Prólogo III — Justiça

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Tiagoriebir
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Re: Prólogo III — Justiça

Mensagem por Tiagoriebir » 14 Ago 2018, 13:35

Quando subiu as escadas, Vladimir pode vislumbrar o lugar em que Ednard vivia. Era uma acomodação simples, mas bem cuidada. Um baú para guardar pertences, uma mesa com cadeira, um fogareiro simples, alguns utensílios e uma cama de solteiro, feita de madeira sólida. Agbara estava agachada ao lado da cama.

— Aqui Vladimir. Venha ver isso.

Agbara usava um pequeno instrumento metálico para recolher algo ao lado da cama. Quando o guerreiro se aproximou, viu que era um pouco de pó roxo acinzentado.

— Há rastros do pó em torno da cama de Ednard. Conheço este produto. É feito a partir de Scutellaria, uma planta rara que causa sono. Ela não cresce no Reinado naturalmente. Descobrimos porque ele não acordou quando roubaram as armas.
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Padre Judas
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Vladimir Minsk XI

Mensagem por Padre Judas » 15 Ago 2018, 08:26

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Vladimir Minsk XI
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- Bem, então Ednard deve ser inocente mesmo. Hm... se não cresce no Reinado, então produtos deste material devem ser raros. Há alguns comerciantes de venenos na cidade, mas o único que conheço que vende produtos raros é o Efraim que atende na Cidade Baixa. Devemos fazer-lhe uma visita.
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Tiagoriebir
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Re: Prólogo III — Justiça

Mensagem por Tiagoriebir » 16 Ago 2018, 12:20

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— Ora, ora, veja só quem tem contatos na Cidade Baixa — brincou Agbara, com um meio sorriso. Então guardou uma amostra do material recolhido e se aproximou de Vlad. — Se este comerciante vende a planta, ele deve ser o único na região. Vamos lá — e pontuou a frase com um beijo.

A dupla rapidamente explicou a Ednard o que aconteceu, sem dar maiores detalhes. Agbara prometeu ao funcionário que contaria a seu irmão sobre a investigação assim que possível. Vladimir pensou no quanto daquela promessa era verdade, mas não disse nada.

Algum tempo mais tarde, o casal ultrapassava a cavalo o portão na grande muralha que separava a Cidade Baixa dos demais distritos de Minsk. Apesar da limpeza e organização das ruas, todos sabiam que aquele era o reduto dos não-humanos. Um lugar para alocar todos os indesejáveis, segundo a filosofia yudeniana. Agbara e Vladimir já haviam vindo a este lugar algumas vezes, sempre em incursões noturnas, com alguns amigos, para participarem de saraus escondidos, em que se apresentavam bardos considerados subversivos pela nação militarista. Por mais que ambos já tivessem ido ao gueto à luz do dia, aquela era a primeira vez que faziam isso juntos.

Aquele era o bairro onde os não-humanos eram reunidos, mas a maioria ainda era humana. Isso era especialmente válido na Pequena Feira, uma rua movimentada, tomada por tendas dos dois lados, cada qual com um comerciante anunciando seus produtos. O cheiro de especiarias exóticas tomava o ar, de um modo diferente de qualquer outra feira de Minsk. Pessoas iam e vinham, fazendo compras, avaliando e falando alto.

À medida em que a dupla se aproximava do local conhecido por Vladimir, os ruídos e cheiros davam lugar ao silêncio e a calma. Logo eles estavam passando por ruas praticamente residenciais, com um ou outro comércio esporádico. Já quase não havia mais pessoas nas ruas, apenas transeuntes apressados, que andavam de cabeça baixa, cuidando de suas próprias vidas.

Entre duas casas particularmente simples, havia um pequeno beco em que mal passavam os cavalos. Os dois desmontaram e guiaram as montarias a pé, até o meio da quadra, onde pararam à frente de uma porta de madeira azul desbotada. Não havia qualquer placa ou sinal distintivo.

— É aqui — disse Vlad.

— Acho que esse é o encontro mais estranho em que você já me levou Vladimir — respondeu a garota, com seu meu sorriso irônico de sempre aos lábios. — Vai ter que me recompensar depois — Disse enquanto amarrava os cavalos à frente.

A porta estava aberta, e os dois entraram. O lugar era uma peça minúscula, ocupada quase totalmente por duas prateleiras que iam até o teto, cheias de frascos de vidro coloridos, mas tão embaçados que não se podia ver o que havia dentro deles. Agbara e Vladimir mal cabiam lá. O cheiro era ocre, como só misturas alquímicas diversas são capazes de produzir. A frente deles, havia um balcão de madeira, também atulhado de frascos. E atrás do balcão, um homem com roupas que pareciam ter vindo de todos os cantos de Arton. Assim como todo o resto daquele lugar, o homem parecia muito velho, mas com sinais de que havia muito mais além da aparência superficial.

— Senhor Efraim — começou Vladimir.

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— Jovem Vladimir, se me lembro bem — o homem perscrutava ambos com olhos calmos, mas analíticos. — Em que eu poderia ser útil a você e sua jovem companheira?
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Vladimir Minsk XI

Mensagem por Padre Judas » 16 Ago 2018, 12:46

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Por fim eles chegaram à botica. Embora não fosse espalhado aos quatro ventos, a Casa Minsk não se importava em utilizar métodos “moralmente dúbios” para fazer valer sua justiça. Sua irmã, como sacerdotisa, nunca poderia concordar com aquilo, mas Vladimir sabia que a um servo compulsório – como eram todos nas terras de Kor Kovith – era legítimo lançar mãos de recursos que eram vetados aos livres. Isso incluía veneno, espionagem, sabotagens e mentiras. A família tinha tentáculos que espalhavam-se por todos os lados e mesmo ele não sabia exatamente até onde o poder da linhagem alcançava – somente seus pais tinham todas as chaves para a conspiração secular mantida pelos Minsk.
Agbara Cordovero
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- Acho que esse é o encontro mais estranho em que você já me levou Vladimir. Vai ter que me recompensar depois.
O rapaz riu e concordou.
Vladimir Minsk XI
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- Muito bem. Quando isto acabar te levarei pra um passeio mais divertido.
Entraram na loja discreta e Vlad cumprimentou o homem.
Vladimir Minsk XI
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- Senhor Efraim, preciso lhe fazer algumas perguntas... delicadas. Alguém veio recentemente à sua loja procurar por um veneno feito de scutellaria?
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Re: Prólogo III — Justiça

Mensagem por Tiagoriebir » 16 Ago 2018, 18:06

A expressão do homem se manteve inalterada, assim como seu tom de voz. Vladimir teve certeza que o velho estava bastante acostumado a lidar com perguntas delicadas.

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— Jovem Vladimir Minsk, você naturalmente sabe que a natureza... discreta de meu pequeno estabelecimento só se conserva assim porque eu mantenho a mesma discrição em relação a meus clientes. Revelar informações sobre quem frequenta meu estabelecimento só abalaria a confiança que levei anos para construir.

Agbara fez menção de dizer alguma coisa, mas Efraim prosseguiu, antes que ela se manifestasse.

— Você certamente compreende que eu não posso dizer algo desta natureza, assim como jamais revelaria se algum membro da família Minsk já adquiriu ou não algum de meus produtos, nestes últimos anos.
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Vladimir Minsk XI

Mensagem por Padre Judas » 16 Ago 2018, 19:54

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Vladimir Minsk XI
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- Compreendo a situação do senhor, mas...
Vladimir não era muito hábil com as palavras – era uma falha em alguém que deveria ser melhor preparado para esse tipo de situação.
Agbara Cordovero
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- O que Vladimir está tentando dizer, meu senhor, é que embora seus serviços a Casa Minsk sejam imensamente apreciados, há o momento em que as lealdades precisam ser escolhidas. Neste momento há um conflito entre seus clientes e o senhor deveria saber escolher com sabedoria sua posição. Tenho certeza de que os Minsk saberão ser gratos por sua cooperação.
Vladimir Minsk XI
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- Sim, é claro. Nunca esqueceremos, Sr. Efraim. E é claro que esta conversa ficará só entre nós.
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Re: Prólogo III — Justiça

Mensagem por Tiagoriebir » 17 Ago 2018, 14:04

O velho estreitou os olhos à Agbara, enquanto ela falava.

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— Você tem a língua de prata, menina. Isto é interessante. Me procure, se algum dia precisar de alguma ajuda. Talvez eu possa conhecer alguém que lhe provenha o que precisa.

Ele então balançou a cabeça positivamente quando Vladimir confirmou as palavras da garota. De alguma forma, parecia que o homem estava esperando uma confirmação daquelas.

— A palavra de um Minsk é algo que não se pode duvidar. A lembrança de sua gratidão em um momento oportuno é algo pelo qual certamente vale a pena ser leal, jovem Vladimir. Lhe ajudarei de maneira irrestrita, com tudo o que souber.

O velho pigarreou, enquanto o casal assimilava suas palavras.

— Scutellaria, a planta do sono. Trata-se de uma droga cada vez mais rara e cara. Poucos lugares de Arton têm as condições que permitem seu cultivo. À mesma medida em que é cada vez mais difícil de encontrá-la, cada vez menos pessoas sabem a seu respeito — enquanto falava, o velho puxou para perto de si um dos muitos frascos que havia sobre o balcão, um objeto de tampa escura e vidro amarronzado, mas não fez menção de abri-lo. — Temo ser o único que ainda tem alguma reserva deste item em um raio de muitos quilômetros.

— Respondendo à sua pergunta, jovem Vladimir, sim. Há cerca de uma semana um cliente chegou, procurando por pó de scutellaria. O comprador em questão cobria o rosto, e vestia um manto preto esbelto inconfundível, com um tênue brilho, como carvão.
OFF
• Você pode responder os comentários do velho tanto pelo Vladimir quanto pela Agbara, se quiser.
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Vladimir Minsk XI

Mensagem por Padre Judas » 20 Ago 2018, 08:30

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Vladimir Minsk XI
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- Entendo. Havia algo mais? Uma forma de identificar o homem? Ele tinha algum sotaque reconhecível, algum trejeito, um odor em particular? Precisamos de tudo o que tiver para podermos prosseguir, Sr. Efraim.
Agbara Cordovero
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- E quanto custa um frasco disto? Tenho certeza que, devido à sua raridade, não deve ser barato...
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Re: Prólogo III — Justiça

Mensagem por Tiagoriebir » 24 Set 2018, 16:39

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— Ele não falou muito, mas tinha um sotaque estrangeiro, isso é certo. — Respondeu o velho a Vladimir. — No entanto, não consigo precisar de onde possa ser. Certamente não é de Yuden ou de algum dos reinos vizinhos.

— Não notei nenhum odor específico, mas seus movimentos eram precisos e graciosos. Eu arriscaria que talvez tenha sangue élfico ou de gênio. O certo, pelo que pude notar, é que ele tem ligação com magia.

Ante o questionamento de Agbara, o velho tocou o frasco que havia separado dos demais.

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— De fato, vem se tornando mais e mais caro no decorrer dos anos, mas ainda não tanto quanto eu gostaria que fosse. Minhas mercadorias podem ser consideradas escusas, mas eu sou um mercador justo. Existem muitas outras espécies de plantas e infusões que causam efeitos semelhantes, com níveis de sucesso variados. O nosso comprador misterioso levou apenas algumas gramas; o suficiente para fazer com que uma pessoa durma pesado por algumas horas. Isso lhe custou nada menos do que cento e vinte tibares. Ele não discutiu o preço, se querem saber. Apenas retirou o valor de dentro de sua capa e me entregou. Um cliente objetivo.

O velho ainda fez algum silêncio, procurando mais informações dentro de si.

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— Lamento, jovem Vladimir Minsk e senhorita… perdão, ainda não sei seu nome. Mas isso é tudo que sou capaz de lembrar sobre o comprador, que seja digno de nota.
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Vladimir Minsk XI

Mensagem por Padre Judas » 24 Set 2018, 19:41

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Vladimir Minsk XI
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– Obrigado, Sr. Efraim. Como disse antes, isto ficará entre nós e eu me lembrarei deste favor.
Saíram da loja, indo para a noite. Vlad tomou Agui pelo braço e seguiram pela rua como um casal. Ele olhou ao redor e falou em voz baixa quando sentiu que estavam afastados de qualquer um que pudesse ouvir.
Vladimir Minsk XI
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– Sabemos que o criminoso não possui muita mão de obra a seu serviço ou provavelmente teria roubado a loja inteira e não apenas algumas armas. Também sabemos que não rouba por dinheiro, pois o tem em demasia, e não parece particularmente cruel ou teria matado Ednard ao invés de gastar uma fortuna para dopá-lo. Isso só serve para me deixar ainda mais preocupado e temeroso pelo pior.
Agbara Cordovero
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– Também sabemos que o criminoso é um elfo, meio-elfo ou meio-gênio, provavelmente. Isto quer dizer que deve viver aqui mesmo, na Cidade Baixa. Mas há um erro na sua avaliação: o criminoso pode ter poupado ele por saber muito bem o quanto um necromante habilidoso pode ser capaz!
Vladimir arregalou os olhos e depois sorriu.
Vladimir Minsk XI
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– Caramba, Agui... nunca me passaria pela cabeça, mas faz algum sentido. De qualquer modo falamos de alguém rico... pode ser nativo, mas deveríamos investigar as estalagens e ouvir as pessoas.
Seguiram rumo a estalagem mais próxima.
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