Guerra Artoniana: Parte 2 - O Resgate de Lança Dourada

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John Lessard
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Guerra Artoniana: Parte 2 - O Resgate de Lança Dourada

Mensagem por John Lessard » 26 Abr 2020, 21:00

Ato 1: Convocação

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A Guerra Artoniana teve início em 1412, com a ascensão dos Puristas. O líder da facção, Hermann Von Krauser, adotou o título de General Máximo e se tornou o regente de Yuden após o desaparecimento da rainha por direito, Shivara Sharpblade. Pouco depois, enviou uma declaração formal de guerra ao conselho de Deheon. Não apenas contra o rival secular, mas contra o Reinado como um todo!

País intolerante desde a fundação, Yuden sempre se orgulhou de sua índole agressiva e militarista. Não foram poucas às vezes em que divergências políticas deram início a conflitos de fronteira. Para piorar, o Exército com uma Nação sempre cobiçou a posição de Deheon como reino-capital do império. A dominação por parte de uma facção movida
pelo ódio aos não humanos tornou inviável a convivência com as outras nações do Reinado. Afinal, uma das características da coalizão é aceitar membros de diversos povos! Mesmo assim, a guerra talvez só tenha começado devido a dois eventos.

O primeiro foi um desmoronamento catastrófico e sem precedentes, que abriu uma fenda colossal na fronteira entre Deheon e Yuden, isolando os dois reinos. Isso impediu que o exército de Deheon marchasse diretamente para Yuden, atrasando a reação do reino capital em quase um ano.

O segundo foi o desaparecimento da Rainha Imperatriz Shivara Sharpblade. A soberana do Reinado descobriu que os Puristas estavam conspirando para tomar o poder em Yuden e partiu para derrotar o líder da facção. Infelizmente, ela foi emboscada, traída e capturada. O desaparecimento de Shivara desestabilizou o Reinado como um todo.

A conjunção desses eventos permitiu que, pouco depois, Yuden atacasse Bielefeld, Namalkah e Zakharov praticamente sem interferência do reino capital e dos outros reinos da coalizão. Pelo menos até agora. Na ausência da rainha, um conselho de regentes e nobres decidiu, enfim, marchar contra os Puristas.
***
Hoenheinn
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Hoenheinn lembrava-se que estava há duas semanas em Valkaria, treinando no templo, quando aconteceu. Era um dia chuvoso e triste, assim como quase todos os habitantes de Deheon. Bandeiras negras foram hasteadas em condolências. Arkam Braço-Metálico estava morto.

O paladino nunca imaginou que presenciaria aquela cena, o cortejo, o choro, as pessoas de cabeças baixas e ver o corpo de seu herói ser transportado pela via principal da metrópole.

Sabia que não tinha muito mais o que fazer ali, Jihad estava com Mitra, esperando o filho nascer... mas coisas aconteciam e sua deusa o chamava. Uma fissura de proporções colossais tinha surgido entre Deheon e Yuden e o auto intitulado General Máximo Hermann von Krauser havia declarado guerra contra o Reinado. Era hora de partir e assim o fez.

Não tinha um objetivo claro, mas sabia que precisava lutar e ajudar. Se dirigiu para a borda para ajudar pessoas e lutar contra Puristas. Seus destinos eram caóticos, estava sempre onde era necessário e conseguia chegar a tempo. Deheon, Bielefeld, Namalkah, Zakharov... Foram meses difíceis, de muita luta e pouco descanso.

Sentia agora os ombros pesados, frutos dos meses de luta. Não sabia o nome daquela vila, talvez nem estivesse no mapa, mas mais uma vez estava em Deheon. O chão de lama, casas de madeira, reconheceu uma construção que poderia vir ser uma taverna, com uma chaminé que soltava fumaça e uma luz aconchegante que vinha de dentro. Quando abriu a porta, encontrou um local modesto, chão de madeira, um balcão feito de caixotes. Dois homens magros comiam no canto, mas sua atenção recaiu em três figuras que chamavam mais atenção. Um sujeito de jaqueta de couro, cabelos e barbas castanhos, ostentando uma espada curva oriental. Com ele, uma moça de cabelos compridos presos, na mesma tonalidade do rapaz, vestia-se com roupas justas negras e carregava uma espada de lâmina reta. Não os conhecia, mas reconhecia o terceiro, cabelos vermelhos, Jihad.

***
Jihad
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Quando Jihad chegou em Valkaria, junto dos demais, a notícia da fissura entre os dois reinos era comentada por todos. O que poderia significar? Ainda era um mistério, porém uma notícia mais íntima e feliz lhe aguardava. Mitra estava de volta, tocando os negócios e lhe reservando uma surpresa.

Estava grávida.

O qareen talvez não pudesse descrever tamanha felicidade, nem se ainda fosse um gênio poderoso do deserto. Aquilo era único, inédito e indescritível. Deveria ficar em casa agora, ajudar Mitra nos negócios, ser um companheiro. Com um dinheiro emprestado de Hoenheinn conseguiram expandir os negócios com um mês de trabalho. Se estabeleceram, enriqueceram, mas o mundo parecia ruir enquanto estavam a salvo em sua bolha de felicidade.

Jihad tentava esquecer, se agarrar a Mitra, ao filho que se aproximava, mas parecia impossível cada vez mais. Houve o dia que o negro do luto tomou a cidade, chovia também, como se os céus chorassem. Arkam Braço-Metálico estava morto.

O meio-gênio sentia a ameaça crescer e os eventos não paravam. Yuden declarava guerra contra o Reinado, contra os não-humanos. Ele não era humano, seu filho não seria humano. Qual seria o futuro para eles?

Exércitos marchavam contra reinos vizinhos. Hoenheinn havia partido, embora tenha recebido sua ordem de pagamento em algum Banco Tibar. John, Zidane, Konrad... Até os antigos amigos, distantes, sentia um calafrio, talvez mortos.

Os meses passaram, dividia sua atenção entre os negócios, Mitra e treinamento, mas estava distraído com tudo e não conseguiu fortalecer o corpo da maneira que queria. A barriga da esposa crescia, o momento se aproximava. Apenas o pai e a irmã de Mitra comparecessem, nenhum de seus amigos.

Os deuses então lhe presentearam com um menino, no mês de Lunaluz. Mais uma vez, tudo parecia perfeito, mas não estava.

Um bilhete chegou, então:
Jihad,

Espero lhe encontrar em casa, estamos em Serena, um pequeno vilarejo em Deheon. Lyane Sylvana combinou de nos encontrar aqui, precisamos de você, se puder, venha, o mapa está no verso.

De seu amigo,
Aldred Castell Maedoc III”
A guerra iria consumi-los, iria levar sua vida, iria levar Mitra e seu filho. Tinha que fazer isso, tinha que ir para a guerra. Reuniu sua parte dos lucros de todos esses meses no empório. Um vilarejo no meio do nada, com casas ordinárias de madeira. Encontrou Aldred e Maryanne dentro da taverna.

***
Konrad
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Konrad ficou pouco tempo em Valkaria, estava na realidade, planejando sua próxima incursão ainda enquanto retornava de Bielefeld. Partiu de encontro aos pais de Jaennis, com o intuito de ajudá-los a fazer uma travessia em segurança. Era claro que era tudo mais difícil do havia planejado. Sua chegada a Valkaria também trouxe notícias sobre a fissura entre Deheon e Yuden.

Teve que ser furtivo e aumentar seu cuidado para perceber perigos e demorou mais do que gostaria para encontrá-los e então convencê-los de que era um aliado. Depois disso, o tempo se arrastou. As notícias corriam sobre a morte de Arkam Braço-Metálico e a declaração de guerra de Yuden, tropas marchavam e derrubavam opositores. Bielefeld, Namalkah e Zakharov foram atacadas e quando Konrad não conseguia abrir seu caminho furtivo, tinha que abrir pela violência.

Foram meses dolorosos, difíceis e longos, mas conseguiu levar os pais da yudeniana até Valkaria. Estava cansado, mas sabia que não poderia parar. Descobriu que Jihad não estava em casa, tinha partido para uma vila chamada Serena em um ponto remoto de Deheon. Tinha passado muito tempo sozinho, sem apoio, talvez fosse hora de encontrar os demais novamente.

Fora fácil de encontrar o vilarejo, para alguém como ele ao menos. Era pequena, com suas casinhas de madeira, ruas de terra. Konrad se perguntava quanto tempo até ser engolida pela guerra. Avistou o prédio que deveria ser uma taverna e o sujeito loiro indo em direção a porta. O reconheceria até nos Nove Abismos.

Mitternach.

***
Lyane
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Depois que retornou de Villent, Lyane se viu atolada de trabalho. Havia ouvido falar por cima, mas agora tinha mais informações, sobre a independência de Svalas em Yuden e sobre como um grupo de aventureiros da coroa havia derrotado um coronel insurgente por lá.

Talvez isso estivesse ligada aos Puristas que apresentou em seu relatório, talvez estivesse tudo resolvido. A questão era que era muito burocracia, pedidos foram feitos, ordens foram dadas e respostas precisavam ser aguardadas. Acabou se encarregando de muitas papeladas e assuntos resolvidos atrás de uma mesa e não no campo de batalha.

Lyane trabalhou muito, mas o período de falsa tranquilidade e tédio acabou quando a fissura entre Deheon e Yuden surgiu. Poderiam acusar o reino vizinho? Foi então que ela teve o estalo, era óbvio agora. Era por isso que estava mapeando a fronteira. Era a única explicação, tinha de ser eles os culpados. Porém, Deheon estava de mãos atadas, pegos de surpresa, sem chances de emitirem uma resposta imediata.

Não muito tempo depois, por sua posição no exército da coroa, teve a informação que o mesmo grupo de heróis que havia derrotado o coronel em Yuden, conhecidos como A Guilda do Macaco, haviam caído em uma emboscada junto de Shivara Sharpblade. A Rainha-Imperatriz estava desaparecida, Arkam Braço-Metálico morto e o reino rival havia declarado guerra.

Nos meses seguintes, Lyane sentiu-se num pesadelo. Tropas marchavam contra reinos vizinhos e a fissura impedia Deheon de responder à altura. Foi designada para serviços logísticos ao longo dos meses, ela mesma não conseguia entrar em contato com os companheiros que a ajudaram em Villent meses atrás. Mas as coisas estavam para mudar.

Recebera a ordem de acompanhar um bardo chamado Garren Zamark pelo reino, alertando vilas sobre uma batalha eminente. Analisou seu cronograma no mapa e conseguiu mandar algumas cartas, para quem pudesse, lhe encontrasse ne pequena vila de Serena.

Partira há dias, ao lado de Garren e de uma clériga que havia sido amiga de sua mãe, Pietra Silverstone. Era noite, fria, e montada em seu cavalo, conseguia ver a vila de Serena ao longe.

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***
Aldred & Maryanne
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Enquanto esperavam Lyane em Valkaria, Aldred e Maryanne tentavam viver suas vidas normalmente, mas a Rainha Eterna convocava Aldred para uma jornada, onde ele deveria despertar seus poderes. Maryanne demonstrava interesse de ir também, mas a entidade revelava que apenas Aldred era poderoso o suficiente. Enquanto o irmão parte, Mary decidiu treinar sozinha no agora dojo abandonado de Satoshi.

Aldred viajou com notícias ruins em suas costas. Uma fissura havia surgido entre Deheon e Yuden, o fazendo crer que o que aqueles soldados procuravam não era alguma maneira de concretizar esse ato. O lutador enfrentou mercenários em Portsmouth enquanto Yuden anunciava guerra contra o reinado. Enganou uma família em Sallistick para entrar em um casarão que em outros tempos pertenceu a seus ancestrais e precisou desbravar os ermos, afinal a guerra tomava conta das estradas, para alcançar Trebuck.

Mal conseguiu retornar a salvo para Valkaria, mas lá estava. Maryanne por sua vez havia desistido de seu treinamento solo há algum tempo e tinha decidido fazer outras coisas. Ainda não havia notícias de Lyane, mas isso não tardou muito, quando uma carta havia chegou para os irmãos dias depois, dizendo que estaria num vilarejo chamado Serena dali alguns dias e eram para lhe encontrar lá.

Finalmente iriam se mover.

Foram os primeiros a chegar, naquele lugarejo no meio do nada. A taverna era a construção de maior porte por ali, ainda era meio da tarde. No começo da noite, Jihad chegou e se aproximou deles. Algum tempo depois, a porta se abriu, revelando uma figura de cabelos bagunçados e loiros, ostentando o símbolo de Valkaria.
Notas do Mestre:

Começamos, na introdução de vocês, poderão detalhar seus noves meses, além de adicionarem possíveis compras, na caixa OFF. Os posts devem terminar na vila de Serena, conforme o final do post de cada um.

Próxima atualização quarta-feira, 29/04/2020

Dados dos Personagens

Imagem - Hoenheinn Mitternach <> PV: 69 CA: 22 PM: 5 PE: 6 PA: 1 <> Domínio da Viagem: 1 <> Bênção da Durabilidade: - <> Duro de Ferir: - <> Música de Bardo: 5 <> Destruir o Mal: 2 <> Postura: - <> Condição:
Imagem - Aldred <> PV: 69 CA: 22 PM: 1 PE: 6 PA: 1 <> Postura: - <> Condição:
Imagem - Maryanne <> PV: 52 CA: 22 PM:0 PE: 3 PA: 0 <> Postura: - <> Condição:
Imagem - Scarlata Jihad <> PV: 70 CA: 18 PM: 30 PA: 1 <> Desejos: 1 <> Voo: 1 <> Pensamento Positivo: 3 <> Seu Desejo é Uma Ordem 1 <> Cuidado com o que Deseja: 1 <> Condição:
Imagem - Lyane <> PV: 60 CA: 31 PM: 0 PE: 0 PA: 1 <> Orgulho: 2 <> Postura: - <> Condição:
Imagem - Konrad von Merovech “Sabbah” <> PV: 38 CA: 21 PM: 20/0 PA: 1 <> Zauber preparados: a escolher <> Condição:
Personagens em Pbfs:
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Aldenor
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Re: Guerra Artoniana: Parte 2 - O Resgate de Lança Dourada

Mensagem por Aldenor » 28 Abr 2020, 02:53

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Wynn, 1412
Casa dos Maedoc, Valkaria.

Aldred acordou com dor de cabeça. Fazia uma semana desde a última vez que vira Lyane, provocando certa ansiedade. Queria agir, queria sair por aí, avisar aos governos, preparar um contra golpe. Se os puristas tomassem o poder de Yuden, teriam um grande poder para destruir o Reinado. Incontáveis mortes!

A semana foi dura. Aldred passou a fumar cigarros escondido, mas não bebia, não se rendera para a noite boêmia. Não sentia nenhum clima para se divertir. Aliás, fazia tempo que não tinha paciência para os deleites da vida mundana, desde o seus meses lutando contra o Império de Tauron, o relacionamento tempestuoso com Fenyra Hagar, o encontro com os puristas. Não viu ninguém: Ash, Fargrimm ou Jihad. Mesmo sabendo onde Ladon estava e tendo dividido com ele os momentos difíceis contra os puristas, não o procurou também. Não mandou notícias para sir Vladimir de Minsk, perdido em Yuden. Uma semana em isolamento, andando perdido por ruelas para fumar.

Até que acordou com dor de cabeça. E foi levantando-se brevemente da cama para perceber que ela estava sentada sobre ele. Era uma criança de mais ou menos doze anos, cabelos longos, loiros e olhos azuis brilhantes. Na verdade, tudo brilhava nela: o vestido branco com detalhes em azul, sua pele alva e até mesmo seu jeito indiferente, blasé de alguma forma era brilhante.
Rainha Eterna
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Chegou a hora, descendente. Você está pronto.
Maryanne
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Pronto para o que?
Maryanne estava à porta do quarto do irmão e vinha lhe chamar para o almoço. Na verdade, queria conversar com ele. Animá-lo, provocá-lo, qualquer coisa para que saísse daquele estado de ansiedade e autodestruição. Sabia que ele começara o hábito de fumar, coisa que o pai deles havia desistido anos atrás porque fazia mal. O corpo ficava lento e menos resistente...

Maryanne havia passado uma semana bem diferente. Visitou sua amiga Millyan um dia, passeou com suas amigas e amigos pela Baixa Vila de Lena, foi ao teatro e até mesmo na Arena Imperial, na esperança de levar Aldred, que acabou recusando. Preocupava-se com o irmão, mas não deixava de viver uma vida leve. Os horrores dos puristas eram um pesadelo agora distante. Lyane poderia aparecer a qualquer momento com as más notícias, convocando-os para alguma missão, ou mesmo guerra. Mas qualquer pensamento nesse sentido era afastado por Maryanne.

Estando à porta do quarto do irmão, viu a criança, a Rainha Eterna, aquela quem os acompanha como uma maldição. Havia nitidamente algo importante acontecendo ali.
Aldred
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É... pronto pra que?
Não fez menção de se levantar, não querendo interagir fisicamente com a criança sobre ele. Todavia, ela mesma se pôs de pé em sua cama e apontou para ele num grande gesto teatral.
Rainha Eterna
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Para receber um pouco do meu poder dracônico, fazer a jornada.
Aldred coçou a barba intrigado. Maryanne não se furtou em se aproximar.
Maryanne
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Mas já não temos? Não é esse nosso acordo? Não é por isso que nos atormenta? Quanto mais poderosos ficamos, mais você fica, não é isso?
Aldred não disse nada, olhou para a Rainha Eterna esperando uma resposta que já suspeitara há muito tempo. Se havia alguma expressão no rosto da criança espírito era o tédio. Mas mesmo assim, ela permitiu-se olhar para Maryanne e explicar algo que parecia muito óbvio.
Rainha Eterna
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O acordo era para acompanhá-los, sim... fico mais forte quanto mais vocês melhoram como aventureiros, sim... porém, esse não é o meu poder que usam. É apenas o poder de vocês mesmo. Claro que há meu sangue em suas veias, mas é o seu sangue, querida descendente.
Aldred
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Então, agora, eu vou aprender "técnicas" de dragão?
A criança se jogou no colo de Aldred fazendo-o grunhir. Ela tinha densidade, peso e presença. Era como uma criança de verdade.

A Rainha Eterna, então sorriu serena.
Rainha Eterna
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"Técnicas", que bonitinho, descendente. É algo assim. Se for bem em sua jornada, vai aprender o meu poder ancestral, sentirá o corpo arder com o fogo dourado, e esse será um caminho sem volta. A partir disso, seu poder só crescerá e em breve chegará aonde poucos dos meus descendentes chegaram.
E então, seu sorriso sereno encheu-se de malícia. Aldred não entendia muito bem o que acontecia, mas sabia que devia tomar cuidado. Afinal, tudo isso está acontecendo porque ele aceitou o acordo em primeiro lugar.
Aldred
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E você vai ficar livre de novo quando eu atingir esse poder aí, né? Mas você sabe o porquê do nosso acordo, não é? Eu tive que te impedir e...
A Rainha Eterna saiu de seu colo num salto delicado, pousando ao lado de Maryanne.
Rainha Eterna
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Ele quer falar de acordos, descendente, veja se isso é justo. Você quer mudar o nosso acordo? Não pode!
Maryanne também fizera um acordo, anos atrás, antes de se tornar aventureira. Nem ela nem seu irmão sabiam do acordo um do outro. E eles nunca conversaram sobre isso, presumindo que era o mesmo... mas agora, ela tinha suas dúvidas. Aldred olhou para a irmã com a mesma dúvida.

***

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Cyd, 1412
A caverna dos Dragões Dourados

A viagem até Portsmouth era empolgante. Aldred cavalgava em Atrevido sentindo adrenalina, afeiçoando-se com cada camponês, fazendeiro que encontrava no caminho. Deixava os cabelos revoltos ao vento da brisa, deixava a barba crescer selvagem e, principalmente, cavalgava por muito tempo sem camisa ou jaqueta, para pegar uma cor no sol escaldante do verão. Havia se libertado do torpor e confiado em Lyane.

Aldred viajava com a Rainha Eterna que, desde aquele dia em seu quarto, não sumira mais. Tinha assumido uma presença física e para quem perguntasse, era a filha de Aldred. O que era estranho, pois ele tinha apenas 25 anos e ela, mais ou menos 12 anos. Às vezes brincava que era sua irmã mais nova, mas disso a Rainha Eterna não gostava.
Rainha Eterna
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Irmã, não. Filha.
Aldred ria e não entendia a diferença. Ele mesmo não gostava de chamá-la de irmã, mas fazia só para implicar. Afinal, isso lembrava de Maryanne, que ficou em Valkaria. Sua irmã parecia um pouco chateada com a resposta da Rainha Eterna por ela não poder participar dessa jornada.
Rainha Eterna
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"Você não está pronta ainda".
Havia dito de maneira fria. Aldred não queria perder a oportunidade e aceitou a tal jornada.
Aldred
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Então, eu vou para uma caverna? Putz, tinha que ser em Portsmouth? Apesar de Atrevido ser muito rápido, ainda é longe pra caralho, viu. Bom, devo retornar ainda antes do fim do verão.
Rainha Eterna
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Este é apenas o primeiro teste, meu descendente. A sua jornada ainda tem outras etapas...
Aldred franziu o cenho.
Aldred
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Por que não me fala logo tudo que tenho que fazer? São em outros lugares as outras etapas? Quantas etapas? Por que em Portsmouth?
Mas ela não respondeu. Nas próximas abordagens de Aldred sobre o assunto, ela ou ignorava ou se distraía com alguma outra conversa desimportante sobre seu palácio antigo.

A viagem porém, trouxe más notícias sobre o mundo. Uma colossal fenda abriu-se na divisa de Yuden e Deheon causando destruição de vilarejos fronteiriços e incontáveis mortes. Aldred não conseguia deixar de pensar que era em parte sua culpa, pois esse provavelmente era o plano dos puristas... e um deles havia escapado na batalha.
Rainha Eterna
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Não foi culpa sua. Quem causou esse trágico evento foram os humanos, ninguém diferente.
Aldred aceitava aquelas palavras, mesmo achando às vezes enervante o fato da Rainha Eterna nunca se referir às pessoas como elas são. Sempre "humanos", "elfos", "anão", "qareen"... "descendente". Ela nunca o chamou pelo nome!

A caverna era grande e havia sinais de um acampamento antigo, ruínas de pedra tomadas pela vegetação. Aldred sentiu o coração bater mais forte a medida que entrava na escuridão.
Rainha Eterna
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Foi aqui que meu descendente, seu ancestral fundou sua companhia mercenária. Foi nesta caverna que ele atingiu seu ápice de poder... depois, infelizmente, foi ladeira abaixo.
Aldred acendeu uma tocha e viu um interior de caverna bem grande, cheio de vestígios de uma organização militar. Havia até mesmo espadas e escudos enferrujados e um brasão. Os Dragões Dourados.
Aldred
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Caralho... é Mark Maedoc. Meu tio-bisavô mais novo... um dos três Irmãos-Dragão.
Rainha Eterna
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Ele não era nenhum dragão. Não como você pode ser.
Aldred
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Hã... ok. O que eu faço? Vim aqui aprender sobre história? Dá pra ter feito isso em Valkaria...
Ele adorava implicar quando ela mostrava um raro sinal de brabeza. A Rainha, entretanto, não se deixou pilhar. Disse com serenidade:
Rainha Eterna
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Eu consigo me conectar com todos os meus descendentes. Todos que possuem meu sangue maravilhoso. Mesmo os mortos, sabia? Eles deixam vestígios... traços de seus espíritos poderosos onde estiveram em seu ápice. Veja.
Havia uma espada cravada na parede. O aço estava todo deteriorado e o cabo em frangalhos.
Rainha Eterna
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Pegue e sinta.
A criança fechou os olhos e reuniu as mãos em forma de concha. Uma esfera dourada surgiu iluminando o lugar ainda mais. Aldred arregalou os olhos. Era a primeira vez que via uma manifestação tão contundente dela. Apesar de titubear, ele tocou no cabo da espada. E sentiu.

Respirou como se inalasse o poder. Pequenos flocos de luz dourado surgiram ante a luz da esfera da Rainha Eterna, saindo do cabo da espada, sendo inalado por Aldred. E então, a luz da criança apagou e o ritual estava completo.
Aldred
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Eu sinto... algo. Fraco, mas algo, lá no fundo...
A Rainha sorriu, mas dessa vez sem malícia alguma, era a primeira vez que a via sorrir genuinamente. Aldred sorriu também, feliz.

Quando saíram da caverna, foram abordados por mercenários.
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Eram os Leões Vermelhos, que haviam ocupado aquele território há muitos anos, depois da retirada dos Dragões Dourados. Ameaçaram, queriam roubar e provavelmente usar a criança para motivos escusos. Aldred os combateu com ardor, se feriu muito, mas recebeu a ajuda da Rainha Eterna como distração e conseguiu fincar a katana nas costas do último sobrevivente.

Ferido, ele continuou a viagem sobre Atrevido.

***

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Salizz, 1412
Casarão em Yuton, Salistick

Um mês de viagem de Portsmouth até Salistick. Aldred atravessou a perigosa região dos clãs bárbaros, palco de uma guerra contra Crânio Negro e seus asseclas da Tormenta: a União Púrpura. A despeito dos perigos, ele conseguiu escapar de grandes problemas. Viajou por florestas fechadas, lugares difíceis para Atrevido, mas que eram mais seguros. Encontrou algumas pessoas, sim, mas eram comerciantes estrangeiros. Deles, Aldred ouviu as notícias do mundo.
Aldred
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Guerra? GUERRA? Yuden declarou GUERRA ao Reinado? PUTA QUE PARIU!
Aldred ainda passou algumas horas praguejando enfurecido. A Rainha Eterna cavalgava à sua frente na sela, não mostrava nenhum sinal de afetação.
Rainha Eterna
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Humanos... não, todos os mortais civilizados ou não sempre guerreiam, descendente. Esta é apenas mais uma guerra que Arton terá de passar. Não foi a primeira, não será a última. Bem... esta parece que lembrará a Grande Batalha de Lamnor. Quem sabe?
Sua fala era de alguém curiosa com os eventos históricos, lembrava mais sua raça. Dragões dourados, afinal, eram conhecidos por serem estudiosos, ávidos amantes do conhecimento. Mas Aldred não ligava para nada disso no momento.
Aldred
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É melhor eu desistir dessa jornada. Lyane deve ter mandado uma carta pra mim e eu tô aqui. Pior, Maryanne pode ter atendido ao chamado e ido sozinha... ela não é tão forte, ela...
Rainha Eterna
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Você deve cumprir esta jornada, meu descendente. Você só poderá ajudar o mundo se for forte. Se voltar, terá tudo sido em vão... além disso, minha descendente é forte. Muito forte, viu? Só porque não está pronta AGORA, não quer dizer que não seja forte. Ela se cuida.
E então, como um raio, Aldred realizou de algo.
Aldred
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Tu pode estar em dois lugares ao mesmo tempo! Me diga como ela tá!
A criança suspirou apontando para um casarão antigo no final da rua. Yuton era uma cidade grande, com ruas ladrilhadas e tomadas de carruagens e pessoas garbosas perfilando pelas calçadas.
Rainha Eterna
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Não sei se percebeu, mas eu não sou mais apenas um espírito. Estou presente aqui. E somente aqui.
Não incomodava Maryanne, mas o acordo com ela mantinha-se de pé.

Aldred deixou Atrevido em um estábulo e foi até o casarão. A Rainha Eterna ficou na esquina de braços cruzados, chamando atenção pelas pessoas que andavam por ali. Era uma criança sozinha, descalça e de ar maduro demais para sua idade.

Aldred foi atendido por um senhor vestindo um colete preto sobre uma camisa de linho branca. Era um homem bem apessoado, com bigodes bem aparados e olhar esnobe.
Aldred
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Vim falar com o mestre desta casa. Eu sou Aldred Castell Maedoc III aquele que mandou a carta... Vim comprar a casa. Ela foi de um parente meu, de anos atrás, o senhor...
Elias Hornby
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Laenor Maedoc II, sim, sim. Entendo. Eu sou Elias Hornby. Entre, por favor.
Aldred entrou com sua jaqueta fechada, escondendo sua camisa de lutador e os símbolos. Sua katana também não estava consigo, mas com Atrevido. O casarão era de fato antigo, mas bem cuidado, com chão de taco, paredes revestidas com papel de parede de cores sóbrias. Havia uma lareira no primeiro andar e escadas centrais para o segundo andar dos quartos. Aldred analisou tudo rapidamente. Precisava ser convincente.
Aldred
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Você conheceu algum dos meus parentes, senhor Hornby?
Elias Hornby
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Não pessoalmente. Conheci as histórias... bem, não eram muito boas.
Aldred deu um sorriso sem graça. De fato, Laenor Maedoc II era um homem repulsivo, lascivo e dado às luxúrias. Dizem que teve incontáveis de bastardos e era cruel com empregados. Metido a aventureiro, fazia os outros morrerem por ele para protegê-lo em viagens perigosas. Mas a única coisa que era bom era enganar e iludir.
Aldred
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De fato, Laenor II não era flor que se cheire... mas ele era assim porque foi rejeitado pelo avô, sabia? Laenor Maedoc, o primeiro, era seu avô. Um renomado médico... temo que sua história e reputação não tenham sobrevivido aos causos do seu neto. Uma pena.
Elias Hornby
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Entendo... bem, recebi sua carta com os valores. Devo dizer que me impressionei... não esperava que o senhor fosse tão jovem.
Aldred
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Bem, meu pai tem o mesmo nome que eu. Mas eu sou o Terceiro. Ele o segundo. Enfim, meu amigo, eu tenho um pouco de pressa. Minha carruagem está me esperando para outros compromissos. Veja, antes de firmarmos o contrato, preciso verificar os quartos.
O homem demonstrou um desagrado, mas aceitou levá-lo. Aldred o seguiu pelos cômodos até o quarto dos mestres. Era de Elias, mas já fora de Laenor II e também de seu avô, Laenor Maedoc, o irmão do meio, um dos Irmãos-Dragão.

Aldred tocou na mobília nova sobre um ambiente antigo. E então socou a parede.
Elias Hornby
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O que está fazendo? Que absurdo!
Aldred não parou. Mais um soco na parede. Outro e outro. Elias a essa altura temia pela própria vida e saiu correndo.
Aldred
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Trás a guarda toda, quero testar meus poderes...
Aldred sentiu-se estranho por falar tais coisas. Não parecia sua voz. Balançou a cabeça e continuou. Mais um soco e a parede abriu um enorme buraco. Por de trás da parede, dos tijolos e da armação da construção, havia uma caixa de madeira cheia de teias de aranha. Aldred resmungou a imundice e pegou a caixa. Abriu. Seu coração palpitando. Uma luz dourada brilhou no peito de Aldred, emanando com o colar dentro da caixa. Energias douradas como flocos surgiram ligando o colar com o coração de Aldred. Ele sentiu algo misturando-se a sua essência...
Aldred
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Uuhhh... certo, certo... isso é poder. Poder. PODER.
A luz parou, os flocos de energia sumiram. Aldred estava satisfeito, sorridente e reparou melhor no colar... era um medalhão com um retrato desenhado. Um homem, uma mulher e um bebê. Aldred lembrou que Laenor Maedoc criou sua vida em Salistick depois de perder a esposa e o filho na viagem pelo Rio dos Deuses. Ali ele teria tido seu ápice quando resolveu tocar a vida, descrente dos deuses.
Rainha Eterna
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Oh, mas ele devia crer em mim. Afinal, eu era uma deusa.
Cavalgavam para longe de Yuton. Aldred havia evitado a guarda e estava pensativo. Perdera a emoção da adrenalina de viajar numa jornada, pois realizara que era sobre poder. Ele buscava poder e começava a sentir algo diferente dentro de si. Será que esses rituais estavam lhe fazendo bem? Não comentou nada com a Rainha Eterna, pois ela tentaria seduzi-lo com suas palavras draconianas. Incerto, ele seguiu para norte. Haveria de atravessar Samburdia para chegar a Trebuck e cumprir o último ritual. Aquele que lhe daria plenos poderes dracônicos.

***

Imagem
Luvitas, 1412
Floresta das Escamas Verdes.

Aldred estava barbudo, cabelos desgrenhados, imensos. Sua jaqueta não existia mais, sua camisa estava cheia de buracos. Sua katana e suas luvas de lutador eram seus únicos equipamentos. Perdera a mochila fazia uma semana. O saco de dormir, há mais de um mês, e dormia escondido em cavernas (quando não lutava contra ursos) ou no topo de árvores (apesar de já ter caído mais de três vezes, pois não tinha corda para se amarrar). Comia frutas, embora tenha passado mal por dias quando comeu coisas tóxicas. Havia caçado um esquilo uma vez.

A vida era um inferno verde na floresta dos dragões.
Aldred
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Sabia que hoje é o meu aniversário? Tenho 26 anos agora. Um adulto feito, já começando a ficar velho já. Ó, já tenho um fio de barba branca. Acho que vou passar meus últimos dias de vida aqui nessa floresta... vou virar um ranger. Não, druida. Vou rezar pra Allihanna. ALLIHANNAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!
Gritou como se a Rainha Eterna não estivesse ali. A criança estava sentada em um tronco de árvore caído, arrancado da raiz como se fosse nada.
Rainha Eterna
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Eu não tenho culpa se você não sabe achar o caminho. Esta floresta é, realmente, um espanto.
Dragão verde
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Que bom que gosta da nossa floresta, pequena.
Era um dragão verde! Estava tão mesclado às árvores que nenhum dos dois havia reparado antes. Ele se aproximou ajeitando seu corpanzil entre as árvores. A Rainha Eterna o encarava com certo assombro, algo raro. Aldred estava deitado de costas e se sentou. Não tinha forças para ter medo.
Dragão verde
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Tenho visto vocês dois por um bom tempo. Um mês e meio para ser mais exato. Apesar de ouvir suas conversas escandalosas aos meus ouvidos, não consegui entender muito bem... você é descendente dela? O que ela é? O que faz um humano que não sabe caçar, não sabe achar abrigo, não sabe se orientar pelas estrelas, em uma floresta conhecida por ser o lar de dragões verdes? Sério, estou muito curioso.
Aldred riu tresloucado.
Aldred
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AHAHAHAAHAHAHAHAHAH EU NUNCA CONSEGUIREI SAIR DE SAMBURDIA!!! AHAHAHAHAHAHA JIHAD! JIHAD ME SALVA!!! AHAHAHAAHAHAH RAINHA VOCÊ MATOU SEU MAIS PODEROSO DESCENDENTE! AHAHAHAHAHA
A criança mantinha a postura, já recuperada pela presença inóspita do dragão verde.
Rainha Eterna
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Eu sou a Rainha Eterna, um dragão dourado, deusa de Agadir... ou costumava ser. Estamos em uma jornada, caro primo. Somos primos, não é? Espécies, pelo menos. Dizem que os dragões metálicos são uma subespécie de dragões verdes.
Enquanto Aldred ria e chorava ao mesmo tempo, o dragão ajeitou-se debruçando-se sobre o chão, apoiando a cabeça sobre os braços. Estava bem perto da Rainha Eterna. Cheirou-a.
Dragão verde
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Você não tem cheiro. Mistério. E para onde pretendiam ir?
Rainha Eterna
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Trebuck. Mas meu descendente se perdeu há muito tempo. Parece que está perdendo a sanidade.
O dragão verde continuou observando a criança, como se esperasse que ela continuasse a falar.
Rainha Eterna
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... er... pode nos ajudar?
Era difícil para ela fazer um pedido. Ela era uma rainha, uma deusa, e conversava com um reles dragão mundano. Aldred parou de rir e limpou as lágrimas. Arregalou os olhos e se deparou com o dragão. Era como se o visse pela primeira vez. Ele sacou sua katana.
Aldred
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UM DRAGÃO! VOU TE PROTEGER, RAINHA! MINHA RAINHA! MINHA DEUSA!
E correu como se desse uma carga...

... mas o dragão verde apenas lhe deu um peteleco reptiliano e o derrubou inconsciente, fraco como estava.
Dragão verde
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É, ele está louco.
Rainha Eterna
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Por favor. Eu preciso. Dele. Vivo. São.
O dragão verde dedilhou o chão com suas garras.
Dragão verde
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O que me dará em troca, "rainha"? Seu reino?
Rainha Eterna
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Quando eu recuperar minha forma suprema, lembrarei de você... hã...
Veinakus
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Veinakus.
Rainha Eterna
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... Veinakus. Eu lembrarei de você e lhe recompensarei. Você não tem nada a perder levando duas pessoas para a fronteira de Trebuck. E muito a ganhar se eu conseguir o que quero.
O dragão meneou a cabeça reptiliana.
Veinakus
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Está combinado, Ro Daariv.
***

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Weez, 1412
Rio dos Deuses

Aldred acordou certa vez em um navio, navegando no gigantesco Rio dos Deuses. Espreguiçou-se, pegou uma camisa puída e um espelho. Sua espada vivia colada em sua cintura, mais que um objeto, era parte de seu corpo. Pegou um facão, e começou a cuidar da aparência, de frente para um pequeno espelho.
Rainha Eterna
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Finalmente. Dessa vez, que tal tirar toda a barba? Sinto saudades do seu queixo.
Ela disse sorrindo, algo raro. Aldred a ignorou. Passou a faca nos cabelos.
Rainha Eterna
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Até quando vai continuar me ignorando? Uma semana já. Acha que vou sumir só por que me ignora?
Desde quando acordou numa colina, longe da Floresta das Escamas Verdes, Aldred decidira não falar mais com ela. Estava farto, sentia-se perdido, sentia-se cansado demais. Mas estava em um navio que iria para Trebuck. Iria para lá, mas não com objetivo de buscar poder, como a Rainha queria. Aldred objetivava ver seus parentes. Aproveitar a viagem e depois retornar.
Rainha Eterna
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Você só está vivo por minha causa. Eu negociei com o dragão, garanti inclusive a vida de seu precioso cavalo.
Aldred agora começara a cortar a barba aos poucos.
Rainha Eterna
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Eu te tornei aventureiro! Te dei propósito! O nosso acordo... você luta, você fica forte, eu fico mais forte...
Sua voz começava a fraquejar. Aldred tirava a barba ainda.
Rainha Eterna
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Eu vou me comportar, descendente! Fale comigo!
A criança começava a chorar. Aldred bateu a faca na parede. Estava pronto.
Aldred
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Você nunca me disse seu nome verdadeiro.
Ele disse com certa frieza, frente a uma criança chorando. Ela secou as lágrimas aos poucos.
Rainha Eterna
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Esse é meu nome verdadeiro. Sempre foi. Existem outras versões... em outros idiomas...
Aldred
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O nosso acordo. Você quer que eu te traga plenitude total de seus poderes. Mas eu fiquei pensando muito no inferno verde. Não... eu imaginava já há muito antes, mas eram pensamentos incompletos. Veja, você é um dragão. Dourado, é verdade, tem bondade no coração. Mas ainda assim um dragão. Dragões são seres territorialistas, orgulhosos e, sobretudo muito poderosos. Arton está cheio de criaturas poderosas e tal, como Sckhar. Você seria tipo Sckhar em poder, não é? Você vai fazer o bem? Você vai lutar contra a Tormenta? O que você vai fazer com todos os seus poderes? Vai usá-los para o bem, ou vai ser a rainha de Agadir de novo?
A criança secava as lágrimas e estava com semblante melancólico. Nada disse.
Aldred
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Pois é. Eu não sei se devo te fortalecer. Sei que pra isso eu preciso me aposentar e tal, mas... sei lá. Talvez eu deva mesmo parar. Há uma guerra rolando, eu já vi as Guerras Táuricas, Valkaria cair, o Imperador-Rei Thormy capturado... foram dias muito difíceis e eu fui um espectador. Eu queria muito, na época, ter lutado. Meus pais não deixaram. Hahahaha, acho que sou mesmo um filhinho de papai e mamãe. Não sirvo pra guerras.
A criança voltava a chorar.
Aldred
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Vou visitar meus parentes de novo. Ver como estão todos. Passar um, dois, três meses lá. Ou depois que o conflito acabar. Você tem que me seguir né? Desculpe fazê-la passar por isso.
Ela chorou e Aldred a acolheu carinhosamente.

***

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Weez, 1412
Ducado de Castell, Trebuck.

O Ducado de Castell era uma região vasta. Uma planície com poucas colinas, uma grande floresta entrecortada por um riacho de nascente nas Montanhas Sanguinárias. De fato, a proximidade com o lar dos monstros fez com que a região fosse sempre preparada para as lutas. Soldados, guardas, cavaleiros, aventureiros eram comuns nas terras. Havia marcas, condados e algumas cidades pelo ducado. A "capital" era Castell, lar dos Maedoc desde 1314 quando Antenod Maedoc, o irmão mais velho dos Irmãos-Dragão, vassalo de Grevan Castell, casou-se com Cecília Castell.

Aldred cavalgava com Atrevido sentindo os ventos nos cabelos, o sol queimar o rosto. Lembrava de quando saíra de Valkaria, mas ao invés de adrenalina, sentia alívio. Placidez. A criança eternamente ligada à sua alma cavalgava atrás, segurando-o pela cintura com o rosto colado em suas costas. Não se falavam muito.

Aldred foi recebido pela guarda de Castell, onde foi comemorado. Perguntaram sobre quem era a criança.
Aldred
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É filha de um amigo. Estou levando-a para conhecer o mundo.
A Rainha nada comentava. Apesar de visível, ainda era um espírito e não precisava comer ou beber. Então, durante a celebração de mais uma visita de Aldred, a Rainha Eterna ficava em um canto solitário, calada. Alexandra, Alycia e Althair, seus primos, raptaram Aldred da celebração solene, cheio de nobres pomposos para levá-lo a um churrasco a beira de um lago escondido.

Se divertiram bastante, tomaram banho no lago, beberam e a noite chegou. Acenderam uma fogueira para aquecer e contar histórias.
Althair
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E teve aquela vez que enfrentei um babacão que se achava o foda só porque tinha uma gangue. Ele era um nobre e tinha uma gangue! Imagina isso. Dei um corretivo nele.
Althair era o mais novo, vinte e poucos anos. Estava começando suas aventuras como guerreiro.
Aldred
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Isso foi em Samburdia, certo? É... espero não ter que pisar lá de novo. Urgh!
Alexandra
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Já eu fui convidada para um torneio em um feudo lá de Deheon. Krast, se não me engano. Infelizmente não pude ir... era temporada de caça dos ogros das Sanguinárias. Tive que ficar e ajudar nas defesas. Este ano conseguimos evitar mortes.
Alexandra era uma cavaleira, uma paladina de Khalmyr e a mais velha e responsável. Regulava com a idade de Aldred.
Alycia
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Ei, Aldred, a filha do teu amigo não quer se juntar a nós? Ela é tão triste e sozinha.
Alycia era a ranger, aquela soturna e idiossincrática irmã do meio. Ela notou o comportamento melancólico da criança Por se identificar com a criança.
Aldred
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Ela? Ah, ela gosta de ficar só.
Ele disse tentando sorver o último gole do odre de vinho.
Alexandra
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Pois ela perderá a chance de compreender melhor o mundo se ficar naquela carranca.
Althair
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Ei, menininha, Aurora o seu nome, não é? Vem cá com a gente. Titio Althair conhece umas brincadeiras maneiras. Vem.
A Rainha Eterna lançou-lhe um olhar de desprezo tão grande que Althair sentiu-se ameaçado. Afastou-se confuso e em seguida, para livrar-se do sentimento ruim, pulou no lago para se lavar. Aldred franziu o cenho e se surpreendeu quando a criança se aproximou da fogueira. Parecia buscar o fogo para se esquentar, mas na verdade precisava ficar perto de Aldred para não minguar e sumir. Alycia havia captado algo.
Alycia
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Mas então, Aldred... você soube da declaração de guerra, não é? O Reinado agora acaba de vez. E nós estamos tão distantes... o que veio fazer aqui? Duvido que seja pelo churrasco.
Aldred
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Vim me afastar da guerra. Não fui feito pra ela... na verdade, não sei pra que fui feito. Estou querendo descobrir.
Alexandra
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Bem, Aldred, acho que você já sabe pra que foi feito, não é? Você sempre soube. Quando veio aqui pela primeira vez com seu grupo, eu já tinha notado que nasceu para isso. Ser aventureiro, ajudar as pessoas. O pobre Lucien precisava de ajuda.
Aldred
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Eu acho que passei boa parte dos últimos anos como uma marionete, sabe? Sendo levado para os lados de Arton seguindo o que outra pessoa queria...
Alycia
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Não. Você não tava fazendo nada que não quisesse. Acredite, eu sei como é. Nossa família queria que eu fosse conselheira de Alexandra, uma dama de companhia, sei lá. Porra nenhuma que vou trajar um vestido!
Riram na fogueira. A Rainha mantinha-se quieta perto de Aldred, abraçando os joelhos.
Alexandra
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Era para eu ser treinada na administração e etiqueta para governar Castell um dia. Até pode ser que eu herde isso tudo, mas eu quero agora é seguir minha vocação com Khalmyr. E você, Aldred, quer ser aventureiro sim. Nenhuma marionete seria tão feliz no que faz.
Aldred ponderou. Pegou o resto de uma linguiça e comeu. O silêncio foi quebrado com a chegada de Althair molhado.
Althair
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Ei, você é o herdeiro de verdade, né Aldred? Seu avô é irmão mais velho do nosso avô... Aldred, o primeiro, né? Foi deserdado porque era feiticeiro. Veja que coisa louca, vê se isso é motivo. Hahaha. Melhor pra nós, né primo.
Deu um cutucão em Aldred enquanto se vestia.
Rainha Eterna
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Ele descende do ramo mais forte. O sangue é mais forte nele do que em vocês.
Os quatro olharam confusos para a criança. Aldred queria enfiar a cabeça na terra. Ele se levantou puto da cara.
Aldred
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Tá bom, chega dessa palhaçada. Essa menina aí é a fodendo Rainha Eterna. Isso mesmo que vocês ouviram, ela é a culpada de tudo, da nossa família, dos Maedoc, tudo. Ela anda comigo porque me usa! Me amaldiçoa! Ela quer ser um dragão de verdade de novo e fazer absolutamente nada com seus poderes, como não fez em Agadir! E acabou morta porque era muito cômoda!
Ela se levantou também irritada.
Rainha Eterna
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Idiota ingrato! Você não quer desistir de ser aventureiro! Você tem medo dos perigos do mundo e me usa pra se esconder! Eu quero ser um dragão de novo sim, claro. Quero ser rainha de novo, é óbvio! Mas eu não te uso. Eu quero você do meu lado. Poderoso como eu! Idiotaaaaaaaaaaaaa!
Aldred ficou confuso, mas não mais do que Alexandra, Alycia e Althair. A criança saiu pisando firme na relva com seus pés descalços até sumir como um fantasma. Althair deu um berro alto, Alycia se assustou com o berro e Alexandra franziu o cenho.

***

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Aldred estava no mausoléu dos Maedoc, uma cripta feita numa formação rochosa dentro das muralhas do castelo. Alexandra estava com ele.
Alexandra
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Eu sei um pouco da história da Rainha Eterna e tal. Se o que você diz é verdade... acho que você deveria poder confiar nela.
Aldred observava as estátuas de Maedoc do passado, começou a massagear a têmpora.
Aldred
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Se tu soubesse o que ela fez em Agadir, o acordo que fizemos, as circunstâncias... tu ficaria enojada.
Alexandra o encarou sério.
Alexandra
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Aldred. Não sei o que aconteceu entre vocês, de acordo nenhum. Mas essa criança é a Rainha Eterna. Ela é um ser de luz, bondade e conhecimento. Arton só tem a ganhar com o retorno dela. Um dragão, certo, mas um dragão que está do nosso lado. E como ela disse ontem... ela o quer ao seu lado. Acho que vale a pena você rever isso.
E saiu deixando Aldred com a tocha iluminando o interior da cripta. Alguns minutos se passaram.
Aldred
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Tá bom. O que eu tenho que fazer aqui pra atingir esse novo poder?
A Rainha Eterna surgiu das sombras com um sorriso lagrimejante.
Aurora
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Me chama de Aurora. Eu gostei do nome... Aldred.
O jovem lutador sorriu de orelha a orelha. A abraçou.
Aldred
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Rainha. Você será sempre minha Rainha.
A luz dourada brilhou do túmulo de Antenod Maedoc, seu bisavô, aquele que tinha o sangue mais forte. Aldred sentiu o coração bater mais rápido, a respiração pesar e dor de cabeça. Os flocos de energia dourado começaram a surgir da luz e se encaminharam para Aldred. Ele começou a suar. Suas veias começaram a saltar. Seus cabelos começaram a ficar ouriçados, ganhando uma coloração mais clara, beirando o dourado. Seus olhos, antes castanhos, agora desbotavam ao azul cintilante. Mas veio a dor no peito.
Aldred
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Uuughhhhhh algo está... ERRADO!
A luz se desfez, a energia perdeu a conexão. Aldred voltou à sua aparência normal e caiu de lado. A recém nomeada Aurora o acudiu tentando levantá-lo.
Aldred
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Que merda, não sinto nada... acho que não deu certo isso aqui.
Aldred tentou de novo tocar no túmulo de Antenod Maedoc, mas nada aconteceu. Porém...

"Aldred"

A voz de Aurora o chamava. Aldred virou-se e viu uma a silhueta da criança de doze anos brilhar. E então, uma transformação. Seu corpo alongou-se, ganhou formas. Seus cabelos cresceram um pouco mais e seu rosto afinou. Estava mais alta e mais madura.

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Era uma adolescente, tinha algo em torno de dezesseis anos.
Aurora
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Funcionou sim!
***

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Pace, 1412
Serena, Deheon

A carta de Lyane chegara quando Aldred estava passando por Highter, a cidade flutuante presa numa corrente, em Bielefeld. Um mensageiro arcano, pago pela própria, o encontrara mesmo tão distante. Aldred seguia em Atrevido com a recém batizada Aurora em suas costas, o abraçando. Era uma menina maior e muito mais presente. A personalidade dela também mudara um pouco. Era mais brincalhona e tiradora de sarro.
Aurora
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É uma cartinha de amor? Olha que fico com ciúmes, heim? Hahaha, to brincando.
Aldred deu um sorriso amarelo para o mensageiro, agradeceu e leu a carta imediatamente.
Aldred
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Ela quer que eu vá pra Serena. Deve ser pra contar novidades. Bem... não sei onde fica. Vou voltar pra Valkaria.
Aurora
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Isso mesmo, nada de se perder de novo. Acho que não aguento mais ver florestas, quando eu for um dragão de novo eu vou queimar Samburdia inteira!
Aldred balançou a cabeça, mas riu um pouco daquele espírito alegre. Era uma personalidade melhor do que a criança metida de antes.

Quando Aldred chegou a Bek'Ground, encontrou Maryanne montada em seu próprio cavalo.
Maryanne
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Aldred! E... hã? Rainha?
Aurora
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Eu mesma, a poderosa Rainha Eterna. Mas pode me chamar de Aurora. Foi Aldred quem me deu o nome. Eu gostei. Que cavalo bonito, Mary, qual o nome?
Maryanne
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Nome? Hã... mas o que... Aurora? Hã? Aldred!
Aldred
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Longa história, eu conto no caminho. Aliás, já que tu tá aqui, imagino que saiba que eu também estava. Mamãe, né? Bem, onde fica Serena? Nunca mais tento viajar sem saber pra onde to indo.
E assim os três se dirigiram para Serena.

Era um lugarejo fajuto, com absolutamente nada, só uma taverna digna de nota. Era o meio da tarde quando os três chegaram.
Aurora
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Que lugar sem graça. Vou dar uma volta por aí.
Maryanne
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O que? Espere!
Mas a Rainha Eterna/Aurora, não lhe deu ouvidos. Saltou do cavalo e correu descalça procurando alguma coisa por ali.
Aldred
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Agora ela pode ficar um pouco distante. Não se preocupe, ainda é um espírito... mas agora é visível.
A viagem até Serena foi esclarecedora para Maryanne. Ficou espantada com as histórias em Portsmouth, Samburdia, Salistick e Trebuck e concordou com Alexandra no que se tratava a Rainha Eterna. Porém, com ressalvas... que poderiam ser discutidas agora, na ausência dela.
Maryanne
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Aldred, confio que ela tenha boas intenções, mas acho que ela pode ainda perder o controle. É muito poder... é muito sedutor. Você sabe o que aconteceu com nosso avó, né? Ele endoidou porque ficou indo atrás de poder o tempo todo. É coisa do nosso sangue de dragão. Do sangue dela.
Aldred
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Eu sei, Maryanne, mas eu vou estar do lado dela sempre para impedir que ela perca o controle. E acho que tu também, pois a maldição continua em nós dois. Aliás, já te falei tudo sobre o que fiz, mas e você? O que fez esse tempo todo?
Maryanne
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Ah, eu tinha decidido que ia treinar para ficar à sua altura. Hahaha, idiota, é. Eu sei. Fui até pro dojo do Satoshi... ele tá sumidaço ainda, nem os vizinhos sabem o paradeiro. Bem, fiquei lá, limpando pra que não ficasse entregue às traças. Treinei bastante e tal, mas percebi que não era pra mim. Eu não sou você, ou a Rainha Eterna, ou nosso avô. Eu não quero poder. Eu quero ficar bem e que as pessoas sejam felizes. Não sei se quero estar "pronta" pra essa jornada aí não.
Aldred entendia e ficava feliz. Ele mesmo se sentia cada vez mais sedento por poder e sabia que era o sangue de dragão falando. Mas sabia também que tinha o controle... ou pelo menos acreditava que sim.

Os dois cavalgaram pelo lugarejo, fazendo um perímetro, só observando o entorno da taverna. Aurora havia retornado e estava cansada. Dessa vez cavalgava com Maryanne.
Aurora
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Senti sua falta, sabia?
Ao cair da noite, os três entraram na taverna e logo em seguida Jihad apareceu. Sim, Jihad.
Aldred
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Jihad. JIHAD? JIHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAD SEU DESGRAÇADO!!!!
O copo de cerveja caiu no chão. Aldred saltou da cadeira e agarrou o feiticeiro, erguendo-o do chão.
Aldred
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Caralho, maluco!!!! Parece que não te vejo há anos!!!! Porra, tu não mudou nada! Eu já tenho um pelo branco na cara, putaquepariu!
Aldred o pôs no chão e puxou uma cadeira, apontando para Maryanne e Aurora.
Aldred
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Essa é Maryanne, minha irmã.
Maryanne
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Ooooiê.
Ela fez um gesto de V de vitória para ele, um pouco tímida.
Aldred
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E essa é... adivinha, maluco! É a Rainha Eterna! Lembra que eu falei que era amaldiçoado e pa? Então, agora ela pode ser vista por todo mundo!
Aurora
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Oi, eu atendo por Aurora agora, tá? E amaldiçoado? Pô, assim vão pensar que sou má.
Ela piscou um olho pra Jihad e mostrou a linguinha. Aldred praticamente forçou Jihad a sentar na cadeira.
Aldred
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Putz, tanta coisa mudou, caralho. Pega uma cerveja aí. Ei, o que tu tá fazendo aqui, maluco??? Poooooorra, que coincidência do caralho!!!
Estava genuinamente feliz por rever o amigo que nem pensava mais em Lyane, guerras e coisa e tal...
Compro um cavalo leve para Maryanne (75 TO) do dinheiro dela.
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DiceScarlata
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Re: Guerra Artoniana: Parte 2 - O Resgate de Lança Dourada

Mensagem por DiceScarlata » 28 Abr 2020, 17:54

Jihad Scarlata, o aventureiro
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- Grávida?
*BACK!*

*Foi o som da bolsa que Jihad fez ao se chocar com o chão, espalhando todos os seus itens pelos chão. O olhar de Jihad alternava entre a barriga da esposa e seu rosto. E como parecia diferente. Ficara quase dois meses fora. Sua vida se esvaiu uma dezena de vezes e toda vez que morreu, via aquele rosto... Mas agora, diante dele, parecia completamente diferente. Mais belo, reluzente.

Mitra S. Scarlatta
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Se apaixonava pela segunda vez enquanto agradecia por estar vivo*
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- Eu vou ser uma pai?
*Um aceno timido*
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- UHUUUUL!!!!
*Jihad saltou e alçou voo!! Gritou com toda a força de seus pulmões e atravessou a janela. Nunca havia voado tão alto, admirando o telhado das outras casas. Voou em piruetas, passou por varais, torres e voltou, pousando sobre a janela da vizinha*
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- Ô DONA TELMA!
Dona Telma
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- Fala meu filho.
[quote Jihad Scarlata, o aventureiro
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- EU VOU SER PAI!
Dona Telma
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- Lena te beije, meu filho..
*Jihad saltou novamente, perfurando o ar e não muito longe dali, mergulhou para dentro de um posto da milicia, diretamente pela janela e parando a frente de um soldado, que sacou uma espada em seu pescoço*
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- MATHAIUSI! EU VOU SER PAI!
*Baixou a espada*
Mathaius
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- GRANDE JIHAD!!! PARABÉNS!!!
*Depois de um BRO-HIGH-FIVE, Jihad já estava no novamente no ar, cheio de felicidade. Agora, sobrevoava a favela dos goblins*
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- GOBLINS! EU VOU SER PAI!!!
Goblinada da quebrada
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- AEEEEEEEEEEEEEEEEE PORRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!
Orgo Corta-rocha
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- AI SIM HEIM PARÇA! DEI VALOR MANU!! SÉLOKO CACHORRO!! TA DI PARABÉNS MANU!!
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- VALEU ORGO!
*Em parafuso, Jihad perfurava o ar, passeando por todos cantos que conhecia de Valkaria. Nitamura, Arena, protetorado, nada lhe escapou! Foi no último abraço que deu, que fizeram a pergunta de um milhão de tibares:*
Luigi Sortudo
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- Você não devia estar dando esse abraço em sua esposa, meu querido?
*Jihad o olhou atônito*
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- Ôputaquepariu
*Nunca voou tão rapido pra casa, pálido com a própria distração e atravessou todos os atalhos possíveis até retornar a sua própria casa. Mitra aguardava no mesmo lugar, com uma sobrancelha erguida*
Mitra S. Scarlata
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- Vou te contar, viu...
*Jihad estava ofegante, desleixado e até sujo, mas mesmo assim, se jogou aos pés da mulher abraçou seu ventre, colocando o rosto ali*
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- Obrigado... Obrigado por carregar essa criança. Obrigado por carregar essa vida que fizemos. Eu te amo...
Mitra S. Scarlata
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- Bobo..
*Ela envolve a cabeça de Jihad em um abraço. Não queria que ele visse, mas foi impossível ele não sentir a gotas que pingava e escorriam por seus ombros e pescoço. Choraram juntos de alegria*

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EMPÓRIO LÂMPADA MÁGICA: Tornamos seus desejos em realidade!
Empresa Areia e fogo LTDA
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*Mitra conheceu Jihad com seus dezessete anos. Casou-se com o Qareen que a levou a Malpetrim para ver o mundo. Abiram um pequeno bazar, onde venderia itens do mundo todo, curiosidade para os muitos aventureiros que passassem por ali. Jihad saia em aventuras e mandava dinheiro e tesouro para que a mulher os administrasse. No começo foi difícil, ela não tinha nenhuma experiência. Passou por momento terríveis. Foi enganada, assediada e até roubada. Mas nunca dependeu do marido para resolver seus problemas.*

*Tal qual enfrentava um bando de goblins valentões com as mãos nuas em prol de uma maçã magica, enfrentou as dificuldades com a própria força e inteligência, mas acima de tudo, sua dureza natural, uma rigidez daquela que busca vencer o próprio mundo. Era incomparavelmente mais fraca que Jihad, mas o superava em todos os aspectos como sobrevivente*

*Por dois anos, o bazar rendeu e cresceu, a ponto de obterem a possibilidade de partir da pequena malpetrim para a cosmopolita Valkaria, para encontrar novos desafios comerciais. E assim foi. Mitra agora era uma mercadora renomada. Um nome crescente no mundo da economia de Arton*

*E para quem acredita que um filho é o fim de um sonho, se envergonharia diante desta garota, que provou que na verdade seu filho, seria a inspiração do sucesso. Com a beleza e atração sobrenatural de seu marido (e sua capacidade de ligar com pessoas), somado a coragem e inteligência de Mitra, trabalharam incessantemente para transformar o bazar em algo maior.*

*Nasceu então o Empório Lâmpada Mágica. Não apenas um bazar de curiosidades mundanas, mas agora uma reserva poderosa de itens mágicos diversos, tecnologias raras e relíquias históricas. Pessoas de toda a Valkaria e do resto de Deheon vinham para comprar na loja de Mitra e Jihad.*

*Com seis meses já haviam feito uma fortuna*

Jihad Scarlata, o aventureiro
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- Uou.. O mundo dos negócios é um campo de batalha que acho que nenhum dos meus companheiros aventureiros venceria... Mas você conseguiu. Caraca Mitra..
Mitra S. Scarlata
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- Nós conseguimos amor. Mas ainda não acabamos. Eu já sei nosso próximo passo...
*Com uma mão acariciava a barriga cheia e com o olhar almejava o céu, conforme o sol erga coberto pela imensa sombra de uma cidade voadora.*
Mitra S. Scarlata
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- Mal posso esperar.
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GUERRA. REENCONTRO. NASCIMENTO E DESTINO
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*Uma festa enorme. Comida, convidados da vizinhança, funcionários do empório, aliados do comércio, clientes fieis e companheiros de aventura. Todos reunidos ali em prol de uma coisa: Conhecer o filho de Mitra e Jihad!*
Glass Solari Scarlata (nome temporário. É difícil demais escolher)
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Jihad Scarlata, o aventureiro
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- SENHORAS E SENHORES!! QUANDO SE JUNTA A LUZ DO SOL AS AREIAS DO DESERTO, AS VEZES SURGE UMA BELEZA RARA E RELUZENTE! TRANSPARENTE, PURA!! BELA! GLASS!! NOSSO AMADO!
*Uma explosão de palmas eclodiu conforme Mitra era carregada em um tapete flutuante, abraçada ao bebê. *
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- Agradeço a todos pela visita! Agradeço ainda mais a minha esposa por trazer essa criança ao mundo! Eu juro solenimente amá-la e protegê-la até o fim de minha existência... E depois! É meu maior desejo em vida!
*Mais gritos e aplausos. Jihad foi até o anão Fargrimm e o abraçou forte. Fora ele que os casara em nome de Tenebra, então era uma felicidade tê-lo ali.*
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- Estou muito feliz por vocês. Parabéns amigo.
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- HAHAHAAH Valeu Fargrimm. Não sei pq dizem que você é chato*
*Depois foi a vez do bardo Ash, o qual Jihad o contratou para cantar em sua festa, MAS O MEIO-ELFO RECUSOU-SE A ACEITAR SEQUER UM CENTAVO, POIS CANTARIA DE GRAÇA PARA SEU GRANDE AMIGO JIHAD*
Ash
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- E ai, vai sossegar agora?
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- Não. Eu não posso.
*Jihad apertou os punhos, até os nós de seus dedos clarearem. Seu olhar via além janela do salão de festas, para a estátua de Valkaria e para a cidade como um todo*

Jihad Scarlata, o aventureiro
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- Eu lutei com os homens que declararam guerra a nosso reino. Eles são incrivelmente fortes e querem matar todos os não humanos. Eu podia pegar Mitra e partir para o deserto... Mas isso não é justo com ela agora. Ela tem sonhos a realizar. E me disse que vai lutar também, ao seu meio. Ja preparou um plano de doações de caridade para aqueles prejudicados pela guerra. Ela é incrível.
Ash
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- ....
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- Recebi uma carta de Aldred. Eu preciso ir. Eu preciso lutar. Eu preciso continuar recuperando meus poderes, agora para proteger meus vizinhos, meus clientes, meus amigos... E meu filho, o maior tesouro que já conquistamos. Você devia vir também.
Ash
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- Minha música sempre irá ajudar aqueles que precisam, ainda mais nessa guerra... Mas você sabe por que não voltarei. Não dá.
Mitra S. Scarlata
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- Por causa do paspalho?.
*Mitra surgiu, carregando o garoto como quem segura o mundo nas mãos. Sorria animada para Ash e havia recém abraçado Fargrimm*
Mitra S. Scarlata
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- Hahahaha vocês todos eram enxeridos pra mim na época... Mas foram heróis. Aldred é uma boa pessoa. E ele é tão difícil quanto todos vocês. Mas entendo que precise do seu tempo Ash. Será sempre bem vindo em nossa casa.
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- Sim. Eu protegerei todos vocês.
Mitra S. Scarlata
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- Eu sei que vai. Cumpra meu desejo Jihad Scarlata. Volte por mim e nosso filho.
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- Concedido..
________________________________________________

*O cavalo CAMELO, ficara em posse de suas esposa. Não precisava mais dele. Um qareen não mudava nem com séculos passando por seu corpo, mas Jihad parecia diferente. Livrara-se das tranças, deixando os cabelos ao vento. Tinha um belo manto branco sobre as costas, um tecido leve, quase transparente, que lhe dava um ar ainda mais belo e magnânimo, atraindo os olhares. Possuía jóias pelo corpo, uma mala de viagem e um tapete enrolado e preso no alto da bolsa*

*Quando entrou...*

Aldred
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Jihad. JIHAD? JIHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAD SEU DESGRAÇADO!!!!
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- ALD?? AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAALDREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEDD..
*Largou a mala e correu em direção ao lutador, pulando sobre o seu corpo e sendo erguido num abraço. Gargalhou junto ao amigo, bagunçando sua cabeleira*
Aldred
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Caralho, maluco!!!! Parece que não te vejo há anos!!!! Porra, tu não mudou nada! Eu já tenho um pelo branco na cara, putaquepariu!
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- Caraca... Se tá velho mesmo !! HAHAHAHAHAH QUE NADA!!! APOSTO QUE TÁ MAIS FORTE QUE ANTES, LÍDER DRAGÃO!! INCLUSIVE! SE VC QUISER VIRAR UM DRAGÃO MESMO, É SÓ ME PEDIR! HAHAAHAHAHAHAH..
*Pegou a bolsa e se juntou a mesa de Aldred, ja pedindo uma bebida. Mesmo em um tempo tão sombrio, onde pela primeira vez Jihad temia perder tudo que amava, ver o rosto de um amigo, um rosto de um amigo poderoso a quem amava, lhe trazia muita segurança*
Aldred
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Essa é Maryanne, minha irmã.
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- Olá Maryanne! Jihad das areias vermelhas. Ou Jihad só. Muito prazer! Por acaso Aldred foi adotado? Você é bonita demais pra ser parente dele, bicho.
Maryanne
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Ooooiê.
*Abraçou a garota sem cerimonia, durante o gesto de V*
Aldred
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E essa é... adivinha, maluco! É a Rainha Eterna! Lembra que eu falei que era amaldiçoado e pa? Então, agora ela pode ser vista por todo mundo!
Aurora
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Oi, eu atendo por Aurora agora, tá? E amaldiçoado? Pô, assim vão pensar que sou má.
*Jihad parou olhando para ela. Suas tatuagens brilharam, sem que chamasse sua magia. Seus cabelos esvoaçavam. Atrás da adolescente, via a sombra de algo magnânimo, luminoso e bondoso. Não sentia algo tão antigo e poderoso... Desde que ele mesmo era um gênio*
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- Uau... Você é a antecessora do Aldred? Reforço a teoria da adoção! .
*Deu um soquinho no braço do amigo*
Aldred
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Putz, tanta coisa mudou, caralho. Pega uma cerveja aí. Ei, o que tu tá fazendo aqui, maluco??? Poooooorra, que coincidência do caralho!!!
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- Eu tenho muito a contar Aldred. Eu lutei com esses puristas filhos da puta em um outro grupo de aventureiros. Foi a luta MAIS DIFICIL da minha vida. Talvez por que você não estava lá! HAHAHAHAHA Mas eu quase morri várias vezes. Fiquei mais poderoso também! E quero defender minha cidade. Defender Valkaria e Mitra... Principalmente agora..! .
*Fez um gesto com as mãos e invocou a imagem de Mitra, bela como nunca, segurando o filho do casal em seus braços*
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- ... Que sou pai.
*Sorriu orgulhoso. Então ouviu a porta se abrindo e surgiu o campeão de Valkaria* *
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- . CHEGOU NA MELHOR HORA!! HOEN VENHA CÁ!! ALDRED VOCÊ PRECISA CONHECER ELE! ELE LUTOU AO MEU LADO! SALVOU MINHA VIDA! É UM HERÓI QUE NUNCA DESISTE! HOENHEIM MITTERNACH ESTE É O LÍDER DRAGÃO DO QUAL TE FALHEI! MESTRE DO YAMADA RYU! O HEROI QUE TAMBÉM NUNCA DESISTE! ALDRED MAEDOC! .
*Puxou um de frente para o outro*
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- .Padrinho do meu casamento, conheça o padrinho do meu filho!!!

*Fitou Hoen*
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- .Ah sim... Sou pai agora, Hoen. E como assim o que estou fazendo aqui Aldred? Recebi uma carta sua me chamando!!!
*Entrega a carta*
Itens adquiridos:
- Tapete voador menor (vassoura voadora) - 17.000
- Manto do carisma +2 - 4.000
- Poção de essência de mana pura - 500
- Poção de curar ferimentos graves x2 - 500
Editado pela última vez por DiceScarlata em 29 Abr 2020, 17:02, em um total de 1 vez.
Tribo Scarlata


- MUNDO DE ARTON: GRUPO MADEIRA DE TOLLON (on):Angra Cabelos de Fogo
- MUNDO DE ARTON: GRUPO AÇO-RUBI (on): Jihad das Areias Vermelhas
- MUNDO DE ARTON: GRUPO JADE (on):Sr. Fuu
- JOHNVERSE: PRESA DE FERRO (on): Jinx - Cruzado da Ordem dos cabeças de Dado
- JUDASVERSO: CRÔNICAS DA TORMENTA (on): Nagamaki no Gouka!
- FUI REENCARNADO COMO MONSTRO (on): Gizmo
- OUTONO (on): Sandman

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Maggot
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Re: Guerra Artoniana: Parte 2 - O Resgate de Lança Dourada

Mensagem por Maggot » 28 Abr 2020, 23:14

Passou pelos corredores de pedra cinzenta da prisão, cansado. Primeira parada desde que havia voltado para Valkaria. Tinha de visitar Jihad, sabia, mas havia uma coisa que precisava fazer na cidade naquele momento. Uma pessoa com quem precisava falar.

Passou pelo guarda na cela, e o homem o reconheceu rapidamente. "Finalmente.", pensou. Cumprimentou o homem com um aceno de cabeça e o esperou abrir a porta. O homem parecia hesitar, mas o olhar insistente de Konrad o convenceu. Ele tinha permissão para estar ali, afinal. Era o homem que havia prendido a mulher. Como sempre, a porta foi fechada atrás dele. O estrondo do aço foi ouvido, a porta foi trancada. Ele sabia que o guarda tinha medo dela tomá-lo de refém e fugir. Matando vários no caminho.

Konrad não temia isso. A prisioneira podia ser muitas coisas, mas nunca fora burra.
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- Olá Jaennis.
A mulher o encarava. Parecia mais serena agora. O cabelo agora estava solto, e trajava roupas de algodão. Sem armadura e sem armas quase parecia normal. Quase.

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- Serei breve. Sua família foi resgatada. Estão seguros, sob minha proteção. Não deixarei que nada aconteça com eles até o fim do conflito.
A voz do albino era fria. Ele não deixava emoção alguma transparecer. Um traço que havia aprendido com anos de prática. O problema era ser real com outros quando suas emoções eram tão suprimidas.
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- Foi cansativo. Tentarei possibilitar que possam visitá-la depois que a guerra a acabar, não paravam de me perguntar isso. Por hora, basta que saiba que os resgatei. Pela segunda vez você me deve. Por sua vida e pela daqueles que ama. Não se esqueça de que não foi sua amada raça que o fez.
Encarava a mulher friamente. "Aberração" ela havia o chamado. Tentado cuspir em sua direção. E aqui estava ele, tendo resgatado a família da mesma. Arriscando sua própria vida por ela. Porque? Queria provar um ponto? Raiva? Como se lesse sua mente, a um dia inimiga finalmente falou.
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-Por que fez isso? Apenas para esfregar na minha cara?
Konrad a encarava. Bateu duas vezes na porta, indicando que estava pronto para sair. Rodou o corpo, trajes brancos imaculados balançando com seu movimento. De costas para a mulher enquanto a porta era aberta, Konrad respondeu:
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- Quem sabe? Fiz o que fiz pois era o certo à se fazer. Apenas se lembre que diferente de seus aliados, a... Aberração, como você indicou, não irá os utilizar como moeda de troca. Eles estão bem, e assim ficarão.
O guarda abriu a porta rapidamente, mas Konrad saiu sem pressa. Não estava em risco. Mas o que Jaennis falou em resposta finalmente o chocou:

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-Obrigada.
Aquilo era novo.


_____________________________________

Meses antes
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- Você tem certeza que eram eles? Não minta pra mim ou irá perder muito mais que apenas um dedo.
O homem gritou. Para puristas, eles cediam bem rápido à terror e pressão. Dor também costumava ser eficiente. A ameaça, ao menos.
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- V-vá... pro inferno aberração.
Observou o colar que o homem carregava. Uma pintura de sua mulher e filho estavam ali.
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- Rude. Vou perguntar de novo, e então você pode voltar pra merda da sua vida de traidor, pra sua merda de mulher traidora e pra desgraça abortada que você chama de filho.
Um movimento no chão perto dele, e com uma simples batida da bota no chão, uma lâmina disparou, perfurando o rosto de um soldado que se fingia de morto. Lamentável. Eram uma patrulha Purista. Sete homens. Iriam se encontrar com um outro grupo para tomar um certo grupo de pessoas à serem escoltadas. Um à um os homens haviam desaparecido naquela noite. Um primeiro estava indo mijar quando a adaga de Konrad encontrou seu pescoço. Outros dois, de guarda, não o viram chegar e se sentiram algo enquanto suas cabeças se separavam do corpo, não havia durado muito. O resto, indigesto pelo veneno colocado na comida, não foi capaz de enfrentar o lefou albino que os atacou no meio da madrugada, seu corpo completamente coberto por sangue.

Rapidamente haviam parado de enxergar. Dali, foi um massacre. A aji abriu a barriga de um, suas tripas escorrendo para fora. Outro ergueu as mãos para atingi-lo com a enorme espada, mas com um passo para o lado, Konrad deixou que atingisse o chão, Seu próximo ataque separou as mãos do homem de seu corpo. O último, antes que tivesse tempo de atacar Konrad foi surpreendido por das lâminas se fincando em sua mão decepando o dedo indicador e o prendendo contra uma árvore. E ali estavam agora. Meros momentos após o massacre.
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- Eles... Eles já passaram da fronteira. São dezenas de soldados que estão com eles. Você nunca vai resgatá-los. Mas estão parados perto de uma cidade chamada de Cherson.
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- É... Creio que eles precisariam de mais algumas dezenas para terem chances se vocês sete são algum exemplo. Viu como é mais fácil quando você colabora... Qual seu nome mesmo?
A dor já consumia o homem, claramente. Logo antes havia o xingado. Agora? Agora era sua vítima.
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- W-Wilfred...
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- Certo Wilfred. Me diga, o que vai fazer se eu o deixar ir?
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- V-voltar pra c-casa. Para minha mulher.
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-E vai retirar o seus símbolos de Purista, imagino?
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-S-sim. Claro. Se me deixar ir, n-nunca mais encostarei em um não humano.
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- É... Mas sabe qual o problema Wilfred? Eu gosto dos meus Puristas facilmente identificáveis.
Os gritos do último homem daquela divisão ecoaram pela noite.

Quando Konrad se viu diante da cidade, semanas já tinham se passado daquele caso. Um boato já se espalhava entre tropas yudenianas no local sobre uma besta de sangue que matava na noite. As áreas aonde os corpos eram encontrados sempre eram similares. Patrulhas mortas de surpresa. Comida envenenada. Homens mortos com expressões de pânico e olhos fechados, como se em terror por o que viam... Ou deixavam de ver. Apenas dois sobreviventes até então. Dois homens que haviam dado relatos da criatura. Aparência de um homem, mas completamente branco, a pele como neve. Mas coberto de sangue, como se tivesse se banhado naquilo. Os dois homens diziam que haviam sido deixados vivos pelo monstro. Um recado. Em seus rostos, entalhado com uma adaga afiada e infectada, estava o símbolo dos Puristas. Eles jamais poderiam se esconder.

Boatos se espalhavam entre as tropas. Uma história ganhou popularidade entre soldados supersticiosos e camponeses. Um monstro que atacava homens na noite. Uma aberração em forma de homem que devorava a carne de seus inimigos. Uma palavra, vinda dum dialeto antigo do dracônico começou a correr por ali. A tradução era algo como "Assombração da Noite". Simples, mas eficaz em causar terror. Konrad gostava do som daquilo. Parecia apropriado.

"Kurze."
__________________________

O acampamento aonde a família Farrest era mantida estava diante dele. Ali vinha a parte mais difícil. Sob a cobertura da noite, começou seu ataque.


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- Argentus.
O arco se manifestou em sua mão. Madeira élfica terminando em duas cabeças dracônicas. A primeira flecha se materializou em sua mão e ele, enrolando um pedaço de tecido na ponta, à mergulhou no óleo e então no fogo. Tudo iria de acordo com os planos, como ele gostava. Sem surpresas. Sem dificuldades. Havia por dias espionado o lugar. Descobrira os horários quando o clérigo de Keenn juntava os soldados para rezar. Havia descoberto na cidade de Cherson, também, um clérigo de Hynnin. Ele se dizia de Rhond, claro. Mas era fácil de enxergar o deus real do homem. E com algumas doações clericais bem aplicadas, havia conseguido que o homem envenenasse a comida dos soldados, sabotasse suas armaduras e armas, drogasse os capitães e roubasse as roupas de reserva de todos. Konrad não sabia exatamente o porque daquela última, mas fora uma exigência do homem. E tudo o que precisara fora roubar uma relíquia de Keenn de dentro da barraca do clérigo líder. Fácil.

Atirou a flecha incendiaria, pegando diretamente na barraca do líder. O fogo se alastrou e logo homens corriam. Tropeçavam uns nos outros, porém, o veneno fazendo efeito enquanto os conteúdos de seus estômagos era liberado. Fezes e vômito se misturavam à terra, e logo Konrad disparou para dentro do acampamento militar. Os homens mal o reparavam, em pânico e dor como estavam, e era assim que ele gostava. Uma sombra. Invisível aos olhos inimigos. E logo ele encontrou seu alvo. Uma barraca de luxo. Reféns nobres eram um patamar próprio.

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- Virão comigo se querem viver.
Uma família inteira. Krystal Farrest, a irmã mais nova de Jaennis, se encolheu ao vê-lo. Ela se parecia com a irmã, levemente. Com apenas dez anos pelas suas informações, já era grandinha para a idade. Talvez ficasse maior que a irmã. A mãe também se encolheu, mas tinha a coragem de se pôr na frente da filha. Uma mulher baixa, acima do peso e atarracada de cabelos escuros. Mas era corajosa, isso Konrad não podia negar. O pai de Jaennis, Daemor, um colosso em forma de homem, coberto por pelos ruivos, se ergueu para atacá-lo, mas com dois passos para o lado e algumas poucas palavras, o convenceu ao contrário:
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- Eu sou um conhecido de Jaennis. Vim levá-los para Valkaria e para longe da guerra.
Aquilo eles não questionaram. Foi levando eles que finalmente foi visto. Dois homens que terminavam de vomitar e defecar atacaram ele, debilmente. A armadura de um se soltou, a adaga de mola de Konrad encontrando seu coração. O segundo balançou uma espada contra ele, apenas para ver a lâmina se soltar e cair inerte no chão. Um golpe contra o rosto, e ele também caiu.

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- Sigam em frente, por favor.
Disse, sereno.

_______________________________
As próximas semanas foram surpreendentemente tranquilas. Uma viagem que deveria ter sido mais rápida, mas evitar patrulhas era útil. Rapidamente conseguira fazer com que os pais dela esquecessem o preconceito. Incrível o que gratidão e medo podiam fazer. Mas tomara um carinho especial surpreendente pela pequena Krystal. Se mostrara sem os preconceitos colocados nas mentes por adultos, perspicaz, brilhante e com potencial surpreendente para o poder arcano. Em pouco, já tentava imitar as rezas e manias de Konrad, tentando invocar sua próprias armas. Seria assustadora como adulta se conseguisse aprender aquilo.

Eles insistiam, porém, em fazer perguntas sobre a natureza da relação de Konrad e Jaennis. Aonde ela estava. Como estava. Não receberam bem a notícia de que estava presa. Mas sabiam que Konrad ainda era sua melhor esperança de chegar até Valkaria e revê-la. Foi na despedida deles, quando finalmente chegaram em Valkaria, nove meses após Konrad partir em sua busca, que a jovem Krystal perguntou:

"É o noivo de minha irmã?"

"Não." Respondeu, quase se sentindo triste por decepcionar a jovem. "Sou seu captor."

E com aquilo, partiu para avisar a inimiga de que ele havia salvo sua família.


______________

Foi uma surpresa ver Mitternach. Mais uma vez, se encontravam quase que por acaso. Chegando ao mesmo tempo no mesmo lugar. Apeou, amarrando Bucephalus, e entrou no local aonde agora um grupo todo se reunia. Faces familiares, outras não. Haviam, claro, Mitternach e Jihad.

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-Mitternach, vejo que de fato se livrou do Desbravador. Verdadeiramente insano, velho amigo. Jihad, soube que não estava em Valkaria, o que houve e...-
Encarou os outros presentes. Uma mulher de cabelos escuros, para quem fez uma mesura, uma garotinha loira - "Lembrava Krystal" - e um homem:

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O encarou por alguns instantes:

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-Me desculpe, mas te conheço de algum lugar?
500 TO de empréstimo com Jihad e sua lojinha. Compra Veste de Teia de Aranha.
Editado pela última vez por Maggot em 29 Abr 2020, 21:04, em um total de 1 vez.
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- Six shots...
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RoenMidnight
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Re: Guerra Artoniana: Parte 2 - O Resgate de Lança Dourada

Mensagem por RoenMidnight » 29 Abr 2020, 15:13

O retorno para Valkaria após enfrentar os puristas diferente da ida foi incrivelmente tranquilo. Ficou satisfeito de ter mantido o Exterminador amordaçado, porque não aguentaria ficar ouvindo a ladainha dele durante o caminho.

Ao longo do caminho expôs aos outros o que faria com o Desbravador. Konrad tentou convencê-lo a não entregar a igreja afinal era um paladino de Valkaria e o Desbravador deveria correr o mundo. Hoenheinn negou, era um artefato importante para sua religião e deveria estar seguro na Catedral de Valkaria.

A verdade é que aquilo era o que o paladino falava para tentar se convencer de que era o correto a fazer. Ele queria poder empunhar a arma de sua deusa e resolver os problemas do mundo com ela, mas em seu âmago sabia que não era correto.

Qual seria a diferença dele para os que combatia se o fizesse?

Ao menos uma vez deveria seguir o que mandavam os protocolos

Logo quando chegaram a Valkaria levaram os criminosos a coroa para que fossem presos. Recebeu uma recompensa e seguiu para a casa de seus pais.

Após abraçar sua mãe e seu pai e após fecharem a taberna mais cedo tomaram um café. Aquela noite ficou com eles antes de partir para a Catedral pela a manhã.

Subiu as escadas com passos largos e confiantes, a cada degrau subido uma memória do passado retornava. Faziam anos que estava fora de Valkaria e finalmente retornava um homem totalmente diferente do que quando saíra.

Por ele passavam noviços e uma dupla de sacerdotes para uma peregrinação. As viagens começavam cedo dentro da religião, e provavelmente estariam seguindo para uma vila próxima onde a igreja mantinha uma de suas igrejas. Apenas alguns poucos pastores concediam o direito de permanecerem em suas congregações.

As enormes portas estavam abertas e adentrou sem cerimônia, mesmo cedo a igreja já contava com um número considerável de fiéis, diversos deles vinham de longe para ver de perto os cultos realizados no ponto central da religião. Um clérigo realizava uma pregação naquele momento, mas o paladino não seguiu em direção ao altar, seguiu um dos caminhos laterais por uma porta que dava a um pequeno escritório com diversos pergaminhos. Ali uma moça com cabelos castanhos amarrados em um coque lia alguns deles e fazia notas.

O paladino se aproximou.
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Bom dia, sou o Paladino Hoenheinn Mitternach. Enviei uma carta a algumas semanas informando que eu estaria vindo e necessitava de uma audiência com o Sumo Sacerdote.
A moça o observou, parou os olhos nele por um tempo e continuou a fazer anotações em seu pergaminho falando em seguida.

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O Sumo Sacerdote se encontra a sua espera, prossiga pela a porta a esquerda e siga pelo corredor. Espere ser chamado no final do corredor.
O loiro assentiu com a cabeça e seguiu pelo caminho indicado. Ao fim viu um pequeno grupo de homens e mulheres de diferentes raças ali. Pareciam ter alguns grupos de aventureiros esperando serem atendidos pelo Sumo Sacerdote.

Hendd Kalamar era um incógnita para Hoenheinn. Para ele era uma figura mística, quase etérea. Sua única memória dele era do dia em que o próprio Hoenheinn havia sido escolhido como paladino pela a própria Valkaria.

Um dia ímpar em sua vida.

Quando finalmente pode ser atendido foi pego de surpresa em como estava mudando. Em sua memória Hendd era um homem frágil e de corpo esguio em mantos que largos. O homem que sentava atrás da escrivaninha possuía porte de guerreiro, seus olhos pareciam afiados e se sua postura era austera.

Hoenheinn ficou parado perto da porta em postura solene.

Hendd Kalamar acenou com a cabeça e disse.
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Se aproxime Hoenheinn Mitternach, sente-se.
O paladino assentiu com a cabeça e sentou na cadeira a frente da escrivaninha. O Sumo Sacerdote continuou.
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Eu ouvi falar sobre suas ações, lembro quando Laura trouxe para mim a questão do seu paladinato: O primeiro de uma série de escolhidos após libertação de nossa deusa. Li recentemente o seu histórico e sei de seu temperamento, apesar disso você parece ter tido resultados bem positivos.
Ele encarou ao mais jovem como se esperasse alguma resposta e continuou.
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Recebi suas notícias de Mehnat. Trágico o que ocorreu naquela cidade, um ato nobre de sua parte tentar trazer para nossa causa um de nossos inimigos, mesmo que não o tenha conseguido é um admirável. Entretanto, acredito que não tenha vindo até mim para apenas discutirmos suas atuação como Arauto da Deusa. O que te trás aqui hoje?
O paladino se permitiu sorrir e sem dizer uma só palavra tirou da cintura o mangual, sentiu a pulsão ambiciosa que o Destravador causava se espalhar por seu corpo e depositou a frente de Hendd. O homem não deixou de demonstrar um certo assombro. Pela a expressão no rosto do Sumo Sacerdote o paladino conseguia notar que ele também sentia a aura divina que emanava da arma.
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Vim devolver o Desbravador. Ele estava em posse de Yudenianos. Radicais contra a Rainha Imperatriz, hereges que deturparam a palavra de nossa deusa em favor de um ideal de pureza divina.

Acredito que sejam maiores do que apenas um pequeno número de revoltosos. Um dos meus companheiros nessa empreitada parecia estar combatendo ativamente células deles dentro do reino.
Olhou mais uma vez para o Destravador.Respirou fundo e concluiu.
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Achei melhor trazer o Destravador para a Catedral. Ele estará em maior segurança aqui.
Hendd pegou a arma. Em suas mãos a arma tomou suas diversas formas. Ele parecia assombrado em ve-lo. Demorou um tempo o estudando e então olhou para Hoenheinn. Parecia realmente admirado.
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Não o vejo desde que os Libertadores os trouxeram a esse mundo das mãos da deusa. É uma surpresa ele ter acabado nas mãos de Yudenianos e uma surpresa maior ainda tê-lo em mãos.
Olhou novamente para o Desbravador e então para o Paladino.
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Muito Obrigado Hoenheinn. Realizou um ótimo trabalho desempenhando a sua função. Volte aqui amanhã, iremos discutir suas atividades e um aumento nos seus acessos aos recursos da igreja em suas incursões e uma recompensa ideal por esse feito.
O paladino levantou ambas as mãos, encabulado.
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Com todo o respeito, não fiz isso por recompensa, sua santidade. Apenas porque era o certo.
Hendd olhou profundamente nos olhos do paladino e abriu um enorme sorriso.
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Não me venha com falsa humildade Hoenheinn. Você sabe a importância de seu feito e que ela é digna de honrarias...
Ele então tirou do pescoço o próprio medalhão de Valkaria e depositou na frente do paladino.
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Leve consigo o meu próprio medalhão, abençoado por mim. Sentirá consigo a presença de Valkaria mais próxima, ela irá cuidar e lutará com você de forma mais presente.

Não apenas isso, apresente-o quando precisar de auxílio ou algum favor da igreja. É a prova de que você realizou um ato importante e não irão negar ajuda a você.
O paladino recolheu o medalhão e o analisou. Não era muito diferente do seu próprio, mas haviam detalhes ali que o diferenciavam. Possuía acabamento com ouro e prata e pequenos detalhes com as diversas faixas que compunham o símbolo alternativo da deusa criando um misto da clássica estátua em conjunto das faixas.
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Muito Obrigado, sua santidade.
Trocaram um aperto de mãos e Hoenheinn saiu do escritório radiante. Segurava a vontade de sair dançando.
.
.
.

Aquelas primeiras semanas foram difíceis para Hoenheinn, Laura o havia convencido a ficar em Valkaria por algum tempo. Dado os ocorridos na última aventura resolveu mudar o foco do seu treinamento, nunca fora dado a aprender nada sobre como curar. Diferente de outros paladinos seus dons eram canalizados de outras maneiras.

Se focou em apenas aprender o básico, não pretendia ficar muito tempo na capital, cada dia ali sentia que estava perdendo tempo. Após a luta contra os puristas esse sentimento apenas crescia.

Esse sentimento não tardou a se confirmar.

Estava saindo da Catedral indo em direção a sua casa. O vento frio soprava chuva contra o seu rosto. Passava por pessoas que tentavam se abrigar embaixo de marquises ou tirar suas roupas do varal.

Ouvia alguns gritos a distância, mas isso era de certa forma normal em Valkaria. Começava a pensar em tudo que precisaria para sair e percorrer o Reinado. O número de pessoas pelas quais passava aumentava, tinha que se esforçar para desviar e a cada passo pareciam aumentar. Pensou nos ensinamentos que tirou da última aventura, em como poderia se aprimorar, andava carrancudo. Os gritos aumentavam. Olhou em direção a estátua de Valkaria, ficou pensativo um tempo. Pensava em sua deusa e sobre a natureza da religião purista, eram hereges, mas e se realmente fossem abençoados por ela? Aquilo tinha uma implicação perigosa e poderia causar uma cisão dentro da própria igreja. Seria uma corruptela da própria igreja de Keenn?

Ouviu então o nome de Arkam.

Então novamente.

E mais uma vez.

https://www.youtube.com/watch?v=fIBEnBuxNSs

Desceu os olhos e notou bandeiras negras sendo estendidas no alto do castelo imperial. Olhou para trás em direção aos portões da cidade, uma procissão adentrava a cidade. Pessoas pareciam tentar se aproximar, mas a milícia da cidade impedia a aproximação das pessoas. O Protetorado do Reinado adentrava a cidade, estavam todos heróis famosos os quais havia ouvido falar. Estavam lá Shao-Jun, Dominique “Duck” e pareceu ter visto sobrevoando o pequenino sprite Gousti.

Não via Arkam Braço Metálico.

As pessoas ao seu redor falavam coisas desencontradas. “Arkam”. “Resgataram o corpo”. “Subterraneo”. “Morto”.

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Hoenheinn desceu a rua se acotovelando entre as pessoas. Não acreditava no que estava acontecendo.

As memórias do passado vinham em sua mente de maneira desencontrada. Se lembrava de quando era pequeno e estava junto de sua mãe e viu uma notícia na Gazeta do Reinado falando como ele havia derrotado um vilão que ameaçava a cidade-capital.

“Olha mãe, ele sempre mantém um sorriso no rosto não importa o quão ruim estejam as coisas, mesmo quando tudo parece impossível ele nunca desiste. Você acha que eu posso ser um herói assim também?”

Empurrou as pessoas e finalmente alcançou a rua por onde a procissão seguia. Foi bloqueado por um miliciano que recebeu um soco na cara e furou o isolamento se aproximando da carroça. Viu um corpo enrolado em um manto.

Corria em direção a carruagem chegando cada vez mais perto e então sentiu um impacto forte no lado do rosto. Caiu no chão, indo com a cara direto em uma poça de lama. Sentiu o braço sendo puxado para as costas sendo imobilizado na sequência.

Ouviu a voz feminina.
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O que você pensa que está fazendo paladino?
Fez força para tentar se soltar, mas a técnica da membro do protetorado do reinado era superior a sua.
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É mentira! Me diga que é mentira! Ele não pode ter morrido!! Não ele!!
A mulher não o respondeu.

Naquela noite Hoenheinn passou a noite em uma cela na milícia do reinado. Não conseguiu dormir. O choque havia sido grande de mais para ele.

Os puristas haviam matado Arkam Braço Metálico.

Os puristas haviam matado o seu herói.

O mundo não era mais o mesmo.

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Os preparativos haviam sido feitos. Deu um beijo no rosto de sua mãe e abraçou o seu pai e partiu mais uma vez para desbravar o mundo.

Dessa vez com um objetivo claro: Tinha que proteger todos que pudesse dos puristas. A morte de Arkam havia apenas aumentado o impeto de faze-lo, havia lhe dado não apenas motivação, mas também o sentimento de urgência.

Um dia antes de partir visitou Jihad, Mitra estava grávida e por isso jamais ousaria chamar o Qarren para seguir com ele. O amigo e a esposa estavam planejando expandir seus negócios e por isso achou que a melhor ajuda que poderia fornecer a eles, foi entregar a recompensa da coroa pela captura dos puristas.

Achava justo eles terem algum conforto no meio do que estava por vir.

Além disso entregou para ele um pequeno presente para o filho ou filha. Talvez tinha mais importância para ele do que para qualquer outro: um boneco de madeira esculpido na imagem de Arkam Braço Metálico.

No caminho para Zakarov comprou a Gazeta do Reinado, e leu a declaração de guerra de Herman Von Krauser. Naquela noite a gazeta servia de combustível para sua fogueira.

Foram meses de dureza.

Ouviu notícias de Bella Wells tendo que lidar com um rei fraco e que não fazia qualquer esforço para o avanço de Yuden no reino.

Queria continuar e ajudá-la mas ouviu de um avanço Yudeniano em Namalkah. Lá combateu batalhões de soldados que avançavam contra vilarejos de não humanos. Forçou Alvorada, a égua que Zidane havia lhe dado, e juntos conseguiram chegar sempre a tempo de interceptar e empregar táticas de guerrilha junto dos tropeiros e outros aventureiros.

Foi em vilarejos próximos à fronteira e ajudou a evacuar cidades e esconder não-humanos. No meio do processo de levarem a caravana a Deheon teve que negociar com um Nobre de Zakarov que quis impedir o seu avanço.

Em Deheon ouviu que um grupo de Yudenianos construía uma espécie de ponte entre a fenda que havia se aberto entre os dois reinos. Se juntou a um grupo de camponeses que vivia em uma vila próxima e armaram um plano para destrui-la e garantir que não pudessem construir mais naquela região sem grandes prejuízos.

Ouvia os rumores de que um dos faróis de Bielefeld havia sido acionado e como que aquilo podia representar uma invasão ao reino. Fazia todo o sentido, Bielefeld estava quebrada e se mantinha apenas pela a honra e austeridade de seus cavaleiros.

Quando passava por Wynlla reencontrou Arkam. Notaram que ambos ainda possuíam algum carinho um pelo o outro e seguiram juntos para Bielefeld, mas acabaram brigando novamente no meio do caminho e se separaram mais uma vez.

Chegou em Roshvallen junto de outros grupos de heróis, a cidade estava sitiada pelos puristas.
Ali era só mais um dos diversos heróis que correram para proteger a cidade.

Reencontrou com diversos rostos conhecidos de outros tempos.
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Paladino de Valkaria. A quanto tempo não nos vemos, vejo que finalmente poderemos ter o nosso duelo e acertar a nossa querela.
O paladino sorriu.
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Agricolus! Fiquei com medo de você ter virado uma picanha após o que ocorreu em Krast.
Se abraçaram e começaram a conversar. Descobriu que o minotauro havia ficado em Bielefeld por algum tempo até que os ataques começaram, ele e um grupo de aventureiros vinha agindo em conjunto, mas se separaram quando uma parte deles resolveu ir para Norm que também sofria ataque.

Os puristas avançavam dia a dia em seu ataque e todos os dias mais e mais era necessário dos aventureiros. Do outro lado pareciam aparecer também apoiadores, vilões em sua maioria mas alguns heróis e loucos sem causa que desejavam apenas fomentar a guerra agregavam os números dos puristas.

Hoenheinn mesmo sendo apenas mais um aventureiro procurava reunir todos os que podia para organizarem estratégia e ajudar a mantê-los com a moral alta.

Havia reúnido um número razoável de companheiros.

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Eles tentarão nos quebrar, eles tentarão marchar sobre nós. Eles acreditam serem capazes de botar medo em nós, mas quem devem ter medo são eles. Eles agem baseados no medo, seus ideais são fracos.

Hoje cada um de nós aqui luta sabendo que o faz porque é o certo e é nossa paixão que nos faz continuar lutando.

Amanhã avançamos e diremos na cara deles: “Quem diabos vocês pensam que nós somos?! Nós somos a Brigada da Estrela Cadente! Caíremos sobre eles como o próprio céu.”
Eram apenas mais um grupo entre os numerosos grupos de heróis que estavam ali, mas de longe eram um dos mais apaixonados. Foram para a batalha no dia seguinte e acabaram sendo encurralados pelos batalhões de puristas.

Estava lado a lado com Agricolus no momento.
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Nunca pensei que acabaria morrendo lutando lado-a-lado com um minotauro.
O grandalhão virou apenas os olhos para ele e respondeu.
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E lado-a-lado de um amigo?
O paladino sorriu largamente.
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Sim, eu posso fazer isso.
E avançaram contra os puristas. No final daquela batalha, apenas um deles havia saído vivo.

No dia seguinte enterrava o corpo do minotauro, mesmo contra todas as recomendações seguiu para fora das muralhas. A cada pá de areia sentia cada vez mais a melancolia de cada momento que estava vivendo vinha se abatendo. Respirou fundo quando terminou. Não daria uma vala comum pelo o homem que havia recebido um golpe para salva-lo e permitiu que abrissem um caminho para todos sobreviverem.

Quando retornava ouviu o burburinho que se formava em cima da muralha, os puristas pareciam começar a fazer um novo movimento. Olhou para a direção onde estavam acampados os puristas. Algo do tamanho de um moinho de vento parecia se mover pelos os céus saindo do acampamento e vindo em direção a Roshvallen.

Por um momento se assustou achando que fosse uma nova arma purista, mas então o assombro mudou para um misto de alegria e surpresa.

Voando através das nuvens, escondendo o sol com seu corpanzil vinha um homem peludo, com a barba trançada em nós grossos como cordas de um navio e o cabelo preso em um coque. Em suas costas um grupo de aventureiros que era conhecido: Era a Guilda do Macaco.
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SHUWAAAAAAATCH!!!
No chão, via o Sumo Sacerdote de Khalmyr, Sir Allen Torren dando cobertura ao grupo de heróis.

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Naquele dia partiu de Roshvallen, infelizmente foi incapaz de impedir a morte do Rei que havia sido morto pela ação de um único assassino que se infiltrou. Se sentia amargurado por aquilo. Seguiu para a borda entre Yuden e Bielefeld, enfrentando grupos de puristas que recuavam de volta ao seu reino.

No meio daquilo tudo acabou encontrando uma carga de Matéria Vermelha. Estranhou que eles tivessem carregando aquilo. Resolveu guardar momentaneamente antes de seguir para Wynlla, diziam nas estradas que estavam sendo negociados tratados para que entrassem na guerra a favor de Bielefeld. Achou que seria uma ótima ideia encontrar algum mago que se sentisse motivado por essas mudanças políticas e pudesse auxiliar.

No lugar disso encontrou um tipo difícil em uma taberna a beira mar.
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Como assim você não tem interesse em ajudar? Os malditos estão avançando por toda a parte. Zakharov, Bielefeld, Namalkah!! DIABOS!! Eu ouvi dizer que tentaram avançar sobre Hongari, mas parece que os Halflings os surpreenderam com uma espécie de balista gigante.

Uma hora ou outra esse problema vai bater na porta de todos nós. Não dá para ignorar!
O mago tinha um tom blassê, um tanto entediado. Não parecia ser ignorante, apenas não se importava com o conflito.
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Veja bem, eu tenho um objetivo que vai além desses puritas. Neste momento não estou interessado em sua proposta, tenho uma querela pessoal a resolver e tenho homens enviados pelo meu pai nas minhas costas.

Invariavelmente esses puristas são pequenos diante do problema que eu estou lidando.
Como assim pequenos?! Hoenheinn se irritou.
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Ora, seu…
Então realizou algo, ao menos não sairia perdendo tempo daquele encontro. Levou as mãos a mochila e retirou a caixa de metal que havia subtraído dos puristas.
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Você é um mago não é?! Me diga, isso tem algum interesse para você?
O homem olhou para o conteúdo e esboçou um sorriso leve. Fecharam um trato. O paladino sairia com os bolsos um pouco mais pesados dali.

Antes de sair o mago lhe disse.
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Escute paladino antes de seguir com sua viagem, tenho uma informação que possa ser de seu interesse: Uma de minhas informantes me disse que Deheon está reunindo um exército em Villent, irão marchar contra Yuden em breve. Estão sob o comando do Arquiduque Marechal, Sir Bradwen, Lança Dourada. Porém, sem presença de Shivara, a confiança de todos está abalada, principalmente referente a essa batalha que está por vir.
Hoenheinn estranhou a boa vontade.
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Porque está me dizendo isso?
O mago deu de ombros.
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Parece uma informação mais valiosa para você do que para mim.
Hoenheinn assentiu com a cabeça e então saiu com um objetivo em mente: Villent. Deveria seguir então por Deheon para chegar até a cidade. Ao longo do caminho passava por uma vila, ela parecia não estar no mapa. Se sentia cansado, as costas doíam, estava acostumado a viajar e a lutar com frequência mas nos últimos meses havia feito aquilo em outro ritmo. Cada dia era um novo limite sendo quebrado.

Cavalgou pelo chão de lama e casas de madeira até que finalmente reconheceu o que parecia ser uma taverna com uma chaminé soltando fumaça e a luz aconchegante que vinha de dentro. Se lembrou da ultima vez que dormiu em uma cama confortável e resolveu se permitir ao luxo.

Logo ao adentrar no lugar e sentir o calor tomar o seu corpo teve uma grata surpresa quando ouviu o seu nome ser chamado.
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- . CHEGOU NA MELHOR HORA!! HOEN VENHA CÁ!! ALDRED VOCÊ PRECISA CONHECER ELE! ELE LUTOU AO MEU LADO! SALVOU MINHA VIDA! É UM HERÓI QUE NUNCA DESISTE! HOENHEIM MITTERNACH ESTE É O LÍDER DRAGÃO DO QUAL TE FALHEI! MESTRE DO YAMADA RYU! O HEROI QUE TAMBÉM NUNCA DESISTE! ALDRED MAEDOC! .
De imediato o seu rosto se iluminou ao ver a imagem do Qarren sentado logo ali com outros três. Era ótimo ver um rosto conhecido depois de todo aquele tempo. Foi então que notou outra presença ali que adentrava logo atrás dele.
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-Mitternach, vejo que de fato se livrou do Desbravador. Verdadeiramente insano, velho amigo. Jihad, soube que não estava em Valkaria, o que houve e...-
Konrad também estava ali.

Sentia que mais uma vez Valkaria fazia com que se reencontrasse com companheiros do passado. Sorria. Se lembrou então do que havia ocorrido com Agrícolous e se sentiu um tanto melancólico.

Konrad já havia se aproximado e se sentado com eles. Hoenheinn foi em seguida.

Ao se aproximar Jihad passou um braço por suas costas e o outro pelo o homem de cabelos castanhos e disse.
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- .Padrinho do meu casamento, conheça o padrinho do meu filho!!!
Jihad então o encarou.
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- .Ah sim... Sou pai agora, Hoen.
O rosto de Hoenheinn se iluminou, depois de lutar por tanto tempo havia esquecido que Mitra estava grávida assim que saiu de Valkaria aquela era uma notícia incrível.
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Porra Jihad, essa é a melhor notícia que eu ouvi nos últimos meses. Perdão eu não poder estar presente no momento do nascimento, estava lutando contra os puristas...
Engoliu um seco, ao se lembrar mais uma vez dos puristas. Levantou a voz então, chamando a atenção de quem trabalhasse no salão.
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Uma rodada para todo mundo por minha conta, para comemorar o nascimento do filho do meu amigo aqui!
Abraçou Jihad e olhou para os demais.
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O que vocês fazem por esse fim de mundo? Duvido que tenham vindo aqui só para comemorar o nascimento de seu filho.
Olhou então para Konrad e sabia que ele não estaria ali por qualquer motivo que não fosse sério. Não seria mera coincidência. Tentou afastar maus pensamentos e se focar no momento de felicidade do reencontro.

Se virou para Aldred e para a as duas mulheres que o acompanhavam.
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É um prazer estar conhecendo amigos de Jihad, ele e Mitra são amigos queridos. Ele tinha me falado sobre você Aldred, mas nunca sobre vocês duas. Parecem ser também aventureiras.

Para ser sincero, quando ele falava de Aldred, de Maedoc, eu sempre imaginei que fosse aquele quem lutou contra Arsenal. Você não parece ser tão velho quanto dizem os bardos.
Hoenheinn resolveu aproveitar o momento para espairecer as ideias. Esquecer por ao menos uma noite dos puristas, da guerra, de tudo que estava acontecendo.

Hoenheinn comprou uma Couraça de Mithral Reforçada (10% de desconto): 2520.
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Aldenor
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Re: Guerra Artoniana: Parte 2 - O Resgate de Lança Dourada

Mensagem por Aldenor » 29 Abr 2020, 19:55

Aldred estava feliz, quase esquecendo o que vinha fazer ali. Quase esquecendo da face séria de Lyane Sylvanna com suas notícias pesadas.

Jihad abraçara Maryanne, suas tatuagens brilharam ao olhar para a Rainha Eterna/Aurora. Para ambas, fez uma piada para sobre a aparência de Aldred, provocando a risada de ambas e uma careta amigável do alvo.

Com o qareen e sua agitação ansiosa, Aldred ouvia suas histórias fazendo caras e bocas, levado pelo maremoto das informações do feiticeiro. Maryanne e Aurora olhavam com olhos arregalados.
Aldred
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Pois é, cara, nem te conto. A gente também acabou enfrentando puristas. Eles estão por toda parte, mané. Não tem como não. Porém, passei uns meses aí perdido longe do foco da guerra...
Aurora
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Ah, que lembranças ruins... não escuta ele, Jihad, Aldred acabou se encontrando nessa jornada. Você verá, meu descendente querido ficou mais forte.
E puxou a bochecha de Aldred. Maryanne pediu uma caneca de cerveja para substituir a que Aldred havia deixado cair. A imagem de Mitra foi conjurada por uma mágica e Jihad anunciou que seria pai. Maryanne bateu palmas.
Maryanne
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Ora, parabéns, Jihad!
Aldred se levantou da cadeira na hora e abraçou Jihad com força.
Aldred
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CARALHO! JIHAD DO DESERTO DA PERDIÇÃO, UM PAI! VOCÊ É UM PAI DE FAMÍLIA! PARABÉNS, CARA!
Estava exultante, fungou e limpou os olhos mareados durante o abraço. E então, Jihad reparou em um dos clientes da taverna. Era um homem loiro, metido numa couraça de metal pesada, mas feita de mitral, tabardo com o símbolo de Valkaria. Era um paladino, por certo.
Jihad
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CHEGOU NA MELHOR HORA!! HOEN VENHA CÁ!! ALDRED VOCÊ PRECISA CONHECER ELE! ELE LUTOU AO MEU LADO! SALVOU MINHA VIDA! É UM HERÓI QUE NUNCA DESISTE! HOENHEIM MITTERNACH ESTE É O LÍDER DRAGÃO DO QUAL TE FALHEI! MESTRE DO YAMADA RYU! O HEROI QUE TAMBÉM NUNCA DESISTE! ALDRED MAEDOC!
Aldred foi levado de novo pelo maremoto de gritaria chamado Jihad. Um homem mais alto, loiro, com uma espada bastarda. Um paladino, um herói que havia salvo Jihad. Antes que qualquer traço de ciúme surgisse, Jihad foi hábil em fazer elogios a Aldred para o tal Hoenheinn Mitternach.
Aldred
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Ora, eu não era mestre quando me aventurava com você, Jihad. Porém, agora sou mesmo mestre e aprendi a técnica suprema. huhum (pigarro).
Então, outra pessoa chegou. Aldred sentiu um arrepio na espinha. Aurora ficou com uma expressão indecifrável. Maryanne ainda olhava para Hoenheinn com olhos brilhando.
Konrad
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Mitternach, vejo que de fato se livrou do Desbravador. Verdadeiramente insano, velho amigo. Jihad, soube que não estava em Valkaria, o que houve e...
Aldred reparou que ele o observava. Falaram ao mesmo tempo.
Konrad Aldred
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- Me desculpe, mas te conheço de algum lugar?
- Qual foi, te conheço de algum lugar?
Aldred
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Er... bem. Eu acho que lembraria de você... prazer. Sou Aldred Castell Maedoc, o terceiro de meu nome. Óculos escuros de noite?
Estendeu a mão para cumprimentá-lo com um sorriso nervoso. Que sensação estranha e pesada era aquela que sentia? Quando os dois se cumprimentaram, Aurora se levantou para ficar ao lado de Aldred. A tensão surgiu palpável, Aldred nem pareceu entender o que Jihad falava, apenas pegou a carta que ele lhe deu, mas não conseguiu entender o que lia. Sua mente pensando na inquietação que aquele homem de óculos escuros, pálido como um cadáver, numa roupa extremamente branca fazia naquele lugar.
Aurora
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...
Olhava para o estranho homem como se protegesse Aldred dele. Os dois mediram-se enquanto Maryanne se metia na conversa de Hoenheinn e Jihad.
Maryanne
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Ei, eu sei quem é você! Mitternach... sabia que não me era estranho. Paladino de Valkaria, não é? Zi me disse que você era a versão masculina de Valkaria. Hahahaha. Prazer, sou Maryanne.
Cumprimentou o paladino com um beijo e um abraço. Diferente de Aldred que anunciava seus sobrenomes todos, ela era só a Maryanne.

Então, Hoenheinn falou com todos e só assim Aldred e Aurora sentiram a tensão dissipar.
Hoenheinn
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É um prazer estar conhecendo amigos de Jihad, ele e Mitra são amigos queridos. Ele tinha me falado sobre você Aldred, mas nunca sobre vocês duas. Parecem ser também aventureiras.

Para ser sincero, quando ele falava de Aldred, de Maedoc, eu sempre imaginei que fosse aquele quem lutou contra Arsenal. Você não parece ser tão velho quanto dizem os bardos.
Maryanne
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Eu sou aventureira recém saída da aposentadoria. Hahaha.
Maryanne olhava para Hoenheinn com sorrisinho, alisando o próprio cabelo.
Aurora
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Eu sou Aurora, prazer, paladino. Sua deusa criou vocês humanos e permitiu que copulassem com dragões. Isso foi muito útil no fim.
A garota aparentava ter por volta de dezesseis anos, falou coisas estranhas como se fosse algo normal. Pegou uma das canecas de cerveja que foram servidas após o paladino querer pagar pra todo mundo. Aldred tomou da mão dela fazendo uma cara repreendedora.
Aldred
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Então, Hoen.... posso te chamar assim, né? Então, Jihad é meu parceiraço de anos... Ladon é meu camarada de luta, mas Jihad é meu irmão. Minha irmã e eu somos guerreiros da estrada e tal, filhos desse Aldred que você conhece. Ele e minha mãe estão aposentados mesmo. Já a Aurora é... bem... hã...
Ele sorveu um longo gole da cerveja tomada de Aurora, que fazia uma cara de insatisfeita, braços cruzados.
Aurora
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Não vai mentir pra eles, vai? É muito chato ter que ficar lembrando das mentiras. Antes era fácil, pois ninguém podia me ver e tal. Ser sua filha não cola mais, temos pouca diferença de idade. Ser irmã eu não aceito. Filha de um amigo? Que amigo? E se errarmos os nomes? O reino nativo? Melhor falar a verdade.
Aldred deixou uma gota pingar da testa.
Aldred
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Aurora é um espírito... mais ou menos. Costumava ser uma dragão dourada, uma deusa do Deserto da Perdição. Vivia em Agadir, uma cidade que não existe mais. Séculos depois, os descendentes dela espalharam-se por Arton e eu e minha irmã somos dois deles. Jihad falou "líder dragão", é por isso... eu e Maryanne temos sangue de dragão. Bem... Aurora nos segue e é isso. Quer ver nossa atuação como aventureiros.
Enquanto falava, Aurora tentou pegar outra caneca de cerveja, mas Maryanne tomou de sua mão na mesma rapidez.
Maryanne
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Nananinanão. Você pode ser um espírito, mas não quero ver se a cerveja vai fazer efeito ou não... você é de menor!
Aurora ia reclamar e desandar a falar como uma adolescente mimada, mas Aldred bateu a mão na mesa.
Aldred
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ENTÃO.

Galera, pelo que entendi vocês confrontaram puristas meses atrás, certo? Bem, eu e Maryanne também, em Villent. Lutamos contra puristas que cometeram um atentado a uma família de anões, os Goldenheart. Raptaram um anão chamado Nundro e o levaram a uma mina da família, onde confrontamos com todos. Eram oponentes duros, devo dizer. Conseguimos eliminar a ameaça, mas um deles fugiu. Acho que eles queriam minérios explosivos ou coisa do tipo... e lamento em dizer isso, mas acho que foi isso que provocou o desmoronamento. Sinto muito por isso, me sinto responsável.
Aurora
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Porque é um bocó. Você explodiu alguma coisa? Não. Então, não é sua culpa.
Maryanne podia concordar.
Maryanne
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É, não foi culpa nossa, Aldred. Para de se achar tão importante, essa coisa de herói trágico não combina com você. Hahaha. Bem, er... eu mandei mensagens mágicas para John e Zi... digo, Zidane. Acho que vocês conhecem eles, né. Então. Lyane Sylvanna nos mandou uma mensagem pra vir aqui encontrá-la. Esperamos sua chegada para saber de notícias... e também que haja uma missão. Acho que nós todos fomos chamados por ela, né?
Aldred finalmente conseguia ler a carta que Jihad havia entregado.
Aldred
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Espera... isso não tá certo. Essa carta não é de Lyane, mas assinada por mim. Mas eu não escrevi essa mensagem. Ué, o que tá acontecendo, então?
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DragonKing
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Re: Guerra Artoniana: Parte 2 - O Resgate de Lança Dourada

Mensagem por DragonKing » 29 Abr 2020, 20:34

O batalhão seguia cautelosos, próximo a fronteira com Yuden. Eram cerca de vinte homens e melhores liderados pelo comandante Sylvanna e sua esposa uma oficial. A missão era desconhecida para os soldados e apenas seguiam ordens, o comandante possuía a maioria das informações que nem mesmo sua esposa possuía devido a patente mais baixa.

Ela seguia ao seu lado enquanto o observava pensativo e com um semblante apreensivo.
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— Um Tibar pelos seus pensamentos.
Ele olhou para a mulher mais linda de Arton enquanto abria um sorriso sutil. Ele reduz a marcha do próprios cavalo para emparelhar com o dela.
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— Meus pensamentos estão na segunda mulher da minha vida. Sinto que estou a abandonar Lyane…
Lyana olha nos olhos de Evrik com pesar, seu coração aperta, ela possuía a mesma preocupação, principalmente por ser mãe. Ela inclina o corpo e toca no rosto do marido fazendo-a fechar os olhos.
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— Compartilho do mesmo sentimento meu amor, logo estaremos de volta tenha fé em Valkaria.
Ele leva a mão ao próprio rosto tocando as costas da mão dela, segurando-a e beijando-a.
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— Você é o ar que eu respiro, se não fosse por você estaria morto. Sim, logo estaremos em casa…
Lyane não sentia verdade nas palavras do marido, nem mesmo ele pois era incerto o destino do batalhão indo praticamente às cegas rumo a uma batalha onde não ti há conhecimento sobre o inimigo. Um dia soldados se aproxima, ele apontava para o alto de um cume, lá havia um homem montado em seu cavalo, ele não parecia estar tentando ser furtivo.
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— Vamos levantar acampamento!


Já era noite, as tendas armadas e a segurança reforçada. Na tenda principalmente o Evrik, Lyana e os capitães discutiam estratégias. Foram mandados para averiguar ataques próximo a fronteira. A única informação que tinham era que se tratava de um grupo mercenário causando terror em vilas e cidades, sem uma padrão ou objetivo aparentemente. Uma batalha seria inevitável e eles eram muitos.

Porém Evrik sabia quem estava por trás de tudo aquilo. O homem que havia matado seu pai: Herman Von Krauser.

De volta a sua tenta particular, Lyana tentava extrair do marido informações que ele fazia questão de esconder o que acabou gerando uma discussão que levou longas horas.
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— O que estamos fazendo aqui, Evrik? Do que se trata isso tudo?
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— ELE MATOU MEU PAI E AMANHÃ ELE SENTIRÁ O FIO DA PRAECEPTOR.
Então em meio a madrugada havia silêncio, um silêncio anormal e perturbador. Evrik e Luana pararam a discussão e percebiam que algo estava errado, mas já era tarde demais. Deixaram a tenda e não haviam corpos, nenhum sinal dos soldados, apenas suas armas jogadas no chão.

Evrik protegia Lyana de um inimigo desconhecido quando finalmente viu uma sombra surgir, sua voz era assustadora, como se penetrasse sua alma, parecia disforme e ambão sentiram como se seus corpos não estivessem mais sob controle.
— Von Krauser manda seus cumprimentos.

***

Lyane estava sentada em sua mesa, sozinha como sempre esteve. Ela olhava para os papéis sobre a mesa, contratos, pedidos de empréstimo, convites para festas e banquetes...O ócio acabava com ela por isso se dedicava aos negócios da família, pois havia que o futuro era incerto, principalmente após as informações que vinha recebendo frequentemente de Lança Dourada.

Sua têmpora latejava, ela repousa a pena no tinteiro e massageia a cabeça. Ela respira fundo e se levanta, se dirige a até uma outra mesa próxima onde repousava uma garrafa de vinho élfico. Ela serve uma taça cheia e segue em direção a imensa janela. Ela encara a cidade e o movimento das pessoas, a estátua de Valkaria impedia a luz de Azgher iluminar toda a cidade e naquele horário a sombra se projetava sobre o distrito onde ficava sua mansão.

De lá pode ver um mensageiro do exército parar em frente ao portal, um dos soldados se aproxima e paga uma carta, ele olha para cima, ao vê Lyane na janela corre em direção a casa entregando a carta para a governanta. Ao receber em seu escritório lê o conteúdo e suspira, ela sorri pareciam boas notícias, de alguma forma Svalas havia conseguido independência com a ajuda de um grupo de aventureiros o que fez Lyane repensar sua postura para com eles, as ações dos aventureiros estava sendo essêncial, porém ainda não fora convocada e isso a deixava irritada.

Após longos meses de trabalho finalmente havia sido chamada, contudo fora designada a trabalhos administrativos. Estava desconfiada da razão pelo qual estava sendo mantida fora do combate, sua mente entrava em um dilema se eram apenas seus inimigos
os movendo as peças ou Lança Dourada queria poupá-la para algo maior.

Seu trabalho era importante, mas não exatamente o que ela queria fazer, então fora chamada. Seguiu o mensageiro a até um pátio, lá Lança Dourada conversava com uma mulher que se afastou quando Lyane se aproximou. Ele olha para a oficial e seu olhar já dizia muita coisa.
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— Uma fissura surgiu entre Yuden e Deheon, algo de escala quilométrica…
Lyane ouve com atenção os detalhes e fica pensativa, foi então que Lyane lembrou de Villent e o mapeamento da mina.
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— Isso não pode ter sido algo natural, eles estavam mapeando as minas de Vilient e provavelmente outros pontos. Como eles poderiam causar algo tão grande? O que a coroa fará?

Lança Dourada abaixa a cabeça e suspira.
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— Por enquanto, Deheon está de mãos atadas…

O ócio foi trocado pela tensão, reuniões e discussões. Por ter estado em Vilient e ter conseguido as informações sobre a mina e os Puristas, a oficial era chamada muitas vezes para falar com várias pessoas diferentes, todos em buscas de respostas e informações que poderiam ter sido deixadas para trás.

Uma dessas reuniões fora interrompida com um alarde, Arkhan estava morto e Shivara desaparecida. Não demorou muito para que Yuden declarasse guerra , não só contra Deheon, mas contra todo o reinado. Yuden estava sob a regência de Von Krauser que se autodeclaração Comandante-Máximo.

Os meses seguintes foram os mais estressantes e difíceis de toda a carreira de Lyane. O trabalho praticamente tomou todo o seu tempo, ao ponto de impedi-la de encontrar os Maedoc, mesmo ambos em Valkaria, e Landon e Khaled que ficaram em Vilient e Lyane não teve mais contato e temia que a cidade tenha sido atacada.

Então recebeu a ordem direta do seu comandante. Iria acompanhar o bardo Garren Zamark em uma campanha pelo reino para convocar soldados e evacuar cidades e vilas que estivessem na possível linha de ataque. Novamente era jogada para longe, mas agora estava diferente, algo havia mudado na oficial e poucos sabiam a razão, ela sabia que não lhe dariam um batalhão então precisava montar o seu próprio.

Mandou cartas para aliados, aqueles que ela podia confiar e que já havia lutado. A guerra estava cada vez mais próxima e algo deveria ser feito, porém haviam coisas que precisava fazer antes de partir.

***
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— Aqui minha senhora, a armadura está pronta. Tentei mandar a original o máximo que eu podia. Fora meu pai que forjara essa armadura, foi uma honra.

Lyane encara a armadura de sua mão, agora reforçada com aço anão. Um trabalho impecável que misturava forja anã e elfica de uma forma harmonizada, quase como uma obra de arte.
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— Obrigada Faldein.

O anão pede para que Lyane esperasse um pouco então retorna com um objeto grande envolto em uma pano cinza com o símbolo da família de Faldein.
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— Sua família fez muito por nós depois da morte do nosso exílio e o que a senhora fez por mim e Miriel...Isso é o mínimo que posso oferecer.
O anão remove o pano e revela um escudo feito de um metal escuro, o símbolo de Khalmyr estava encravado em baixo relevo. Ele era feito com uma precisão quase cirúrgica.
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— É aço celeste, adamante. Muito raro e extremamente resistente. Está em minha família a gerações e gostaria que ficasse com ele.
Lyane encara o objeto, era um gesto que não estava acostumada.
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— Não posso aceitar Feld...
Ele a interrompe.
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— Eu insisto minha senhora.
Lyane aceita o presente e cumprimenta o anão, ele sorri feliz e sua esposa, uma linda elfa de cabelos longos, traz torta e uma bebida doce, mas Lyane não havia ficado muito tempo, pois precisava ver uma pessoa antes de partir.

***

Lyane se aproxima da catedral de Valkaria, havia anos que não pisava naquele local. Sua mãe era devota da deusa da ambição desde criança e fazia questão de levar a pequena Lyane para os cultos e reuniões. Ela caminhou pelo extenso corredor e foi recebida por um clérigo que a levou até os aposentos de da alta clériga.
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— Pietra, quanto tempo. Obrigada por me receber.
Pietra Silverstone era uma amiga de infância da mãe de Lyane, as duas sonhavam em serem da ordem, mas apenas Pietra seguiu esse caminho após Lyana decidir servir ao reino após se apaixonar por um soldado. Pietra seguiu seu sonho e hoje é uma das clériga de alto renome dentro da ordem.
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— Depois do que li em sua carta eu não recusaria…
Pietra pausa encarando Lyane que fica um pouco desconcertada.
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— Você está igual a sua mãe, porém os olhos são os do seu pai.
Lyane sorri e se senta, enquanto Pietra serve água para ela, Lyane bebe um longo gole e respira fundo.
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— Desculpe por ter me afastado, o exército tomou todo o meu tempo, muitas obrigações...Eu gostaria de ter sido mais presente, mãe gostaria disso.
Pietra se aproxima e coloca a mão sobre o ombro de Lyane.
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— Não precisa se desculpar eu entendo, o destino tem muito para oferecer a você ainda Lyane, você carrega consigo os seus pais, eles não estarão mortos enquanto você estiver viva, você é o legado e eles estão vivos nesse legado, eu estarei com você nessa missão principalmente contra essa gente que usa o nome de Valkaria em vão, conte comigo para tudo.
Lyane encara a clériga, seus olhos em lágrimas.
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— Eu sinto a falta deles até hoje, eles são minha força, são o que me mantém em pé todos os dias. Luta para manter o legado da família e temo que ele se perca...Eu não sei explicar, mas é quase como se eles ainda estivessem vivos, pois não consigo sentir a presença deles perto de mim.
Lyane continua sendo consolada por Pietra antes de finalmente decidirem partir e se encontrarem com o Bardo, havia uma rota a seguir, cartas e vidas, preparativos finalizados, isso tomaria muito tempo, mas era necessário.

***
Várias cidade, vilas, algumas com resistência e outras não. Esses teem sido os dias de Lyane, uma missão monótona, estressante, mas de extrema importância. Já era noite quando se aproximaram de Serena, eles param e encaram a pequena cidade, muitos diriam que não havia nada de valioso alí, mas para Lyane e para o reino as pessoas eram seu bem mais valioso.

Seguiram para a cidade e cruzaram a entrada. Dois sentinelas se aproximavam, mas ao verem Lyane e seu emblema ele liberam a passagem. Garren olha para Lyane e Pietra, Lyane faz um sinal com a cabeça e o elfo dispara com seus cavalo e balançando seu sino.

Assim que se aproximam da vila, Garen lança um olhar para Lyane e Pietra, puxa um sino de sua cintura e esporeia seu cavalo, agitando o objeto, emitindo sons metálicos.
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- DEHEON VAI À GUERRA CONTRA YUDEN! FOMOS CONVOCADOS PARA LUTAR! ACORDEM! DEHEON VAI À GUERRA!
Lyane desce do seu cavalo e segue para um ponto limitado, ela retira a flâmula com o brasão de Deheon e crava na terra, ela sabia o que viria a seguir, as pessoas iriam sair confusas, se amontoar. O líder local iria tirar satisfações, iriam buscar respostas e ela precisava estar pronta para receber essas pessoas e fazer as convocações.

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Maggot
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Re: Guerra Artoniana: Parte 2 - O Resgate de Lança Dourada

Mensagem por Maggot » 29 Abr 2020, 20:36

Aldred
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Er... bem. Eu acho que lembraria de você... prazer. Sou Aldred Castell Maedoc, o terceiro de meu nome. Óculos escuros de noite?
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- Sim. Imagino que sim. Sou Konrad von Merovech. Alia-... Amigo de Jihad e Mitternach. E se você enfrenta os Puristas, um aliado seu, espero. Acabo de voltar de uma operação contra eles em Zakharov. Sobre os óculos... É uma longa história.
A garota de cabelos loiros continuava o encarando. Não devia ser muito mais nova que ele. "Ah... Dela eu lembro." A voz rosnou na cabeça. Fazia tempo que não ouvia aquilo. Mitternach falou algo sobre aquele ser Aldred II, e Konrad também comentou:
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- Se ele estivesse falando do homem que enfrentou Arsenal, imagino que ele teria dito Mitternach. Porque você sempre pensa nos cenários menos prováveis possíveis e os coloca como se fossem o oposto? Meu tio enfrentou Arsenal junto com seus pais, Aldred, Lady Maryanne. Será uma honra refazer esta aliança em nossa geração.
A mudança da ofensa casual para um amigo e a formalidade com os recém conhecidos. Konrad não expressou surpresa quando a garotinha se disse uma deusa. Era um raciocínio lógico acreditar nela. Digo, era exagerado demais, quem inventaria aquilo? No máximo, ela acreditava, e ele não iria questionar que nem os imbecis arrogantes da Academia de Sallistick o fariam. Mas porque diabos a voz dizia conhecê-la?

Mas foi quando Aldred se manifestou sobre não ter escrito uma suposta carta que Jihad havia recebido que ele finalmente voltou à falar alto:
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- Uma armadilha?!
Já se preparava para um combate ali, energia arcana envolvendo seus braços. Havia caído em uma por acidente? Não, não. Alguém devia ter planejado aquilo. Era coincidência demais. Alguém havia os seguido.
Editado pela última vez por Maggot em 29 Abr 2020, 20:58, em um total de 1 vez.
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- Six shots...
#FreeWeizen

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John Lessard
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Re: Guerra Artoniana: Parte 2 - O Resgate de Lança Dourada

Mensagem por John Lessard » 29 Abr 2020, 20:57

Ato 1: Convocação

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A reunião daqueles aventureiros, naquela taverna tão simples, parecia ser improvável. Lutadores, paladinos, feiticeiros, dragoas deusas... O tom de amizade prevalecia, reencontros e encontros. Os dois camponeses, assim como o taverneiro, lançavam olhares desconfiados e curiosos, mas nenhum deles falava nada.

De certo modo parecia uma uma festa, até que não era mais.

Do lado de fora o barulho de cascos de cavalo e um sino que batia sem parar e uma voz que se elevava ainda mais.
- DEHEON VAI À GUERRA CONTRA YUDEN! FOMOS CONVOCADOS PARA LUTAR! ACORDEM! DEHEON VAI À GUERRA!
O taverneiro olhou para os aventureiros, os camponeses se entreolharam e se levantaram. O sino não parava, a mesma fala se repetia, vez a pós vez. Os homens saíram, assim como os aventureiros também poderiam, ou se preferissem, ver e escutar da porta ou da janela. Todos os moradores saíam, alguns assustados, alguns confusos, muitos ambos. A maioria estava vestida com camisolas, sem botas, poucos ainda com camisas e calças.

Quem fazia o alarde era um homem esguio, num cavalo branco. Usava roupas justas, uma jaqueta azul sobre uma camisa branca, os cabelos era loiros e ondulados, as orelhas pontudas. Mais atrás, Aldred, Hoenheinn, Konrad e Maryanne reconheceram Lyanne se aproximando, também montada, acompanhada de uma mulher mais velha, trazendo o símbolo de Valkaria na armadura. Fosse o que fosse, ela sabia o que estava acontecendo.

Um homem mais velho se aproximou do elfo no cavalo branco, trocaram algumas palavras. O homem fez uma expressão de pesar e aceitou um pergaminho vindo dele. Virou-se para a multidão e começou a ler:
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- Diante das atrocidades cometidas pelos infames Puristas, é do dever de cada cidadão do Reinado unir-se aos nobres para partirmos, juntos, em direção à justa batalha que colocará fim ao morticínio de não humanos. Assim conclama o Arquiduque Marechal Sir Bradwen Lança Dourada. Por Deheon, por Valkaria e por Arton!
Não entusiasmo nenhum por parte dos moradores, pelo contrário, boa parte deles começa a resmungar e a se irritar.
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- Guerra? Não quero ir para guerra, onde já se viu isso?
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- Hã? Pai, não quero morrer.
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- Ou morremos de fome ou morremos no fio de uma espada lutando a luta de outros? Foda-se essa guerra.
O clima não era dos melhores e se nada fosse feito, os moradores pareciam prontos para atacarem o velho senhor e o bardo.
Notas do Mestre:

Os aldeões estão começando a ficar hostis, personagens podem acalmá-los com 3 sucessos em testes de Diplomacia ou Intimidação (CD 20) e cada personagem pode testar uma vez. Podem partir para a violência também, se preferirem.

Próxima atualização sexta-feira, 01/05/2020

Dados dos Personagens

Imagem - Hoenheinn Mitternach <> PV: 69 CA: 23 PM: 5 PE: 6 PA: 1 <> Domínio da Viagem: 1 <> Bênção da Durabilidade: - <> Duro de Ferir: - <> Música de Bardo: 5 <> Destruir o Mal: 2 <> Postura: - <> Condição:
Imagem - Aldred <> PV: 69 CA: 22 PM: 0 PE: 6 PA: 1 <> Postura: - <> Condição:
Imagem - Maryanne <> PV: 52 CA: 22 PM:0 PE: 3 PA: 0 <> Postura: - <> Condição:
Imagem - Scarlata Jihad <> PV: 70 CA: 18 PM: 30 PA: 1 <> Desejos: 1 <> Voo: 1 <> Pensamento Positivo: 3 <> Seu Desejo é Uma Ordem 1 <> Cuidado com o que Deseja: 1 <> Condição:
Imagem - Lyane <> PV: 60 CA: 31 PM: 0 PE: 0 PA: 1 <> Orgulho: 2 <> Postura: - <> Condição:
Imagem - Konrad von Merovech “Sabbah” <> PV: 38 CA: 23 PM: 20/0 PA: 1 <> Zauber preparados: Zadavat 1 x2 (6 PM); Stahlija II x2 (4 PM); Kramer x2 (4 PM); Gein x2 (4 PM); Argentus x1 (2 PM) <> Condição:
Editado pela última vez por John Lessard em 29 Abr 2020, 21:23, em um total de 2 vezes.
Personagens em Pbfs:
Imagem Imagem Imagem Imagem Imagem

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DiceScarlata
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Registrado em: 22 Jan 2017, 02:15

Re: Guerra Artoniana: Parte 2 - O Resgate de Lança Dourada

Mensagem por DiceScarlata » 29 Abr 2020, 21:02

Jihad Scarlata, o aventureiro
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- KONRA-CHIIIIIIIN!!!!
*Jihad pulou nos braços de Konrad como uma donzela e beijou-lhe a bochecha como perna longa faz com Hortelino. Sabia que aquilo o deixaria louco. Uma vez livre do colo o chamou para que se juntasse a eles, ouvindo toda a conversa que se seguia dali*
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Uma rodada para todo mundo por minha conta, para comemorar o nascimento do filho do meu amigo aqui!
Aldred
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Pois é, cara, nem te conto. A gente também acabou enfrentando puristas. Eles estão por toda parte, mané. Não tem como não. Porém, passei uns meses aí perdido longe do foco da guerra...
Aurora
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Ah, que lembranças ruins... não escuta ele, Jihad, Aldred acabou se encontrando nessa jornada. Você verá, meu descendente querido ficou mais forte.
Maryanne
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Ora, parabéns, Jihad!
Aldred
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CARALHO! JIHAD DO DESERTO DA PERDIÇÃO, UM PAI! VOCÊ É UM PAI DE FAMÍLIA! PARABÉNS, CARA!
Estava exultante, fungou e limpou os olhos mareados durante o abraço. E então, Jihad reparou em um dos clientes da taverna. Era um homem loiro, metido numa couraça de metal pesada, mas feita de mitral, tabardo com o símbolo de Valkaria. Era um paladino, por certo.
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- É DISSO QUE ESTOU FALANDO!! UMA RODADA, MUSICA! ALEGRIA!! ANTES DE CHUTARMOS A BUNDA DE PURISTAS, VAMOS FESTEJAR!!!
* Abraçou Aldred com força e Hoen também, agradecendo pelos cumprimentos. Lembra de ter dito essas palavras na casa de John, mas tal festa nunca se concretizou. Era bom estar entre amigos, antes de uma cruel batalha. Fazia Arton não parecer um mundo de problemas, pelo menos uma vez. Estavam sempre em turbulência e correndo por suas vidas, então aceitou beber. Deu risada da forma como Maryanne tirou a bebida da menina e do dialogo com Aldred sobre a existência dela*
Aldred
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Aurora é um espírito... mais ou menos. Costumava ser uma dragão dourada, uma deusa do Deserto da Perdição. Vivia em Agadir, uma cidade que não existe mais. Séculos depois, os descendentes dela espalharam-se por Arton e eu e minha irmã somos dois deles. Jihad falou "líder dragão", é por isso... eu e Maryanne temos sangue de dragão. Bem... Aurora nos segue e é isso. Quer ver nossa atuação como aventureiros.
*Jihad voltou a fitar a menina... E o espectro de poder se alongava a sombra do passado que jazia atrás dela. Apertou os olhos para ver se livrava daquela presença*

Jihad Scarlata, o aventureiro
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- Deserto da perdição heim... Eu era Jihad... Dao das areias vermelhas... Por 3000 anos fui um gênios governante das pirâmides escarlates e terrível tirano... E agora, conforme me aventuro com esses loucos aqui, meu poder vai retornando aos poucos... Acho que somos parecidos heim...
*A encarou sério... Mas era brincadeira e logo deu uma garalhada*
Jihad Scarlata, o aventureiro
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- CRIATURAS ANTIGAS DO DESERTO! BATE AQUI!!
*E deu um HIGH FIVE com a garota, voltando a se divertir e ouvir as trocas de palavras, quando...*
Aldred
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Espera... isso não tá certo. Essa carta não é de Lyane, mas assinada por mim. Mas eu não escrevi essa mensagem. Ué, o que tá acontecendo, então?
Jihad Scarlata, o aventureiro
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-Mas o que?
*Ficou com um semblante mais sério, olhando ao redor, mais atento, quando então ouviu a comoção do lado de fora que a todos atraiu. Seguiu para a origem do som com todos os demais e viu o homem feio a ditar a más novas sobre ir a guerra. O que desagradou as pessoas, era obvio*

*Percebeu os ânimos se exaltando em excesso. Dava para entender, ninguém ali tinha culpa e ninguém deveria ser obrigado a morrer em vão. Mas também entendi a necessidade de se recrutar homens*

*Quando percebeu que haveria violência, Jihad resolveu tentar amenizar*


Jihad Scarlata, o aventureiro
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- AMIGOS! AMIGOS! SE ACALMEM! VAMOS CONVERSAR ANTES! NÃO PRECISAMOS APELA PAR...
*Mas o qareen não conseguiu terminar de falar, quando levou uma cotovelada (talvez acidental, talvez não) na boca e caiu de bunda no chão*

Jihad Scarlata, o aventureiro
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- Ouch... Isso não é nada bom...
Tribo Scarlata


- MUNDO DE ARTON: GRUPO MADEIRA DE TOLLON (on):Angra Cabelos de Fogo
- MUNDO DE ARTON: GRUPO AÇO-RUBI (on): Jihad das Areias Vermelhas
- MUNDO DE ARTON: GRUPO JADE (on):Sr. Fuu
- JOHNVERSE: PRESA DE FERRO (on): Jinx - Cruzado da Ordem dos cabeças de Dado
- JUDASVERSO: CRÔNICAS DA TORMENTA (on): Nagamaki no Gouka!
- FUI REENCARNADO COMO MONSTRO (on): Gizmo
- OUTONO (on): Sandman

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