Bem-Vindos a Shinkyo

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Mælstrøm
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Bem-Vindos a Shinkyo

Mensagem por Mælstrøm » 20 Mar 2019, 19:02

Bem-Vindos a Shinkyo
Capítulo Um: A Katana de Tetsuo Haruna

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Tamu-ra foi liberta do julgo dos akumushi há cinco anos. Sopravam os ventos da nova era. A Era Hikari, a Era da Luz.

Shin’Yumeng, mais conhecida como Shinkyo, era a maior cidade do Império em seu período de constante reconstrução. Diferente de outras antigas cidades restauradas aos poucos, Shinkyo era uma cidade nova para o Novo Império de Jade. Os traços tamuranianos estavam representados em suas casas, castelos de telhados recurvados, templos em louvor a Lin-Wu, jardins de cerejeiras e serenos lagos com carpas coloridas.

Entretanto, Shinkyo também era uma cidade cosmopolita. Pequena, se comparada a metrópoles como Valkaria, mas cheia de influência de diversas culturas estrangeiras. A população da nova capital era dividida quase na mesma proporção entre tamuranianos e gaijin. Muitos viajantes do Reinado se mudaram para Tamu-ra em busca de uma vida nova, mas também muitos moradores de Nitamu-ra, o bairro dos tamuranianos em Valkaria, retornavam para sua terra natal em busca de um contato com o passado. Muitos nasceram após a queda da Tormenta e não vivenciaram os horrores da Era Akumushi. Essa juventude cheia de vida era dividida entre os que buscavam restabelecer a tradição de seus antepassados e os que queriam trazer fôlego novo à cultura tamuraniana, o aprendizado com o contato com o povo do Reinado.

***

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Chuushinbu, centro da cidade

Akira caminhava pelo vibrante Chuushinbu, o centro de Shinkyo. Era dia, o sol estava quente naquele verão e as pessoas transitavam para todos os lados metidos em seus quimonos ou bokku-fuku. Saburo também estava no lado oeste da ponte Katsubashi, observando alguns quiosques enquanto via algumas pessoas de guarda-chuva e chapéus de palha para se protegendo do sol quente. Rei chamava atenção de um grupo de tamuranianos por andar com seu lobo Ginko e a estranha Kuro. Apesar dos comentários feitos à boca miúda, nenhum deles parecia interessado em criar confusão.

Afinal, esta era o Chuunshibu, um lugar de comerciantes, onde a atividade frenética de negócios e diversão fazia os Yan circularem de mãos. Sr. Fuu e Kamome eram diferentes. Dai'zenshi, a casta de elite de Tamu-ra. Cercados de privilégios e de honra, recebiam acenos e cabeças curvadas dos shimin que passavam por eles e reconheciam as cores e o peso da tradição de suas famílias. Enquanto o experiente shugenja estava próximo a um bazar de tecidos exóticos, o jovem samurai averiguava selas de couro e pelego com cores e costuras resistentes para sua montaria.

Quando, subitamente, um garoto chamou atenção no meio da rua. Naquela idade indefinida entre a infância e a maturidade, o rapaz carregava um leque em mãos. Suas roupas eram do Reinado, mas ele era tamuraniano. Vestia uma camiseta surrada feita de tecido puído de baixa qualidade, calças curtas e faixas nos pés. Na cabeça, trazia um exótico óculos escuros.
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Atenção, atenção, povo do Chuunshibu. Espero que ouçam o Mataro aqui, pois eu trago uma grande oportunidade para aventureiros! A senhorita Erika Haruna-sama está procurando homens fortes e valorosos para um trabalho! Eu sei, eu sei que vocês querem Yan, pode deixar, a senhorita pagará bem! Para aqueles ignorantes que não conhecem os Haruna, saibam que eles são uma antiga família samurai. Pois é, pagamento bom à vista!
O menino gesticulava muito, todo agitado. Às vezes puxava a manga de um quimono de alguém que parecia forte, mas fora ignorado por boa parte das pessoas. Akira, Kamome, Rei, Saburo e Sr. Fuu estavam próximos o bastante para ouvir aquelas palavras.

Uma pessoa de baixa estatura metida em um quimono azul esverdeado, faixas nas mãos e sapatilha de artista marcial no pés. Porém o mais estranho era a máscara que usava. Branca, com pintura de um rosto típico de um henge. Escondia o rosto, mas revelava seus longos cabelos brancos.
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Estou interessado.
Comentou rudemente, voz abafada pela máscara.
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Muito bem, muito bem, temos o primeiro... hã... qual seu nome, moço?
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Haru.
O garoto estreitou os olhos, mirou o rapaz de baixa estatura, circulando em volta dele. Haru não se mexia, mantinha os braços cruzados, parado.
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O que está fazendo...?
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Eu? Tô vendo se você é forte de verdade! Senhorita Erika Haruna-sama só quer aventureiros fortes!
A essa altura, as pessoas andavam circulando os dois, deixando um espaço vazio entre eles. Muitos não ligavam mais para as peripécias do garoto, voltando ao seus afazeres e negócios. Mas muitos estavam parados com compras nas mãos observando a cena toda como espectadores.
Nota do Mestre:
A introdução fica a cargo de vocês. Cada personagem deverá fazer uma breve descrição de seus objetivos e os por quês de estarem em Shinkyo, vindos do continente, seja há pouco tempo ou desde a refundação da capital há 5 anos. Esta parte servirá para reafirmação dos personagens, para dar traços de personalidade. Não se furtem em criar interações menores com NPCs que vocês mesmos possam criar.

No fim, interajam com Haru e Mataro, que serão resolvidas no telegram. Mas dêem preferência a interação uns com os outros.
Dados dos Personagens: Inventário, XP, Riquezas
Imagem - Akira Maedoku <> PV: 23 CA: 17 PM: 5 Limite de PM: 1 <> Condição:
Imagem - Saburo no Shigara <> PV: 29 CA: 16 PM: 4 Limite de PM: 1 <> Condição:
Imagem - Rei <> PV: 12 CA: 15 PM: 10 Limite de PM: 5 <> Condição:
Imagem - Fuu Yin Hong <> PV: 16 CA: 16 PM: 11 Limite de PM: 6 <> Condição:
Imagem - Kamome Tsurubami <> PV: 22 CA: 17 PM: 6 Limite de PM: 3 <> Condição:

Próxima Atualização: 25/03
Editado pela última vez por Mælstrøm em 22 Mar 2019, 11:55, em um total de 2 vezes.

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Aldenor
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Re: Bem Vindos a Shinkyo

Mensagem por Aldenor » 21 Mar 2019, 16:46

O céu estava livre de nuvens, o sol queimava. Um navio do continente acabava de aportar em Porto Tsuki. Diversas pessoas faziam fila, descendo do navio até o chão de madeira para pisar em Tamu-ra depois de anos de exílio. Boa parte deles eram gaijin do Reinado, mas a maior parte daquela leva era de tamuranianos.

Akira era tamuraniano, mas também gaijin. O que fazia dele alguém de lugar nenhum verdadeiramente. Enquanto andava pelas ruas de Valkaria, era visto como um tamuraniano. No orfanato onde fora criado, era visto como um gaijin mestiço. Mas nada daquilo importava para ele. Na fila, Akira sorria, cobrindo os olhos com a mão sobre a testa para ver a maravilhosa cidade de Shinkyo pela primeira vez.
Akira
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Parece uma Nitamu-ra maior.
Não podia dizer que estava decepcionado. É porque não comparava. Valkaria era muito maior, muito mais entupida de gente e tinha uma gigantesca estátua da deusa da humanidade no centro de tudo. Era o marco da civilização humana e foi onde Akira cresceu.

Mas ao mesmo tempo, admirou Shinkyo pelo valor simbólico. Era a força da determinação, persistência e capacidade de se recriar do povo tamuraniano. O povo de sua saudosa mãe Hitomi. Akira pisou com sua sandália de madeira pela primeira vez no território da família de sua mãe, o tal dos Yamaguchi. Um bando de yakuza que lhe deu as costas quando ela decidira ficar com seu pai, o gaijin Cedric. Ele decidira odiar esse povo dos yakuza, tal como não gostava do pai, ausente durante a infância de Akira.
Satoshi
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A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida olhando-se para frente.
O velho deu-lhe um murro amigável na nuca de Akira. Satoshi Yamada trajava sua armadura samurai de outrora, mas muito riscada e de quimono surrado por baixo. Em sua cintura carregava as katana e a waizashi de seu daisho. Apesar de ser de família samurai, há muito Satoshi havia abandonado sua honra tamuraniana. Hoje era um devoto de Okoreeji-sama, o louco. Um nai'nin, um párea abandonado por sua família Yamada que hoje se resumia a seu irmão mais novo e seu sobrinho Kenji, que moravam no Palácio Imperial em Shinkyo.

Mas nada daquilo importava. Afinal, Akira era um nai'nin também.
Akira
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Vamos viver olhando pra frente, então. Temos que arrumar uma casa.
Satoshi e Akira andavam entre o monte de gente no porto carregando suas caixas, mochilas e pagando pessoas com carroças para levarem suas coisas para a cidade.

***

Akira deu alguns tibares para um senhor querendo comprar uma jitensha. O senhor ficou confuso vendo as moedas. Satoshi, então, pagou com seus Yan.
Satoshi
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Perdoe meu discípulo.
O senhor vendedor torceu o nariz para os dois. Akira e Satoshi eram uma dupla estranha mesmo e não exalava o respeito necessário para viverem em sociedade. Mas um bom comerciante não recusaria negócios. Akira ganhou sua jitensha (e trocou seus tibares por Yan) e saiu pedalando adoidado por ali, quase atropelando algumas pessoas. Dois milicianos vieram lhe dar bronca.
Miliciano
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Garoto, pare de fazer confusão por aqui. Quer passar uns dias na prisão?
Akira
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Quero não, seu guarda. Foi mal. Sou novo aqui.
E sorriu para eles fazendo uma mesura inclinando o corpo para frente. Eles trocaram olhares cansados e de desprezo e continuaram seu serviço de manter a paz e a ordem no porto. Akira deu de ombros e desceu da jitensha para andar ao lado de Satoshi.
Akira
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Lá em Valkaria isso aqui é invenção goblin. Por isso não era popular. Mas eu sempre gostei. Lá chamam de bicicleta.
Um cascudo no topo da cabeça.
Satoshi
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<Estamos em Shikyo, não em Valkaria. Seu ningo está muito quadrado, parece um nezumi falando. Hahahaha. Como quer ser um tamuraniano dessa maneira?>
Disse em varukaru.
Akira
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<Ah, e desde quando tu liga pra essas coisas tradicionais? Esqueceu? Somos "não-pessoas".>
Respondeu em varukaru. Satoshi o olhou com um sorriso de canto de boca.
Satoshi
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<Você tem sua razão, shonen. Mas eu não quero me reconectar com a sociedade e sim, com a terra. Você tem um longo caminho pela frente e eu já estou no final da minha jornada. Tenha modos e portas se abrirão. Aja como um macaco e vão lhe tratar como um macaco.>
E riu, imitando um macaco coçando o queixo e o topo da cabeça ao mesmo tempo, dando pulos com uma perna só, alternando. Algumas pessoas olharam de lado e torceram o nariz. Não era um comportamento apropriado para um senhor de respeito. Akira conhecia seus modos erráticos: boa parte do tempo Satoshi era um homem simples, contido e sábio, mas as vezes algumas emoções extrapolavam o normal. Ficava muito feliz e entusiasmado ou muito triste e deprimido, dependendo de circunstâncias misteriosas. Dizia-se que era o efeito colateral de ser um devoto do Louco.

Mas Akira também notou como ele estava mais controlado desde que pegara a estrada com ele e saíra de Valkaria. A antecipação por retornar à terra natal mudou um pouco seus modos. Akira lembrou-se de Aldred e Maryanne e em como talvez a influência deles não fosse boa coisa para a mente do velho mestre. Principalmente com Aldred, o qual viviam brigando a troco de pouca coisa.

***

No final do dia, depois de passear ("supervisionar", segundo Satoshi) estavam em um prédio burocrático do governo para pegar documentação que lhes dava direito a uma casa em Shinkyo. Uma espécie de ajuda de custo do Imperador a todos que queriam tentar a vida em Shinkyo. Sentados na sala de espera, Satoshi estava calado o tempo todo e Akira, agitado, não parava de tremer a perna. Quando chegou a vez deles, Satoshi pediu para ir sozinho à sala. Na volta, sorria contente.
Satoshi
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Não vão me dar casa.
Akira
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<O que? Mas tu é um tamuraniano puro sangue, caralho!>
Disse em varukaru. Um cascudo no topo da cabeça.
Satoshi
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Em ningo. Eu sou um nai'nin, garoto. Esqueceu disso? Vim aqui mais para ver como andavam as coisas. Eles são bastante respeitosos e educados. Gosto disso. Para haver caos, é preciso haver ordem.
Sorria largamente, mas Akira sabia que no fundo isso o deprimia. O jovem guerreiro fechou a cara fez um gesto bastante valkariano com o dedo do meio quando saiu do templo burocrático.

***

Era noite e eles estavam em um bosque, ao leste de Shinkyo. Podiam ver as luzes da cidade. Akira estava irritadíssimo e havia caído três vezes da sua jitensha.
Satoshi
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Se você for esperto, conseguirá dormir em uma ryokan.
Akira
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Porra nenhuma, eu sou nai'nin, não vão me deixar entrar. Além do mais, não vou te deixar aqui.
Um cascudo.
Satoshi
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Como eu já falei, meu discípulo rebelde, minha jornada está no fim e a sua começando. Você já tem 21 anos. Meus outros discípulos... bem, Aldred é mais velho, mas ele é idiota. Maryanne é mais nova que você e já é aventureira. Está na hora de cortar nosso vínculo. Você precisa seguir com suas próprias pernas.
Akira abaixou a cabeça. Estava triste, mas sabia que era o certo.

Em pouco tempo, arrumou suas coisas e pedalou em sua jitensha até Shinkyo. Andou pelas vias a noite, iluminadas pelas lâmpadas a óleo espalhadas pelos postes. Atravessou a ponte Katsubashi, andou pela pequena Praça Kishi onde a estátua do campeão Orion Drake observava a cidade. Um cavaleiro estrangeiro sendo homenageado pelos tamuranianos, enquanto um ex-samurai era excluído por ter tido um passado conflituoso.

Akira encostou sua jitensha numa árvore e dormiu ali mesmo, em seu futon, atrás de uns arbustos para se esconder da milícia.

***

O dia veio quente. Akira acordou com os primeiros raios solares, o suor escorrendo pela testa e pelas axilas. Sentiu que estava fedido e decidiu tomar banho em um pequeno lago ali. Era um "banho", mas ele apenas lavou as partes perigosas e seguiu viagem com sua jitensha.

Pedalou por aquele lado do chuushinbu vendo barraquinhas, bazares e ambulantes. Chegando a uma rua apinhada de gente, teve que descer da jitensha e carregá-la andando. Muita gente, muitos gaijin. E então, um garoto chamou atenção de todos. Um círculo espaçado foi formado em seu entorno enquanto ele declamava animado. Era um tamuraniano, mas em roupas do Reinado. Ele tinha até um óculos escuros! Akira sorriu para ele, se identificou - apesar dele próprio usar um quimono vermelho com o símbolo da garça, do estilo Yamada-ryuu.

Mataro queria aventureiros para uma tal Erika Haruna-sama, de família samurai. Akira torceu o nariz e mostrou a língua. Se apresentaria, para mostrar que era capaz de cumprir qualquer missão que fosse. Era um aventureiro, afinal de contas! Mas um homem baixo se apresentou primeiro. Vestia um quimono também, mas azul esverdeado e trajava uma máscara. Seus cabelos eram brancos, o que era bem exótico. Incomodado por perder a chance de ser o primeiro a se apresentar, Akira se destacou da multidão que cercava os dois.
Akira
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Eu, Akira Maedoku, atendo o chamado de Erika Haruna-sama. Sou estudante de artes marciais.
Mataro
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Não estamos procurando estudantes, mas profissionais!
O garoto estreitou os olhos e Akira inclinou o corpo para ficar na altura da criança, imitando sua expressão.
Akira
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Quer testar minha força, rapazinho?
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Lord Seph
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Re: Bem Vindos a Shinkyo

Mensagem por Lord Seph » 21 Mar 2019, 17:58

Faziam cinco anos que Rei decidiu ir para Tamu-ra.

Ela ainda se lembra do primeiro dia que pisou na terra dos seus ancestrais. Seus ouvidos sangraram e o conteúdo de seu estômago fora expelido com violência.

Aquela terra gritava, os espíritos após longos anos estavam em agonia.

Kuro lhe amparou, enquanto outros ajudavam a se controlar. Aparentemente Rei não era a única a ter esse sintoma, mas os nobres não davam a mínima e os outros tentam apenas reconstruir aquilo.

Kuro então falou com ela.
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걱정마, 레이 사마 야, 나는 야만인들 사이에서 너희를 인도 할 것이다.

Não se preocupe, Ray, eu vou levar você entre os bárbaros.
Rei assentiu, Rei não tinha ninguém exceto ela e os espíritos, ou assim pensou.
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Tudo bem, criança?
Rei não conseguiu se expressar, mas Kuro sorria para a garota que estava diante de Rei.
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Me chamo Nakoruru, você ouviu os espíritos, correto?
Rei apenas acenou, fazia tempo que não se sentia assim. Era como estivesse falando com sua mãe.

Quando se deu conta estava treinando com Nakoruru. Kuro havia ensinado apenas o básico, Nakoruru havia lhe mostrado um mundo novo.

Mas como tudo na vida, elas tomaram rumos diferente e agora Rei estava em Shinkyo, sem sua mestra que seguiu com um Sentai em nome do Imperador de Jade, Rei deveria fazer o mesmo.

Rei caminhava pela cidade com Ginko e Kuro sem se preocupar muito com o falatório.

Foi parada por um guarda que apenas olhou com aquele típico olhar de desprezo, mas permitiu continuar seu caminho até estar diante de uma multidão.

Um garoto tentava encontrar guerreiros para uma missão, quando um jovem Lutador se apresenta e faz ameaças sem sentido.

Rei tomada por um impulso se coloca a frente.
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Vocês não deviam brigar, principalmente aqui onde só atrapalharia o trabalho e harmonia dos demais.
Rei não gostava de conflitos, era sempre problemático resolver contendas entres os Youkai e os mortais.

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Maedoku-san, não devia provocar uma criança para lutar.

E Matatoro-san, não se julga pela a aparência se uma pessoa é forte ou não.
Rei ainda era ingênua, mas desejava resolver aquilo sem maiores atritos.

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Agora poderia me dizer quem é Haruna-sama e qual a necessidade de mandar um rapaz carismático como você pedir por aventureiros?

Ah, eu me chamo Rei, o Lobo se chama Ginko e a garotinha se chama Kuro.
Rei perguntava e se apresentava ao garoto de forma amigável, Kuro e Ginko já estavam próximos para evitar algo pior.

Rei então se lembrou do garoto mascarado, Kuro e Ginko não demonstravam reação negativa a ela e nem ao garoto e o Maedoku.
Editado pela última vez por Lord Seph em 22 Mar 2019, 21:41, em um total de 2 vezes.
Melhor queimar do que apagar aos poucos.
-Neil Young.
o lema dos 3D&Tistas
"-seremos o ultimo foco de resistência do sistema"
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Lucena
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Re: Bem Vindos a Shinkyo

Mensagem por Lucena » 21 Mar 2019, 21:33

O sol se levantava no leste quando Tsurubami Kamamo se preparava para ir embora. A noite seguinte fora uma despedida de muita pouca fanfarra, com seu irmão mais velho já no Palácio Imperial e a geral falta de esperança de seus pais em sua missão auto escolhida. Mas uma voz o chama enquanto o jovem samurai saia a cavalo de sua afastada propriedade rural. Um presente do Imperador para que sua família criasse cavalos para outros samurai, uma tarefa honrada, mas que ainda magoava a glória perdida.
鶴喰舵樹 escreveu:Imagem
- Espere Kamome, espere! Mudei de ideia. Ainda não vou com você, nossos pais precisam de mim aqui, mas não posso te deixar viajar desamparado assim. E não com esse cavalo.
鶴喰鴎 escreveu:Imagem
- Kajiki-niisan? O que tem de errado com meu cavalo?
鶴喰舵樹 escreveu:Imagem
- Nada, mas não é tão bom como este.
Kamome se sentia grato por receber uma despedida, mesmo que de uma pessoa só. Sua caçada para recuperar a honra da família não foi encontrada com desaprovação, mas a falta de confiança de que era algo possível era esmagadora. A antes Veneravel família Tsurubami poderia ter perdido seu título Dai'Zenshi com suas falhas, mas a necessidade do novo império de samurais e o pouco de honra que os sobreviventes do clã mantêram no exílio em NiTamura foram o suficientes para continuarem samurais. Muitos ainda achavam mais sábio ou baixar a cabeça e seguir com a correnteza ou procurar outros caminhos para ganhar glória e honra.
鶴喰鴎 escreveu:Imagem
- Este não é o seu cavalo? Você quer que eu vá no Marrom?

鶴喰舵樹 escreveu:Imagem
- Sim, esse cavalo que escolheu é um bom guerreiro, mas Marrom é melhor e também tomei cuidado de protege-lo com jutsus, então pode ter certeza que vou quere-lo de volta. Quando você voltar. São, salvo e vitorioso de sua missão maluca.
鶴喰鴎 escreveu:Imagem
- Irmão....!
鶴喰舵樹 escreveu:Imagem
- Sossegue nos sentimentalismos Kamome e vá trocar a carga dos dois, confio que se preparou bem.
- E também me passe a nodachi que Otou-sama lhe deu ontem noite que posso te dar outro presente.
Kamome obedece seu irmão mais velho, que era o filho do meio entre os três do Clã Tsurubami, e começa a mudar as cargas para o novo cavalo e lhe dá sua espada ancestral, a prova que em algum lugar no fundo de seus corações, seus pais acreditavam em sua missão, ou pelo menos não queriam que ele morresse falhando.
鶴喰舵樹 escreveu:Imagem
- Uma das duas lâminas sagradas dos Tsurubami, a Wakizashi de Gigantes. Está lâmina revelara mais de seus poderes com o aumento de sua proeza marcial e sua honra pelos olhos de Lin-Wu. Isto é só um presente, um empurrão no caminho certo.
Kajiki saca a grande e pesada espada, mas ela não era nem de perto tão grande ou pesada quanto seu para, a Katana de Gigantes, a gloriosa zanbatou que seu irmão levara para a corte. Sob as preces do jovem mas esforçado shugenja a lamina começa a brilhar e reluzir, e Kamome sente que qualquer poder marcial bruto que a espada antes tinha para refletir seu inexperiente portador havia sigo agora focado numa versão mais útil de se mesmo. Com as demostração da fé da irmão lágrimas molham os olhos do samurai e ao receber a espada de suas mãos ele as segura para agradecer.
鶴喰鴎 escreveu:Imagem
- Eu não sei... não sei como te agradecer nii-san, por confiar, por REALMENTE confiar na minha missão, na minha escolha.
鶴喰舵樹 escreveu:Imagem
- Eu já disse seu tapado, só traga meu Marrom de volta de qualquer fim de mundo que você vai explorar e não se esqueça de não fazer essa missão sozinho.
- E não se esqueça de passar em Shinkyo, tenho certeza que encontrará informações lá. E pode até falar com Onii-sama
quando decidir visitar o Palácio Imperial.
Kamome se recompôs e subia em seu cavalo novo, o Marrom. Sua aventura começava agora.
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O mercado de Chuunshibu, um lugar cheio de curiosidades onde Kamome comprava pouco mais que rações para recuperar os dois dias na estrada e alguns enfeites para a sela do Marrom. Na realidade não era necessário, ele podia ter conseguido tudo isso se fosse visitar seu irmão no Palácio, mas o samurai era hesitante. O realismo gélido de Tsurubami Fukurou sempre entrou em conflito com o jeito sonhador dele próprio. O irmão ser bem mais velho que os outros dois e lembrar muito bem da Tamu-ra de antes dos Akamushi, de toda a família que foi perdida na conquista, não ajuda os dois a verem o mundo da mesma forma, o irmão do meio Kajiki precisando sempre agir como uma ponte entre ambos. Mas Kajiki não estava ali em Shinkyo e o jovem samurai temia ver ser irmão sem ter antes conquistado algum feito em sua jornada.

Felizmente havia bastante no mercado para distrair-lo de suas preocupações, incluindo um shonen atrevido declarando o pedido de ajuda de uma jovem dai'zenshi e os aventureiros que se reuniam ao redor. Um mascarado pequeno, que ele tinha a impressão de não ser humano, uma pequena garota que definitivamente não era humana, um monge de aparência fofa, mas pavio curto e uma jovem que vinha acompanhada de um lobo. Seu irmão o havia aconselhado a não ir se aventurando sozinho, não importando sua missão pessoal o Império precisava de todo Sentai que pudesse formar e um com essas pessoas não parecia tão mal.
鶴喰鴎 escreveu:Imagem
- A jovem tem toda razão, não há razão para panache aqui, não seria um ato digno para a situação.
- E também estou interessando no seu anuncio Mataro-kun. Sou Tsurubami Kamome e acredito que posso oferecer meu auxílio a Haruna-san, depois que ouvir mais sobre o que está se passando.
Disse Kamome ao se aproximar do grupo guiando seu cavalo Marrom, todo equipado mas carregando sua armadura e outras armas. Somente a espada ancestral estava na posse do samurai.
Everything Lives!

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DiceScarlata
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Re: Bem Vindos a Shinkyo

Mensagem por DiceScarlata » 21 Mar 2019, 22:19

Sr. Fuu
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- Ohohohohoho! Sawagashi na... Sono wakasa... Ohohoho... (Que barulhenta é essa juvente...)

*Embora todos tenham retornado a seus afazeres, um burburinho cada vez mais crescente se fez ouvir na multidão. Passos sobre uma sandálias ecoavam, conforme o povão abria caminho formando um corredor imaginário para o velho idoso passar. Caminhava devagar e sorridente, atraindo olhares. Suas vestes eram limpas e de alta qualidade, embora até que comum. Seu jeito era tranquilo e embora fosse um DAI'ZENSHI de corpo e alma, emanando uma aura de respeito, não desdenhava ninguém com seu olhar, que ao contrário, parecia pacifico e humilde*

- Demo.. Yappari, suki desu. (Mas, de fato, eu gosto disso)

*A mão do velhinho pousou sobre a cabeça da Shinkan, acariciando seus cabelos como a uma boa criança*

- Garotos são assim mesmo, as vezes precisam resolver suas coisas com os punhos...

*Olhou de relance o samurai que se prontificava*

- Mas esta sábia garota e o samurai-dono, tem razão. Não devemos perturbar as outras pessoas com nossas atitudes emoções a flor da pele, ohohoho...

*Parou em frente a Akira*

- Muito prazer, jovem Akira Maedoku-san... Meu nome é Fuu Yin Hong... Ou apenas Sr. Fuu. Muito prazer. Muito prazer a todos...

*Sorriu aos presentes*

- Como vai... O Satoshi-dono?

*E então tanto seu sorriso quanto seu olhar tornaram-se mais afiados, Aquele encontro fora destinado. Sr. Fuu sabia disso, mas o jovem Akira ainda estaria por saber... Assim como os demais que se apresentaram,.*

*E por que o Sr. Fuu já sabia disso? Bem, a resposta jás no dia anterior...


_________________________________________________________________

UM DIA ANTES

*Há cinco anos a tormenta fora derrotada e há quatro anos havia retornado com a familia Hong para sua terra natal. Depois de tantos anos afundado em depressão e sem qualquer esperança nos deuses, um herói estrangeiro, pouca coisa mais jovem que ele, salvara seu lar dos Akumushi. Arrependido da prõpria desistência, resolveu começar de novo.*

*A fé que havia abandonado foi restaurada e os deuses responderam. Embora muito poderoso quando jovem, eles apenas lhe deram uma nova chance e teria que começar do zero. Estudar do zero, aprender a usar a força da família celestial do zero. Era um senhor, que já era Avô e agora desafiava a vida mais uma vez, talvez até como aventureiro! Era tudo muito empolgante e assustador.*

*Mesmo assim, tudo que fizera fora ajudar sua familia a se restabelecer no palacio Imperial e se reerguer novamente em sua terra. Atualmente já não era mais o patriarca da dinastia de Shugenjas Hong. Seu filho, Han Jin Hong havia assumido esse papel e servia diretamente ao imperador, junto de seus irmãos, primos e tios, como faziam exatamente antes da tempestade varrer a tudo.*

*Quanto ao Sr. Fuu ?*

*Bem, ele queria considerar-se aposentado. Sabia que isso era impossível claro. Era um nobre e para sempre estaria a serviço do imperador, do reino e de sua família. Mas queria ajudar de outras formas. Ser livre para fazer isso com as próprias escolhas e vontades. Responderia a qualquer chamado, mas dessa vez, não desistiria de si mesmo.*

*Foi com este pensamento, que ando na feira mercante da movimentada cidade, que seu velho coração congelou quase a ponto de parar de bater ao deparar-se de longe com a visão de um velho conhecido*

Satoshi
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A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida olhando-se para frente.
*Era ele. Faziam o quê ? Mais de trinta anos? Mas era ele com certeza. Seu amigo e rival de infância. Desde seus dez anos de idade. Haviam crescido e participado do mesmo grupo sentai, antes do Samurai ser enviado para uma missão no reinado. Desde então, apenas ouvira noticias de sua... "queda" . Fuu o olhava pasmo e de repente, sentiu seu rosto corar e não teve coragem de se aproximar. Brigavam o tempo todo e a rivalidade entre SAMURAIS E SHUGENJAS era enorme na época, mas uma vez, Satoshi havia salvo sua vida, quando era apenas um moleque presunçoso e arrogante que pisava em qualquer um que não fosse nobre.*

*Devia sua vida a ele. Aprendera com ele a ser... Melhor*

*E agora não tinha coragem de aproximar e dizer oi. Achou que tinha deixado de ser um covarde quando voltou a ser um Shugenja, mas parece que estava errado*

Akira
Imagem
Vamos viver olhando pra frente, então. Temos que arrumar uma casa.
*" Mas o que é isso?" pensou ao ver o jovem que o acompanhava. Um filho? Não parecia. Um discípulo talvez ? As duvidas ficaram em sua mente, conforme via os dois ganharem distância na rua, enquanto suas pernas não se moviam*

*Passou a noite em claro, lembrando de sua juventude e de seus amigos. De tudo o que tinha e como dava pouco valor. Como era um nobre esnobe e como aprendera a ser melhor. Como aprendera a ver todos como importantes e dignos de respeito. Mudara... para melhor.*


AGORA

*E agora, via novamente o garoto que acompanhava Satoshi, uma vez mais, apresentando-se para uma missão de aventureiros. Aquilo era destino ? Aquilo era um chamado? Sentia que sim. Que sua nova vida começaria ali, com uma simples resposta e um ato simples de coragem*

- Shounen... (garoto) , este velho Fuu gostaria também, de aceitar seus chamado. Espero que um shugenja da casa Hong, esteja a altura da tarefa que pede.

*Sorriu... parece que ainda tinha um leve ar presunçoso. Velhos hábitos são dificeis de esquecer... Mesmo para um velho*

- OOHOHOHOHHOHOHOHOHO....
Tribo Scarlata


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Aquila
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Bem-Vindos a Shinkyo

Mensagem por Aquila » 22 Mar 2019, 19:35

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Saburo

"O que ainda estou fazendo aqui?”

O dia começava radiante sobre Shinkyo, uma manhã de sol com poucas nuvens e um vento marinho refrescante, exatamente como uma manhã de verão deveria ser, mas Saburo não compartilhava da mesma perspectiva que as pessoas da cidade pareciam ter, questionando-se mais uma vez se havia escolhido o caminho correto.

Sentado na pequena barraca de arroz, ao lado da estrada, protegido do sol da manhã por uma lona cinza, o bushi observa o movimento na rua com um olhar vago, enquanto devorava sem muita pressa um pote de arroz com ovos crus, temperado com molho de soja, tentando descansar depois de uma manhã de treina puxado.

- Isso está muito bom, ojisan - ele diz para o atendente, um senhor com cerca de cinquenta anos, que responde alguma coisa que o bushi não presta atenção, pois sua mente está totalmente concentrada no movimento na rua.

“Nada mudou”, Saburo pensa, observando o vai e vem das pessoas como um espectador em uma peça de teatro, sentindo os músculos ficarem tensos a cada sorriso, aceno ou cumprimento trocado pelos shimin e dai’zenshi que se cruzam pela rua, todos cientes do papeis que desempenhavam na trama.

“Mesmo depois de tudo que aconteceu, nada mudou”, o bushi pensa, esticando o corpo para soltar a tensão dos músculos, imaginando mais uma vez porque não deixava tudo para trás e seguia novamente para o sul, onde um homem podia ser dono de seu próprio destino.

Mas a verdade amarga era que ele mesmo já fazia parte dessa peça, um coadjuvante com um papel bem definido a desempenhar, e voltar agora era muito pior do que ficar, principalmente depois de tudo que aconteceu.

Saburo desdenhava a pretensa honra que parecia ditar o valor das pessoas nesse arremedo do que ele imaginava que Tamu’ra deveria ser, mas a verdade é que o orgulho não era forte o suficiente para vencer a raiva e a vergonha que sentia por ter ficado três anos preso depois que chegou na ilha.

A prisão não era nada parecida com as masmorras dos reinos do sul, isso era certo - Saburo passou a maior parte do tempo trabalhando nas pedreiras e madeireiras - mas isso não diminuía a raiva por ter perdido três anos de sua vida enquanto o destino seguia seu curso. Felizmente, o tempo de prisão não enferrujou suas habilidades, ainda que somente agora, depois de seis meses de liberdade, o bushi sente que voltou à sua antiga forma.

Os pensamentos de Saburo são interrompidos pela gritaria de um garoto no centro da rua, chamando pessoas para um trabalho como se fosse um arauto em uma praça. Era uma forma muito inusitada de contratar alguém, principalmente para uma família de samurai, como o garoto ressaltava, mas ainda assim parecia estar funcionando, pois algumas pessoas já se aproximavam, e Saburo não encontrava trabalhos descentes nos quadros de aviso há muitos dias.

- Ei, garoto. Mataro, não é? Que história é essa de trabalho? - Saburo grita, do outro lado da rua, ainda sentado ao lado da barraca do vendedor, começando a atacar uma tigela de cozido de vegetais regado a um vinho tinto aguado, fraquinho, mas perfeito como refresco.

A proposta do garoto já começava a atrair alguns curiosos, entre eles um jovem atlético que significava problemas - “um estudante entusiasmado de alguma dessas academias que abriram recentemente”, Saburo imagina, vendo a forma como o rapaz se movia; uma garota bonita, acompanhada por um lobo selvagem e uma nekomimi que ninguém parecia notar; um velho que aparentava ter todos os anos do mundo; e um samurai, a julgar pela espada valiosa que carregava na cintura como um símbolo. No entanto, era a figura mascarada que atraia o olhar do bushi.

Somente em Tamu’ra alguém podia usar uma máscara no meio da rua e não parecer suspeito. Uma forma engraçada de disfarce em uma sociedade onde a etiqueta era uma medida de valor pessoal, e se passar por uma casta diferente podia custar muito mais do que alguns anos na prisão.

- Venha aqui, saia do meio da rua, garoto. Essa proposta de trabalho, me fale um pouco mais sobre ela. Essa Haruna, por que ela está procurando mercenários? Ela não tem samurai ao seu serviço, por acaso? E por que ela enviaria um moleque como emissário? Não sabe que ninguém leva a sério o que as crianças dizem?
Editado pela última vez por Aquila em 26 Mar 2019, 09:27, em um total de 1 vez.

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Aldenor
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Re: Bem-Vindos a Shinkyo

Mensagem por Aldenor » 23 Mar 2019, 02:42

Akira sustentava o olhar para o garoto, de igual pra igual. Ali apenas via um rapaz tamuraniano que desconfiava de suas habilidades por ser mestiço. Aos poucos, entretanto, ele foi voltando a si. "Não, é só uma criança. Eu sou um adulto." pensou endireitando a postura.

Uma jovem menina surgiu do meio da multidão e se colocou entre eles. Tinha uma voz chata e protocolar, como se estivesse lendo um pergaminho. Akira a encarou com pouco interesse. Perto dela havia um cachorro grande, de pelo cinzento e uma amiga ainda menor, uma criatura de orelha de gato e duas caudas (!) de gato. "Henge", era o nome daquela raça. Akira não dedicou mais que um instante inspecionando as esquisitices. Seu olhar analítico em Haru foi interrompido pelas palavras da menina Rei.
Akira
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Maedoku-san?
Akira vilipendiou numa risada.
Akira
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Não sou dai'zenshi, mas pode me chamar de Akira-sama, garotinha.
Disse apontando os dois dedos polegares para si mesmo, orgulhoso demais.

Um homem se destacou da multidão em seguida. Tinha longos cabelos presos, vestia-se formalmente, postura de guerreiro. Akira ficou sério e instintivamente afastou as pernas, buscando o centro de equilíbrio do corpo. Era um metido, mas queria ajudar a tal Erika. Mataro ficou encarando o homem como quem queria avaliar a suas capacidades apenas vistoriando. Ignorou totalmente o que a tal da Rei havia dito.

Akira cruzou os braços, mais calmamente. Fixou o olhar para a nodachi em sua cintura. Uma arma bastante grande e ricamente adornada. Era um dai'zenshi, com certeza. Provavelmente um samurai. Satoshi era um samurai, mas falava mal da casta, bem como de todos os dai'zeshi. Tais impressões influenciaram o jeito de Akira, que não tinha nada além de uma postura de desdém ao samurai.

Akira demorou para perceber que falavam com ele, tamanha concentração no samurai Kamome. O idoso era afetado, um senhorzinho bem apessoado, com roupas caras e de riso fácil. Dai'zeshi também, talvez um samurai aposentado que já passara seu daisho aos seus descendentes. Era sorridente e irritante, mas falou sobre Satoshi!
Akira
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O que? Hã. Como...
Ficou sem palavras por um instante. Uma brecha aberta, descuido total. O velho revelou-se um shugenja, um tipo de clérigo de Lin-Wu. Akira sentiu vontade de puxar o quimono do homem e erguê-lo do chão, balançá-lo até as respostas caírem de dentro dele... mas quais perguntas? Eram tantas de uma vez só!
Akira
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O que sabe sobre Satoshi? É o Satoshi Yamada de quem fala? Um dos últimos detentores do Yamada-ryuu?
Então, uma voz se elevou entre os presentes. Alguém da multidão gritava com Mataro que não parava de analisar todo mundo com uma mão no queixo, como se tivesse mesmo capacidade de selecionar quem era capaz ou não.
Akira
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Aqui somos cinco e você é um. Venha você para cá, barbudo.
Disse com um sorriso desafiador.
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DiceScarlata
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Re: Bem-Vindos a Shinkyo

Mensagem por DiceScarlata » 25 Mar 2019, 04:43

Sr. Fuu
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- Ohohohohoho... Tem que tomar cuidado com suas perguntas, jovem Akira, as vezes elas contém respostas que vocês não deseja ofertar a desconhecidos!

*O velho acariciava a própria barba, enquanto olhava para uma direção qualquer, ainda que falasse diretamente a Akira*

- Mas respondendo, sim, sim e sim!!

*Bagunçou os cabelos dele com um cafuné animado e paterno*

- Mas isso pode aguardar. Por hora, escutemos o que o bouzu (moleque) tem a nos dizer...
Tribo Scarlata


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Mælstrøm
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Re: Bem-Vindos a Shinkyo

Mensagem por Mælstrøm » 25 Mar 2019, 18:17

Capítulo Um: A Katana de Tetsuo Haruna

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Chuushinbu, centro da cidade

Akira, Kamome, Rei, Sr. Fuu e Haru se destacavam no meio da multidão entre os bazares. Muitos já perdiam o interesse em acompanhar aquela comoção, mesmo depois de Saburo gritar de uma das barraquinhas próximas. Mataro tinha os braços cruzados, balançando a cabeça enquanto ouvia os presentes.
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Barulhentos, gostei de vocês. Senhorita Erika Haruna-sama também gostará. E você, "barbudo", se quiser respostas, virá comigo. Venham, venham, sigam-me os bons.
Haru mantinha-se de canto, com os braços cruzados. Era impossível saber o que olhava devido sua máscara de coelho, mas assim que Mataro se pôs a andar pela rua, o seguiu sem questionar.

Os aventureiros misturavam-se entre as pessoas. Homens e mulheres em seus shimin-fukku, que consistia em uma camiseta larga, calças soltas na altura do joelho e sandálias. Alguns usavam chapéus de palha, alguns poucos usavam armas, mostrando que não eram comuns. Havia aventureiros cuidado de seus afazeres, grupos de sentai já formados. Sejam tamuranianos ou gaijin, o percurso dos aventureiros escolhidos por Mataro estava repleto de pessoas de todos os tipos, embora não-humanos fossem um pouco mais raros.
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...
Haru seguia no meio de todos, entre Sr. Fuu e Akira, enquanto Rei, o lobo Ginko e a garota Kuro seguiam logo atrás de Mataro. Kamome e Saburo iam mais atrás, sendo os únicos portando armas.

***

O grupo logo se aproximou da Praça Kishi, onde a estátua de Orion Drake observava o comércio crescente. Era um lugar bonito, gramado, com jardins notáveis. Alguns bazares espalhavam-se no arredor da praça e foi para um deles que Mataro levou a todos. Era o Bazar Haruna.
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Oee, senhorita Erika-samaaaaaaaaa!
O garoto chegou gritando a plenos pulmões no estabelecimento. Era uma sala não muito grande com almofadas coloridas e uma mesa baixa de madeira no centro. As paredes eram revestidas por um papel de parede florido e coberto por estantes onde podia-se ver de tudo. Leques de prata, vasos de cerâmica ricamente adornados, karakuris de madeira, lanternas de seda em forma de pagode, conjunto de chá em cerâmica decorado com fios de ouro dentre outros itens tamuranianos antigos.

Uma porta atrás do balcão se abriu após alguns instantes revelando uma moça apressada, vestindo um quimono de seda e uma casaca por cima. Apesar do calor, ela vestia-se com decoro e carregava um leque comum para se abanar.
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Mataro, aí está você. Olá, senhores, eu me chamo Erika Haruna, sou a dona deste bazar. Sejam bem-vindos.
Após o tradicional cumprimento inclinando o corpo, a sorridente jovem convidou os aventureiros a sentarem nas grandes e fofas almofadas. Ela mesma se colocou de joelhos em frente à mesa a fim de ficar de frente com os aventureiros. Mataro fez o esquisito gesto de bater continência - um modo marcial do continente - e saiu dali depressa.

Haru ficou de pé por um tempo e acabou sendo o último a escolher a almofada para se sentar. Recusar tal oferta seria considerado de mau tom e desonrado. Depois que cada um se apresentou, Erika fechou os olhos e respirou fundo. Seu sorriso foi embora.
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O tempo urge, meus senhores, peço que me perdoem por ser tão direta. Como podem ver, eu sou uma comerciante e colecionadora de antiguidades. Porém, há dois dias um nezumi nefasto roubou minhas mercadorias que vinham de barco pelo Rio Shirakawa que corta Shinkyo. Eram mercadorias valiosas, vindas de Nishidori e eu gostaria de contratá-los para resgatá-las.
Haru se levantou num ímpeto de celeridade.
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Eu aceito sua proposta, senhorita Haruna-sama.
Nota do Mestre:
Como de costume, vocês estão liberados para interações entre si durante o trajeto até o Bazar Haruna e criar detalhes vocês mesmos de como observam a cena, podendo modificá-la sutilmente se quiserem.

É importante (e de bom tom) que os personagens se apresentem para Erika.

Perguntas e interações com Erika Haruna serão feitas pelo telegram para que o jogador coloque a resposta em seu próprio post.
Dados dos Personagens: Inventário, XP, Riquezas
Imagem - Akira Maedoku <> PV: 23 CA: 17 PM: 5 Limite de PM: 1 <> Condição:
Imagem - Saburo no Shigara <> PV: 29 CA: 16 PM: 4 Limite de PM: 1 <> Condição:
Imagem - Rei <> PV: 12 CA: 15 PM: 10 Limite de PM: 5 <> Condição:
Imagem - Fuu Yin Hong <> PV: 16 CA: 16 PM: 11 Limite de PM: 6 <> Condição:
Imagem - Kamome Tsurubami <> PV: 22 CA: 17 PM: 6 Limite de PM: 3 <> Condição:

Próxima Atualização: 28/03

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Aldenor
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Re: Bem-Vindos a Shinkyo

Mensagem por Aldenor » 26 Mar 2019, 15:28

Akira ergueu uma sobrancelha ouvindo as respostas do velho. Parecia excêntrico igual ao Satoshi, talvez fosse amigo dele. Será que era devoto de Okoreeji-sama também? Resolveu não perguntar, pois certamente era um dai'zenshi. Será que dai'zenshi podiam ser devotos do louco chamado Nimb no continente? Perguntas rondearam sua cabeça enquanto andavam pelo mercado.

Eventualmente, ele se distraiu olhando para o mascarado na sua frente. Andou até ficar ao seu lado.
Akira
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Ei, mascarado. Por que dessa máscara aí?
Haru
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Não é da sua conta, gaijin.
Akira franze a testa e se põe em postura de batalha... mas é superado pela andança e volta ao normal rapidamente, pois sente que não é um bom momento.
Akira
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Gaijin nada. Sou meio gaijin, meio tamuraniano, tá bom? E daí que eu tenho sangue gaijin? Shinkyo é cheia deles.
Nenhuma resposta. O baixinho seguiu andando na frente, ao lado de Mataro, mirando pra frente como se ele não fosse nada. Akira resmungou algo em varukaru ao lado Sr. Fuu.
Akira
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<Cretino mal educado. Achei que ser cuzão fosse desonroso.>
***

Chegaram ao Bazar Haruna. Uma loja de antiguidades tamuranianas, com peças bem bonitas. Ele ficou olhando para os objetos por um tempo enquanto Mataro gritava. Então, a dona do lugar, a tal da Erika Haruna-sama apareceu toda solícita e cheia de educação. Akira gostava de ser bem tratado.
Akira
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Obrigado, senhorita Haruna-sama. Eu sou Akira... hã... Akira Maedoku. Mas pode me chamar só de Akira... Maedoku não é um sobrenome de verdade... enfim. Eu sou um estud- digo, sou um artista marcial praticante do Yamada-ryuu.
Ele juntou as duas mãos espalmadas e inclinou o rosto para frente, num cumprimento marcial. Depois, voltou a se acomodar numa das almofadas fofas.

Erika foi direta e sem rodeios, o que era também bom. Ser bem tratado era bom, mas Akira não gostava de enrolação tediosa dos super honrados e educados. Akira balançou a cabeça ouvindo atentamente, embora se distraísse facilmente olhando para Haru com desconfiança. Então, ele se levantou de supetão e disse que ajudaria Erika a recuperar sua mercadoria roubada pelo nezumi.

Akira suspirou tirando cera do ouvido com o dedo mindinho.
Akira
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Um nezumi, ham? Sabe que nunca vi um? Não existem nezumi lá no continente. Como ele se parece?
Erika
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Hum? Parecem... ratos. Como homens-ratos.
Ela parecia confusa com a pergunta. Akira notou aquilo. Normal, um gaijin não saberia mesmo como são os povos de Tamu-ra. Já que todo mundo o tratava como gaijin, ele seria totalmente um naquela tratativa. Só de implicância.
Akira
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Beleza, anotado. Agora, senhorita Haruna-sama, vamos falar da bufunfa. Do pagamento. Quanto por isso?
Erika
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Entendo. Er... descontos na minha loja...
Ela parecia um tanto constrangida. Akira riu.
Akira
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Ahahahaha, perdoe-me, senhorita Haruna-sama. Mas não me interesso pelos seus objetos. Ainda. Além do mais, descontos só me servem se eu for gastar algum tibar aqui. Digo, algum Yan. Né? Não dá, eu preciso comer, preciso arrumar uma casa pra mim, sabe? Acabei de chegar de viagem e não tenho para aonde ir. E o governo não vai me dar subsídio. Então... para evitar que eu vire um vagabundo das ruas, eu preciso trabalhar.
Erika
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Certo, eu posso oferecer 10 Yan para cada um.
Ela falou muito rápido, mostrando ansiedade. Akira pensou que era um valor muito, muito baixo. Mas não tinha mais cara de pau de pedir por mais. Sorriu meio sem graça.
Akira
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Certo, eu aceito.
Disse fazendo um aceno com a mão.
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