . . . . . .
Ocarina of Time Main Theme
http://www.youtube.com/watch?v=8bfWbxZpAIM

Antes de ganhar a estrada escreveu uma resposta para sua tutora e amarrou ao pé do corvo novamente. Usou a própria cera da carta que havia vindo para lacrar a nova.
Querida Laura,

Recebi sua mensagem e já estou a viagem. Espero que quando receba essa mensagem eu já esteja retornando com o informe de sucesso.

Te manterei atualizada assim que possível.

Com os cumprimentos de seu aluno Hoenheinn Mitternach
A viagem até a Mehnat fora tranquila, quando chegou o céu estava fechado e uma brisa gélida soprava. Olhou para cima e soltou um suspiro, um tanto incomodado. Puxou a capa a fim de se proteger contra o frio e continuou sua caminhada até chegar ao ponto onde um grande entulho de madeira.

Os portões escancarados e a falta de guardas também era algo que apenas causava estranheza, fosse o que tivesse acontecendo, algo bom aparentemente não era. Será que havia demorado para chegar?

Estreitou os olhos, foi quando notou os outros que também chegavam. Seus olhos dançaram entre cada um dos que estavam ali, todos tipos muito curiosos, um garoto, um homem completamente encapuzado, outro que ostentava um simbolo de Khalmyr e ultimo… o diabo em pessoa.

Não sabia o que era o pior. Um devoto de Khalmyr ou um demônio.

Seus olhos foram ao mais jovem que de imediato disse algo que muito se lembrava com uma ameaça… ou seria um aviso?
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- Se estão indo para Mehnat, eu tenho más notícias senhores.
Antes que pudesse responder algo o outro que se mantinha encapuzado já respondia.
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– É, rapaz, eu percebi. Bem, não vim de tão longe pra voltar pra trás... acho que terei que ir dar uma olhada. E vocês?

– Aliás, sou Bror Hildson, caçador de goblinoides e outras feras. Sou de Tollon. E vocês são...?
O diabo parecia mais apressado, parecia querer tomar a frente para fazer algo.
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- Estamos perdendo tempo aqui, com licença.
Hoenheinn se precipitou a frente dele e colocou uma mão em seu peito.
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- Estamos? Até onde me consta você não parece ser o mais confiável a pisar aqui por essas redondezas. De qual inferno você saiu? É o primeiro demônio que vejo que simplesmente ignora pessoas em meio a estrada.
O homem parecia blasé com relação aos outros e não gostava daquela atitude, seria ele um dos agentes da Ordem dos Cavaleiros de Kallyadranoch? Não seria estranho que um deus tirânico como Kallyandranoch possuir demônios em suas fileiras.
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- Sou um mago a serviço da Academia Arcana e estarei verificando traços de magia no momento.
Respondeu ele. O loiro serrou um dos olhos como quem estranha.
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- Pera ai? Como? Que papo é esse Willys? O que a Academia Arcana tem a ver com uma cidade no meio do nada?
O paladino tentava não julgar a pessoa por suas particularidades, mas era difícil acreditar naquela conversa dado o contexto de que tudo estava acontecendo. Olhou para os outros, sentiu algo estranho vindo do garoto, mas tentou afastar o sentimento para um canto isolado da mente, afinal era só um garoto… mesmo que estranho.
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- Mantemos a calma aqui senhores. Esse é um encontro estranho e dado o estado da entrada dessa cidade não me parece coincidência que estejamos todos aqui.
Arrumou sua postura, descansando a destra na cintura. Disparou um olhar para todos.
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- Sou Hoenheinn Mitternach, e eu ando por ai resolvo problemas.
Se virou para o garoto e perguntou.
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- Que más notícias são essas? Uma barricada desguarnecida não me parece grande impedimento para o avanço.
Alguns deles eram estranhos e dado o contexto não podia deixar sua guarda baixa...
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Re: Herança Tirânica

Mensagem por Aquila » 30 Nov 2018, 20:09

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Audamor

Uma hora antes do nascer do sol...

Ainda era noite quando Audamor acordou, cansado demais para continuar deitado.

Uma brasa ainda ardia na pequena fogueira que ele havia acendido no centro do salão em ruínas, piscando como um vaga-lume todas as vezes que a brisa da noite serpentiava por entre as colunas arruinadas. Uma geada fria caia sobre a floresta, mas a noite estava clara e as estrelas brilhavam mais forte do que nunca.

Audamor ficou deitado por um momento, apenas olhando as estrelas, sentindo as gotas tocarem suavemente sua face.

- Maldito... Por que deixou isso acontecer - murmurou, raiva misturada com tristeza.

Um som muito fraco cortou a escuridão da noite, abafado pelo farfalhar das árvores, o mesmo som que ele havia escutado no início da noite, quando estava montando acampamento. “Uma trompa, não há dúvida,” refletiu, ouvindo o vento. Mas o som era distante. “Podem ser caçadores, ou então o povo da floresta, ou talvez sejam os tais hobgoblins do qual os viajantes estão falando...”

No fim, não fazia diferença, ele já havia perdido tempo demais dormindo.

Ele se levantou de um salto, chutando a fogueira enquanto andava na direção do cavalo, desfazendo a última brasa em faíscas que logo são engolidas pelo vento. Sem perder tempo, ele prende sua manta no alforje do cavalo, que está coberto pelo caparazão de viagem, úmido de geada.

- Perdão, velho amigo - diz, enquanto ajusta as fivelas do alforje. - Mais algumas horas e logo estaremos em casa. - O cavalo passou a noite equipado, preparado para partir a qualquer momento, e Audamor sabia que ele está tão cansado quanto ele, mas ainda assim havia muito caminho pela frente. - Promento que quando chegarmos em Mehnat, vou deixá-lo no pasto daquela égua castanha que viu quando passamos pela cidade na última vez. O que acha disso, heim?

Menos de um minuto depois ele já estava seguindo pela estrada que levava para Mehnat, os sentidos concentrados na escuridão. Cerca de uma hora depois, os primeiros raios de sol surgem no horizonte, tingindo os céus de violeta e carmesim.

Pouco tempo depois, quando o sol já surge por sobre as árvores, inundando o mundo de luz e calor, Audamor alcança outra das ruínas que margeiam as estradas de Samburdia, erguida ao lado de um riacho caudalosos - lembranças dos tempos do desbravamento - um engenho de irrigação parecido com um moinho de água, que servia para abastecer um pequeno aqueduto, cuja roda de madeira desapareceu a muito tempo.

Audamor leva o cavalo para o outro lado do moinho, onde o deixa pastando enquanto se prepara para quebra o jejum e começar suas orações matinais. Sentado ao lado rio, com o símbolo sagrado e o livro de orações em mãos, ele começa a orar à Khalmyr por sabedoria, força e justiça.
Magias preparadas
Arma Mágica, Auxílio Divino x 2, Curar Ferimentos Leves, Curar Ferimentos Moderados, Detectar o Mal x 2, Escudo da Fé x 2.
Uma hora depois, próximo a Mehnat...

O vento aumentou desde o início da manhã, lançando nuvens de folhas e orvalho sobre Audamor, mas o sacerdote parece nem notar a mudança do clima, cavalgando concentrado no horizonte.

- Estamos chegando, Alastor, - ele diz, os olhos fixos no bosque que marca o limite sul da cidade de Mehnat. - Mais um pouco e estaremos em casa...

Casa.

Desde que se tornou aprendiz de Calligor, Audamor viveu nas estradas, perambulando de cidade em cidade para pregar a palavra de Khalmyr, ajudar seus aliados, enfrentar seus inimigos, se distanciando pouco a pouco de sua antiga vida. Naquela época era tudo tão simples, deixar tudo para trás tornava as coisas mais fáceis, mas agora havia apenas incerteza.

Quando o pai morreu, Audamor ficou em Casa Montaine por alguns meses, confortando sua mãe e irmãs, até que sua missão o chamou novamente e ele voltou a se distanciar. Mas não como antes. Ele mantinha contato com a mãe e as irmãs, mas Garlan procurava se manter distante, evitando conversar sempre que se encontravam.

“Ele não estava pronto. A cavalaria sempre foi seu sonho, mas acho que ele nunca imaginou o que realmente representava...”

Foi então que Audamor sentiu algo estranho.

-Tem alguma coisa errada - disse, olhando por sobre as árvores, para onde deveria haver colunas de fumaça.

Antes que se desse conta, estava cavalgando como se estivesse em uma corrida, até que alcançou o cruzamento dos caminho, diante do portão sul da cidade.

Alguma coisa estava errada. Alguma coisa estava muito errada. Aquela hora do dia, o cruzamento deveria estar cheio de viajantes vindos das vilas fronteiriças, carregados de produtos frescos para negociar com a cidade, mas agora não havia nada além de um punhado de gente e uma barricada.

Aquilo podia significar qualquer coisa, mas a espada e o escudo já estavam preparados...

Foi então que a voz de um rapaz sentado na beira da estrada chamou sua atenção.
Sabbah disse:
- Se estão indo para Mehnat, eu tenho más notícias senhores.

Aquelas palavras o atingiram como um golpe de machado, destroçando-o.

- O que quer dizer com isso, rapaz? - Audamor disse, se virando para Sabbah como se ele tivesse profanado um templo. - O que quer dizer com más notícias? Vamos, diga?

Aquele rapaz. Havia algo nele que não parecia... certo, mas Audamor não espera pela resposta, esporeando o cavalo na direção da barricada, para onde dois guerreiros, e alguma outra coisa, estavam indo.

Enquanto se aproxima, Aldamor procura por uma forma de passar com Alastor por aquela barricada, mas não encontra nenhuma. Ele então desmonta, saltando, e então corre a passos largos até onde os outros estão reunidos. Um deles se apresenta enquanto ele se aproxima, “Bror de Tollon”, Aldamor grava seu nome, um arqueiro de rosto mascarado, mas os outros dois parecem discutir.

Um deles é um servo de Valkaria, Audamor nota o símbolo assim que se aproxima, mas é o outro que prende a sua atenção.

“Um sulfure.”

Um sentimento estranho toma conta de Audamor quando ele vê Yeron, uma sensação quente como uma chama, criada por tudo que ele aprendeu sobre o bem e mal durante suas viagens pelo reino. A simples presença daquela criatura ali, naquele momento, criava muitas possibilidades, cada uma mais terrível do que a outra, e Audamor sabia exatamente o que devia fazer diante dessas alternativas.

Mas aquilo era apenas parte das possibilidades. Haviam outra tantas que compensavam todas aquelas que exigiam a pena máxima, equilibrando-se como pesos nos braços de uma balança, e por um momento todas foram consideradas e medidas, até que o sulfure disse que era um mago da Academia Arcana.

Isso lhe garantia o benefício da dúvida.

- Podemos descobrir por que ele está aqui, depois - Audamor diz, respondendo a pergunta que Hoen fez para Yeron, enquanto se coloca entre os dois. - Agora precisamos passar por essa barricada.

É nesse momento que ele percebe o brilho no meio da barricada.

- O que é aquilo? - diz, protegendo os olhos do reflexo. - Venham, me ajudem a abrir caminho.
Ação:
Vou começar a abrir caminho pela barricada, afastando caixas, baús, mesas, cadeiras, tentando virar alguma das carroças, enquanto procuro por uma forma de contornar o obstáculo ou chegar ao objeto.
Editado pela última vez por Aquila em 03 Dez 2018, 09:04, em um total de 1 vez.

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Re: Herança Tirânica

Mensagem por RoenMidnight » 01 Dez 2018, 08:09

Hoen observava a atitude do homem, de passar por cima dele, com maus olhos.
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--Perceba a petulância do cavalo do indivíduo.
Cruzou os braços em insatisfação, com o cenho franzido comentou.
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-- Dadas as circunstâncias saber agora, pode definir tudo o que vai acontecer daqui para frente.
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Maggot
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Re: Herança Tirânica

Mensagem por Maggot » 01 Dez 2018, 11:56

?? escreveu: - O que quer dizer com isso, rapaz? O que quer dizer com más notícias? Vamos, diga?
O lefou sorriu. O homem o encrava como se ele fosse a segunda vinda da Tempestade sobre Tamu-Ra, um misto de espanto e desprezo. Quase agradeceu pela presença do sulfure ali, que chamava atenção por fora. Levou a mão esquerda à reserva de comida, pegando um pedaço de carne seca racionada e mordeu, assistindo toda quela discussão.

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- Senhores, senhores... Não vamos brigar ainda. Eu certamente perderia. Não estou muito afim disso, para ser franco. Acho que o estudante também. Primeiramente: o nome é Sabbah. Senhor Hildson, senhor Mitternach, é um prazer.
Os homens começavam a ficar físicos entre si, e o rapaz se controlava para não rir.

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- Vocês fedem à masculinidade reforçada. Posso sugerir que pelo menos paguem jantar antes que o contato físico comece? É de bom tom. Mas não é isso. Me perguntam qual a notícia ruim em uma barricada desguarnecida no meio da estrada... Pensem além. Quem fez a barricada? Porque a barricada foi feita? Sabiam que uma região por perto teve problemas com goblinoides? E sabiam que essa mesma cidade para a qual vão alguns anos atrás foi atacada por um dragão? Vamos lá. Com essas informações, eu pergunto à vocês agora. Por que razão eu diria que temos notícias ruins?
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- Six shots...
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Aquila
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Re: Herança Tirânica

Mensagem por Aquila » 01 Dez 2018, 12:02

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Audamor

Audamor ignorou o comentário do Hoen, concentrando-se em retirar os obstáculos da paliçada. Uma das primeiras lições que aprendeu com Calligor era como ignorar provocações e ofensas, mesmo aquelas que a maioria das pessoas considerava imperdoáveis, mas a verdade é que naquele momento nada disso importava.

"Poderoso Khlamyr, proteja-as", era seu único pensamento enquanto puxava uma pesada mesa de madeira e a jogava para trás. A mesa quase cai sobre Hoen, mas Audamor nem nota, pois já agarra outro obstáculo, uma carroça quebrada, tombada.

Ela dá um puxão forte na carroça, mas sua força não basta para movê-la...

- Ei, você, me ajude com isso - ele diz, se virando para Hoen. - Precisamos passar por essa barricada. A cidade... Alguma coisa grave aconteceu.
A tentativa de derrubar a carroça com a ajuda de Hoen é apenas para reforçar a ação de passar pela paliçada e descobrir o que é o objeto brilhante.
Editado pela última vez por Aquila em 01 Dez 2018, 12:12, em um total de 2 vezes.

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BROR HILDSON

Mensagem por Padre Judas » 01 Dez 2018, 12:09

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Aff. À exceção do seguidor de Khalmyr, todos os demais pareciam ter esquecido educação. Bror olhou para eles com frieza, mas a máscara não lhes permitia ver suas expressões.
Bror Hildson
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– Sim, é óbvio que a cidade foi atacada. Devemos ver qual a situação, se está ocupada ou foi saqueada e abandonada. Eu pelo menos vou lá ver e imagino que Mitternach também irá. Posso ir sozinho, furtivamente, exceto se o demônio sem nome preferir avançar usando alguma magia de invisibilidade.
BAÚ DO JUDAS
JUDASVERSO

Alexander: Witch Slayer [Kaito_Sensei]
Dahllila: Relíquias de Brachian [John Lessard, TRPG]
Jonz: Tormenta do Rei da Tempestade [John Lessard, D&D5E]
Syrion: Playtest T20 [Aquila]
Takaharu Kumoeda: Crônicas do IdJ [Aquila]
Yellow: Defensores de Mega City [John Lessard]

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