Touhou RPG - Sidequests

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Inoue91
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Re: Touhou RPG - Sidequests

Mensagem por Inoue91 » 10 Set 2014, 18:45

* Inoue havia acabado de revelar sua história para Fiora, a reação dela foi melhor do que ele esperava, ela o consolou por um momento deu um delicado beijo em Inoue e ficaram conversando sobre aquele assunto por mais alguns minutos, ele se sentia aliviado, afinal tinha tirado de suas costas um grande peso o qual escondeu durante anos.

* Inoue se despedia de sua amada e então saia a procura de Reno, aquele humano mexia com magias espirituais, criava ilusões, ele praticante “brincava” com a mente de seus oponentes, e por conta disso ele talvez poderia lhe ajudar a superar este seu passado perturbado, caminhou até o quarto de Reno, batia em sua porta, e quando fosse atendido começava a falar.

--Boa noite Reno-san, desculpe incomodá-lo novamente, mas será que poderia me dar um pouco de seu tempo? Tenho outro favor a lhe pedir.( Dizia enquanto fazia uma reverência ao jovem ruivo).

*Esperava a reposta de seu colega, obtendo uma resposta positiva Inoue entrava no quarto e então caminhava até uma cadeira, ele a puxava e então sentava.

–- Nós conhecemos a pouco tempo, e pouco conversamos desde então, mas pelo o que pude observar e ouvir, você possui o conhecimento de magias que enganam a mente certo ? Por algum acaso você teria uma magia para afetar a memoria de uma pessoa ou prendê-la em algum tipo de sonho?

–- Bom o que eu disser aqui quero que deixe entre nós, não quero atormentar o resto do grupo com os meus problemas tudo bem por você?

*Inoue havia contando esta mesma história fazia pouco tempo, ele se ajeitava um pouco na cadeira, inclinava seu tronco para frente e então levava sua mão esquerda entre os olhos e pressionava um pouco aquela região.

–- Vou tentar resumir o máximo possível......( Retirava a mão de seu rosto e então voltava a encostar suas costas no encosto da cadeira.)

–- Como já revelei aqui antes, eu sou um Youkai, tenho oitocentos e quinze anos e vi coisas que vocês não imaginam,mas existe um único momento o a qual eu tenho tentado evitar, mas o destino é cruel comigo e ele sempre me faz lembrar.

–- Há muito tempo atrás eu era casado com uma linda mulher, e com ela tinha uma filha, eu acabei fazendo o que não devia em uma missão e o inimigo como represália acabou matando ambas, depois daquele dia eu nunca mais fui o mesmo, tudo o que eu queria era vingança, eu consegui encontrar o desgraçado e o matei, mas aquilo só me deixou melhor por um momento, a culpa de ter matado elas me atormentou e atormenta até hoje.

–- Por conta disso eu me tornei uma pessoa insensível e amargurada, tentava evitar relacionamentos, mas depois de tanto tempo me odiando, eu acabei conhecendo a Fiora, e o mesmo sentimento que eu sentia por minha esposa eu comecei a sentir por ela, fiquei com medo de me aproximar, mas tomei coragem e fui em frente, posso dizer que esta semana com ela foi uma das melhores da minha vida, eu ainda estou com muito medo de que o mesmo aconteça com ela, e ao mesmo tempo ainda não consigo me perdoar pelo o que aconteceu no passado. (Parava para respirar um pouco)

– Por este motivo eu gostaria de saber se é possível, usar a sua magia, para me prender em um sonho onde eu viveria aquela época e veria a mesma coisa incessantemente, não sei se é a melhor escolha a se fazer mas eu cansei de tentar evitar este meu problema, eu acho que talvez o confrontando de frente seria a melhor opção.

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Keitarô
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Re: Touhou RPG - Sidequests

Mensagem por Keitarô » 10 Set 2014, 23:09

Reno

À noite do penúltimo dia de descanso, Reno estava, bem, descansando. Descansando o corpo porque ainda era bom, embora desnecessário, mas a mente trabalhava para estudar a cultura e a história daquele mundo. Descobriu coisas incríveis e terríveis, e tentava manter o pré-julgamento sempre controlado. Quando a porta bateu e percebeu que se tratava de Inoue, Reno sorriu. O convidou a entrar e sentou-se mais ele na mesa redonda que cada quarto possuía.

Ouviu o que o youkai tinha para falar, confirmando com a cabeça sem interrompê-lo, mas concluindo diversas coisas e anotando-as mentalmente para depois comentar e perguntar quando o rapaz terminasse. Assim, quando ele contou toda a sua história, e sugeriu ele mesmo uma solução para tal problema, Reno sorriu fechando os olhos, pensando por alguns instantes. Então respirou fundo e começou.

— Eu sinto muito por todos estes anos de sofrimento, Inoue. Saiba eu quando precisar eu estarei aqui para ajudá-lo no que você precisar. Fico feliz que tenha vindo me procurar para discutir sobre um problema pessoal como este, mostra que nosso grupo está cada vez mais forte — esticou novamente a mão direita em um cumprimento, e quando tal ação foi correspondida, usou a outra mão para também cobrir a mão de Inoue, demonstrando carinho com um sorriso sincero. — Isso é ótimo.

Então Reno recostou-se novamente na cadeira e colocou as mãos sobre a mesa. Estalou um dedo e um caderno com folhas em branco e um lápis apareceram sobre o móvel; Reno os usaria para, eventualmente, explicar algumas coisas.

— Sobre seu caso, eu gostaria de comentar algumas coisas. Parte delas são verdades absolutas, axiomas dos quais a crença ou não crença não influencia. Outra parte são opiniões minhas a partir da observação destas verdades. Quero que abra sua mente e esqueça por um momento seus conceitos e opiniões para juntos refletirmos sobre isso.

— Nós podemos dividir o mecanismo de funcionamento do Universo em Leis. Estas leis podem se separar em leis físicas e leis morais. Ambas estão muito ligadas, mas enquanto o primeiro grupo diz respeito a todos os efeitos naturais estudáveis por uma parte da ciência — que ainda tem muito o que descobrir, segundo o que tenho pesquisado aqui na Terra —, o segundo grupo é realmente nebuloso para boa parte dos seres vivos deste planeta. E do meu plano de existência também, não se preocupe. Dá pra dizer que estamos todos no mesmo nível de evolução moral.

— Veja bem, Inoue, existe, no campo das leis morais, um axioma equivalente à Terceira Lei de Newton das leis naturais: para toda ação, há uma reação. De igual magnitude e efeito, mas de sentido contrário. Talvez seja um pouco difícil de acreditar que isso funcione no campo moral, referente à relação com os outros seres vivos, ao observar um planeta como a Terra, onde aparentemente não há recompensa por ser sempre bom. Mas isso é um axioma, e não depende de nossa crença — o ruivo sorriu. — por hora, guardemos esta informação.

— Além disso, este Universo é construído de forma a funcionar em ciclos. Mecanismos ondulatórios são fáceis de se lidar — a corrente alternada de Nicolas Tesla, por exemplo, é muito mais viável que a corrente contínua de Thomas Edson — e geralmente possuem modelos matemáticos capazes de modelá-los muito bem. Existem diversas funções ondulatórias e oscilatórias conhecidas, verdadeiras obras de arte numéricas. Assim, o que quero dizer, é que não existe descontinuidade neste nosso Universo. Não houve, necessariamente, um começo muito bem definido, e não haverá, necessariamente, um fim muito bem definido. Há ciclos. E como isso se aplica até à menor das partículas, com a vida não é diferente, meu amigo. Nascer não significa o começo e morrer jamais significará o fim.

Neste ponto Reno começou a desenhar no caderno, traçando as funções das quais mencionava, e ainda desenhando um ciclo de vida de um ser humano comum para exemplificar. Após a morte, o que acontecia?

— Neste ponto, o pós-morte, a fé influencia diretamente o que acontece. Ainda preciso explicar mais sobre as especificações deste processo, mas uma regra básica precisa ser seguida se consideramos um Universo bem construído: ninguém nasce perfeito e ninguém tem tempo suficiente em uma única vida para realizar tudo o que deveria. O ciclo reencarnatório é uma realidade prática incrível. Assim como o Universo, antes de nascer já existíamos e depois de morrer ainda existiremos por muito tempo, tendo a chance, inclusive, a depender dos superiores “sobrenaturais”, de voltar. Mas por quê voltar?

— Veja, em certas vidas antigas podemos ter criados inimizades que perduram mesmo através das mortes. Então eu chego ao primeiro ponto de questionamento: no nosso nível evolutivo, lembramos pouco de eventuais vidas passadas. O que não nos garante que, em uma vida passada, talvez em um outro mundo, você não chacinou a vida de pessoas importantes do homem que fez o mesmo nesta vida com você? Lembra? Ação e reação. Isso é o que se chama de karma. Coisas que não parecem ter significado, sempre tem, é só que ele não é conhecido por todos.

— Além disso, eu entendo que a imagem do acontecimento e a circunstância tenham feito com que tudo tenha sido traumático. Mas veja, a morte não é o fim de nada, apenas uma transição de estado, uma oscilação que se repete sempre. Você ainda verá sua antiga mulher e seus filhos, Inoue, quando a hora chegar. Até lá, uma vez que você tem nesta vida a difícil missão de pertencer a uma raça de grande estimativa de vida, terá de trabalhar com isso. É uma provação bem difícil, eu imagino, e talvez o fato de você ser um youkai que vive muito e passou por uma experiência terrível como essa sejam mais ligadas do que imagina. Que teste melhor para aprender a lidar com tal situação do que ter muito tempo para lidar com ela? Afinal, você passou, em todos estes anos, por situações as quais não achou que eram tão ruins quanto o seu trauma, mas isso se deve apenas ao fato que você sabe lidar com elas; o que não nos incomoda não é problema. Porém o treino deve ser sempre rumo a algo que nos desconforta, o qual precisamos masterizar e aprender a lidar.

— O Universo tende a apreciar o estado de menor energia e que leva ao equilíbrio. Os seres inteligentes têm como objetivo moral a evolução a estados de cada vez menor energia mas cada vez mais equilíbrio evolutivo moral. Isso dá a você, a mim, a todos nós, uma grande responsabilidade:

”Não importa o que aconteça com você, como aconteça, e por culpa de quem aconteça: as consequências são culpa sua.”

— O que quero dizer é que se alguém lhe presenteia com algo, quem pode ficar feliz ou triste é você. Se algo de bom ou ruim acontece, é você quem tem a escolha de como reagirá a isso. Se alguém o incomoda, é você quem vai escolher se isso fará você explodir ou se você se controlará. Se alguém faz algo errado, reconhece e pede perdão, como último exemplo, a obrigação dela se encerrou aí. Você é quem deve aceitar ou não tais desculpas; a interpretação errada é um problema de quem observa. Você é o único responsável por sua felicidade. Tratar o ódio com ódio jamais limpará ou resolverá o ciclo; na verdade, apenas o aumentará, e isso se repetirá até que o ciclo se quebre. Nada mais justo, certo?

— Assim, aquilo que parece ser sua maior provação, seu maior karma desta vida, um trauma de oitocentos anos que já se tornou uma vingança, só vai terminar quando você realmente conseguir avaliar que, seja o que tiver sido feito e por quem tiver sido feito, é você quem tem que saber quem controla seu fluxo de ódio, vingança ou felicidade e caridade, e que é apenas você mesmo. Você já imaginou que, do lado imaterial, sua família, assassinada, precisando de bons pensamentos e boas vibrações suas vindas deste lado, apenas receberam angústia e o desejo de vingança? Que para você a lembrança delas, que deveria ser feliz, uma saudade com a certeza de um dia se reverem, é ofuscada pela tristeza do trauma que elas te fazem lembrar?

— Este é o grande segredo da vida, Inoue. Sorrir na cara da tristeza. O sofrimento faz bem. É um mal que você já causou a algo, ou alguém, e está expiando como reação. Não há castigo divino, apenas reação natural. É por isso que as pessoas, de vidas curtas, pensam que não há recompensa ao bem — porque elas já fizeram tanto o mal no passado que é a reação a este mal acaba passando na frente das recompensas. Mas elas sempre vêm; podem tardar, mas vêm.

— Assim, vamos ao plano. Se o homem que matou sua família aparecesse na sua frente, neste momento, com o menor sinal de hesitação pelo que fez, o que você faria? Dilacerá-lo significa manter o ciclo e estampar ao Universo que você, em oitocentos anos, não avançou nada. O correto seria perdoá-lo. Mas eu seria pretensioso se resolvesse cobrar isto de você em pouco tempo, é claro. É por isso que planetas como este existem — para ensinar às entidades intelectuais, de maneira justa e em seu próprio tempo, por reflexão e autoconclusão, que o caminho certo é o bem.

— Gosto da sua ideia de reviver tais momentos. Sendo você de uma linhagem de seres de vida longa, reviver tais cenas, dias, meses, é uma forma de simular uma nova expiação antes mesmo que ela venha. É apressar, por vontade própria, o aprendizado de algo que pode demorar milênios e muitas vidas. Mas para isso eu precisarei da maior quantidade de detalhes possíveis. Se não se incomodar, peço que me permita ler sua mente para entender exatamente o que aconteceu e como, e assim eu poderei refazer tais cenas.

— … e poderei fazê-las mais leves, ou mais pesadas. São treinos. Poderei criar o cenário ideal, onde nada disso acontece, ou o pior cenário, onde tudo de errado acontece. E nós teremos chegado ao sucesso quando você constatar tal trauma e, ao invés de reagir com ódio, amargura e desejo de vingança, manter-se racional e procurar tentar entender o que aconteceu, e ainda que o motivo seja pífio e bobo, perdoar. Ser capaz de abraçar o seu pior inimigo, oferecer amor quando ele te deu o ódio. Isso não o mudará, mas isso não importa; você mudou. Um dia talvez ele precise de ajuda e ajudaremos. Mas a escolha é dele. Lembra-se? Cada um… é responsável pela própria evolução.

Alguns momentos de silêncio. Reno havia conversado demais, sentia, e já devia ter passado mais de uma hora desde o começo da conversa. Havia uma verdadeira obra de arte na folha de papel: o sistema solar, com a Terra em destaque, pequenos modelos de como funciona o ciclo da entidade intelectual (o ser vivo) e como a evolução se dá. Havia mais coisas a explicar, é claro, mas isso talvez viesse com o tempo, ou não precisasse vir. Era algo que Reno sempre lembrava: saber daquilo que explicara era uma forma racional de lidar com as questões do Universo e ser feliz. Mas a verdade é que os seres deveriam ter a obrigação de serem gentis, de perdoar, de ajudar, enfim, de serem felizes mesmo sem saber disso.

Fechou os olhos e se aproximou do youkai, colocando a mão em sua testa. Externalizou a própria aura mental, os dois chacras localizados na cabeça, e observou a aura de Inoue. Aos poucos, tentou penetrar nos fluxos de energia do espírito do homem, acessando os arquivos mentais de sua memória. Ora, achar o trauma foi algo bem fácil. Estava estampado na essência do que Inoue era, naquela vida.

***

— Entendo — coçou os olhos e limpou a água salina que deixava seus olhos. Ainda era um humano, suscetível às manifestações emocionais inerentes à matéria. — É uma cena bem forte. Mas, como nada é impossível neste mundo, pode ser trabalhado e mudado. Eu agradeço por seu pedido, Inoue, também aprenderei muito com nosso estudo moral. Quer testar? Quero que se deite em minha cama, por favor. Você vivenciará, de verdade, mais real do que qualquer pesadelo, o que aconteceu ali pela primeira vez em séculos. O sonho dura uma hora, mas em tempo mental dura o tempo que eu julgar necessário. Vamos começar?

Então Inoue, depois de deitar e fechar os olhos, caiu em sono profundo. E o que ele viu foi…

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Inoue91
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Re: Touhou RPG - Sidequests

Mensagem por Inoue91 » 12 Set 2014, 21:58

Inoue

*Depois que você se abre pela primeira vez, as outras vezes parecem que são mais fáceis, as palavras saim com mais facilidade desta vez, o que Inoue estava fazendo para muitas pessoas seriam um incomodo, afinal elas não querem ficar ouvindo este tipo de coisa, mas o ruivo o escutava com toda a atenção, isso de certa forma deixava o youkai mais aliviado, após dizer tudo o que tinha para dizer, encostava suas costas no encosto da cadeira e ouvia aquilo que seu amigo tinha a dizer.

*Inicialmente ele lamentava por todo o sofrimento que Inoue havia sofrido, ele o consolava, Inoue não gostava de parecer fraco diante dos outros, ele apertava os punhos momentaneamente, como que ele protegeria sua família, seus amigos, Fiora estando fraco daquele jeito, inspirava e aspirava pelo nariz, ele estava ali exatamente para isso, para tentar superar este trauma, e não deixar que isso acontecesse de novo, fechava os olhos por um momento e então relaxava os punhos.

– Leis que regem o universo.... mas o nosso mundo é diferente do restante dos habitantes deste mundo planeta, não sei dizer a respeito do seu mundo, mas aqui a maioria das pessoas não enxergão a realidade, soltamos magias, dependendo do caso podemos ressuscitar os mortos, lutamos contra criaturas inimagináveis, e para elas nada disso existe. Quanto moralmente falando, eu era contratado para destruir aqueles que estariam pondo este planeta em risco, isto está moralmente correto certo? Eles matavam inocentes, destruíam famílias, começavam guerras e eu tinha que impedi-los, mas por outro lado, estas pessoas as quais eu eliminei também poderiam ter uma família, ou alguém esperando por elas, o que me torna o vilão da história afinal o que é certo para nós não pode ser certo para eles.

*Inoue para de falar por um momento, se inclinava para frente e entrelaçava as mãos, ficava parada por um tempo refletindo sobre o que tinha acabado de ouvir e falar.

– Um ciclo? (Dizia levando uma das mãos ao queixo) – Como já havia comentando, podemos enganar a morte, e deste jeito modificamos o ciclo certo? Já vi pessoas sendo trazidas de volta a vida com magias, no meu caso não era possível pois para que a magia funcione é preciso que algumas coisas estejam de acordo com o ritual. Meus pais têm milênios de vida, e ainda aparentam ser jovens, eu mesmo tenho oitocentos e quinze anos, se não me envolver em perigos não sei responder quantos anos eu viverei.

– Eu obtive minha vingança após determinado tempo, eu sei que é contra aquilo que você está falando, mas matar aquele cara foi uma das coisas mais satisfatórias da minha vida, ver a cara de agnoia dele a medida que eu o golpeava me dava uma enorme satisfação, talvez o que você falou seja verdade, eu posso ter causado o mesmo trauma em uma pessoa próxima a este meu inimigo e ele esteja me caçando ou arquitetando um plano ainda mais diabólico, talvez isso realmente seja um círculo violento, caso ele venha a me matar, minha família não deixaria barato.

–- Talvez você esteja certo neste ponto, eu lutei inúmeras guerras, vi amigos morrerem em campo de batalha, outros serem torturados até a morte, presenciei vilarejos serem incendiados, vi duas bombas nucleares destruir Hiroshima e Nagasaki matando aproximadamente duzentos e cinquenta mil pessoas, dentro delas amigos próximos. Foram dores grandes, mas eu consegui superá-las, talvez o fato de eu ter um ligamento muito sentimental com elas, e também o fato de eu ter causado a morte delas façam com que eu não consiga lidar, eu não quero esquecê-las pois esquecer eu deixaria de lado tudo o que eu aprendi e vivi com elas. Agora que eu encontrei Fiora, eu vi que eu posso amar novamente, mas para que isso ocorra, eu tenho que primeiro, superar este meu trauma.

– Esta minha resposta não ira te agradar, mas caso o desgraçado aparecesse na minha frente hoje eu o atacaria sem pensar e o mataria da mesma maneira ou de um jeito até pior, perdoá-lo é algo impossível para mim, ele acabou com minha vida e deixá-lo vivo andando e sorrindo não é algo que eu possa aceitar.(Parou por um momento, enxugou algumas lágrimas que escorriam do seu rosto, pensou por um momento e então voltava a falar) -- Mas ai eu acho que entra aquela famosa frase “A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena”, matá-lo me deu grande satisfação no momento, mas aquilo não mudou nada, minha mulher e filha ainda estavam mortas, e nada as traria de volta, talvez eu tenha feito mais mal a mim mesmo do que este meu inimigo, minha vingança me tornou uma pessoa menor em caráter, menor em sentimentos e maior nos meus arrependimentos.

– Ler minha mente? Bom isto é algo que não me agrada muito, mas para este tipo de pedido que eu fiz eu já esperava que isso fosse necessário, eu concedo permissão para ler meus pensamentos, só peço que isso fique entre nós, estou tentando envolver o menor número de pessoas neste meu dilema, quanto a dosagem da emoção eu não dizer o que eu prefiro, como que funciona esta magia? Você assiste o meu sonho como se fosse um telespectador e tem a total liberdade de escolher o que acontece ou isso sou eu que escolho? Se for deste jeito eu acredito que você pode ir dosando conforme ache necessário, se estiver muito pesado e a situação fugindo do controle, seria apenas questão de me levar para um lugar feliz ou reiniciar aquele momento e iniciá-lo de maneira mais leve não? E outra coisa, como funcionaria caso eu haja de maneira diferente da qual eu agi naquele momento, digo, quando encontrei o meu inimigo eu o matei, se neste meu sonho eu fizer outra coisa com ele, ai a partir daquele momento seria tudo invenção sua? Já que aquele momento tecnicamente não existe.

*Quando viu que Reno estava se aproximando para ler seu pensamento, exitou por um momento, mas logo em seguida aceitou, fechou os olhos e tentou relaxar, a fim de facilitar o trabalho de seu amigo.

– Agora que você leu minha mente me entende correto? Acha que pode dar um jeito nisso? (Dizia enquanto se levantava e caminhava na direção da cama do jovem ruivo, sentava nela, e antes de deitar-se dizia.)

– Existe uma palavra de segurança que eu tenho que dizer para que me tire do sonho? Nunca experimentei este tipo de coisa e tenho um pouco de receio que isso me enlouqueça caso saia do controle.

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Keitarô
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Re: Touhou RPG - Sidequests

Mensagem por Keitarô » 12 Set 2014, 23:07

Reno

Reno resolveu responder às últimas perguntas de Inoue dentro de sua mente. O raciocínio seria mais direto e rápido. Assim, Inoue deitou e, a pedido do ruivo, fechou os olhos, tentando relaxar. Em alguns instantes seu corpo começaria a vibrar em uma frequência aparentemente periódica, quase como se se mexesse sozinho. Orientado por Reno para não abrir os olhos e prestar atenção na própria respiração, novas sensações surgiram no youkai: um frio na barriga de quem está caindo ou está pulando em uma piscina fria; sons estranhos intracranianos vindos da região da nuca e, por último, uma sensação de descolar do próprio corpo. Era um experimento controlado, um estado de sonho estando acordado. Chamava-se desdobramento, e naquele instante, era conseguido por magia.

Estavam, então, os dois, na mente de Inoue. Por manipulação do ruivo, a aparência que os dois viam era de um plano infinito de concreto, e o céu azul acizentado. Em muitos lugares um pouco de mato parecia surgir contra todas as chances do meio do concreto. Estava um pouco quente mas era suportável, e de tempos em tempos soprava uma brisa fresca.

— Inoue — Reno virou-se para o youkai, as mãos nos bolsos, observando o redor que era a mente em estado bruto do homem. —, os mundos são exatamente iguais. Não há diferenças senão com respeito à classificação dos mundos e dos habitantes que neles habitam. Vou lhe mostrar exemplos usando sua própria mente como lousa.

Então parte do céu se transformou em um projetor de imagem, e um mundo vulcânico com intempéries poderosas e seres bestiais que se matavam todos os dias era mostrado. Não havia linguagem falada, ou ela era restrita apenas aos mais intelectuais daquelas tribos, e algumas delas nem humanoides eram, mais lembrando demônios e afins. Já em outro projetor, um estado mais avançado relatava cidades de construção bruta, linguagem comum mas o estudo sendo possuído apenas por alguns que, apesar de tal evolução, controlava toda a massa plebeia. Então em outra região estava a Terra, ou ao menos um mundo cujas imagens lembrava muito o nível intelectual e moral da Terra — ao mesmo tempo avançado e atrasado. Outras imagens começaram a se formar: mundos avançados com grande tecnologia; mundos avançados também em moral, onde o bem predominava sobre o mal, onde as pessoas eram quase todas capazes de voar… outros mundos onde a morte e a “reencarnação” possuíam intervalo extremamente curto e, finalmente, um mundo onde a morte sequer existia.

— A Terra é um mundo intermediário. Existem muitos lugares piores, e muitos lugares melhores. Gensokyô é mais atrasada em termos tecnológicos que a Terra, mas o nível moral é um pouco parecido, às vezes ganhando e às vezes perdendo. Youkai comem humanos todos os dias, mas ninguém é capaz de matar milhões de pessoas com bombas ou genocídios. Isso, porém, é uma questão de tempo. A lei é evoluir sempre, e um dia nosso planeta, nosso plano, e os semelhantes também, serão melhores.

Com um gesto de mão, como se apagasse o céu, as imagens foram sumindo.

— Se existe magia e um monte de outros conhecimentos ocultos de grande parte da massa populacional, é porque não é a hora para que ela saiba disso. A realidade, meu colega, é mais controlada do que parece. Estamos provavelmente sendo observados neste momento, e em todo momento, sabia? E muitos destes que nos observam, com certeza, são aqueles que você matou. Ah, isso não faz bem algum, Inoue, só deixa as energias ao seu redor mais pesadas. Eu não posso julgar os métodos que este planeta e os semelhantes usam como forma de aplicar a justiça material; talvez matar criminosos ainda seja um ato necessário para a estabilidade moral aqui, mas isso não faz tão bem quanto parece, e um dia, quando for a hora, mudará.

— Não podemos enganar a morte porque simplesmente a morte não existe, é apenas uma transição. Se for de interesse daqueles que controlam a Realidade, o que você diz torna-se realmente verdade; a ressurreição pode ser conseguida através dos poderes estreitos que apenas alguns poucos detêm. Mas isso com certeza, em condições normais, não é algo que faça bem. É por isso, inclusive, que eu acredito que nem sempre o ritual funcione: a pessoa envolvida pode não querer voltar, a depender do quanto já tenha imerso no outro lado. Como disse temos quase sempre muitas vidas anteriores, e quando morremos passamos a nos lembrar delas… voltar no meio deste processo não deve fazer bem ao espírito. Além disso, o tempo para os espíritos não passa da mesma forma que para os vivos na matéria. E enquanto um homem vive em torno de oitenta anos, alguns youkai tem esta dura vida de centenas de anos. Imagino que seja difícil trabalhar direto sem respirar… — era, obviamente, uma metáfora para a vida e morte e vida novamente.

Ao falar sobre a vingança, o céu ficou vermelho.

— A sua resposta não me agrada nem desagrada, Inoue. Você é responsável por sua evolução, e embora eu possa te ajudar, não posso te mudar. O único que tem que se sentir agradado ou desagradado, no caso, com o próprio comportamento, é você mesmo. Tudo a seu tempo, de toda forma; eu vou simular várias cenas, não só a que você vivenciou, e também vários pontos de vista diferentes. Alguns, é claro, com a minha visão, mas acredito que possa ser proveitoso para todo mundo. A lição aqui é não deixar os instintos tomarem conta do racional, que deve ser soberano.

— Há ainda um detalhe mais incrível, que eu ocultei até este momento — o ruivo deu um sorriso triste. — Não lembrar de vidas passadas é um mecanismo de defesa e sanidade. Significa que não estamos preparados para lembrar das atrocidades que um dia já cometemos. Consegue imaginar? O assassinato da sua família, frente ao que você já pode ter feito de maneira somada… pode não ser nada. À medida que o mundo e os habitantes evoluem, a ligação com o material diminui… a evolução moral acontece… o amor floresce… e a memória volta, pois então estamos maduros o suficiente para compreender o que aconteceu.

— Sobre a palavra de segurança… não há. Entraremos nas próximas camadas do seu subconsciente, passando pela glândula pineal e afetando diretamente o seu cérebro espiritual, e você não vai lembrar que isso é um sonho, senão os resultados serão tendenciados, Inoue-kun — o ruivo sorriu com segurança. — Mas tudo ficará bem. Caso eu perceba algo além do que parece ser nosso limite, encerrarei a encenação.

Após algum tempo refletindo sobre as verdades e também teorias lógicas — quais eram quais? —, chegava o momento do primeiro teste. Não era a cena que Inoue esperava, a de seu trauma, mas uma outra, criada por Reno.

Criada…? Criada por quem…? Na verdade parecia um sonho de lembranças distantes.

(***)

Havia uma jovem raposa que acabara de ter um filho. Uma raposa desconhecida, acuada por ter sido descoberta por aquela mãe e filho, atacou o filhote e o matou. A mãe fugiu e ficou amargurada, mas teve outra prole depois. Aquilo, porém, ficou em sua mente.

(***)

Um pequeno jovem humano de proporções angulares e pele avermelhada tinha um amigo com o qual, apesar de se dar bem, vivia brigando. Ele não queria brigar, mas o outro, sempre vestido em pele de lobos que matava para se alimentar, parecia nutrir um ódio irracional, apesar da amizade.

(***)

Dois irmãos humanos de cor de cabelo diferente, que viviam em um planeta gelado, apaixonaram-se pela mesma mulher. Um deles teve vontade de trair seu laço sanguíneo mas resolveu sustentar os instintos em prol do outro. Este, mais velho, descobrindo que seu irmão também nutria algo pela mesma mulher, matou-o como castigo.

(***)

Uma senhora ruiva nasceu com psicopatia em um planeta de clima seco muito abrasivo. O presidente de uma empresa de vidraçaria gostava da senhora e a contratou como secretária, mas esta arquitetou planos que levaram o homem à falência.

(***)

Um certo demônio de beleza estonteante zombou a vida inteira de seu servente caolho cotó cujos pelos dos pés eram ruivos, uma aberração.

(***)

Dois youkai de famílias inimigas odiaram-se a vida inteira sem conhecer-se. Quando se encontraram pela primeira vez, lutaram, mas o tempo o tornou amigos e eles não se odiaram mais.

(***)

Um jovem ruivo certa vez ajudou uma senhora de face lupina a atravessar a rua e carregou suas compras com certa satisfação. Tinha pena da senhora… mas também compaixão.

(***)

Um youkai capaz de abrir barreiras tinha prazer em prender seus inimigos em fendas espaciais sem volta. Certa vez poderia tê-lo feito com um pequeno lobo que mordeu seu pé, mas percebeu que ele só queria se defender.

(***)

Dois espíritos que há tempos se conheciam mas não se encontravam há milênios lembraram-se um do outro. Entraram em ressonância e, mesmo distantes, o pensamento de um alcançou o outro. Havia muitas lembranças, mas acima delas, havia o recomeço.

(***)

Uma mercenária chamada Akane certa vez foi contratada para matar o sucessor de uma linhagem de humanos espadachins. Apaixonou-se pelo homem e passou a admirar sua força de vontade e o respeito que tinha pelo amor. Desistiu e resolveu que o ajudaria dali em diante.

(***)

Uma deusa menor lupina incapaz de amar certa vez se apaixonou por uma criança cega que também se apaixonou à primeira vista. Em sonho. Os dois nunca se encontraram, mas juraram que seriam amigos.

(***)

Pai e filho, unidos por um laço de destino forte, jamais se separaram apesar de possuírem uma doença que os impedia de identificar o rosto dos conhecidos. Seu amor era mais forte.

(***)

Um youkai lobo espadachim mago certa vez matou o pai de uma jovem ruiva inocente. Ela, mesmo triste, tirou forças de algum lugar ou crença para não culpar o youkai pelo que fizera, e sorriu ao conseguir perdoá-lo anos depois. Não fora difícil. Parecia conhecê-lo, na verdade, desde sempre.

(***)

Um youkai lobo espadachim mago certa vez lembrou que matara o pai de uma criança que não tinha culpa dos feitos de seu pai. Torceu para que ela estivesse bem e, ela, em um plano não material mas muito próximo do youkai, enquanto estudava sobre o universo, quis abraçá-lo. Percebeu que o coração do guerreiro estava em frangalhos.

(***)

Reno tocou o ombro de Inoue e este acordou, exatas uma hora depois de quando começara a dormir, no quarto de hotel onde o ruivo estava hospedado. Ambos eram amigos, agora, e apesar de mal se conhecerem, um era capaz de se abrir com o outro tranquilamente, e o outro queria muito ajudar o primeiro a superar o trauma de seu coração despedaçado.

— Como foi o teste?

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Inoue91
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Re: Touhou RPG - Sidequests

Mensagem por Inoue91 » 19 Set 2014, 00:16

*Inoue estava deitado, tentava relaxar, estava conseguindo até sentir seu corpo vibrar, ele queria abrir os olhos e ver o que estava acontecendo, mas foi aconselhado para não abri-los, respirou fundo, e tentou concentrar-se em sua própria respiração como Reno havia lhe pedido. Subidamente sentiu um frio na barriga, parecia estar em queda livre, sons estranhos vinham em sua cabeça, e por sim sentiu-se deslocar do próprio corpo, era uma sensação estranha, mas por algum motivo ele não se sentia incomodado.

*Quando percebeu estava em um plano infinito, o céu possuía um tom azul acinzentado, o clima era agradável, tudo o que o Lupino queria saber era que lugar era este que ele estava, ele nunca havia visto um lugar assim, olhou aos redores e então olhava fixamente para Reno a fim de ouvir a explicação que ele daria.

*Escutou atentamente tudo o que Reno tinha a dizer, durante a explicação, várias imagens foram sendo projetadas naquele mesmo céu. Diversas telas foram sendo formadas, e em cada uma delas alguma coisa era apresentada, em um possuía seres béstias que matavam todos os dias, outra mostrava um mundo com um grande avanço tecnológico, entre eles estava a Terra, Inoue os observava atentamente, e com um simples gesto de Reno, as imagens sumiram.

*A conversa entre ele durou mais algum tempo, debateram por um tempo, e ambos começaram a se entender melhor, haviam se tornado grande amigos, neste momento alem de Fiora, Reno era o único que sabia desta parte do passado de Inoue, ele queria conseguir perdoar a si mesmo, e encontrar a paz interior, e tinha boas esperanças que com ajuda de seu amigo ele conseguiria tal feito. A hora estava chegando, Inoue concordava com a cabeça avisando que Reno podia começar o experimento, então tudo ficou escuro novamente, e em pouco tenho imagens começaram a ser formadas na mente do guerreiro.

Inoue acordava ao ser tocado em seu ombro por Reno, foram tantos sonhos, tantas lembranças que pareciam que horas haviam se passado, ele olhava para o relógio que estava ao lado da cama e como o ruivo havia dito, apenas uma hora havia se passado.

– Pensei que fossemos direto ao ponto, mas de certa forma para uma primeira vez foi uma boa experiencia. Alguns foram criações suas certo? Mas em todo caso deixe-me começar.

– Inicialmente eu era uma raposa, tinha acabado de ter um filho, estava em busca de alimento para ele, mas acabei encontrando outra raposa que também estava em busca de alimento, fiquei com medo, pois pressentia que ela poderia atacar, e acho que ela também ficou com medo que eu atacasse já que estava protegendo minha cria, o instinto dela respondeu mais forte e ela atacou meu filhote e acabou matando ele, minha única opção era fugir, aquilo me ensinou uma lição e quando tive a segunda prole, este mesmo erro não se repetiu.

– Na segunda passagem, eu era um homem que na maioria das vezes resolvia seus problemas através da força, apesar desta personalidade possuía um amigo próximo que era totalmente o meu oposto, talvez é como dizem os opostos se atraem.

– A terceira me preocupou bastante, eu tinha um irmão mais novo, e por um acaso acabamos apaixonando pela mesma mulher, combinamos que nos afastaríamos dela, não podíamos brigar pelo amor de uma mulher, descobri mais tarde que ele havia conquistado o coração dela, enfurecido e enciumado acabei matando meu próprio irmão, jamais machucaria um irmão meu, de forma alguma.

– Durante o quarto, eu era o presidente de uma vidraçaria, contratei uma senhora a qual eu gostava, mas esta arquitetou um plano que me levou à falência, sempre a tratei bem, não sei por que ela faz isso comigo.

– No quinto sonho, eu era um ser detentor de uma grande beleza, meu serviçal era caolho, tinha pelos nos pés, e por este motivo eu zombava dele. Acredito que não devemos julgar uma pessoa por sua aparência, pois o que realmente importa é o que está dentro da pessoa, como um velho amigo disse, julgar pela aparência é como olhar um cacto. Não se percebe a água contida em seu interior, nem a beleza de suas flores.

– No sexto eu era um Youkai membro de uma tradicional família, minha vida inteira fui ensinado a odiar uma família rival, um dia encontrei um membro desta família rival, entramos em combate, mas ele demonstrou ser um grande guerreiro, não houve vitorioso naquela batalha, nos encontramos várias vezes depois, mas com o tempo nos tornamos grandes amigos e desistimos de batalharmos ate a morte. Tudo aquilo que minha família havia me ensinado foi uma grande mentira, o inimigo era igual a mim e não tínhamos um motivo verdadeiro para odiá-los.

– O sétimo, não sei o que dizer, eu era uma senhora, e um jovem ruivo me ajudou a atravessar a rua, talvez uma frase do budismo ajude a refletir a respeito. “Em tudo, o nosso sentimento é o que importa. A intenção, boa ou má, influencia diretamente nossa vida no futuro. Qualquer ação, por mais simples que seja, se feita com coração, produz benefícios na vida das pessoas.” Aquele pequeno ato por mais simples que seja, deixou aquela senhora feliz.

– Durante o oitavo eu era um pequeno lobo, e um poderoso youkai invadiu meu território, nossas forças eram incomparáveis, mas eu tinha que defender minha casa, então o mordi, ele me olhou com uma cara de desprezo, mas por algum motivo não me atacou, talvez percebeu o que estava fazendo e então resolveu ir embora.

– O nono não sei muito que dizer para falar a verdade.

– No décimo eu era o sucessor de uma linhagem de espadachins, uma mercenária foi contratada para me matar, ela tentou uma, duas, três, cem vezes, mas eu sempre a derrotava, ao invés de matá-la mostrava compaixão e respeito, ela então abriu mão de seu contrato e passou a me ajudar.

– Na décima primeira, eu era acho que uma deusa lupina menor, era incapaz de amar, mas por algum motivo em um sonho me apaixonei por uma criança cega, talvez fosse a inocência dela que me cativou, prometemos um ao outro que seriamos amigos.

– Depois, era uma pessoa a qual não conseguia identificar o rosto de conhecidos, havia um homem que nunca saia do meu lado, ele aparentava ter a mesma doença que eu, talvez o destino ou um laço muito forte nos impedia de nos separarmos.


– Nos dois últimos eu fui eu mesmo, em ambos os momentos eu matei alguém que era importante para outra pessoa, não tive escolha, por mais que tivessem uma família eles estavam colocando a vida de inocentes em perigo. Em ambos os casos, os filhos das pessoas que eu matei não buscaram vingança, eles de algum jeito me perdoaram, eu a mesma pessoa que destruiu a família deles, não consigo entender como conseguem agir desta forma, invejo eles, pois tudo o que eu sinto é ódio.


*Parava um pouco de falar e então respirava um pouco, ele não sabia se teria a necessidade de falar tudo isso, afinal desconfiava que Reno poderia ter assistido todas essas passagens.

– Você.... você estava presente em todos eles certo?

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Re: Touhou RPG - Sidequests

Mensagem por Keitarô » 25 Out 2014, 10:54

Reno

— Sim, eu estava presente em todas elas. Eu era sempre a contraparte da história… Takashi. — Reno parou temporariamente de falar. Sorriu e respirou fundo, fechou os olhos e levou os dedos aos olhos; sentia-me profundamente comovido por forças maiores das quais ainda não entendia tão bem (embora sempre tivesse teorias). Mantinha-se concentrado, pois uma vez que fazia contato mental com Inoue, poderia inundá-lo com imagens não tão diretamente relacionadas ao procedimento que executavam ali. — Eu não sei ao certo lhe dizer se tudo isso é uma invenção minha ou uma lembrança intuitiva do que aconteceu. Quem sabe? Talvez tenha acontecido…

Agora calmo e tranquilo novamente, como sempre costumava estar, o ruivo respirou fundo mais uma vez e reiniciou sua análise.

— Estou satisfeito com o fato de ter observado as coisas erradas que todas estas histórias traziam, assim também como as coisas boas. Este é o sentido da vida. Você é capaz de perceber hoje porque passou por elas, e entendeu que foram sem sentido. Este é o próximo passo para tratar a respeito do seu ódio ao seu inimigo.



Então Reno fechou os olhos e externalizou seus pensamentos. Estavam, agora na órbita da Terra, pisando em lugar algum — flutuavam no vácuo, no nada. A Lua fazia-se presente e próxima, pelo menos metade da distância que costuma ficar do planeta azul. Tanto Inoue quanto Reno já não tinham mais corpo, ali. Estavam presentes em espírito — por isso o nome “desencarnado” — ainda que temporariamente. Reno abriu os olhos e estes estavam vermelhos, tal qual os de Inoue. A aparência de ambos não era muito clara, nítida, porque parecia ser a soma ou mistura de várias existências condensadas. Concentrar-se em uma daquelas existências era o que definia a aparência do dois, temporariamente.

O estado de espírito era algo muito volátil, leve e muito mais sentimental do que o encarnado. As lembranças tinham o mesmo efeito de pesos se distribuindo pelo corpo, e por isso Reno concentrava-se para que tanto ele quanto Inoue lembrassem das coisas boas. Os sentimentos de alegria, amor, amizade e todos os outros bons eram tão fortes e tangíveis que podiam ser enxergados. A cor da aura dos dois estava azulada, tendendo ao violeta. Uma espécie de vapor sempre em movimento ao redor do contorno espiritual de ambos. Se uma música fosse capaz de descrever tal complexa sensação de estar completo…

— Neste momento eu estou a bilhões de bilhões de quilômetros de você para aquele lado — apontou na direção do Sol, mas um rápido cálculo mostraria que o que Reno falava é que estava a muitas distâncias até mesmo do Sol. — E você está a uma distância menor, mas ainda grande, naquela direção — agora ele apontava para a direção de Plutão.

A raposa desconhecida/o humanoide pardo/o irmão assassinado/a senhora psicopata/o servo deformado/o youkai da família vermelha inimiga/o jovem que ajudara a senhora/o youkai das barreiras/a mercenária Akane/a criança cega/o pai doente/a jovem ruiva/a mesma jovem/…

… Reno Urashima…

… fechou os olhos. Seu pensamento era muito claro para Inoue. A mente do ruivo ressoava o que o lobo dissera por último, ainda no hotel: “O nono não sei muito que dizer para falar a verdade”. Abriu os olhos, um sorriso de amor muito íntimo, difícil de catalogar em qualquer outra categoria do amor terrestre. Sem mexer a boca, sempre sorridente e transbordando alegria, pensou alto:

— Mas a nossa distância não importa, porque neste momento o coração de nossas almas está em ressonância. Apenas por desejar, estamos perto um do outro. Na última vez, na nona história, tínhamos uma mistura de amor e ódio por todas as nossas existências cruzadas. Era um recomeço… Mas não é bom agora, Inoue? — o ruivo começou a se aproximar, e tocou as mãos etéreas do amigo com as suas duas mãos, entrelaçando os dedos. — Estamos em ressonância em uma vida onde nos damos muito bem. Onde a pressão da sociedade e da vida, além da própria existência, é claro, nos faz esquecer do que fomos e nos faz concentrar nos problemas mundanos da nossa vida atual. Mas ainda assim… eu entendo seus sentimentos agora, e choro sangue por seu coração.

Um momento de silêncio total, pois estavam no Universo.

— Agora lembre-se de seu inimigo… não permita, meu amigo, meu irmão, meu filho, meu pai — o espírito do ser Reno emitia uma aura vermelha quente, um misto de preocupação paterna, familiar, e proteção, além de amor. — não permita se caminhar nas trevas do ódio… que bom seria se todos nós, todos os espíritos deste planeta pudéssemos ressoar assim… e eu e você ainda nem atingimos o maior estado possível do amor…! Imagine mais, muito mais! Imagine o quão bom seria, depois de tanto ódio, amar o seu inimigo… Pois somos uma grande família sempre interligada, Takashi…

Um abraço caloroso na alma.

— Um passo pequeno no caminho do bem é uma viagem gigantesca para o coração. Vamos amar, Takashi.



Uma explosão quente se deu em algum lugar do Universo, a criação de uma estrela, talvez, como resposta ao efeito borboleta daquela troca de sentimentos. No instante seguinte, porém, tudo estava pesado, denso, e os sentimentos contidos em uma jaula de carne. Inoue, ainda deitado na cama, e Reno, caído ao chão, estavam de volta à vida carnal. Foram apenas alguns segundos, o que o poder de transformar sonhos em realidade do ruivo pôde permitir, mas para os espíritos isso seria uma eternidade. De toda forma aquilo só seria lembrado em horas, pois os dois dormiam o sono mais pesado que a vida até então poderia proporcionar.

Talvez, só talvez, seus espíritos estivessem livres por conta própria conversando sobre o tempo separado. Visitando pessoas queridas há muito não vistas. Pena que não se lembrariam.

Mas ainda haveria muito tempo…

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Re: Touhou RPG - Sidequests

Mensagem por Shino » 01 Nov 2014, 01:36

Especial

Lucian estava procurando algo para ler na biblioteca de Patchouli, mas sem sucesso, desistiu e decidiu dar uma volta ao redor da mansão escarlate, era uma noite linda, a lua brilhava firme no céu, e novamente sobre o teto da mansão rubra o rapaz decidiu repousar, mas alguns barulhos não o deixavam dormir, decidiu então encontrar a fonte do problema, que não muito distante estava, eles vinham do jardim do local.

Lá estavam Remilia e Seiga que discutiam calmamente enquanto assistiam Flandre e Meiling jogando um tipo de esporte que consistia de impedir a bola colidir contra o chão do seu lado do campo, enquanto tentava fazer a bola atingir o campo do adversário, contra elas estavam duas garotas, uma das poucas empregadas não fadas de Remilia, e um Jiang Shi de Seiga, que se sobressaiam muito bem contra as youkais.

— Lucian, que brincar conosco? (Flandre)

Não era bem seu estilo de divertimento então decidiu negar a oferta e procurar outra coisa a fazer.
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Re: Touhou RPG - Sidequests

Mensagem por Keitarô » 04 Abr 2015, 14:07

Sumire, extra 1

Abri os olhos e estava em cima de um prédio. Era noite de lua nova, e deveria estar também nublado, pois eu nada via no céu. Sentia uma dor estranha espalhada pelo corpo, partindo do meio do peito. Uma nevralgia agoniante, espalhando-se pelos nervos do corpo. Eu não conseguia, porém, observar a mim mesma. Uma sensação de repulsa, de que eu não deveria fazer isso, martelava em minha consciência, fosse lá onde ela estivesse. O pensamento distante de que talvez eu não tivesse um corpo naquele momento era uma suspeita aparentemente forte.

Havia algumas coisas diferentes. Para começar, agora eu estava referindo-me a mim em primeira pessoa, não em terceira. Havia mais coisas também, perdidas, adquiridas. Um sentimento transitório permeava aquela noite, e eu não sabia muito bem explicar o por quê. Parecia estar aprendendo aos poucos a ser, começando da ordem contrária — primeiro tendo controle dos pensamentos, da consciência, e apenas depois do resto. Em que época eu estava? O que eu era? Estava na Terra? Por mais absurdo que essas perguntas me parecessem, eu não tinha a certeza de como respondê-las. Mais ou menos quando um mergulhador, por estar desorientado pela pressão de uma grande profundidade, perde a noção do que é cima ou baixo. O mesmo acontece com pilotos de avião, e, no meu caso, eu não sabia se estava viva ou morto. Confuso.

Então, como se a visão se projetasse a uma outra época, ou outra existência, dimensão, me vi enxergando uma cena. Primeiro em terceira pessoa… depois em primeira pessoa. Havia acabado de acordar. Levantei-me da cama, barulhos na porta lá fora. Porradas incessantes, um homem gritando. Observei pela janela e vi um viaduto barrando a luz que chegava até aquele local, e outras casas ao lado numa situação semelhante. Entendi que aquilo era a opção para algumas pessoas que não tinham como morar num local melhor, e que eu era uma dessas pessoas. Observei-me no espelho e encontrei longos cabelos violeta, quase roseados, a proporção entre vermelho e azul cuidadosamente calculada. Os olhos vermelhos, lembrando alguns animais albinos, o sangue correndo por trás das íris. Estava de camisola, e esta era rasgada na lateral, mostrando a região de minhas costelas. Silhueta magra, mas voluptuosa. Eu era uma mulher muito bonita, mas parecia vazia.

Resolvi atender a quem me chamava na porta. Como se meu corpo agisse por conta própria, seguindo ordens motoras não raciocinadas, no caminho até a sala eu parei em frente a um criado-mudo e abri a primeira gaveta, retirando uma faca de cortar peixe com sangue mal-lavado e ressecado. Assustei-me a princípio — deveria estar limpa, no mínimo —, mas segui assim mesmo até a porta. Escondi a faca nas costas, e observei pelo olho mágico. Eram dois homens, e um deles estava muito bravo: era o responsável por toda aquela confusão. Gritava nomes baixos, e como eu devia pagar o aluguel do lugar, como eu já deveria ter sido despejada. Tive um pensamento rápido e resolvi abri a porta, a tranca de corrente permitindo uma abertura de apenas quinze graus.



— Bom dia, senhor Fogazza.

— Sumire, o seu prazo acabou ontem!!! — ele bateu na minha porta e a corrente rangeu. A fúria daquele homem provavelmente arrombaria a porta. — Você disse que pagaria hoje!

— É verdade, senhor Fogazza. Estou pronta para pagar hoje. Mas não tenho dinheiro… aceita outra forma de pagamento?

O homem começou a se acalmar. Fez menção de perguntar como eu iria pagar e eu, com um movimento sutil de ombro, fiz a camisola escorregar mostrando meu ombro direito e a alça do sutiã preto que eu estava usando. O homem começou a sorrir, entendendo a minha intenção. Fez um gesto me indicando para abrir a porta, e então eu a fechei, retirei a corrente e ele entrou.

Dois passos depois eu esfaqueei a sua nuca, e o senhor Fogazza nunca mais me cobraria de novo. Caminhei, coloquei a faca sobre a mesa central que ameaçou tombar. Lembrei que ainda havia um homem lá fora, mas ao me virar ele já estava atrás de mim. Parecia um pouco irreal, quase translúcido. Às vezes eu não conseguia enxergar suas pernas.

— Hehehe, garota, muito direta você é. Não tem peso na consciência por isso? Não te ensinaram que matar é errado?

— Não existe certo ou errado. São relações com variáveis complexas demais para serem compreendidas em respostas tão absolutas como estas.

— … Boa justificativa para matá-lo. Ele me alimentava bem, com seus vícios e raivas. Em breve teria um infarto de tanto nervosismo. Agora terei de procurar outro para continuar por aqui.

No chão, o senhor Fogazza parecia vazar espuma branca pelos orifícios, em direção ao teto. A luz esponjosa atravessava as paredes, porém. Seu corpo espasmava de maneira não natural.

— O senhor Fogazza me retirou das ruas e me criou — eu não lembrava daquilo até aquele momento, mas agora tudo ficava claro à medida que conversava com aquele sofredor. —, mas por vezes ele tentou me estuprar. Quando cresci, me obrigou a procurar um emprego, e me deu esta casa da rede imobiliária dele para morar. Começou a cobrar aluguel, um valor que eu não poderia e talvez nunca possa pagar. Há tempos estava claro que ele queria o meu corpo, na verdade, pois quando menor eu sempre dei um jeito de fugir.

— Então está me dizendo que o matou em legítima defesa? Matou o seu pai, criança arrogante?

— Gostaria de não ter julgado-o assim, mas espero que possamos recomeçar de outra forma em algum outro momento. Eu também não devo ter muito tempo, aqui. Nesta nova chance — ajoelhei-me junto ao corpo cortado do senhor Fogazza —, espero poder amá-lo e dar de verdade a ele o que ele queria.

O homem que me observava concluiu que aquela lógica era bizarra demais e resolveu ir embora. Sumiu num piscar de olhos, mas pude ver que sua expressão de maldade havia diminuído um pouco.

***

Estava de volta ao alto do prédio. Havia descoberto algumas coisas naquela visão — eu não tinha sentimentos, embora soubesse parcialmente o que eles eram, e que por isso eu não os tinha. Senti que no passado eu teria orado, ou feito algo nesse espectro de ação, mas eu sabia que a partir de agora não seria possível. É que se eu não tinha sentimentos, se era só lógica, eu não tinha fé. A fé, transitória, não existia mais. Só o raciocínio.

Existiria, pois, fé raciocinada?

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Re: Touhou RPG - Sidequests

Mensagem por Keitarô » 15 Ago 2015, 10:46

Mega City, Parque Bowyer, 1h23 da manhã

A garota caminhava lentamente pelo parque de madrugada, quase de forma automática. Mexia em seu celular, os fones de ouvido conectados e colocados. O volume estava muito alto, de maneira a revelar um pouco da música que ouvia, de uma animação oriental. Havia um sorriso sutil em seu rosto, e um brilho de curiosidade nos olhos, mas apenas isso — talvez fosse o que os adultos falam sobre os adolescentes de hoje, todos robôs vivendo dependentes da tecnologia, mas a garota de longos cabelos e boina de crochê não parecia estar consciente do que fazia. Apenas caminhava ao redor da passarela circular, próxima ao centro do parque. De tempos em tempos ela dava indícios de que iria "acordar", diminuindo a velocidade do passo, para apenas voltar a caminhar.

Então, ela parou; observou a linha do horizonte e, daquele ponto do parque era possível enxergar o distrito de Ni-Akihabara à esquerda, o aeroporto logo ao lado e o lago escuro refletindo as luzes da cidade. Um silêncio ensurdecedor quebrado apenas pela sua música. Ela gostava da visão: tinha uma paixão especial pelo bairro oriental, e a visão do aeroporto a passava liberdade. Os lagos de Nova Veneza traziam uma carga de medo consigo, mas não havia o que temer, já que estava sozinha. O brilho dos olhos da consciência, então, voltaram, e a garota desligou-se do automático. Ao longe, à direita, a Estátua da Igualdade brilhava por entre os prédios.

— Ah? Eu… — tinha a voz um pouco rouca; olhou ao redor tentando entender o que se passava, perdida. — Não lembro como cheguei aqui, que problema!

Voltando a andar olhando ao redor, a garota tropeçou. Bateu um dos joelhos no chão e sentiu uma dor cruciante, que logo levou aquela região da perna a começar a inchar. À medida que a dor aumentava, porém, uma sensação de presença chamou sua atenção. Ela olhou para trás, a adrenalina suprimindo parte da dor, e tentou enxergar o quê ou quem poderia estar ali àquela hora. Esperava que não fosse um ladrão: fora as roupas e o celular, ela não possuía nada consigo.

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Re: Touhou RPG - Sidequests

Mensagem por Lucian Y. » 24 Ago 2015, 00:47

Parque Bowyer, Megacity, 1h23 da manhã

Era uma boa noite, não muito quente, e com um grande significado talvez a emergir. Uma Noite como essa era perfeita para ele, o seu tipo de noite preferida, para observar a beleza das estrelas, a noite que esperava. Mas era frustrante, irritante também, as luzes da cidade lhe atrapalhavam a ver a beleza em seus céus, encobrindo o fraco brilho das estrelas.

Começou a caminhar, a andar, procurava um bom lugar para observar o céu noturno, um lugar silencioso, escuro. No escuro há de haver beleza, tal qual na Luz.

Um ‘Jovem Rapaz’ caminhava calmamente por um parque, não era muito alto, na verdade parecia muito jovem, caminhava pelo parque, vestindo seu sobretudo, um ‘companheiro’ de a muito tempo, diretamente sobre a pele, antes havia uma camisa, há qual retirou a tempo para poder sentir o frio ar do sereno, vendo-o provavelmente apenas diriam que lhe faz mal, errôneo dizer tal, pois a noite é a única que lhe faz tão bem como toda e qualquer uma, se sentia refrescado, renovado. Um singelo sorriso se mantinha no rosto, afastado de coisas irritantes como os barulhos da cidade, e de suas luzes, um lugar como esse lhe era perfeito.

Fechava os olhos andando, não havia obstáculos, nem nenhum incomodo em seu caminho. Em seu rosto o rapaz levava consigo um singelo sorriso, com as mãos nos bolsos do sobretudo caminhava sentindo ele esvoaçar, e o frigido ar, o sereno, adentra-lo.

Começava a assoviar algo que lhe vinha ao coração, sentia a cabeça leve livre de problemas ou ter que pensar em qualquer coisa, era tão bom isso de vez enquanto estar assim ‘livre’. Parava um pouco, abria os olhos olhava para os céus, e então se espreguiçava, e depois praticava um aquecimento, conseguia ouvir o estralar dos ossos do braço direito, e depois foi a vez do esquerdo, mas nada ouviu. Tudo bem, não fazia diferença.

Fechou novamente os olhos, quando então pensou; “Que Noite Bela!” E acabou dizendo...


-- O céu esta tão bonito hoje, seria agradável uma comp... –-

Nem terminará a frase, se sentiu uma presença ‘aparecer do nada’, não que tivesse aparecido do nada, como ele mesmo o fazia, apenas tinha-a percebido agora. Então a viu, era bela, muito bonita até mesmo, ficou a olhando por um tempo, como uma pedra. Logo juntou as mãos, fechando o sobretudo, rapidamente.

-- Bo-Boa Noite... –-

Disse a olhando mais um pouco, engolindo em seco, pensando um pouco então respirando fundo.

-- Hu-hum... Está uma Bela Noite para se olhar as estrelas, hã? --

Responder

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