Herança - Ato XVIII - A Cidade Velha

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Keitarô
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Re: Herança - Ato XVIII - A Cidade Velha

Mensagem por Keitarô » 15 Jun 2018, 23:13

Alyssa ficou sem entender. Por um momento, tinham de ficar na mansão, mas em seguida Selene estava saindo no meio de todos. Kenlee resolveu seguir, sem falar nada.

A garçonete resolveu por não questionar.

Movimentando-se rapidamente para acompanhar a rápida empreitada do pequeno grupo, chegou junto de Kenlee na tentativa de conseguir alguma informação com o mago.

— Mas Kenlee, todos estão indo para a floresta… não é meio estranho chegarmos do nada atrás de trabalho?

Já na taverna, esperou a resposta do taverneiro para tentar jogar um pequeno charme e tentar entender o que estava acontecendo.

— Aliás — mexeu nos cabelos, olhando ao redor. — Vimos umas pessoas indo na direção da floresta próxima. Havia certa comoção. O que está acontecendo?

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Armageddon
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Re: Herança - Ato XVIII - A Cidade Velha

Mensagem por Armageddon » 25 Jun 2018, 22:50

Gard observou a saída de Selene, e, graças aos gestos precisos da ladina, compreendeu que a situação exigia cautela e silêncio. Confirmou com a cabeça, tentando se fazer entender sem falar. Em seu íntimo, decidiu que tentaria aprender um pouco daquela língua estranha para não atrapalhar os colegas. Já estava pegando o jeito com as palavras, inclusive. Era um som diferente, meio mole.

- Wou fhal alar bacin - tentou.

Selene sorriu, feliz por se fazer entender. E, logo após, se esgueirou porta afora e tomou a rua. Estava muito escuro ainda, e com a partida da comitiva com suas tochas, apenas as estrelas no céu noturno iluminavam a noite. Fios de luz escapavam das frestas nas paredes e portas, assim como traçavam longos riscos nas ruas ao se infiltrar entre os vãos das janelas fechadas com madeira. Era um ambiente propício para ela. Em poucos instantes, já estava longe, aproximando-se do grupo de busca na entrada da floresta.
Foram dois sucessos seguidos! 6 na rolagem de se fazer entender pelo Gard, e outro 6 para passar despercebida. Tão despercebida que deixou o grupo confuso!


Kenlee se distraiu apenas por um segundo com as visões do lince de gelo, e quando olhou novamente, Selene já havia sumido. Observou que Alyssa e Gard estavam igualmente perdidos e o seguiam, e por isso rumou até o primeiro lugar que encontrou com uma tabuleta e que estivesse iluminado naquela hora tardia. Precisou bater algumas vezes para que uma fresta surgisse. Um olho curioso e surgiu do outro lado do portão, que se abriu em seguida com um rompante.

- Pelos bigodes de Phylidio, o que estão fazendo ai fora? - ralhou uma voz rouca arrancando as correntes e travas da porta e a abrindo rapidamente - Entrem logo, seus bufões! Não ouviram os lobos? Entrem, entrem!

Kenlee, mal humorado, tentou argumentar contra aos impropérios daquele senhor, porém, ele não lhes deu ouvidos e empurrou os três para o lado de dentro, logo após trancar todas as portas novamente, com trancas, aldravas e um calço de madeira reforçada. Era uma taverna grande e o resto de um bom fogo ainda crepitava na lareira. Haviam cabeças de lobo empalhadas em vários lugares. Também uma única de um urso, e vários os chifres de animais distintos. Não havia mais ninguém ali, exceto pelo senhorzinho enfiando num camisolão de dormir.

Alyssa se sentiu confortável ali. Lembrava um pouco as tavernas em que havia cantado em Ahlen, ainda que a única pessoa que pudesse flertar era justamente o velho que, mexendo os bigodes sob o nariz bulboso, falou:

- Tiveram muita sorte em chegar aqui vivos. Os lobos estão impossíveis esta noite! Parece que pegaram uma criança. Os clientes ficaram malucos e saíram todos a caça! Já estava pronto pra me jogar na cama quando ouvi as batidas na porta. Já aviso, hoje não servirei mais ninguém. E só não os coloco pra fora porque seria como mandá-los para morte.

- Na verdade, somos aventureiros em busca de trabalho - tentou explicar Kenlee - Viemos...
- Deixe adivinhar: procuram por problemas e prata. Conheço o tipo de vocês, conheço sim. Bem, então estão com sorte, acho. Há um bocado de problemas hoje, e estamos sentados em cima do maior filão de prata de toda Tollon.
- Só por curiosidade - pediu Alyssa com o melhor sorriso do qual era capaz - Esta cidade é mesmo Folha Prata?
- Até onde posso jurar, é sim, belezinha - respondeu o taverneiro remexendo os bigodes após um longo bocejo - Bem vindos a maior cidade ao norte de Follen!
Roleplay, jovens. Selene, como o grupo se separou, vou narrar um capítulo a parte pros acontecimentos na floresta.

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Keitarô
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Re: Herança - Ato XVIII - A Cidade Velha

Mensagem por Keitarô » 26 Jun 2018, 21:24

— Ah, que bom — disse Alyssa, suspirando e mexendo nos cabelos. — Tivemos um pequeno problema no último trabalho, quando fomos vitimados por uma armadilha mágica… eu não entendo muito, mas ele aqui falou que elas podem mexer com nossa noção de tempo e lugar. Que dia e ano é hoje mesmo, só para garantir? Hehe~

Um frio na barriga de Alyssa começou a embrulhar seu estômago. Estavam cogitando viagem no tempo, mas não sabia como reagiria caso isso fosse confirmado. Voltar ao tempo normal parecia complicado. E ainda tinham perdido Selene, embora a ladina soubesse se virar sozinha.

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Mago Dzilla
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Re: Herança - Ato XVIII - A Cidade Velha

Mensagem por Mago Dzilla » 15 Jul 2018, 21:42

— Bem, signor, o fato é que estamos, erm... há muito tempo sem visitar uma cidade. Missões longas, pouco lucrativas, e todo tipo de azar. Uns minotauros nos atrasaram ainda mais, mas não gostaria de incomodá-lo com detalhes tediosos. Quem seria a pessoa encarregada que nos poderia contratar e explicar os problemas que podemos ajudar a resolver?

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Armageddon
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Re: Herança - Ato XVIII - A Cidade Velha

Mensagem por Armageddon » 03 Out 2018, 20:16

- A essa hora da noite, não há ninguém, meu bom camarada - falou o taverneiro - Mas quem paga as contas aqui é Jenny. É uma mulher decente. É jovem, mas conheço bem os pais dela. Não são de fazer encrenca.

- E quanto ao ano? - insistiu Alyssa.

- Bem, ainda estamos em 58 até onde sei, pequena. Bateu a cabeça ou algo assim?

Gard ouvia a algaravia dos companheiros e do taverneiro gorducho sem compreender exatamente o teor das palavras, ainda que os olhares e gestos deles dissessem muito do que estava acontecendo. Kenlee afundou o rosto na palma da mão humana, com um profundo e nervoso suspiro. Alyssa, por sua vez, deixou cair o queixo, olhando um pouco para o sujeito de bigodes, hora para Kenlee.

Segundos depois, o mago, visivelmente irritado, apontou para o caminho que haviam feito, gesticulando nervosamente. Alyssa tentou acalmá-lo, e parece ter tido algum sucesso, já que, num suspiro final, o mago se acalmou e disse. Gard não entendeu as palavras, mas o taverneiro, sim.

- Quer dizer que vocês também são do futuro? - gargalhou, as mãos na barriga proeminente.
- Espere, o que você quer dizer com também? - inquiriu Kenlee.
- Bem, não faz nem dois dias, um sujeito estranho passou aqui por Folha Prata com a mesma conversa maluca. Talvez seja bom eu me preocupar. Deve ser contagioso.

Roleplay, galera.
E desculpe a demora =D
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Re: Herança - Ato XVIII - A Cidade Velha

Mensagem por Keitarô » 05 Out 2018, 03:24

A princípio, Alyssa pensou em fingir que estava tudo bem com a informação do ano. No entanto, seu corpo reagiu antes que pudesse tomar qualquer ação. Estar num tempo estranho era extremamente incômodo, comparável a um problema insolúvel que não consegue se aceitar, ainda assim.

Tentou acalmar Kenlee, ainda pensando em como disfarçar.

— Não, Kenlee, era como estávamos conversando, e...

A informação do taverneiro, porém, de que alguém passara pelo mesmo dois dias antes era sem dúvidas importante. Mais alguém, além do grupo, havia mexido com o que não devia, e de alguma maneira fora movido para aquela época.

— Ah… ah é? Que curioso — ela mexe nos cabelos, acalmando-se um pouco, e voltando para o balcão. — E como ele era? Deixou nome, ou alguma informação? Talvez o conheçamos!

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Re: Herança - Ato XVIII - A Cidade Velha

Mensagem por Armageddon » 05 Out 2018, 13:40

- O nome... Desculpe, moça. Não tenho certeza - confessou o taverneiro, um pouco encabulado pela beleza incomum de Alyssa - Talvez o nome dele fosse Anna. Ele falou de uma Anna, várias vezes. Foi tudo muito estranho, já que era um elfo. Acredita nisso? Um elfo, aqui na minha taverna!

O estranhamento fazia bastante sentido, pensou Alyssa. Em um passado tão remoto quanto aquele, Lenórienn ainda não havia sido devastada pela Aliança Negra e os elfos continuavam isolados e evitando o contato com outras raças. O taverneiro continuava falando:

- Também lembro que ele estava procurando por alguém. Pode ser essa tal de Anna, talvez. E também disse que sofria de uma doença crônica, o que só pode ser essa loucura do tempo. Por isso o botei pra fora.
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Re: Herança - Ato XVIII - A Cidade Velha

Mensagem por Mago Dzilla » 10 Out 2018, 00:13

—Bem, se os tais lobos estão tão imprevisíveis, é possível que voltem para atacar. Devemos estar preparados para qualquer eventualidade.

A criatura de gelo havia ficado lá fora. Voltou a olhar através dos olhos do construto, e o fez dar uma volta em torno do quarteirão da taverna, inspecionando os cantos e sombras.

— Mas receio que só possamos lidar com um mistério impossível de cada vez. - murmurou Kenlee, mais para benefício de Alyssa do que para o taverneiro. Então, falando mais alto, perguntou algo diretamente a ele.

— O indivíduo de aparência élfica não terá por acaso deixado algo de suas posses para trás? Algo que o senior tenha encontrado após fazê-lo partir? Poderia nos ajudar a deslindar ao menos parte dessa história cada vez mais confusa.

"Doença crônica" fazia Kenlee pensar, mais do que medianamente desconfiado, na Praga Coral. Não estavam tão longe de Lomatubar, o Reino da Praga, para que alguém da continuidade de tempo deles não pudesse ter caído ali também. Ou de outra continuidade qualquer, para complicar as coisas ainda mais, por quê não?

Aguardou a resposta do taverneiro.

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Re: Herança - Ato XVIII - A Cidade Velha

Mensagem por Armageddon » 11 Out 2018, 20:40

- Não, não, ele era um tanto quanto paranoico com isso. Não queria tocar muito nas coisas, entende? Não comeu também. Ficou trancado no quarto o tempo inteiro e depois... Ah, espere, ficou algo sim! A moeda!

- Moeda? - inqueriu Kenlee um pouco mais tranquilo ao notar pelos olhos do lince que, além de um ou outro sujeito voltando para o lar após a confusão, a cidade estava praticamente vazia. Pelo jeito, a maior parte da turba partiu à caça da matilha.

- Sim, uma moeda esquisita. Aceitei porque é prata boa, e eu conheço prata já que foi nas minas que consegui o dinheiro para erguer esse meu humilde estabelecimento. Mas a coroa é estranha. Não é Tibar que está na peça, nem mesmo Phylidio. É um rei jovem.

O taverneiro andou na direção do balcão em busca da moeda, parando a meio caminho para analisar o grupo. Demorou-se bastante em Kenlee, e um tempo ainda maior em Alyssa, quando enfim deu de ombros e caminhou até um pote colocado em meio às garrafas e barris empilhados. Abriu a tampa e tirou de lá um punhado de moedas. Após procurar um pouco na própria palma, achou a que queria, mantendo o pote consigo. Teria que mudar o esconderijo por aquela noite.

- Vejam, é esta aqui. Sabem de quem se trata?

Alyssa olhou para o objeto e sorriu, imediatamente reconhecendo a imagem do Rei Thormy, filho de Phylidio, e talvez o melhor monarca que já havia reinado sobre Valkaria, Deheon e toda Arton. Havia ganho algumas daquelas moedas no trabalho na taverna. Talvez ele já estivesse vivo naquele ano tão distante, ainda um príncipe, sem o fato bigode loiro que lhe seria tão característico.
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Mago Dzilla
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Re: Herança - Ato XVIII - A Cidade Velha

Mensagem por Mago Dzilla » 18 Out 2018, 00:20

— Isso põe fim às dúvidas. Guarde o dinheiro, meu bom homem, agradeço pela boa disposição.

Estavam no passado. Qualquer alteração promovida poderia comprometer aspectos da realidade incalculáveis.

A tentação de mudar aspectos históricos desfavoráveis seria enorme. Poderiam alertar o Reinado da tal invasão de Tapista? Teriam esse direito?

– Vamos! Não importa o perigo, temos que encontrar os outros e impedi-los de fazer algo de que TODOS NÓS nos arrependermos!

Apanhando o cajado, dirigir-se à porta com toda pressa. O lince ao menos o acompanharia, e procurariam os outros.

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