Herança - Ato XVII - O Resgate de Paola

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Keitarô
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Re: Herança - Ato XVII - O Resgate de Paola

Mensagem por Keitarô » 27 Abr 2018, 14:59

— Vamos, então. Seja o que Paola tiver que chame a atenção desse louco, ela corre perigo.

Mas na verdade Alyssa se sentia um pouco confusa. Como fariam para ir atrás dela? Um pouco de conversa mole na cidade poderia chamar atenção errada, já que talvez informações a respeito do druida não fossem conhecidas por pessoas não relacionadas. Além disso, ser discreto era sempre uma boa estratégia, mas não tinha noção de onde ele poderia estar, nem como chegar até ele.

— Algum palpite de como podemos chegar até Dejan? Ou… até onde as pessoas que ele prende poderiam estar — de novo pensando no alvo, e não no objetivo.

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João Paulo
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Re: Herança - Ato XVII - O Resgate de Paola

Mensagem por João Paulo » 28 Abr 2018, 18:34

— Algum palpite de como podemos chegar até Dejan? Ou… até onde as pessoas que ele prende poderiam estar — de novo pensando no alvo, e não no objetivo.


— Não só isso, gostaríamos de saber tudo o que possa nos ajudar no resgate da jovem Paola — Com um tom confiante, mas ainda preocupado — Saímos há pouco de uma situação complicada, não podemos nos meter em outra às cegas. Acredito que os cavalheiros poderiam nos ajudar com isso — Tentou com uma intimidade que ainda não tinha.

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Armageddon
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Re: Herança - Ato XVII - O Resgate de Paola

Mensagem por Armageddon » 03 Mai 2018, 00:11

- Bem, não há muito mais o que saber além do que já contamos para vocês - respondeu Albano coçando os olhos com as costas da mão engorduradas, a faca de caça indo e voltando na direção de Décio, que a evitava com facilidade.
- É, ele já disse mais do que podia. Juro que sim. - confirmou o grandalhão.
- Quando a vi, ela estava aprisionada em uma espécie de ritual no segundo pavimento da prefeitura - lembrou Selene, espiando pela janela. Porém, isso foi ontem. Duvido que esteja lá até agora.
- A Milena estava presa na mina de prata - lembrou Alyssa - E também vimos aquelas celas. Com todos aqueles...
- Melhor não falar mais nisso, pequena - cortou Nick sentindo o quanto a lembrança da terrível visão dos corpos queimados no subsolo afetava a garota - Há de fato uma chance dela ter sido levada até lá depois de terem feito sabe lá o que fazem com essa gente.
- Não, ela não pode estar na mina - explicou Petúnia - Se levassem pessoas assim lá pra baixo com frequência, eu saberia, porque os goblins saberiam também e eles viviam me contando tudo de tudo.
- Então deve haver algum outro lugar - pensou Selene, os cotovelos apoiados na janelinha de madeira.
- Será que vocês não poderiam sondar o lugar por nós? - tentou Nick.
- Isso está totalmente fora de cogitação - cortou Albano, encerrando o assunto - Não temos nada a ver com essa tal Paola, mas temos tudo com Folha Prata.
- Ele está falando a verdade aqui. Não podemos nos queimar em Folha Prata.
- Eh awondi isse thial deh Dejuan mowha? - perguntou Gard.
- Ele não é daqui não, juro. Ele é de Follen - respondeu Décio, que entendia o idioma de Gard.
- Pode ser inclusive que já tenha voltado pra lá - sugeriu Albano com um dar de ombros, enquanto cortava outra tira de toicinho.

Do lado de fora da cabana, enquanto falavam, Kenlee havia experimentado uma das sensações mais estranhas e fantásticas de sua curta e atribulada vida. Após conjurar uma magia para definir que tipo de encantamentos estavam ocultos naquela caixinha de madeira, confirmou a sua suposição inicial de que tudo nela era mágico, desde a madeira até os pregos, passando pelos entalhes e também por aquilo que ela ocultava. Ao ter certeza de que não era capaz de abrir o objeto com magia, tentou em vez disso mergulhar um pouco mais nele para definir o que ele guardava. Foi então que algo de fato começou.

Sentiu como se sua consciência houvesse caído para dentro da caixa, e continuasse avançando cada vez mais para o interior dela em uma espiral aparentemente infinita.
Imagem
Conforme descia, com uma velocidade cada vez maior, podia assistir vislumbres da busca por invasores nas imediações, da noite mal dormida, ainda que estranhamente reconfortante, os corpos queimados na mina de prata, e também da batalha contra Peritus.

Mais ainda, viu os preparativos de Peritus para emboscar o grupo, e antes disso uma longa e tensa reunião entre o minotauro e um elfo de aspecto selvagem, que trazia uma senhora idosa amarrada pelos pulsos consigo. Não estava sozinho, haviam outros homens e mulheres próximos, e tinha certeza de que eram druidas, ainda que não soubesse exatamente como.

Assistiu uma batalha durante a noite, em que o druida emboscou uma lobisomem, e era fácil compreender de que se tratava na verdade da tal senhora. Por um instante, ínfimo, notou Selene e Alyssa dormindo protegidas em uma casinha oculta na floresta, porém, a sua mente se apegou na mulher, que agora sabia, era Paola.

E então as coisas ficaram realmente rápidas. As Guerras Táuricas ainda não haviam acontecido e Tollon era um lugar diferente, assim como todo o Reinado. Paola era jovem e forte, e em algum momento matou alguém. Um sujeito inocente e apaixonado, que descobriu a maldição dela tarde demais.

E antes havia uma irmã, que havia fugido de casa para a floresta porque o pai bebia e se tornava de fato ruim. E então o pai dela era jovem, e havia perdido tudo numa mesa de wirth em Ahlen, e agora precisava voltar para casa e contar a família que havia gasto todo o dinheiro que tinham juntado. Agora não tinham mais como pagar ao clérigo para curar o patriarca gravemente ferido em um acidente com uma árvore.

E a árvore também retrocedia, se transformava em uma semente que caiu do bolso de um sujeito qualquer, e quando deu por si, Kenlee estava gritando, com Selene sacudindo seus ombros.

- Kenlee! - implorou ela. Todos já estavam do lado de fora, reunidos no entorno do mago, em estado catatônico. No chão, jazia a pequena caixa de madeira imóvel.

Segue o barco. Kenlee pode 'despertar' já a partir da próxima ação do D'zilla. =)

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Mago Dzilla
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Re: Herança - Ato XVII - O Resgate de Paola

Mensagem por Mago Dzilla » 03 Mai 2018, 21:51

— Estou bem, estou bem!! - respondeu Kenlee, esquivando-se do contato tanto da caixa quanto das pessoas ao redor. Banhado em suor gelado, os cabelos recuperando lentamente a cor após terem ficado anormalmente brancos, o tolloniano tentava em vão fixar o torvelinho de imagens que haviam acabado de assolar-lhe a mente.

— Essa... Paola. Ela... ela não... não é indefesa! - gaguejou o rapaz, tentando fornecer informação suficiente, mas sem ser demasiada. A concentração em manter a criatura mágica mesmo sob aquele estresse também cobrava tributo à articulação do rapaz, bem como as imagens do próprio passado que surgiram entremeadas com o fluxo principal de informações oriundo do que quer que fosse o objeto trancafiado. Apontando o objeto, Kenlee tentou articular as percepções que tivera, enquanto ainda conseguia retê-las.

— A caixa. Não é só um receptáculo. Foi feita para... manter o "fora" e o "dentro" separados, pois no interior o "antes" e o "depois" foram tornados... fluidos sob fusão reversa... perigoso...

Sentou-se contra a parede, cobrindo o rosto com as mãos. A cabeça doía terrivelmente, e de súbito retirou as mãos com receio de ver sobre si a entidade que o transformou. Estava ainda nos arredores de Folha Prata. Não era ilusão.

O que era real?

— É um objeto mágico de poder considerável. Além dessa pequena caixa, deve ter havido outro receptáculo maior, um tipo de baú ou uma sala com proteções, ou algo... só sei que essa coisa estaria mais segura em algum lugar... em algum lugar como a Academia Arcana. Lembro que meu pai disse uma vez que havia uma passagem para lá em Malpetrim.

— Sim, mas e Paola? Fale sobre ela! - disse o meio-golem, olhando para a esquerda de repente, com uma voz roufenha.

— Sim, já ia falar! - respondeu Kenlee, voltando o rosto à direita, e depois olhando para frente — Ela não deve... acho que ela não foi... não foi... mais maltratada do que o necessário (preferiu omitir a expressão "executada"). Mas em algum lugar de Folha-Prata deve existir um lugar para onde levariam... alguém ou alguma coisa muito perigosa. Senior Albano, conhece algum lugar assim na vila?

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Armageddon
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Re: Herança - Ato XVII - O Resgate de Paola

Mensagem por Armageddon » 03 Mai 2018, 23:34

- Na cidade, a prefeitura é o lugar mais bem guardado - conjecturou Albano riscando a mesa com a ponta da lâmina - Mas há um outro lugar sim. Se fosse meu papel decidir onde guardar algo perigoso demais, eu mandaria pra lá e deixaria do lado de fora dos muros. Longe das pessoas, entende?
- Fora? - perguntou Kenlee farejando algo.
- Isso. A cidade era bem maior antes, quando tinha prata aqui - explicou Décio.
- Não dá pra ver desse lado, porque a floresta já encobriu tudo - retomou Albano - Ao norte estão as ruínas daquele tempo. Hoje somos poucos, acho que não chegamos a noventa. Mas na época da prata tinha dez vezes esse número de pessoas em Folha Prata. O que restou da cidade grande ficou pra lá.

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Re: Herança - Ato XVII - O Resgate de Paola

Mensagem por Tiagoriebir » 05 Mai 2018, 01:36

Ante a menção de Kenlee, de que a caixa deveria estar em outro lugar, ela tomou novamente o objeto do chão e guardou entre seus pertences. O jeito como ele falava demonstrava certo desequilíbrio... Teria sido efeito da experiência de contato com a caixa?

— Você... Você viu algo sobre... Sobre mim? — perguntou ao mago. — Eu cheguei à caixa seguindo uma... Intuição. Até então, não sabia da existência dela. Acho que... Acho que posso estar ligada à ela de alguma forma.

Tinha ainda um infinito de perguntas, mas as conjecturas de Albano tiraram o foco da ladina de si mesma. Sua amiga aprisionada era mais importante.

— Falamos disso depois — afirmou decidida, e voltou-se para os demais. — Se Paola pode estar nesse lugar que vocês disseram, não podemos perder mais tempo. Não vou pedir a ninguém que acompanhe a mim e Alyssa, mas quem achar que deve vir será bem-vindo. Pelo visto vamos precisar de toda força que pudermos.

Aguardou um instante para os colegas se manifestarem. Então dirigiu-se aos donos da casa.

— Décio, Albano, obrigado pela hospitalidade e desculpe pedir um pouco mais, mas... vocês sabem se há algum caminho rápido para as ruínas, que não passe pela cidade habitada? Entendo se não quiserem ir conosco até lá. Apenas indiquem a direção.
Tentando usar a parte colorida da massa cinzenta.
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Re: Herança - Ato XVII - O Resgate de Paola

Mensagem por Mago Dzilla » 05 Mai 2018, 09:27

– Eu as acompanharei, signorinas. - respondeu Kenlee, recompondo-se. Absteve-se de mencionar o intuito de guardar e proteger as mulheres, já observara que por qualquer motivo seus motivos não eram compreendidos, ou bem aceitos, pelos estrangeiros.

A caminho das ruínas, partilharia com os colegas de jornada todo o teor da visão que tivera.

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João Paulo
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Re: Herança - Ato XVII - O Resgate de Paola

Mensagem por João Paulo » 06 Mai 2018, 09:26

— Bem, pessoal, já exigimos demais dos nossos novos amigos. Agora temos que fazer a nossa parte. Muito obrigado — encerrou Nick.

Ter que voltar ao encontro os minotauros trazia sentimentos conflitantes ao jovem Nick. Não queria ficar preso novamente, mas não poderia ficar sem fazer nada diante da situação onde há pessoas em risco. Para isso os deuses haviam abençoado com os seus dons, ou pelo menos era nisso que ele acreditava.

— Bem, amigos, o quão conhecidos vocês são dos minotauros? — Nick tentava esboçar um plano — Tirando o tal do Peritus, que já não é mais problema, quais as chances de vocês entrarem na cidade e serem reconhecidos? — Esperou a resposta por um mínimo possível e emendou — Poderíamos dar uma volta por lá para analisarmos nós mesmos a situação. Pra mim seria um pouco complicado, pois acredito que os minotauros tenham um cartaz de procurado para minha pessoa por motivos de desinteligência em outras oportunidades mal entendidas — desconversou — Mas poderia tentar me camuflar e ver no que dá.

O pouco tempo que passou com os novos companheiros, aliado ao tempo que atua se aventurando pelo reinado, deram a Nick um pouco de noção do que os seus novos companheiros podem fazer. E era isso que ele estava tentando mostrar a eles.

— Acredito que se somarmos nossas habilidades poderemos resolver isso sem muitos problemas. Mas temos que planejar nossos passos muito bem.

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Keitarô
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Re: Herança - Ato XVII - O Resgate de Paola

Mensagem por Keitarô » 07 Mai 2018, 01:56

O mal-estar de Kenlee e sua descrição ainda incompleta fascinaram Alyssa. O que ele tinha visto? Sua curiosidade dizia para si mesma que ela deveria saber um pouco de magia e seus mistérios — com certeza saberia mais sobre… sobre… qualquer coisa. Talvez nem se tratasse de saber, mas de vivenciar. Poderia vivenciar mais, sem necessariamente ter de experimentar todas as vivências na pele.

Guardou para si o vislumbre do poder mágico. A inveja branca se transformou também em questionamento: quando olhava para "dentro" de si, e tomava emprestado o poder do anel de energia, estaria usando magia? Tentou se lembrar da primeira vez em que conseguiu fazer isso, mas não se lembrou, pois era uma criança. Começou tendo visões em sonhos de alguém a orientando a chegar até o círculo de energia variável.

Voltou ao presente. Não era hora para aquilo. O tempo rugia e o grupo precisava seguir. Julgou já terem informações suficientes para começar.

— Agradeço a todos. Você também vai, né, grandão? — deu dois tapinhas no peito de Gard. — Acho que podemos seguir para essa zona abandonada primeiro, e verificar o que há por lá, e--

"Motivos de desinteligência em outras oportunidades mal-entendidas".

A barriga de Alyssa começou a doer enquanto ela se retorcia internamente para suprimir um gargalhar desesperadamente poderoso. Algo naquela expressão era muito engraçado para ela. Mas como explicar? Talvez o paladino ficasse envergonhado. Virou para o outro lado e deu alguns passinhos, fingindo interagir com o exterior da casa, folhas, enquanto ria baixinho. "Desinteligência, hahaha…"

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Matheus
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Re: Herança - Ato XVII - O Resgate de Paola

Mensagem por Matheus » 07 Mai 2018, 06:13

Petúnia estava de olhos arregalados, olhando para Kenlee.

— Essa caixa é da boa hein? Bateu uma onde forte no cara de lata! — Disse Petúnia, enquanto se aproximava e olhava a caixa de perto, intrigada.

Petúnia estava receosa com tudo aquilo. Essas pessoas tinham acabado de matar o minotauro bam bam bam da área e agora queriam ir direto pro olho do furacão. Com certeza não era a escolha mais segura, mas sem duvida seria interessante. E andar sozinha por ai era um risco cada vez mais maior...

— Olha, eu to com vocês até surgir uma opção melhor... Não sou procurada por essas bandas e os minotauros não ligam muito pra uma goblin perdida por ai... Por mim, uma mão lava a outra, eu cuido de vocês e vocês cuidam de mim — Petúnia terminou com um sorriso largo e um sinal de "OK" com a mão.

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