"Background misterioso": A preguiça do jogador e a vingança do mestre

Crônicas do RPG

“Background misterioso”: A preguiça do jogador e a vingança do mestre

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A história que vou contar hoje vem com uma lição de moral que TODO jogador de RPG deveria levar para a vida: a importância de criar um background para o seu personagem.

Cadê o backgroud que devia estar aqui?

Eu mesma era muito preguiçosa para criar uma história antes da aventura, um porquê o meu personagem estar ali, suas motivações, passado trágico, medos, amores… Tenho amigos que faziam um verdadeiro conto épico com datas, nomes e árvore genealógica. Um orgulho!

No entanto, tive um amigo que não se preocupava muito com isso e acabou criando o background mais preguiçoso e clichê de todos. Nem preciso resumir, ele era um mago que não se lembrava do seu passado, não tinha pais e havia sido criado por um homem que virou seu mestre. Fim.

O mestre (um daqueles amigos que desenvolve uma história fantástica a cada personagem que joga), sádico como é conhecido, até deu a chance dele criar algo a mais para incrementar o personagem, mas o inocente disse que já estava bom.

Foi com o sorriso do mestre seguido de “Você que sabe” que me fez perceber que o coitado do mago (preguiçoso, mas coitado) seria o alvo da vez.
Vocês já se ferraram muito no RPG? Tipo, tudo de ruim que poderia acontecer, acontecia logo com o seu personagem? Mas não pergunto isso sobre um dia de campanha, ou uma luta/desafio específico. O mago se ferrou a campanha inteira. INTEIRA.

“Não ter um background me dá liberdade para criar o que eu quiser.”

O mago perdeu suas magias, descobriu que seus pais faziam parte de uma organização do mal e que o abandonaram, teve um arco todo de busca ao seu mestre que estava preso numa gruta, em tamanho gigante, sendo comido vivo por vermes e morrendo na frente do nosso amigo ferrado depois de um triste discurso. Esse último foi traumatizante (rindo de nervoso aqui).

Eu morria de dó, claro, mas me divertia a cada expressão de tristeza do mago quando o mestre começava a rir malignamente na rolagem de dados. Teve uma vez que ri muito porque (não lembro o porquê) ele ficou careca, como um cosplay chateadíssimo do Ripp (Ledd). Mas a gozação deu lugar à caridade, e minha paladina de Thyatis (sim, a zumbi) doou parte do seu cabelo para que o companheiro de aventura usasse como peruca.
Ficou ridículo, pelo menos na minha imaginação.

Lição dada, lição aprendida

Apesar dos pesares, o mago fez uma campanha muito boa! Conseguiu se reinventar, criou formas de usar sua magia limitada em situações de perigo e salvou nossas vidas. Por fim, a sua jornada foi a mais épica e acabou sendo o ponto principal da nossa campanha em certo ponto. Mesmo que ele não tivesse se esforçado tanto e preferisse ser apenas um personagem sem grandes histórias que queria se aventurar,. Daria um ótimo livro.

Não joguei novamente com esse amigo depois, mas fiquei sabendo que ele mudou muito e que hoje cria histórias mais consistentes e bem amarradinhas, movido pelo medo de ser torturado novamente.

Não há problema algum em ter um personagem misterioso e com um passado que precise ser um segredo, isso também é background. Meu conselho é que conte pelo menos ao mestre a sua história e deixe que ele te ajude a manter o enredo e enriquecer ainda mais o seu personagem.

Não seja preguiçoso e boa campanha!



Comentários (8)

  1. A parte do mestre sendo comido vivo me convenceu. Hahahahahahahahahah
    Acho que a beleza do RPG está em você criar umas histórias para enriquecer e fazer você se ligar mais ao personagens. Quanto mais tiver dele, mais você se funde a ele e vive a aventura com maior emoção.

  2. Esse foi certamente um dos piores takes que já vi no assunto. Coisa de mestre sádico e com sede de poder.

    Ainda bem que os jogos mais modernos estão fugindo dessa onda de ‘pedir background’ pro jogador. Mork Borg, Bastionland, Into the Odd, Stars Without Numbers, Blades in the Dark, etc etc.

    Background se descobre na mesa, se joga, se cria se quiser. Não é um pré-requisito pra um jogo divertido.

    Torturar um jogador porque ele quer ser Jogador ao invés de Escritor é uma péssima decisão e, como uma das grandes editoras de RPG do Brasil, muito me surpreende que seja um ato aqui encorajado.

    1. O que eu li na crônica foi que um jogador não fez background e deixou pro mestre, em contra partida o mestre utilizou isso pra dar uma singularidade pro personagem e ao mesmo tempo dando motivações pro jogador trabalhar na história do personagem, assim dando ferramentas pro jogador se divertir (com o mestre se divertindo junto). Sinceramente não consigo ver onde isso foi ruim.

  3. Velho, que história zoada…pleno 2021 e ainda temos “mestre” roubando a agência de jogador e estragando o tempo dele pra dar “lição “.

    Olha o tipo de gente que vocês tão empoderando!

    Que nojo!

  4. Oi, pessoal! A Marcela narra de forma bem humorada as experiências dela com RPG. São textos de comédia sobre aqueles pequenos absurdos pelos quais os jogadores costumam passar na “vida real”, longe dos guias e manuais. O objetivo do posts não é ensinar a jogar ou a mestrar, e sim compartilhar uma vivência pessoal com o hobby com uma pegada mais cômica.

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