Prólogo III — Justiça

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Tiagoriebir
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Prólogo III — Justiça

Mensagem por Tiagoriebir » 26 Jul 2018, 16:37

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Minsk, o orgulho da antiga Kor Kovith. A terra dos que souberam se adaptar para resistir. O maior marco da cooperação secular entre os reinos de Yuden e Zakharov. Em suas ruelas o comércio prolifera e a diversidade é mais forte, como se uma parte da Arton cheia de mágica e cores se estendesse sobre o bélico exército com uma nação.

No pico da grande colina que se sobressai à cidade, está o Vigia do Poente, o portentoso castelo que serve de lar à casa de Minsk, governantes da cidade desde sua fundação. Uma maravilha inexpugnável da engenharia anã, construída em tempos primordiais e dada aos humanos como um presente de Doherimm, simbolizando uma antiga união entre os dois povos.

Em um dos incontáveis pátios de treino do castelo, dois garotos de cabelos vermelhos combatiam. Na verdade, com quase duas décadas de vida, pouco lhes faltava para serem homens. Ambos tinham o mesmo porte físico, com músculos bem desenvolvidos para suas idades; sinal de que haviam recebido educação de combate desde muito cedo. Sob o sol daquele fim de manhã, os olhos de ambos também tinham as mesmas cores. Quem não os conhecesse poderia facilmente declará-los irmãos — mas todos ali sabiam quem eles eram: Vladimir Minsk XI, o primogênito do marquês Klaus III, e futuro herdeiro da marca; e seu primo, Nikolai, filho da irmã da marquesa Olívia e aspirante a Soldado da Justiça.

Os dois estavam encharcados de suor. O treino regular já havia terminado há mais de uma hora, mas os instrutores há muito tinham desistido de tentar fazê-los parar com o costume de prolongar o exercício. Havia uma disputa de determinação entre os dois; uma rivalidade saudável que os fazia querer superar as próprias limitações e tornarem-se combatentes melhores. Nikolai era um talentoso espadachim, ao passo que Vladimir era especialmente hábil com o escudo. Os embates entre os dois eram sempre equilibrados, verdadeiros testes de resistência, sempre vencidos por detalhe.

E não foi diferente daquela vez. Vladimir fez uma defesa estupenda com o escudo de madeira, cortando o ataque da espada de treino de Nikolai no meio do percurso. O que o herdeiro da marca não havia notado é que essa era a intenção de seu adversário — com a atenção de Vladimir focada no ataque lateral, seus pés ficaram desprotegidos.

Com um chute atrás do joelho, Nikolai conseguiu derrubar o adversário sem muito esforço. Mas isso não significava que ele estava derrotado: era preciso recuperar a mão da espada, ainda presa no movimento anterior, para finalizar; e essa foi a oportunidade que Vladimir aproveitou: abrindo mão de defender do ataque vindouro, ele atacou com o escudo, de frente. Um ataque duro, mas que fez o efeito desejado, desequilibrando Nikolai. Em um instante, era Vladimir que estava sobre ele, imobilizando o tronco com o escudo e o braço de ataque com seu pé. Não havia mais chances a Nikolai.

— Seu bastardo! — Xingou o primo, com um sorriso cansado. — Está certo, hoje você venceu.

Vladimir estendia o braço para ajudar Nikolai a se erguer, quando ambos notaram uma figura ao fundo do pátio, se aproximando. A garota tinha o mesmo cabelo dos dois combatentes. Era Catarina, irmã de Vladimir. Ela ostentava o símbolo sagrado do deus da justiça, a espada e a balança, em um medalhão simples de madeira entalhada; um sinal de que era uma sacerdotisa recém-sagrada. Em suas mãos, um pedaço de papel de cor negra, dobrado. Vladimir sabia o que aquilo significava.

— Devo avisar que, como uma sacerdotisa do Senhor dos Justos, eu agora tenho mais atribuições do que servir como pombo-correio de casais apaixonados, senhor Vladimir — a garota declarou, sorrindo enquanto entregava o papel ao irmão.

— Me desculpe por isso, irmã… já pedi à Agbara que não fizesse isso…

— Eu estou brincando, Vlad! Pela sagrada balança! É só pensar na Agbara que você já se perde todo! — Catarina e Nikolai se olharam, rindo do atrapalhado guerreiro.

— Não é isso! — respondeu Vladimir, tentando se justificar, sem perceber que só aumentava o gracejo dos outros. — É que tudo com Agbara é… complicado

— Ai, ai... Sinto que ainda vou casar vocês dois — a jovem sacerdotisa interrompeu, fazendo Vladimir ruborizar automaticamente. — Bom, por mais que eu brinque, a parte de ter minhas atribuições é verdade. Com licença, garotos. — E, com um cumprimento de cabeça, Catarina saiu do pátio, rumo a uma das inúmeras capelas do castelo.

— E não precisa se preocupar comigo — era Nikolai, que estava recolhendo os equipamentos do treino. — Pode ir; hoje é meu dia de recolher os equipamentos. Só, por favor vá tomar um banho antes de se encontrar com a garota! Você está fedendo mais que um trobo!

— Idiota! — Vladimir respondeu ao comentário, acompanhado de com uma pancada amigável na cabeça do primo, mas realmente se afastou do pátio, em direção aos seus aposentos.

Enquanto caminhava, pensava em como as coisas realmente eram complicadas com Agbara. Nunca pode imaginar que se apaixonaria pela pálida filha de um grande comerciante de armas zakharoviano que visitava o Vigia do Poente, quando a viu pela primeira vez, com cabelos muito negros e expressão de desprezo. No começo conversaram por pura formalidade, mas havia qualquer coisa nas palavras e no jeito daquela garota que lhe atraíram.

Alguns dias depois se viu inventando desculpas para visitar a Casa de Armas Cordovero, uma das maiores armoarias de toda Minsk. Na terceira visita sem motivo aparente, a garota o levou para um canto e disse exatamente o que ele estava sentindo por ela. Envergonhado, ele começou a se explicar, mas ela não permitiu, com um beijo. O sentimento era recíproco.

Entretanto, como Vladimir descobriu rapidamente, a garota não se comportava como as demais moças da corte. Ela tinha motivações próprias, gênio forte e não se dobrava para qualquer ameaça ou situação difícil que se apresentasse. Extremamente obstinada e teimosa, era quase impossível convencê-la a fazer algo que não quisesse. Esse era o motivo de várias de suas discussões, mas também, de um jeito ou de outro, essas características acabaram fazendo com que ele se sentisse ainda mais atraído por ela.

Até mesmo o fato de ser uma praticante de magia negra, escola geralmente tomada como maligna, parecia apenas torná-la mais interessante. Ela lhe ensinou que a magia é uma força inerentemente neutra, e que a energia chamada de "negativa" era apenas uma manifestação da existência. Agbara parecia conhecer um pouco de tudo, mas ao mesmo tempo, era difícil de se ler. Às vezes aquela garota era um enigma, como uma fortaleza em cerco.

Assim que fechou a pesada porta de madeira de seu quarto, abriu o delicado papel negro. A caligrafia impecável de Agbara fazia curvas que se desenrolavam em prateado sobre o papel.


Vladimir,

Preciso de sua ajuda em uma pequena aventura.
Alguns depósitos na cidade foram roubados,
incluindo o que está sob tutela de meu irmão.
Ele já acionou a milícia, mas não confio na
capacidade daqueles paspalhos.
Me encontre no depósito sete, em frente
à Praça das Promessas, no início da tarde.
Traga seu equipamento, não sabemos o que
podemos encontrar, e quero ir até o fim nisso.

Com afeto,

— A.


OFF
E tem início o seu prólogo, Padre Judas. Como os demais, este aqui não tem tempo definido de resposta, diferente da história principal. Contudo, será interessante se você conseguir manter um ritmo de atualização.

Se tiver qualquer dúvida, só falar pelo Telegram.

O que Vladimir faz?
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Vladimir Minsk XI

Mensagem por Padre Judas » 26 Jul 2018, 19:56

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O treino havia sido exaustivo, mas a perspectiva de encontrar Agbara o empolgara. Ele não entendia o motivo de desconfiança sobre a milícia – eram os melhores! Suspeitava que era apenas uma desculpa para vê-lo e participarem de uma “aventura” juntos era excitante. O jovem já imaginava a dupla imbatível enfrentando bandidos – ele indo à frente e ela atrás, lançando seus feitiços.

Os servos foram ágeis em preparar-lhe o banho e o vestiram com sua armadura, trazendo também o escudo e o martelo. Estava pronto para ir.

No portão de saída foi interpelado por uma voz amorosa, mas firme. Virou-se imediatamente.
Lady Olivia Minsk
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- Onde vais, meu filho?
Vladimir Minsk XI
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- À cidade, minha mãe. Tenho... assuntos a resolver.
A mãe torceu os lábios no que parecia um sorriso.
Lady Olivia Minsk
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- Vais ver a filha dos comerciantes de armas? Cordovero, não é?
Nunca mentiria à mãe. Mesmo que fosse de seu feitio, sabia que ela não poderia ser enganada.
Vladimir Minsk XI
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- Sim, senhora.
Ela aproximou-se e o olhou nos olhos, sorrindo. Era meia cabeça mais baixa.
Lady Olivia Minsk
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- Você cresceu. Não é mais um garoto. Tenha seus namoricos, mas lembre-se sempre quem você é.
Vladimir Minsk XI
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- Mas mãe...
Ela fez um gesto imperativo com a mão que o calou imediatamente.
Lady Olivia Minsk
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- Não. Todos temos que cumprir nosso dever – ele está acima de tudo. Não somos plebeus como esta jovem, não podemos nos dar ao luxo de nos casarmos com quem quisermos. Eu e seu pai nos casamos por um acordo entre nossos pais. Eu o amo muito e sei que ele me ama – mas nosso amor floresceu com o tempo, com cuidado e atenção. Vá encontrar a moça, mas não alimente esperanças... para ela e para você.
Ela fez-lhe uma carícia e beijou-lhe o rosto. Então virou-se e saiu deixando Vladimir com uma sensação desagradável no estômago. Dever. Então a mãe se deteve e olhou para trás, com um sorriso cúmplice.
Lady Olivia Minsk
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- É claro, nem sempre a felicidade precisa ser encontrada no casamento. Sempre cumpra seu dever – mas tente ser feliz também.
Então se foi. O rapaz ficou ali, pensativo, assimilando as implicações. Então percebeu que acabaria se atrasando – foi aos estábulos, pegou seu cavalo e partiu sem mais demora.
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Re: Prólogo III — Justiça

Mensagem por Tiagoriebir » 28 Jul 2018, 00:01

À cavalo, Vladimir chegou ao local determinado. Já estivera ali uma ou duas vezes, com Agbara, explorando os arredores em encontros meio às escondidas. Mas desta vez ele pode distinguir a figura de Agbara na praça em frente ao depósito. Como sempre, ela vestia roupas escuras e grossas, mesmo em um dia claro e agradável como aquele. Ele já tinha feito chacota com a exagerada intolerância a frio da garota e, como resposta, recebeu um golpe em uma zona delicada de sua anatomia, além da indisposição da moça em vê-lo por mais de um mês. Decidiu não comentar mais sobre isso desde então.

A moça estava muito séria, olhando em direção ao depósito, mas suas feições amenizaram quando avistou Vladimir chegando.

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— Que bom que chegou logo, Vladimir. Obrigada por me atender.

Ela o recebeu com um beijo no rosto, na face oposta de onde sua mãe havia beijado, minutos antes. Vladimir atestava, um pouco embaraçado, que havia qualquer coisa na garota que o lembrava de sua mãe. De toda forma, havia algo que era exclusivo àquela garota: o cheiro de seu perfume. "Almíscar e pessegueiro", ela respondia, toda vez que questionada a respeito.

Vladimir não resistiu ao cheiro e ao contato dos lábios da moça. A envolveu em um abraço suave, mas firme, e lhe beijou nos lábios. Ela correspondeu. Ambos gostavam do toque um do outro. Ele sentia que poderia protegê-los de qualquer mal, de qualquer problema do mundo, se mantivessem aquele abraço. Ela lhe olhou nos olhos, com um meio sorriso.

— Vamos, você sabe que não foi para isso que te chamei aqui. Senão teríamos combinado algo mais tarde… — Ela o beijou mais uma vez, e os dois desfizeram o abraço.
OFF
Se quiser conversar um pouco com Agbara, antes de entrarem no depósito, é um bom momento. =)
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Vladimir Minsk XI

Mensagem por Padre Judas » 30 Jul 2018, 21:06

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Vladimir chegou ao depósito sete e rapidamente viu “Agui”.
Agbara Cordovero
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- Que bom que chegou logo, Vladimir. Obrigada por me atender.
Após o beijo fantástico eles começaram a falar sério.
Vladimir Minsk XI
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- Que isso, Agui. Eu sempre virei em seu auxílio. Mas que história é essa de roubos? Isso é intolerável nesta cidade – estamos em Minsk, caramba. E como descobriu este lugar?
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Re: Prólogo III — Justiça

Mensagem por Tiagoriebir » 11 Ago 2018, 23:09

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— Infelizmente, roubos não são tão incomuns no Distrito da Planície quanto gostaríamos, Vladimir. E por mais que você teime em não admitir, a milícia daqui é formada por um bando de idiotas. De toda forma, ainda assim, esse roubo é muito diferente do comum, porque não foram pequenos furtos, mas sim grandes volumes de produtos.

Agbara olhou os arredores mais uma vez, conferindo se ninguém os observava, antes de prosseguir.

— Além de terem levado muitas armas de meu irmão, roubaram também quantidades absurdas de grãos e outros alimentos dos Mcnullan e madeira das irmãs Gnarlla. Por mais que eu tenha insistido, meu irmão não permitiu que eu investigasse, porque quer me proteger, ou qualquer asneira dessas. Ele provavelmente deve estar contratando algum grupo de aventureiros mercenários para investigar isso. Obviamente, não lhe dei ouvidos e aqui estamos.

Ela então se aprumou e começou a caminhar em direção ao grande galpão de madeira, esperando que Vlad fizesse o mesmo.

— Este depósito à nossa frente é o de meu irmão. Quero dar uma boa olhada e falar com o homem que estava cuidando de tudo ontem à noite, quando foi assaltado. Depois quero verificar os outros dois depósitos. Com certeza estes crimes estão relacionados.

Vlad sabia o quanto Agbara podia ser teimosa e geniosa, mas também sabia que ela tinha uma boa intuição e um afiado pensamento dedutivo. Os anos de estudos na Universidade Imperial de Valkaria fizeram com que a garota se tornasse uma investigadora voraz.

Agbara bateu à porta do depósito. Chamou o homem pelo nome.

— Ednard? Está por aí?
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Vladimir Minsk XI

Mensagem por Padre Judas » 12 Ago 2018, 11:38

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Vladimir ia defender a milícia, mas estacou boquiaberto quando a jovem falou sobre os outros roubos e sua gravidade.
Vladimir Minsk XI
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- Isso... é tão absurdo. Nada contra aventureiros, é um modo de vida interessante, mas nossos cidadãos não deveriam depender de estranhos para resolver seus problemas. Eu... nós iremos resolver isso.
Acompanhou-a até o galpão.
Vladimir Minsk XI
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- Será que esse sujeito aí não está mancomunado com os criminosos? Devemos tomar cuidado, isso pode ser trabalho interno. Enoja-me pensar que cidadãos minskianos podem estar traindo sua própria gente, mas não é uma hipótese a ser descartada.
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Re: Prólogo III — Justiça

Mensagem por Tiagoriebir » 13 Ago 2018, 12:46

Vladimir escreveu:- Será que esse sujeito aí não está mancomunado com os criminosos? Devemos tomar cuidado, isso pode ser trabalho interno. Enoja-me pensar que cidadãos minskianos podem estar traindo sua própria gente, mas não é uma hipótese a ser descartada.
— Acho improvável. Ednard trabalha há muito anos para meu irmão. O conheço desde que era adolescente. Mas concordo com você, não posso colocar a mão no fogo por ele.

A porta se entreabriu. O rosto de um homem de meia idade surgiu para a claridade da rua.

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— Dona Agbara — ele disse, abrindo mais a porta assim que a reconheceu. — O que a senhorita faz por aqui?

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— Olá Ednard. Eu e meu... amigo aqui viemos investigar o roubo do depósito.

O homem simples cumprimentou Vladimir com um respeitoso aceno de cabeça. Ele certamente não sabia que estava diante do herdeiro dos Minsk, mas apenas nobres e cavaleiros tinham dinheiro suficiente para ostentar uma armadura completa como aquela.

— A senhorita sabe que por mim não tem problema, dona Agbara. Mas seu irmão sabe que você está aqui?

— Não sabe e não precisa saber, Ednard — Agbara cruzou os braços sobre o corpo esguio, alterando a voz de um jeito que Vladimir conhecia muito bem. — Urab provavelmente vai contratar aventureiros mercenários para verificar isso mas, como estava dizendo meu amigo aqui agora há pouco, não devemos depender de estranhos para resolver nossos problemas. Então, se for possível, gostaríamos de ver agora o local onde aconteceu o roubo.

Era a postura e tom de voz que fazia quando estava negociando. E Agbara sabia ser bastante persuasiva.

— Sem problemas, dona Agbara. A senhorita sempre sabe o que faz — respondeu o homem, abrindo a porta em definitivo e dando passagem aos dois.

O galpão era um espaço alto, com muitas prateleiras tomadas por armas, categorizadas por seus tipos e tamanhos. As paredes também tinham prateleiras. O lugar tinha cheiro de metal novo, recém-fundido. Da metade para o fundo do lugar, todas as prateleiras estavam vazias, onde antes estavam as armas roubadas.

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— Eu não entendo — começou Ednard. — Os ladrões levaram dúzias de armas, e levar isso tudo sem me acordar seria impossível. Vejam — ele apontou um mezanino no fundo do salão — é lá que durmo e cuido das coisas à noite. Eu tenho sono leve, qualquer barulinho eu acordo. Não consigo entender - o homem parecia perturbado.
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Vladimir Minsk XI

Mensagem por Padre Judas » 13 Ago 2018, 12:58

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O jovem estendeu a mão e apertou a do outro com firmeza, olhando-o nos olhos.
Vladimir Minsk XI
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- Prazer em conhece-lo, Edvard. Sou Vladimir Minsk, Décimo Primeiro.

- Estamos profundamente preocupados com estes roubos, Ednard. Por isso estou aqui.
Vladimir observou o lugar por um tempo, assimilando a situação. Entrou caminhando com a naturalidade de um lorde – ou pelo menos era isso que queria demonstrar. O homem não podia ser descartado como suspeito, mas não queria trata-lo como culpado. Ao ouvir Ednard falar sobre seu sono leve, comentou.
Vladimir Minsk XI
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- Bem, magia pode cuidar disso. Drogas também. Ou alguém muito hábil e furtivo.
Andou um pouco pelo espaço.
Vladimir Minsk XI
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- Estas armas na frente estavam aqui durante o roubo? Notou a falta de algo em especial?
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Mensagem por Tiagoriebir » 14 Ago 2018, 11:13

Vladimir escreveu:Imagem
- Prazer em conhece-lo, Edvard. Sou Vladimir Minsk, Décimo Primeiro.

- Estamos profundamente preocupados com estes roubos, Ednard. Por isso estou aqui.
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— Minha nossa! Um dos Minsk! — o homem ficou visivelmente surpreso quando percebeu que estava apertando a mão de um dos filhos do marquês. — Bem... seja bem-vindo senhor. Vou ajudá-los no que puder.
Vladimir escreveu:- Bem, magia pode cuidar disso. Drogas também. Ou alguém muito hábil e furtivo.
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— De fato, é uma possibilidade interessante. Vou verificar o dormitório. — Agbara parou de percorrer o ambiente com os dois, e subiu o mezanino.
Vladimir escreveu:- Estas armas na frente estavam aqui durante o roubo? Notou a falta de algo em especial?
— Sim, este lote estava aqui há pelo menos dois dias — respondeu Ednard. — Uma parte seria vendida aqui mesmo em Minsk, outra iria para Zakharov e alguma coisa iria para Namalkah. Nada anormal.

— Não notei falta de nada em especial — prosseguiu o empregado dos Cordovero. — As armas são de muito boa qualidade, mas não havia nenhuma arma mágica ou algo do tipo. Fora as dúzias de armas roubadas, já contei e recontei o estoque duas vezes e não senti falta de mais nada.
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Vladimir Minsk XI

Mensagem por Padre Judas » 14 Ago 2018, 12:40

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Vladimir ficou pensativo por alguns instantes. Madeira, alimentos e armas. Era um grupo de ladrões bem diversificado, pelo visto – não possuía restrições quanto ao que roubar.

Deu uma última olhada no ambiente, mas era inútil. Não conhecia o lugar, não saberia dizer se algo mais faltava – ou se havia algo a mais. A palavra de Ednard teria que bastar por enquanto. Subiu as escadas.
Vladimir Minsk XI
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- Espere aqui, Ednard, já volto. Agui, achou alguma coisa?
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