[AdMR — Capítulo 1, Oferendas Queimadas] Parte 1 — O Festival

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jamilkender
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[AdMR — Capítulo 1, Oferendas Queimadas] Parte 1 — O Festival

Mensagem por jamilkender » 22 Set 2019, 18:59

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O Festival das Swallowtail

Por cinco anos, os fiéis de Sandpoint frequentaram a igreja em estruturas temporárias erigidas após o Incêndio que destruiu o antigo templo, e embora seu novo líder religioso fosse amistoso, gentil e sábio, a igreja não era mais a mesma. Agora, a nova catedral finalmente está pronta. Tudo o que falta é que o Festival das Swallowtail aconteça, renovando as bençãos do local sagrado — e será como se o Incêndio nunca tivesse ocorrido...

O Festival acontece hoje, no equinócio de outono — o dia 23 do mês Rova (setembro), no ano 4708 CA (Calendário de Absalom). A praça em frente à nova catedral está apinhada de habitantes locais, viajantes e mercadores. Barracas vendem comida, bebida e lembrancinhas do festival. Tendas um pouco maiores disponibilizam artigos de vestuário, joias, bricabraques e outros itens de interesse prático ou duvidoso.

Chegada num barco há apenas dois dias, lady Alika circula pelo festival, assim como o halfling Marvelous Magus. Max Reilly e seu pai, o ferreiro da cidade Jonathan Reilly, participam todos os anos do Festival, e esse ano não seria diferente. Alaric costuma aproveitar a boca-livre, e Miguel Gonzalez vai estar trabalhando para Ameiko, servindo o famoso almoço gratuito. Todos são atraídos pela comoção do início do festival; estão ali quando chega a segunda hora de sol (08h, mais ou menos) e é a hora dos discursos de abertura. A primeira a subir ao pódio é a prefeita da cidade, Kendra Deverin. Ela parece empolgada e feliz por estar ali.
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Kendra Deverin
Boas vindas em nome de Sandpoint! Sou Kendra Deverin, a prefeita. É com imenso prazer que começamos agora mais esse Festival das Swallowtail. Toda a cidade está feliz em receber visitantes e aproveitar as festividades...

(ela pausa, para efeito cômico)

E pela boca-livre ao meio-dia, é claro!
Muitas pessoas na multidão dão risada. Ela aponta para um dos habitantes locais, vestindo uma armadura de couro de altíssima qualidade — o equivalente a uma armadura cravejada de joias.
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Kendra Deverin
Esse festival promete ser tão bom que até o Larz Rovanky, nosso famoso curtidor de peles e couros, conseguiu se desvencilhar de seu trabalho por algumas horas para aproveitar!
Mais risadas do público, e uma careta de desconforto do próprio Larz...
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Kendra Deverin
Mas já fiz piadas o suficiente... vamos prosseguir com as falas de abertura. Belor, por favor...
Ela desce do pódio, e é substituída pelo chefe da milícia local, um shoanti de expressão compenetrada vestindo cota de malha.
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Xerife Cicuta
Bom dia a todos. Sou o xerife da cidade, Belor Cicuta. Gostaria de pedir a todos para que não deixem sua empolgação com as festividades colocar de lado a segurança, principalmente nos arredores da fogueira; não queremos gastar as bênçãos dos deuses por falta de cuidado, não é mesmo?
A multidão resumunga de leve, especialmente as crianças. O xerife respira fundo, e continua com uma voz levemente embargada:
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Xerife Cicuta
Também gostaria de pedir um minuto de silêncio para que recordemos aqueles que perderam a vida no Incêndio de Sandpoint, há cinco anos, que também nos privou de um templo... até hoje.
A multidão murmura algumas palavras de concordância, ficando então em silêncio. O que começou como um evento leve parece estar indo em outra direção... O próprio xerife mantém-se por todo o minuto em silêncio.
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Xerife Cicuta
Obrigado por virem. Agora, lorde Kaijitsu irá falar...
Ele começa a descer do pódio, mas uma leve confusão começa ali perto. Depois de alguma discussão, um homem de cara engraçada e roupas espalhafatosas sobe ao pódio:
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Cyrdak
Para a surpresa de alguns, eu NÃO sou o lorde Kaijitsu. Certamente não tenho tanto ouro!
Ele sorri largamente, mostrando um dente de ouro. A multidão desaba em risadas.
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Cyrdak
Se vocês não me conhecem, não sabem o que estão perdendo. Cyrdak Drokkus já viajou por toda Varisia, já se apresentou nos melhores teatros e casas de espetáculos... e também em Riddleport!
Mais risadas.
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Cyrdak
Mas apesar de eu adorar falar sobre meu assunto favorito — eu — estou aqui para lembrar a vocês como foi o longo processo para voltarmos a ter um templo. Quando a Capela de Sandpoint queimou no horrível Incêndio, perdemos nosso local de culto, que desde o início era um local de devoção a seis deuses: Abadar, Gozreh, Sarenrae, Shelyn, Erastil e Desna. Uma verdadeira capela ecumênica, compartilhando o espaço sagrado dessas divindades para o bem-estar de toda nossa população. Estávamos órfãos, mesmo com a benevolente orientação de Padre Zantus.
Em vez de simplesmente reconstruir o que já existia, a Prefeita Deverin começou um plano ambicioso: uma catedral, no lugar de uma simples capela! A grandiosidade! Os vitrais! O custo! Felizmente pago em sua maior parte pelos negócios mais bem-sucedidos da cidade, afinal, o favor dos deuses não se obtém sem... (ele esfrega o polegar no indicador) muita devoção!
Ainda mais risadas, algumas caras feias, provavelmente desses donos e donas de negócios.
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Cyrdak
A obra foi longa, os melhores materiais e arquitetos e engenheiros trabalharam aqui. E o resultado final, temos que admitir, é magnífico. (ele gesticula, sorrindo, na direção da catedral). Assim como minha casa de espetáculos, também recém-reformada! O Teatro de Sandpoint é seu ponto de parada obrigatório para as melhores peças e diversões. E deixem-me contar uma novidade: amanhã à tarde termos a primeira exibição de minha mais nova produção, "A Maldição da Harpia". Isso talvez vocês já soubessem! Mas a novidade é que o papel principal, da rainha harpia Avisera, será interpretado pela diva de Magnimar, a fabulosa Allishanda!
Ele aponta para a barda, e a multidão aplaude empolgadamente.
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Cyrdak
Com isso encerro minha participação, antes que me tirem do pódio à força... aliás, tenho uma ótima história sobre isso, certa feita em Kaer Maga...
Um senhor de olhos gentis sobe ao palco, e Cyrdak se interrompe e desce.
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Padre Zantus
Esse é o Festival das Swallowtail, as borboletas sagradas de Desna, a Dama da Sorte, Canção das Esferas. Estamos aqui para celebrar nossa nova catedral, mas principalmente, nos divertir e sonhar! Com as bênçãos de Desna, eu declaro o Festival das Swallowtail oficialmente iniciado!
A multidão aplaude, interspersa com gritos de "Por Desna!", e começa a se dispersas, para aproveitar os jogos e atrações.
Essa primeira cena foi mais descritiva e menos interativa; vocês podem acrescentar seus comentários aos discursos, ou contar um pouco do que veio antes, mas o ideal é se concentrar no que vem depois.

O Festival é uma ótima oportunidade para conhecer outros personagens, incluindo PdMs da cidade. Vocês também podem buscar ações de acordo com objetivos pessoais dos seus personagens, ou só aproveitar a manhã.

Vários jogos e disputas acontecem nesse período, incluindo corrida do saco, jogos de esconder, desafios de levantamento de peso e andar na corda-bamba, eventos de cabo-de-guerra... Vocês podem participar dos eventos que quiserem; a resolução vai ser com simples testes de perícia ou habilidade, via Telegram (descrevam a ação tentada). Vitória nesses eventos não tem prêmios em dinheiro ou mercadorias, mas sim a fama local de "ter ganhado tal disputa no Festival" — o que é grande coisa para os habitantes locais!

O foco fica no período da manhã, pois a próxima postagem do mestre vai descrever os eventos ao meio-dia do evento (incluindo o almoço gratuito).
@alvarofritas / RPGista

BURP disse: Eu fico imaginando como é pra vocês ver um autor como o Jamil. Normalmente autores tem uma visão bem conservadora do próprio jogo - combo é apelão, não pode estragar meu jogo, o mestre tem que proibir. O Jamil ouve um combo desses e ainda manda "olha, faz isso e isso e tu ainda consegue fazer a mesma coisa três vezes por rodada." =P

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Aldenor
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Re: [AdMR — Capítulo 1, Oferendas Queimadas] Parte 1 — O Festival

Mensagem por Aldenor » 25 Set 2019, 20:47

Acordar cedo não era costume para Max. O guerreiro balançou a cabeça e coçou o cabelo antes de mergulhar sua cara num balde de água gelada para despertar. Apesar de sentir o rosto endurecer e o despertar atingir-lhe como um soco, o guerreiro sorria. Finalmente, o festival começaria e ele poderia se livrar do trabalho com seu pai e se concentrar em conhecer garotas de outros lugares. Visitantes de outras cidades atraídas pelo festival. Claro, haveria também oportunidade de encontrar algum mercador rico disposto a pagá-lo por escolta.

Era uma oportunidade de ouro. Seu pai, Jonathan, balançava a cabeça em negativa quando viu seu filho ainda se roupas. Já era quase a segunda hora de sol e estavam quase atrasados. Max não lhe deu ouvidos, apenas pôs suas roupas na maior calma possível.
Max
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Acalme-se, velho, essas coisas sempre atrasam.
Jonathan queria pegar o início, o discurso da prefeita, mas mais do que isso, queria prestar sua homenagem aos mortos no misterioso incêndio de cinco anos atrás. Max sabia disso e, apesar de suas palavras e aparente despreocupação, pôs a se arrumar com mais rapidez.

***

Em poucos minutos, estavam diante das pessoas da cidade e dos visitantes. Chegaram durante a risada comunal após um comentário sobre Larz. Max chegou como se estivesse preparado para viajar. Uma roupa leve sobre um corselete de couro endurecido e com rebites de metal. Sua grande espada jazia nas costas, onde o cabo estava à altura de sua cabeça e a ponta alcançava sua coxa. Suas mãos possuíam luvas endurecidas e poderosas para arremates. Max sorria, mas seu pai pôs a mão em seu ombro.
Jonathan
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Lembre-se que acabou de sair da prisão. Não procure mais confusão.
Max
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Relaxa, velho. Da próxima vez não vou deixar o outro vivo pra chamar a milícia.
Jonathan o puxou com força, forçando Max a se virar para ele enquanto o sorriso do rapaz se transfigurava em uma expressão de enfado.
Jonathan
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Acha que tudo é uma brincadeira, garoto? Da próxima vez podem te mandar enforcar!
Max rolou os olhos e balançou a cabeça concordando. Não tinha paciência. Antes que respondesse, o xerife da cidade pediu um minuto de silêncio em honra aos mortos no incêndio. Era o momento que Jonathan queria. Empurrou seu filho para o lado e se colocou em destaque para os demais, abaixando a cabeça, juntando suas mãos frente ao corpo. O velho ferreiro vestia sua armadura de aço polida a exaustão e sua capa vermelha recém lavada e perfumada.

Max fez um som baixo com a boca soltando ar em zombaria e aguardou. O minuto de silêncio mais longo de sua vida. Não que Max não se importasse com os mortos, mas aquela solenidade toda lhe parecia bobagem. O xerife, então, anunciou a fala de outra pessoa e Max apenas virou-se para vê-lo. Houve uma pequena confusão e seus olhos brilharam como os de uma mariposa atraída pela luz.

***

Um homem espalhafatoso subiu ao palco anunciando que não era quem deveria ser. Max ficou confuso, mas gostou de ouvir que era um viajante experiente. Talvez ele pudesse levá-lo para longe daquela cidade? Riu com suas palavras, aproximando-se mais ao palco, sem reparar que seu pai não estava mais ali. Havia pouco que Max conseguia captar em sua volta...

Cyrdak começou a contar uma história mencionando a igreja queimada, que honrava vários deuses.
Max
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Nenhum que preste realmente...
Murmurou enquanto assoprava debaixo das unhas da mão. Para Max, o único deus útil era Cayden Cailean, o patrono dos bêbados, devassos e libertinos.

Max se perdeu um pouco em seus pensamentos e começou a olhar em volta em busca de um rosto bonito, enquanto Cyrdak continuava a tagarelar sobre construir uma catedral enorme no lugar da antiga igreja. E então, viu um belíssimo rosto sendo aplaudido por todos.

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Era de Allishanda, uma celebridade, apresentada por Cyrdak. Max assoviou e piscou o olho em sua direção - não sendo o único a fazê-lo, claro. Max ainda demorou alguns momentos olhando a linda barda quando a multidão começou a gritar pelo nome de Desna, a deusa das estrelas, e a dispersar.
Max
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Ei, senhorita, eu...
Max estava perto de Allishanda, mas um homenzinho apareceu em sua frente. Era um assistente, e o impediu de falar diretamente com a barda. Só então Max percebeu também o guarda-costas.

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Um homem alto e preparado com motivos de armadura e armas. O jovem guerreiro o encarou de cima embaixo, como se fosse mais importante do que a própria barda...
Assistente
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E então, jovem? O que deseja? Jovem?
Max voltou sua atenção a ele.
Max
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Hum. Eu gostaria de falar com a senhorita Allishanda. Convidá-la a ver a competição de braço de ferro que vou participar. Ganharei em sua honra. Agora, me dê licença...
O homenzinho se interpôs novamente em sua frente.
Assistente
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Infelizmente Allishanda não está atendendo seus fãs hoje, meu rapaz. Mas fique feliz, ela observará a competição de todos e, quem sabe, dedicar uma olhadela para você. Agora, por gentileza, ela tem assuntos importantes a tratar.
Max fechou o cenho, enfadado e pensou em esbofetear o homenzinho, tirá-lo do caminho... mas pensou que a barda não fosse gostar de uma atitude violenta com seu funcionário. Então, Max saiu dali e caminhou para a parte de competições...

***

Max se aproximou de onde ouvira a maior balburdia. Onde os bêbados se juntavam. Era um lugar pequeno, com uma única mesa, onde uma grossa tábua de madeira encimava um parrudo tronco de árvore cortado. Muitas pessoas gritavam, xingavam e se provocavam, pois ali era a competição de braço de ferro.

Sentando-se na cadeira de opositor, Max encarou seu primeiro adversário: um homem alto, de traços grossos, cabelos em tranças e cheio de cicatrizes em seu peito nu.
Max
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Você é grande, mas não é dois.
E o venceu.

Xingamentos a Max e zombaria ao derrotado. O próximo sentou-se na mesa para desafiá-lo. Era um homem redondo, camisa apertada, braços grossos como o tronco da árvore. Inchado, os olhos se perdiam no rosto. Max o encarou segurando o riso.
Max
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Acho que você precisa se exercitar mais.
E o venceu.

Dessa vez, apenas risadas. Max manteve-se sério. O próximo adversário foi uma anã. O silêncio imperou quando ela se sentou na cadeira, deixando seu machado de lado. Max havia disputado até o momento com a sua espada nas costas, mas a anã agora parecia que havia acabado de usar seu machado... Algo na aura dela, em seu rosto sério cheio de sardas, fez Max ficar quieto. Apenas acenou respeitosamente antes de suas mãos forçarem-se.

Mas Max venceu novamente, depois de empregar uma enorme força. As pessoas aplaudiram e xingaram Max.
Max
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Vocês me odeiam, mesmo, seu bando de corno?
E então, seu pai sentou-se à mesa. Jonathan estava com o rosto salpicado de vermelho, olhos baixos e um bafo tremendo de cachaça. Sua armadura polida agora estava úmida e sua capa com as beiradas já sujas.
Jonathan
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Venha, garoto. Vou te dar uma lição. Iiirc.
Max olhou em volta, ouvia risadas e mais xingamentos direcionados a ele. Max sabia que seu pai não sabia lidar com alguns problemas e recorria ao álcool. Não era algo que Max não faria também, mas nunca se deixaria afundar-se daquele jeito.
Max
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Tá bom, velho. Vamos lá.
E venceu. Max fez o velho quase cair da mesa depois de usar toda sua força de uma vez, num rompante que estalou seus músculos, saltou suas veias. Em menos de um segundo, a competição acabara. Jonathan, entretanto, não reagiu irritado. Riu com os demais e deu dois tapinhas nas costas do filho.
Jonathan
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Não tenho... iirc... mais nada pra te ensinar... irc.
Max
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Tem mesmo não. Cuide-se, velho.
Disse sorrindo calmamente, dando um tapinha nas costas do pai, retribuindo o carinho.

***

O velho começou a ir embora atrás de mais cerveja e Max encontrou os olhos de Allishanda. A jovem barda estava entretida, relaxada. O guarda-costas ao seu lado olhava para um lado e seu assistente cuidava de outro "fã". Max esgueirou-se por algumas pessoas e surgiu repentinamente em frente à barda, buscando sua mão delicadamente. Inclinando-se, beijou a mão macia de Allishanda.
Max
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Bom dia, senhorita Allishanda, eu me chamo Reilly. Max Reilly. Aventureiro, homem de armas, ao seu dispor.
Allishanda
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Encantada, meu jovem.
"Jovem?" Max ergueu uma sobrancelha.
Max
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Venci o torneio de braço de ferro, de valorosos adversários. Fiz em sua honra.
E fez um meneio, um arremedo de um cumprimento requintado. A barda sorriu singelamente.
Max
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Antes que se apresente, o que acha de tomar um vinho comigo?
E deu seu melhor sorriso. Porém, ela devolveu com um risinho.
Allishanda
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Fico lisonjeada, Max, mas você é muito jovem para mim. Agora, com licença.
E saiu deli deixando Max com queixo caído.

Max, então, juntou seu orgulho e procurou comer. Já era perto do meio dia, o estômago reclamava e, diferente, do seu pai, ainda não havia bebido absolutamente nada. Não fazia mal ser rejeitado pela barda (pelo menos, era o que tentava se convencer). Havia outras moças jovens por aí.
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John Lessard
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Re: [AdMR — Capítulo 1, Oferendas Queimadas] Parte 1 — O Festival

Mensagem por John Lessard » 26 Set 2019, 09:03

Ser expulso era melhor do que ser morto e o agora Marvelous Magus olhava com deslumbre para cidade onde estava. Sua súbita decisão de ser aventureiro parecia a decisão mais acertada de sua vida, se pudesse ver sempre cidades assim. Seus olhos brilhavam, quase esquecendo o navio e seus tripulantes que o odiavam mais atrás, quando olhou para Alika.
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- Senhorita Alika, senhorita Alika... - sua voz era infantil, regada a hiperatividade - Vou explorar o festival!
Sendo assim, saiu correndo.

Marvelous era um jovem halfling de cabelos castanhos compridos, amarrados num rabo de cavalo. Usava uma bermuda marrom, camisa de linho branco aberta no peito. Sobre tudo isso um casacão azul, com muitos botões . Além disso, uma bolsa transversal de couro, com seus pertences, principalmente panelas e talheres, que tilintavam conforme corria alucinadamente. Os pés era protegidos por botas de couro rígido.

Talvez algumas pessoas pudessem confundi-lo com uma criança, com sua pele suave e olhos grandes e fascinados.

Seu olhar recaiu então até as barracas de comida e abriu um sorriso em sua face infantil. Correu, passando os olhos por todos os alimentos. Frutas exóticas, biscoitos da sorte, ração halfling… Se mostrou um pouco impaciente durante os ritos de inicio, não queria faltar com respeito, mas estava ansioso para explorar. Sendo assim se esforçou para prestar atenção e fazer silêncio quando solicitado, aguentando toda a falação seguinte. Quando acabou, voltou a mirar as barracas.
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“CHOCOLATE! - exclamou enquanto mantinha as duas mãos amassando as bochechas.”
Logo então, sua expressou murchou, triste.
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“Não posso levar tanta comida, sou muito fraco e já tenho muito peso… Mas talvez… - voltou a sorrir com a ideia que teve - Possa comer um pouco de tudo antes do almoço!”
Correu, abordando as barracas em ordem e comprando uma porção de cada, comendo tudo assim que comprava. A última foi a de ração.
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“Vejamos, vejamos… Tem o que de bom?”
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“Ração, rapaz, feito por mim e minha família”
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“Eita...”
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“Vai querer quantas porções?”
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“Hmmm… - ele olhou para sua bolsa com olhar choroso - Uma porção, por favor.”
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“É pra já, ela vem com uma barra de granola. Pronto, aqui está. Antes de ir, escute, você deveria participar do campeonato de esconde-esconde”
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“Ooohhh, parece uma boa, moço”
Após comer sua barra de chocolate e guardar a outra na bolsa, Marvelous correu para se inscrever no campeonato. Havia muitos oponentes valorosos, foi divertido e bastante difícil para ele. Marvelous até conseguia se esconder bem pelo seu tamanho, mas era muito avoado e distraído para achar as coisas, imagina pessoas se escondendo efetivamente. Quando saiu, restavam só duas pessoas.
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“Devo ter ficado em terceiro então, creio eu. Onde será que está a senhorita Alika, hein? Quero falar para ela que fiquei em terceiro lugar hehehe.”
Pensou um pouco.
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“Claro, ela deve aparecer para o almoço”
E assim procurou pelo local onde seria servida comida… De graça.
Off:

Marvelous compra e come 1 porção de frutas por 1 PC; 1 pão de mel por 2 PC; 1 chocolate por 5 PO. Compra 1 ração halfling por 2 PO e guarda e 1 biscoito da sorte por PC e guarda.
Editado pela última vez por John Lessard em 30 Set 2019, 16:55, em um total de 1 vez.
Personagens em Pbfs:
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Maggot
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Re: [AdMR — Capítulo 1, Oferendas Queimadas] Parte 1 — O Festival

Mensagem por Maggot » 27 Set 2019, 11:09

"Tem gente até demais aqui. Nem parece a mesma Sandpoint."

Obviamente era a mesma. Mas com tantas pessoas reunidas em um mesmo lugar da cidade, Sandpoint parecia tão maior. Não que Alaric tivesse ido em alguma cidade maior em suas memórias recentes.

Ele não escondia seu desconforto com aquele ambiente. Não era exatamente bom com grandes públicos, e o povo de Sandpoint ainda lhe era um tópico amargo. Ele nunca se esqueceria dos olhares que dirigiam à ele e ao pai. Como se fossem monstros. Aberrações. Era o tipo de coisa que marcava uma pessoa. Felizmente, não eram todos. Ainda tinha alguns amigos na cidade, o que ele sempre apreciava.

Havia descido mais cedo que esperava de sua casa no Ninho do Corvo, e agora estava ali, esperando o grande discurso. Podia aproveitar a chance para conseguir algum trabalho, ao menos.

Os olhares eram inevitáveis, lamentavelmente. Não apenas seu histórico de família, mas era claramente diferente. Se parecia demais com os ulfen de seu pai, e possuía tatuagens demais como sua mãe. Não apenas isso, mas às exibia abertamente, por tradição e honrando seu sangue shoanti. Depois das acusações nos anos anteriores, meros olhares haviam parado de incomodar.

Se dirigiu até uma das poucas pessoas com quem ainda possuía contato regular: Ameiko Kaijitsu, dona do Dragão Enferrujado. A mulher tinha a mesma idade de Alaric, e tendo vivido como aventureira antes, era livre dos preconceitos encontrados em tantos ali. Ela era uma das envolvidas com o almoço gratuito do festival, o que sempre era um bom sinal. A comida de Ameiko era uma das raras coisas que faziam Alaric ter alguma empolgação em suas idas até a cidade.

Quando se aproximou, um dos funcionários de Ameiko, um curioso e espalhafatoso homem de pele escura e sorriso largo, fazia um ato teatral com as bebidas, conseguindo atenção e palmas das pessoas próximas. Não sabendo como reagir, o caçador apenas se aproximou, e antes que reparasse um copo já havia sido empurrado em sua mão pelo homem. Agradecendo, Alaric finalmente se virou e conseguiu brevemente a atenção de Ameiko.

- Ameiko, ei.

Um sinal de mão tímido foi feito pelo rapaz, respondido de forma mais entusiasmada pela mulher.

- Você não teria trabalho para mim, teria? Goblins? Animais selvagens criando problemas na região?

- Sabe que não precisa ser tão formal não é? Já nos conhecemos há quanto tempo Alaric? Você pode relaxar por aqui.

O rapaz começou à fazer um pedido de desculpas, mas novamente foi interrompido:

- Não precisa se desculpar também. Mas não, não acho que tenha, lamento. Você pode ir ver a tábua de avisos no Dragão para ver se tem algo.

Suspirou, virando o corpo e se preparando para ir pelo menos olhar a possibilidade de trabalho, mas antes tinha de perguntar:

- Alguma notícia de Shalelu? Faz algum tempo que não à vejo.

Ameiko deu um pequeno riso, que Alaric demorou alguns segundos para entender o porquê.

- Ela passou pela cidade quando você estava no Ninho, pouco mais de um mês atrás. Só deve voltar no Solstício de Inverno agora. Mas e esse seu interesse repentino nela?

Ela ria, mas interpretava errado. Ainda assim, Alaric não pode evitar enrubescer. Com Shalelu ele apenas queria falar de negócios, ambos sendo exploradores dos ermos que rondavam a cidade. Mas era melhor que Ameiko não soubesse que era por ela mesma que Alaric havia tido interesse quando mais novo. Mesmo agora não podia negar atração.

- Hã... Não, você entendeu errado. São apenas negócios. Sobre a situação da região. Enfim, me desculpe, estou atrapalhando. Podemos nos falar depois.

Tomando um gole de seu copo, o rapaz se virou e procurou algum lugar para esperar o almoço. Iria apenas almoçar e então iria até a Tábua de Avisos. Se sentia mais à vontade caçando que em cidades, de qualquer forma.
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- Six shots...
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RoenMidnight
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Re: [AdMR — Capítulo 1, Oferendas Queimadas] Parte 1 — O Festival

Mensagem por RoenMidnight » 28 Set 2019, 18:18

Quando havia chego em Sandpoint a cinco anos atrás a igreja já havia queimado. Miguel não havia tido qualquer contato com aquela igreja e não era muito religioso então o fato da construção da catedral agora estar novamente construída não tocava tanto o seu coração como do resto da população.

Entretanto, festas eram sempre bem vindas e se sentia particularmente bem, estava distante arrumando a taberna, limpando copos e organizando o salão da taberna durante o discurso, logo as pessoas viriam para beber e aproveita a festa e claro, o almoço grátis lotaria o lugar.

Esperava que esse ano a receita que a sua chefe traria fosse algo gostoso, os ovos de cocatriz que ela havia preparado com cogumelos negros e algumas maluquisses que ela havia feito no ano passado havia revirado o estomago.

A única que poderia responder essa pergunta era Bethana que cuidava da cozinha e tinha chamado mais duas meninas para ajuda-la.
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- Você não precisa trabalhar hoje Miguel, pode ir aproveitar a festividade não é todo dia que temos algo assim por aqui. Só vai ter que servir o almoço e limpar tudo depois.
Se virou sorrindo para sua chefe que vinha surgindo no salão. Olhou para e sua voz preencheu o ambiente e de forma melodiosa.
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- Você fala como se eu já não fosse fazer isso de uma forma ou de outra. Sabe como são esses festivais, nunca existem mãos suficientes para realizar o trabalho.
A mulher deu de ombros com um sorriso e respondeu.
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- Faça o que você acha melhor, me aproveita que você ta atrás do balcão e me serve uma ai.
Fez menção de alcançar uma garrafa de bebida mas a chefe o parou no meio do caminho e disse.
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- Essa ai não, a do lado, não, não a do outro lado.
Olhou então o rotulo e o sorriso em seu rosto se alargou.
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- Parece que hoje realmente estamos comemorando, não?
Pegou um copo e depositou na frente dela servindo o licor de cor ambar até metade. Fechou a garrafa e se apoiou no balcão a frente da mulher. A observou inalar o perfume da bebida e degusta-la. Pela a postura dela e a forma com que agia era fácil esquecer que ela era muito mais jovem que ele próprio. Gostava da presença de Ameiko.
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- Hoje é um dia de festa, não tem porque não me permitir uma extravagancia de vez em quando.
Não respondeu nada. Fez um meneio com a cabeça apontando a porta com o queixo, mostrando as pessoas que começavam a adentrar. Deu uma piscadela para a dona do lugar e disse.
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- Vou fazer a gente ganhar um dinheiro a mais hoje.
Conforme as pessoas iam adentrando Miguel ia atendendo cada um dos que adentravam, e logo adentravam mais e mais. Logo apareceu um bardo que subiu no palco comunitário e começou a preparar sua flauta. Miguel andava entre as cadeiras servindo os pedidos e logo ao fundo a música começava a tocar uma canção. O homem começou a trabalhar mais rápido e mais animadamente com a música no ambiente enquanto o próprio cantava.
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Eram nove piratas sobre o convés
Balançando canecos ao ar
E o vento na proa guiava o navio
E lançava suas vozes ao mar...
Logo pegou algumas das garrafas e se pôs a cantar enquanto jogava elas para o alto girando, dava alguns passos para o lado voltava e agarrava em seguida.
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A vida é cruel, não tem pena de nós
Cega nossos olhos, cala nossa voz
Ela quer que nós, juntos, fiquemos tão sós
Ela vem lentamente e foge veloz
Andava pelo o salão sapateando, saltou por cima de uma cadeira que havia caído pousando em cima de uma mesa e servindo a mesma no processo enquanto batia as mãos no ritmo da música.
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Feito o vento que carrega o navio
Os versos seguiram o mar
Eram nove canecos rolando o convés,
e os marujos no chão a cantar
Saltou da mesa agarrou o candelabro e saltou novamente para trás do balcão agarrando um caneco enchendo de bebida e empurrando ao longo do balcão para o homem que conversava com Ameiko.
Imagem
"A vida é cruel, e foge veloz
Ela vem lentamente, cala nossa voz
Cega nossos olhos, não tem pena de nós
Ela quer que nós, juntos, fiquemos tão sós!"
Batia as mãos no ritmo da música fazendo com que os frequentadores do local batessem juntos no processo e continuou a servir os pedidos ao longo do salão desviando de vários com piruetas deixando respingar pouco das bebidas e da comida.
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"A vida é cruel, e foge veloz
Ela vem lentamente, cala nossa voz
Cega nossos olhos, não tem pena de nós
Ela quer que nós, juntos, fiquemos tão sós!"
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LordVrikolaka
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Re: [AdMR — Capítulo 1, Oferendas Queimadas] Parte 1 — O Festival

Mensagem por LordVrikolaka » 30 Set 2019, 16:43

Chegar em Sandpoint foi mais ou menos harmônico, e por um lado já sentia saudades de casa. O caso do Halfling - e sua subsequente companhia - foi algo fácil de se resolver, e impediu uma catástrofe. Apenas uma pequena mentirinha inocente de um destino importante vindo dele, e um pouco de convencimento foi o suficiente para salvar uma vida. Infelizmente teria que esperar pelo festival, pois o padre Zantus estava bem indisponível graças à inauguração, então teve que se hospedar em uma estalagem de boa qualidade. Ela estava acostumada a dormir em camas mais duras pela igreja, mas adorava que estava numa cama dessas agora.

Estava muito lotado, e muitas pessoas diferentes, mas era óbvio que alguns olhares eram direcionados à ela. Era diferente demais dos outros. Ela tendeu a desviar os olhos deles. Em meio à multidão do discurso de abertura, ela tentava observar tudo, mas era impossível, visto que não era muito alta... Ela até pensou em pedir pra alguém levantar ela, mas não, seria muito vergonhoso. E ouviu os discursos de abertura mesmo sem poder ver diretamente.

Ela sorriu com as piadas da Prefeita Deverin achando engraçado, concordou com as considerações do Xerife Cicuta, mas houve algo digno de nota sobre o discurso.
Xerife Cicuta escreveu:Imagem
Também gostaria de pedir um minuto de silêncio para que recordemos aqueles que perderam a vida no Incêndio de Sandpoint, há cinco anos, que também nos privou de um templo... até hoje.
Alika parou esse momento para fazer uma oração à Pharasma, pedindo proteção para as almas deles, que tivessem feito sua travessia até o Jardim de Ossos em segurança. Aquela viagem era perigosa, se sabia entre os servos da Deusa. Seu dedo passou pelo coração em uma espiral, simulando o padrão do símbolo sagrado de Pharasma ao fim da oração. Ela sabia que sua mãe Pharasma iria ter julgado eles com justiça, e que estavam bem, mas orar por sua segurança nunca era demais...

Ela passou o resto do pronunciamento um pouco pensativa, nos mortos. Mas quando apareceu o Padre Zantus, ela parou para ouví-lo com mais atenção, já que ele era quem ela queria conversar. Tanto a perguntar, tantas perguntas que seu templo não tinha as respostas, e que um templo politeísta podia responder. Mas sabia que teria um pouco de dificuldade de abordá-lo, mesmo porque hoje seria um dia extrememamente movimentado pra ele.

Ela foi tirada de seus pensamentos pelo "Magus" (ela realmente devia descobrir o nome dele, ninguém se chamaria "Mago Maravilhoso", que família daria um nome desses?), falando que ia sair para se divertir. Ela deu um sorriso leve para ele.
Lady Alika escreveu:Imagem
Claro, pode ir, querido.
Disse com uma voz doce e baixa, um pouco sussurrante. Era muito difícil não tratá-lo como uma criança. Ela não tinha muito contato com halflings, e sabia que os halfling não tinham bem um padrão na forma de agir, mas ainda era estranho que ele parecia agir como uma criança. Bom, não importa, ele faz o que for melhor pra vida dele. Ele já é bem grandinho - bem que não parece, mas ele já é. Tinha que também cuidar das próprias coisas - que significava: "matar o tempo enquanto a catedral não era aberta". O que poderia fazer?

Ela começou a vagar pelo festival, observando as competições. Observou de longe a competição de braço de ferro, onde um jovem estava parecendo ir bem apesar de enfrentar gente mais velha e até mais forte que ele. Mas não ficou até o fim, deixando a competição para trás, e voltando a vagar. Visitou barraquinhas de comida, para pegar algumas poucas guloseimas, e observava a distância. Ela até pensou em participar de alguma gincana ali, mas muitas delas já tinham começado e não poderia se inscrever. Talvez tivesse perdido tempo demais andando por ali. Bom, tanto faz, ela era uma emissária da igreja, e seria bem estranho ver uma clériga brincando ali. Mas sentiu uma pontinha de remorso, sinceramente.

No fim das contas, ela viu uma estalagem que estava servindo bebidas alcoólicas, e parecia estar tendo algum tipo de festividade ali, com um cara obviamente marinheiro cantando e fazendo cabriolas enquanto servia os clientes. Aquilo era divertido. Ela até pensou em pegar alguma coisa alcoólica fraquinha pra ela, mas se contentou com pegar algum petisco apenas. Sei lá, uma porção pequena de queijo, só para segurar um pouco o estômago antes do almoço comunitário - que aparentemente seria ali também.
OFF: Gastos ainda não contabilizados, só comprei alguma guloseima, tipo um chocolate, e vou comprar uma pequena porção de queijo.

Ah, a voz da Alika soa assim:


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